PRISM - A Última Heroína (The NEXT)
5 Capítulo 4
Notas iniciais
17 de março de 2307
“Pouco conhecimento faz com que as pessoas se sintam orgulhosas. Muito conhecimento, que se sintam humildes. É assim que as espigas sem grãos erguem desdenhosamente a cabeça para o Céu, enquanto que as cheias as baixam para a terra.” — Leonardo da Vinci
Após a chegada do homem na resistência várias pessoas começaram a se sentir desprotegidas. Na cabeça delas se um reles humano havia conseguido encontrar uma brecha na resistência, a PRISM seria capaz de fazer algo bem pior.
O ânimo de todos havia sido alterado. Suzanne mostrava para Jason a resistência e como a mesma funcionava. Por onde a menina passava pessoas olhavam feio para ela e seu companheiro. Mas ninguém tinha coragem de repreendê-la por deixar um qualquer perambular pelo local. As pessoas possuem um medo muito grande do “bichinho” de estimação da Suzanne, eles sabem que se demostrarem perigo a menina o tigre irá atacá-los sem dó e nem piedade.
O pior para eles é ter que aceitá-la mandando em tudo e todos. Ainda não acreditavam que Andrew havia deixado uma pirralha no comando.
– Nessa câmara se encontra o nosso sistema de defesa. — Suzanne falou animadamente.
– Sistema de defesa? Por acaso há alguma chance dele conseguir ser eficiente contra a PRISM? — Jason perguntou debochado.
– 12% de chance. As matérias primas usadas para a construção dele são antigas, desconhecidas pelo sistema PRISM, mas não se pode esquecer que ela consegue absorver informações tecnológicas rapidamente. Por isso há uma baixa chance dele funcionar. — Anne explica rapidamente.
– Quem foi o responsável pela construção desse sistema? Você pode me levar para conhecê-lo? — Jason pergunta verdadeiramente interessado.
– Você está olhando para ela, querido. Eu fui a responsável pelo projeto e pela construção desse sistema. — Suzanne fala surpreendendo Jason.
– Mas como é possível? Você é apenas uma garota. — Jason fala abismado.
– Não me subestime. Ao contrário de muitas pessoas da minha idade eu possuo inteligência um pouco avançada. Acontece que em vez de ficar me lamentando após o acidente, eu comecei a me interessar pelas plantas de toda a tecnologia que conhecemos. Entendi como aquilo funcionava e comecei a criar minhas próprias plantas, mas havia uma coisa que a PRISM não sabia que existia. — Anne falou exasperada.
– Acidente? — Jason perguntou confuso.
– Não gosto de falar sobre isso. — Suzanne diz tristemente.
– Tudo bem, quem sabe algum dia você me fala sobre esse assunto. Agora você pode me mostrar onde posso descansar? — Jason disse mudando de assunto para deixar a garota mais confortável.
– Claro. — Anne falou e começou a andar em direção ao novo aposento de Jason. — Como era viver em uma cidade branca? — A garota perguntou curiosa.
– Terrível, eu não possui nenhum tipo de liberdade. Vivia confinado em um quarto, minhas refeições eram levadas por máquinas, não era permitido fazer nada além de dormir e comer. — Jason disse se lembrando de sua antiga vida.
– Chegamos. — Suzanne fala mudando de assunto. — É comum aqui na resistência a divisão de quartos, ela é feita pelo Andy e como ele não voltou ainda você terá que dividir o quarto com o Leon, quando ele voltar, o Andy escolherá seu novo quarto. Pode descansar agora.
– Obrigado. — Jason diz verdadeiramente feliz.
Anne vai para a biblioteca e Jason fica em seu novo quarto descansando. As coisas na resistência se estabilizam. Depois de algumas horas todos vão dormir.
19 de março de 2307
Pov Suzanne Closs
Desde a chegada de Jason os resistentes passaram a temer uma invasão da PRISM. Sem o Andrew aqui fica difícil acalmar as pessoas, ele é o único que consegue lidar com problemas sem se estressar. Não consigo acreditar que ele fez uma coisa dessas comigo. O infeliz sabe que eu não gosto muito de ter contato com essas pessoas, prefiro ficar na minha, escondida em alguma camara desconhecida por eles.
Agora que estou no lugar do Andy, tenho que supervisionar a produção de alimentos, a distribuição de roupas e comida. Isso é muito cansativo, além disso ainda tenho que mostrar como as coisas funcionam para o Jason. Minha única alegria é ver a cara de medo das pessoas ao perceberem que o Luck está perambulando comigo pela resistência.
Nesse tempo que passou não houveram mais buscas por parte da PRISM, isso está bastante suspeito. Todos sabem que ela não vai descansar enquanto não dominar todo o mundo. Tudo isso por culpa do próprio ser humano.
– O que você tanto pensa, menina? — Jason perguntou interessado.
– Em como o mundo mudou, os homens passaram a ter suas vidas controladas por máquinas. Sabe Jason, a tecnologia nunca foi uma ameaça, até o momento em que demos para ela total controle sobre nós.- Digo pensativa.
– Concordo com você pequena. As pessoas não impuseram limites, agora reclamam do que aconteceu a elas. Sempre colocando a culpa em algo que não tem nada a ver com a história. A verdade é que elas querem sempre estar certas. — Jason falou se envolvendo no assunto.
– A realidade é dura, quanto mais cedo aceitarmos ela mais fácil será mudá-la.- Digo.
– Verdade, Suzanne. — Jason falou pensativo.
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