PARADOXO - Seson 3

22 Capitulo 19 - Lordes da Justiça


Notas iniciais
Oi pessoinhas! Espero que curtam o capítulo de hoje, nos vemos lá em baixo!

DAMIAN

Quando voltamos para a Casa dos Mistérios, Connor não estava interessado em nenhum de nós. Ele simplesmente rumou em direção ao seu quarto com Lunna, sem nem olhar para traz. Isis e eu andamos pelo corredor em silencio, quando estou em frente ao lugar onde deve ser o quarto dela, sorrio esperando que entre. Mas ela apenas olha para os dois lados, pega minha mão esquerda, girando a maçaneta da porta com sua mão livre e me puxa para dentro.

—Não vou te deixar sozinho – justifica com o rosto escarlate.

—Eu não disse nada – respondo olhando ao redor.

O quarto era menor do que os de todos os outros do nosso time em que estive. Paredes brancas com um conjunto de moveis escuros e chão de madeira. Uma cama de solteiro com lençóis claros e uma mesinha de cabeceira onde havia um despertador, um porta-retrato dela abraçada a Felicity e outro com uma foto de Lunna. Espera... me viro para a porta fechada e vejo um alvo para dardos, na parede a esquerda uma porta de madeira onde sei que encontraria um banheiro se abrisse.

—O quarto do Connor? – ergo a sobrancelha e seu rosto volta a ficar vermelho, preciso segurar o riso.

—Entrei e ele ficou assim – fala cruzando os braços e olhando para o chão. – A Katoptris também achou hilário.

—Você odiava esse quarto – o esforço para não dar risada se torna maior, Isis suspira e sei que não vai discutir mais o assunto.

—Olha, você deveria ir tomar banho! – diz quase irritada o que acaba com minha capacidade de conter o riso. – Não estou te xingando seu boboca, estou falando de banho mesmo, sem roupa e com água caindo sobre... – se interrompe e fixo meu olhar na parede sem graça do quarto que só pode ser descrito como de um monge. Agora sem nenhuma vontade de rir.

—É verdade, vou fazer isso – começo a andar em direção a porta, mas sou puxado de volta pelo capuz do meu traje.

—Trouxe uma muda de roupas sua – aponta para a porta de madeira.

—Trouxe minhas roupas para seu quarto? – não deveria provocar, mas minha língua ganha vida própria.

—Uma muda de roupa, uma! – enfatiza.

—Ainda assim, como sabia que eu iria aceitar vir? – franzo a testa a observando, Isis revira os olhos e me dá um olhar que me faz sentir idiota.

—Então, eu tenho uma adaga mágica que me mostra o futuro, mas vamos ser sinceros Wayne – ela finca um dedo em meu peito. -Não precisava de ver o futuro para saber que você iria vir.

—Isso é uma boa quantidade de confiança, Queen – provoco mais uma vez e agora consegui alcançar seu limite, Isis semicerra os olhos, as mãos vão direto para a cintura.

—Acha que não vou te chutar porta a fora só por que está em um dia...

Dou risada a puxando em minha direção e silencio seu falatório com um beijo. Deus, como sentia falta de beijar a Queen. Minha mão segura sua nuca enquanto a outra está firme em sua cintura. Isis não parece estar a fim de me chutar porta a fora, ela passa os braços ao redor do meu pescoço e retribui meu beijo de imediato, sinto um breve suspiro seu entre meus lábios, com suas mãos se moldando em meus cabelos. Era lento, calmo e sem pressa. Estávamos com saudades demais para avançar qualquer coisa, só queria prolongar a sensação de a ter em meus braços o máximo possível. Me afasto dos seus lábios e beijo seu queixo, a ponta de seu nariz, as maçãs altas e perfeitas do seu rosto, suas têmporas, o canto de seus lábios e a base de seu pescoço.

Ela solta um riso musical e puxa minha boca para a dela de novo. Suas mãos passam para meu rosto e me curvo percebendo que estava na ponta de seus pés. Perfeita, Isis é simplesmente o meu encaixe perfeito. Posso sentir seu coração acelerado contra o meu que não estava diferente, meus braços a seguram um pouco mais forte e arranco outro suspiro dela.

—Ainda acho que precisa tomar banho – murmura com os lábios nos meus. – Isso não é nada higiênico considerando o que estávamos fazendo antes – verdade, dou um selinho e me afasto dela. – Pode ir, você teve mais contato com... – Faz uma espécie de dancinha de zumbi e sou obrigado a segurar em sua nuca e beija-la mais uma vez, o que leva uns bons segundos para conseguir assumir o controle mais uma vez e parar.

—Não vou demorar, Queen – ela sorri quando me afasto em direção ao banheiro.

O banheiro é tão sem graça quanto o quarto. Era ainda menor do que me lembrava, uma pia pequena com um espelho simples, um vaso sanitário, um pequeno armário embutido na parede, onde encontrei a tal muda de roupas e toalhas. Por fim uma ducha. Tudo de um branco imaculado, vendo isso consigo me lembrar do fato do irmão dela ser mesmo um monge, seu quarto com Lunna tem tantas cores e decoração que fica dificil imaginar como alguém vai de algo assim, para aquilo.

Tomo banho de forma metódica, tentando não pensar em nada do que aconteceu mais cedo. Tento não me lembrar de onde vou ter que ir quando acordar no dia seguinte, o que vou precisar esperar acontecer. Merda. Respiro fundo e desligo a ducha. Isis pegou uma calça de moletom preta e uma regata da mesma cor, bom, é quase como não usar uma camisa e provavelmente não é apropriado vestir algo tão cavado se ela espera dividir aquela cama de solteiro, mas não fui eu quem escolhi. Então me enfio nas roupas, seco meu cabelo com a toalha antes de sair do cubículo branco.

Para minha surpresa a Pequena Queen já estava sentada na cama, com os cabelos húmidos e usando um pijama de mangas cumpridas e uma calça larga, com estampas que me lembram nuvens, ou algodão doce. Ela não deveria ficar tão perfeita em uma coisa estranha daquela, mas não posso descrever Isis de qualquer forma que não fosse linda. Acho que vestida com um pedaço de papelão e sacolas velhas, essa garota ainda poderia estrelar um filme da Disney.

—Onde você tomou banho? – pergunto me sentando ao seu lado, com as pernas esticadas e as costas apoiadas na cabeceira da cama.

—No seu quarto – dá de ombros, mas isso me faz lembrar de quando Wally me pediu para pegar um par de luvas em seu quarto com Sara a alguns dias.

—Esses quartos não costumam se abrir para ninguém além do dono – começo. – Como conseguiu pegar minhas roupas e entrar lá para tomar banho? – olho confuso para seu rosto angelical.

—Segurei na maçaneta e girei – dá de ombros. – De que outra forma poderia entrar? – me oferece sua mão e a seguro, traçando seu contorno com os dedos. – Amanhã vai ser ruim, não vai? – sua pergunta me traz a realidade de imediato.

—Acho que estou pegando a doença dos nossos irmãos – suspiro. – Sinceramente, é um alivio ser Connor e eu a ir nessa missão. Depois de suas visões com aquele mundo, não queria que nenhum de vocês que vão ficar precisassem lidar com aquilo – só de imaginar Isis ou Wally frente a frente com minha versão ou a de Barry daquele lugar sinto meu corpo estremecer. – Nossa, eu costumava odiar quando me tratavam desse mesmo jeito – faço careta e escuto Isis rindo.

—Gosto que seja assim – ela beija minha bochecha e me puxa para deitar ao seu lado. A abraço fazendo com que deitasse em meu braço, a mantendo por perto. – Pode dormir aqui amanhã também, ou eu entro no seu quarto, já que aparentemente eu tenho passe livre para ele – brica me fazendo dar risada, abraço Isis apertado, deixando um beijo no alto de sua cabeça.

Não parece que fiz mais do que fechar os olhos, mas quando volto a abri-los e reconheço a imobilização que Isis costuma tornar qualquer abraço enquanto dormimos, sei que já estava na hora de sair da minha bolha. A falta de pratica me faz demorar o dobro do que normalmente levaria para conseguir me soltar dela, beijo seu rosto e arrumo a coberta para cobri-la por completo.

Ao sair do quarto dou de cara com Connor, escorado na parede a frente, com um sorriso de lado no rosto e os braços cruzados. Já estava completamente vestido para a missão, mas congelo na porta, sem saber exatamente o que fazer depois de ser pego saindo do quarto de sua irmãzinha.

—Bom dia – diz com uma diversão perversa no rosto, engulo em seco. Flashbacks de um passado não tão distante assim tomam conta da minha mente. – Qual o problema Dam?

—Hum, nada – respondo confuso o vendo segurar o riso.

—Sabe que vocês são maiores de idade, não é? – franze o rosto, ainda com a expressão de quem está adorando aquilo.

—É, eu sei quantos anos nós temos – formal demais, limpo a garganta tentando deixar minha voz menos grave.

—Bom, então para de me olhar como se eu fosse te fritar vivo – balança a cabeça e pega uma maleta preta que estava ao seu lado no chão. – Grayson mandou isso para você, disse que seria útil onde estamos indo – me entrega a maleta. – Lunna disse para se trocar e ir direto para a cozinha, falou que sabe que você não comeu nada ontem depois de voltar – isso alivia minha tensão.

—Sua esposa tem uma estranha obsessão em manter todos a sua volta alimentados – digo quando começamos a caminhar lado a lado no corredor.

—Não são todos, você sabe disso. Ela te adotou, e agora precisa lidar com a versão Lunna irmã mais velha – bate de leve no meu ombro, quando chegamos na porta do meu quarto. – Vamos te esperar lá.

Entro em meu quarto, e jogo a maleta sobre a cama, indo direto para o banheiro. Lavo o rosto, escovo os dentes e arrumo meu cabelo que estava amassado de um jeito estranho para um lado só. Depois de terminar minha higiene, volto para o quarto e abro a maleta.

—Ele só pode estar me zoando – murmuro, vendo o conteúdo. – Qual o problema desses caras e essa história de legado?

CONNOR

Lunna e Sara estavam encostadas em uma bancada na cozinha, olhando para a porta cheias de expectativas. Wally tentou de tudo para conseguir entrar no quarto de Isis para acordar minha irmã, mas aparentemente ela não queria muito sua presença nele. Agora West está a minha frente, devorando um pacote de pão e algumas frutas em alta velocidade.

Damian passa pela porta e o rosto das meninas se acendem. Ele usava um uniforme preto, com uma águia azul sobre o peito, sua máscara ainda se parecia com a do Robin, mas as laterais eram mais finas e estilizadas. O cinto de utilidades era preto, no mesmo tom do uniforme, e agora tinha bastões elétricos no suporte a suas costas.

—Você está super gato – Sara solta o olhado de forma sugestiva, que faz o rosto do garoto corar. – Isis vai querer morrer por não ver isso!

—Pode ir comer – Lunna aponta para a mesa, com um sorriso contido. Mas não falaria nada vendo o desconforto do novo Asa Noturna.

—Olha isso, parece que Jin e Juan são parte do negócio da família – Sara murmura e Wally parece engasgar com o pedaço de alguma coisa que mastigava, enquanto tentava não rir.

—Ai meu Deus! – Lu sofria do mesmo mal do nosso amigo, o rosto já estava completamente vermelho. – Sara, isso é tão errado!

—Por que ele não me falou que mandaria esse uniforme? – escuto Dam dizer quando desaba na cadeira ao lado do Wally, olhando para os próprios braços com estranheza.

—Acho que não queria que você negasse, sabe como é – Wally dá de ombros. – Vou ser o reforço dessa vez, então estarei como contato direto dos colares de vocês.

—Tem certeza? – Damian estuda seu rosto, parecendo preocupado. O que claro, faz o Wally abrir um sorriso enorme e tocar seu ombro de forma dramática.

—Minha criança mais doce – declara fingindo uma emoção exagerada que faz Dam revirar os olhos. – Orgulho do Wally!

—Nossa! – um grito esganiçado chama a atenção de todos, Isis está parada na soleira da porta, com os olhos arregalados e os cabelos desgrenhados, com cara de quem acabou de acordar. Seu rosto fica vermelho depois de encarar Damian por um bom tempo, sem conseguir se mover.

—Eu amo essa juventude – Sara diz suspirando. – Mal consigo me lembrar desse tempo mais – declara feito uma velha decrepita.

—Não implica com eles – Lunna a repreende, mas o riso em sua voz não dá peso em suas palavras. – Isis, vai ficar parada aí?

Isso a desperta, minha irmã entra com os olhos no namorado, quase não acreditando que era ele mesmo. Por Buda, em algum momento nós vamos precisar desenvolver algum controle quando o assunto é alguém de quem gostamos, chega a ser doloroso assistir. Lunna deixa xicaras diante dos dois, e volta a ressaltar que deveriam comer. Linda, seus olhos brilhavam de alegria só por captar na forma que os dois se entre olhavam que já haviam feito as pazes.

—Fecha a boca! – Wally chuta minha perna por baixo da mesa, cortando minha atenção. E isso é exatamente o que estava falando, a única coisa que foge completamente do meu controle.

—Você parece maior nesse traje – sério, esse é o primeiro comentário da minha irmã. Não posso continuar vendo isso! Damian ergue a sobrancelha e todos em nossa volta parecem querer gargalhar. Mas era doloroso demais para conseguir achar graça. – Quero dizer, está mais forte – faz careta. – Parece mais velho... Não super velho, estou dizendo de um jeito bom – tenta mais uma vez. – Que titica! – suspira escondendo o rosto entre as mãos.

—Pobre Isis – Wally solta com pesar, e a vergonha alheia me faz querer abraça-la e a tirar dali.

—Por que os dois não se concentram em comer, Constantine disse que não teriam muito tempo antes de sair – Lunna novamente salva o dia, como disse, é perfeita. Acaricia o obro do Damian que coloca uma mão sobre a dela retribuindo o gesto, depois dá a volta na mesa e beija meu rosto. – Nada de exagerarem no lance de heróis, estamos entendidos? – nos encara esperando que os dois confirmem, então abre meu sorriso preferido e sai da cozinha arrastando uma Sara a ponto de explodir.

—Ela está certa, vocês dois, comam – falo desviando meus olhos para a torrada em meu prato.

Quando a casa nos deixa na pior versão de Gotham que meus olhos já viram, tenho certeza que Damian e a família dele fazem a diferença. Somos atingidos por um cheiro azedo que faz minhas narinas arderem. O lugar era deplorável, como se Todas as divindades tivessem esquecido de sua existência.

—Acho que não usam mais necrotérios por aqui – Damian murmura franzindo o nariz.

Corpos em decomposição, essa é a origem do cheiro, expostos como exemplo. Ao nosso redor, existiam muitas pichações exaltando o Coringa, como se ele fosse uma espécie de herói, um Messias que poderia retornar da morte e salvar todos.

—Isso é doentio – olho em volta, procurando qualquer coisa familiar para situar onde estávamos. – Tem alguma ideia de onde seja isso?

—Ali – ele aponta para um prédio em ruinas a nossas costas. – Wayne Tec.

Era o maior ponto de pichações pró Coringa de toda a rua. Não consigo nem mesmo imaginar o quanto isso deve ser ofensivo para um dos Morcegos. Retiro o batirangue encantado que Constantine nos entregou e seguimos o objeto que flutuava envolto a uma luz azul macabra.

—Aliados, foi o que ele disso que isso nos ajudaria a encontrar? – a voz de Damian soa incerta.

—Essa era a ideia.

—Bom, então acho que as coisas são muito mais estranhas do que pensávamos – ele aponta para frente, onde uma garota usando uma calça de couro vermelha e preta, com uma blusa minúscula dividida pelas duas cores e tinha seus cabelos metade louro, metade preto, saltitava de um lado a outro, saqueando os corpos do que parecem soldados super armados.

—Hum, o verdinho não estava com a Canarinha agora mesmo? – comenta como se estivesse falando com alguém, assim que nos percebe. – E o Casa Noturna, não usa azul e preto, também não corta mais os cabelos.

—É Asa Noturna – não sei por que Damian a estava corrigindo, e por sua expressão ele mesmo não tem ideia.

—Claro, Idade Soturna! – Arlequina continua como se não o tivesse escutado, andando calmamente em nossa direção. – Vocês não são daqui, não é mesmo lindinhos?

—Então é isso? – Dam franze o rosto. – Pedimos ajuda aos nossos mentores e eles lutam sem nem mesmo nos dar a chance de falar, mas a Arlequina está aqui, parada nos observando, completamente racional!

—Posso ver a esperança brilhando como um holofote gigantesco em suas bundinhas gostosas – declara com o ar avoado dela. – Não teriam isso se vivesse aqui.

—Claro – sacudo a cabeça tentando colocar nossos pensamentos em ordem. – Existe alguma forma de você nos colocar em contato com o Batman? – pergunto e ela me encara com olhos vazios. – Temos informações e não temos muito tempo.

Antes de qualquer coisa os puxo para um lugar mais escuro rente ao muro, e vemos algo amarelo brilhante sobrevoar a cidade, Sinestro. Se aqui é a Wayne Tec naquela direção fica o presidio Blackgate. A qualquer instante Victor Zsasz vai ser libertado com a missão de assassinar o Alfred. Fazendo assim a armadilha perfeita para o Superman colocar suas mãos no Batman. Nós tínhamos uma escolha para Bruce fazer, um Asa Noturna, versão maligna para capturar e nada parecia muito promissor no momento.

DAMIAN

Pela primeira vez vejo que o meu lar é um local bacana. Claro, comparado a essa outra Gotham o inferno também seria um lugar legal. Acho que se Lúcifer resolver tirar umas férias dos seus domínios sombrios esse lugar aqui seria a sua última escolha, provavelmente seria trocar seis por meia dúzia, um lugar ensolarado e cheirando melhor que o enxofre da decomposição humana seria a escolha dele, a lista de lugares deveria ser enorme, até sinto vontade de o acompanha-lo para longe disso aqui.

Seguimos Harley até um botequim tão fedorento quanto todo o resto da cidade. Encontramos vários homens e mulheres usando máscara que cobriam o rosto por inteiro nos encarando como se fossem nos arrancar um pedaço. Mentira, o Arqueiro eles nem notaram era um pedaço meu mesmo que queriam, não posso julga-los também queria um pedado do Damian desse mundo, um do tamanho de um punho que pulse sangue de dentro do peito do filho da puta que traiu a nossa família.

—Relaxa meninos, eles estão comigo – bom, não rolou.

Arlequina passa pelo balcão pegando uma garrafa de água e virando de uma vez, e segue para o fundo do bar, acompanho, com Connor cobrindo a minha retaguarda. Essas pessoas estavam querendo encrenca, ou melhor vingança, mas não tínhamos tempo para isso. Talvez depois de dar uma surra naquele, não tenho um xingamento apropriado para o sujeito, eu largue o que sobrar no meio desses cães para alimentá-los, isso parece justo o bastante para mim.

Entramos por uma porta, descemos alguns degraus, parando a frente de outra porta com um sistema de leitura de retina.

—Roubei esse sistema de segurança do seu papai –sorri como se contasse que adotou um cachorrinho abandonado, se sentindo orgulhosa de si mesma.

—Sabe que isso não pararia qualquer um deles? – tenho uma sobrancelha erguida, e como resposta faz uma careta me mostrando a língua, pelo menos Harley não tinha mudado tanto afinal, claro que se não notasse que está do mesmo lado que o Batman. Passamos para uma sala não muito grande, quase um quarto do pânico.

—Me diz, lá na terra de vocês tem aquele gostosão do Shazam? – posso ver a esperança nos olhos dela. – Ele aqui é gostoso, mas é um tapado.

—Isso é errado em tantas formas. – Connor parece um pouco enjoado. – Sabe que ele é uma criança, não é? – Arlequina para, antes de se virar em nossa direção com os olhos arregalados. – O lance de identidade secreta não foi revogado no regime?

—Mas eu... – começa pensativa. – Pensei que o Bilizinho fosse o irmão mais novo dele.

—Mesma pessoa — confirmo com um aceno e ela engole em seco.

—Ele não tem uma mamãe para o ensinar bons modos? – a pergunta soa inocente, mas por algum motivo sinto todos os meus ossos gelarem.

—Espero que isso seja importante – a voz de Dinah interrompe seja qual for a resposta que Connor daria a Harley, e lá vamos nós outra vez.

Antes mesmo que pudesse perceber um chute nas minhas costas me joga na parede oposta. Arlequina um, as pessoas nos criaram, zero. Sinto o gosto de sangue na minha boca, droga, Canário Negro daqui não tem nada da falta de treinamento da anterior que encontramos.

—Ei canarinho, eles estão do nosso lado – Harley entra entre na minha frente, dois pontos para Arlequina. Connor, está ao meu lado, me ajudando a levantar.

—Quantas vezes eles vão fazer isso?

—Quantos mundos ainda temos que passar mesmo? – devolvo a pergunta já me irritando, puta merda, são os nossos mentores. –No próximo mundo vou bater primeiro e depois explicar.

—Sinceridade? – me pergunta. – Não vou fazer diferente – sorri olhando para o Oliver atrás da Canário. – Ele não estava morto?

—Outro mundo também, lindinho – Harley responde simplificando muito. — Temos muitos viajantes por aqui hoje!

— Vamos precisar de um diagrama com todas as nossas versões explicadas até o final dessa missão – sugiro, evitando o olhar assassino da Laurel.

—A Gláuks adoraria fazer isso – Connor divaga acredito que imagina Lunna, até eu conseguia a ver se divertindo no meio de um grande diagrama cheio de pequenas fotos nossas com legendas explicando de onde cada uma dessas versões seria. – Definitivamente ela poderia fazer isso.

— Se vocês vêm de outro mundo, o que querem aqui? –Canário ainda tinha o olhar ameaçador.

— Quebrar a minha cara – aponto para a minha face.

—Gosto dele – Oliver declara tirando o capuz. – Vai ser divertido me ver, quando cheguei aqui já estava morto, nunca me conheci. – Oliver desse mundo parecia muito mais com o de nossa terra, o que me faz soltar um suspiro aliviado. Ao contrário de Connor que pigarreia claramente desconfortável.

—Não sou o Oliver, senhor. Sua versão ficou cuidando de outra missão. –Connor abaixa o capuz também, tirando os anos a mais do Arqueiro Verde daqui, não ajuda muito na explicação. – Eu sou meio que o seu filho em meu mundo – dá de ombros.

—Claro que é –Harley tinha o queixo caído. – Igualzinho, só que melhor – a doida não se continha e dava pulinhos no mesmo lugar.

—Connor? –Oliver tinha um sorriso bobo de orgulho só por ver o filho a sua frente.

—Pelo menos Sandra manteve o bom gosto – sussurro, já estava imaginando que nome o dariam nessa terra, fiquei entre Clint e Katniss (nunca se sabe).

—Acha que pode deter o filhinho de papai homicida? – Canário ignora aquele momento, mesmo cedendo um pouco ao ver Connor. – Ele tem companhias bem pesadas.

—Sem falar no suplemento alimentar? – Harley levanta um frasco com várias pílulas verdes parecendo radioativas, as jogas para mim, as pego, estudando e as devolvo.

—Não vamos precisar disso.

—Guardem – Oliver nos lança as pílulas novamente. – Outro mundo garoto, pode não precisar agora, mas não sabe quem mais vai aparecer em nosso caminho.

Connor assente e guarda sua pílula em seu cinto, sigo o exemplo, mesmo esperando que não seja necessária. Só uma vez gostaria que nossa missão fosse só cumprir os objetivos de nossa lista, sem ninguém além do esperado para combater.

— Algo vai acontecer essa noite, se tivermos sorte podemos impedir uma perda do lado de vocês, mas primeiro precisamos achar a versão assassina do Asa Noturna – Connor toma a frente, na posição de liderança. Oliver tinha o orgulho estampado na cara.

—Isso não será difícil. – Canário dá de ombro. – O apartamento do Grayson. Seu cara, mantem aquilo como um santuário, só invadirmos e ele brota do chão para nos matar.

—Sozinho? – Con franze a testa.

—Sério? – o olho de lado. – O que acha que eu faria nessa situação a cinco anos atrás?

—Claro – ele tenta não esboçar nenhum sorriso ao lembrar da minha marra adolescente beirando a estupides. – Isso vai ser...

—Conveniente – completo e Connor concorda ao meu lado.

CONNOR

Há várias coisas que um irmão sabe sobre o outro. Sabemos os seus piores podres e os seus maiores medos, tudo o que dá força e o enfraquece. Conseguimos sentir no ar quando algo os irrita, muitas vezes a causa da irritação somos nós mesmos, e essa é a parte cômica. Humilhação afetiva é o que mais irrita Isis, sei disso da mesma forma que ela sabe me tirar do sério simplesmente me ignorando. Nós até podemos nos matar, mas isso é pessoal, só nós e ninguém mais, e quando digo ninguém mais é nem mesmo os nossos pais, somos os nossos maiores algozes e protetores, é estranho, mas só quem tem irmãos conhece a intensidade desse sentimento.

Conheci Grayson aos dez anos, enquanto me escondia no esgoto subterrâneo da mansão Queen com minha irmãzinha que mal havia saído das fraudas. Nossa casa estava sendo atacada e Felicity nos fez escapar em segurança, antes dela e nosso pai dar um jeito na situação. Foi assustador, mas Isis parecia calma, acho que ela pensava que tudo aquilo era só uma brincadeira, me lembro de ter entrado de cabeça nesse papel. O Robin nos encontrou e nos levou para segurança. Foi minha primeira vez vendo o Batman de perto, ainda me recordo da sensação.

Desde então Dick se tornou um dos meus melhores amigos, provavelmente é um dos primeiros que procuraria se precisasse de ajuda. Sou o padrinho do filho do cara, não existe maior prova de confiança do que essa. E nesse mundo minha versão nem mesmo vai poder conhece-lo, Connor sem um Grayson, soa assustador. Mas nem chega perto do que seria um Damian sem seu irmão. Dick é definitivamente o seu maior herói, e por mais que Damian seja filho do próprio Batman, todos nós sabemos quem ele realmente respeita cegamente naquela família.

Andamos pelo prédio que conhecíamos como a palma de nossas mãos, mas ali não havia vida além dos ratos e insetos que empesteavam o local. A única diferença era a porta do apartamento setenta e três. Dam precisa de um tempo para fazer isso, atrás dessa mesma porta em nosso mundo não há somente um Grayson, o que o Damian matou nesse mundo não foi apenas Dick, mas a possibilidade de existir uma Chloe e um Al, três pedaços essenciais para ele, mesmo eu precisei assimilar o que essa perda significava. Espero calmamente enquanto ele se recompõe e respira antes do escâner identifica-lo e a porta se abrir.

—Uma pedra – fala enquanto meche nos mecanismos da porta, instalando um alarme e o encaro sem entender do que falava. – Foi como ele morreu – seu tom era neutro, algo que vem melhorando em meio aos nossos treinamentos. – Robin lançou um bastão em sua cabeça enquanto ele estava de costas, no meio de uma luta contra vários vilões. Dick estava ocupado, e deve ter dado algum conselho como sempre faz. Um bastão, a fé estupida que o Grayson tem em mim e uma pedra, foi o bastante para custar sua vida.

—Você não é ele – Oliver fala antes que consiga assimilar a informação e abrir a boca para dizer o mesmo.

—Não, não ataco meus aliados – diz em tom seco, terminando a instalação. – E posso até ter passado por alguns momentos de rebeldia, e marra...

—Muita, muita marra – acrescento com sarcasmo, e isso desfaz um pouco a tensão em seus ombros.

—Mas nunca fui idiota o suficiente para encarar o Asa Noturna, nem covarde para fazer isso quando ele não poderia se defender – e ali está mais uma vez o tom neutro, a fim de mascarar o desprezo que sentia.

Oliver dá um pequeno sorriso, ele gostava de Damian, sua aprovação fácil de detectar, como o meu próprio pai costuma ser. Já Laurel é outra história, sua forma de encarar meu parceiro já estava começando a me dar nos nervos, o que Haley percebe e se coloca na frente da Canário Negro, obstruindo sua visão de Damian, lhe garantindo mais um ponto pela sensatez. Quando escutamos a confirmação do sistema passamos pela porta.

O apartamento estava vazio, mas completamente em ordem, não havia poeira, parecia apenas que o dono havia saído e que logo estaria de volta, o que era assustador, Dam desse mundo parece tão devotado a seu Grayson quanto o do meu, acho que essa é uma das constantes que não se alteram entre as terras. Todos estavam em expectativa muda, nem mesmo Arlequina pareceria respirar. Damian vai até uma poltrona e senta.

—Poderiam esperar no quarto ao lado – aponta para a porta a esquerda. – No guarda roupa na segunda gaveta de baixo de uma pilha de papeis há um objeto, pode guardar para mim? Isso não vai demorar – os outros o observam sem saber o que fazer, apenas aceno com a cabeça e eles entram no que seria o quarto de Dick.

—Eu não vou me afastar. Você acha que Grayson quer uma vingança? – começo a pensar que trazer Damian não foi uma boa ideia, muito sentimento envolvido.

—Não é uma vingança – dá de ombros, com um ar sombrio que já não via nele a meses.

Não vejo a hora de tudo isso terminar. O manto do Asa Noturna parece muito pesado para Damian, não que não tenha a preparação, ele simplesmente não o deseja, o rejeita com todas as suas forças. Vestir esse manto significa duas coisas em sua cabeça e percebi assim que o vi essa manhã, Usar o uniforme do Asa era um sinônimo de luto por Bruce, e assim Dick o substituiria e o manto cairia sobre o Dam ou a própria morte do irmão, em outras palavras nada parecia bom.

Dam dá um sorriso. – Tudo vai ficar bem, só me deixe jogar essa partida e não interfira.

Dou dois passos para trás encosto na parede, onde ficaria até o fim dessa luta. Um som sutil nos avisa do que estaria pro vir, a porta a nossa frente se abre, revelando uma versão de Damian alguns anos mais velho, como cabelos mais compridos e escorridos partidos ao meio no melhor estilo Severo Snape, e realmente, ele precisava fazer um curso de controle da raiva.

Parte para cima de Dam sem se preocupar com muita coisa, aquela versão parecia um touro cheio de esteroides, quase como se não houvesse alma dentro. Era ameaçador, um recipiente vazio em que o ódio encontrou espaço suficiente para habitar, não havia como Damian perder para aquele ser sem controle.

Dam pulou da poltrona saltando por sobre a versão lado sombrio da força, dando um chute em suas costas antes mesmo de pousar no chão. A poltrona onde a pouco estava sentado estava destruída pelo peso do corpo de Dark Damian. Dam apenas espera que seu rival se levante, eu conseguia ver os passos dos dois com uma certa antecedência. Uma dança brutal e violenta ao extremo.

Mais uma vez Dark Damian parte sem parecer pensar muito, Dam se esquiva de dois socos consecutivos, posiciona seus braços por volta do corpo do adversário e o levanta o jogando em cima da mesa de jantar pequena que separava a sala da cozinha, que não resiste o impacto e também se estilhaça em várias lascas de madeira. Dam não espera que Dark Damian levante dessa vez, o agarra pela garganta e empurra contra geladeira, fazendo um grande amaçado – essa já era – em seguida bate sua cabeça na pia que se quebra em duas, o lança pelo drywall o destruindo por completo. Dam se apoia na parede e o Dark Dam lança um batirangue que se crava ao lado da cabeça do meu parceiro que se lança na direção oposta de imediato, dois clicks e uma pequena explosão, consigo ver Canário do outro lado da parede. Dam parte outra vez para cima dele, Dark Damian parece se recuperar um pouco, conseguido encaixar um soco em Dam, mas não consegue o segundo, e o levanta do chão o lançando em direção do armário da cozinha, pratos e copos viraram cacos por cima do Dark Damian.

Entendo que para meu Damian aquele apartamento não tinha motivo para existir se ele não era o lar de alguém, mantê-lo inteiro era a maneira que o Dark Damian tinha de manter a ideia de que Grayson ainda iria voltar, quando sabemos que não tem volta. Consegui entender como Damian usou a falta de controle emocional de seu doppelganger para não o dar a menor chance nessa luta. Não posso evitar o orgulho que me consome. O controle que Dam desenvolveu, o faz estar em um nível impensável para até mesmo uma versão mais velha sua. Talvez o Damian de antes agisse exatamente como sua outra versão, cego pela perda do irmão nesse universo.

Dark Damian pega algo em seu cinto, mas Dam pela primeira vez utiliza o bastão batendo em sua mão, fazendo a pílula voar, e a pega no ar. Sorrio de lado, sua expressão era vazia, ele estava estudando tudo de fora, usando a raiva em seus movimentos, não em sua mente. Bom garoto.

—Acha que vai ser tão fácil assim? – o eletrocuta com o outro bastão e o Dark Damian cai desacordado e todo detonado no chão.

—Ele quebrou o filhinho de papai no meio. – Harley aparece através da parede destruída.

—Parece surpresa – Damian amarra seu gêmeo do mau.

—Nem por um minutinho – você descobre que o mundo é estranho quando um morcego aceita um abraço de uma palhaça. Harley pendura no pescoço de Dam e ele apesar da sobrancelha levantada, não a rechaça. –Parece que vi um jogo de videogame com dois bonequinhos iguais lutando com uniformes de cores diferentes, foi divertido.

—Pegaram o que pedi? – se vira para Oliver ao soltar o abraço.

—Pedido interessante – Olivier entrega um case de game.

—Coisas de irmãos – dá de ombro e aquilo não precisava de explicação. – Pode terminar isso por mim? – ele desvia o olhar do meu.

— Como quer isso? – pego uma flecha, enquanto Dam pega sua versão desse mundo e o joga em seu ombro.

—O duto de gás já está rompido.

—Acho que é a nossa deixa, Madames? – Oliver indica a saída para Canário e Harley.

—Show, a gente não vê um evento de pirotecnia desde que o Vagalume bateu as botas. Pena que não trouxe a pipoca – parecia desapontada.

—Depois disso não vamos ter muito tempo, eles virão em peso atrás do Damian – a Canário me diz. – Mas também vai desviar a atenção para o que for que vocês pretendem fazer com o Batman.

—Em outras palavras, vai fundo garoto! – o Arqueiro simplifica, batendo de leve em meu ombro.

Já na calçada em frente ao prédio disparo a flecha provocando uma pequena explosão.

—Pode descansar, Grayson – Damian diz solenemente as chamas, antes de se virar para mim. – Vamos salvar o mordomo.

Oliver, Dinah e Harley se olham e soltam a mesmo tempo.

—Salvar quem?

DAMIAN

Desde pequeno, Alfred e meu pai fazem um jogo estranho. O mordomo se recusa a revelar sua real data de nascimento, e todos os anos desde a infância, Bruce escolhe um dia aleatório para declarar como o aniversário do velho. A parte estranha é que ele é o maior detetive do mundo, e descobrir a data de nascimento de alguém é uma das coisas mais fáceis para um de nós, não importa o quanto a pessoa se esconda, os meios de obter essa resposta são infinitos. Não tentar realmente descobrir que dia seria aquele, fala mais sobre o relacionamento dos dois do que qualquer outra coisa.

Voltamos para o bar imundo e a confusão nos olhos dos mascarados ao verem duas versões dos caras que odeiam, quase me diverte. Descemos as escadas e não me preocupo muito com o bem estar físico do babaca em meu ombro durante o processo. O coloco sobre uma cadeira e quase como se tivessem ensaiado, os arqueiros lançam flechas com amarras, se olhando de um jeito engraçado depois. Connor aperta um dispositivo e uma corrente elétrica envolve minha duplicata, fritando seus transmissores e qualquer outro equipamento de rastreio.

— Acha que Wally como único reforço seria mesmo a melhor opção? – pondero, tentando ignorar uma ideia que me veio a mente.

—No que está pensando? – Connor se aproxima estudando meu rosto.

—Que a Babs seria útil, mas se ela não estiver disponível, temos acesso a alguém ainda melhor.

—Barbara está com Bruce – Canário informa, finalmente me livrando do olhar homicida de antes. – Passamos o recado de vocês, os dois estarão aqui a qualquer momento.

—Esse momento seria melhor – Oliver murmura encarando a porta claramente incomodado. – A explosão de mais cedo vai liberar uma caça às bruxas.

—Não vão encontrar vestígios com tudo queimado – Connor fala, mas posso ver que está desconfortável com a situação. – Algo me diz que a prioridade deles hoje é outra – acrescenta em um tom mórbido.

—Ainda assim, não temos tempo – Canário bufa. – E fiquem calmos, Bruce não vai demorar.

—Então o esperamos antes de chamar a casa e Wally pode levar o cosplay de Snape aí para nos esperar – Connor sugere e confirmo escutando os passos abafados no inicio da escada.

—Não estou nem um pouco a fim de apanhar do Batman – faço careta e quase de imediato uma parede se forma a minha frente, os dois Arqueiros no centro, ladeados pelas garotas.

Batgirl é a primeira a aparecer, ela encara a posição defensiva de seus parceiros quase achando graça, até perceber um Arqueiro Verde a mais e o Asa Noturna desacordado e amarrado a cadeira. Mas não é ódio que aparece em seu rosto, aquilo parece ser muito mais alívio. Batman para ao lado da parceira e não estava preparado para a emoção que tomou seu rosto.

—Acho que eles não vão te bater – Con comenta dando um passo para o lado.

—Seu garoto, trouxe seu outro garoto de presente! – Oliver sintetiza e não conseguiria explicar o que aquele olhar no rosto do Batman significava.

—Outra terra? – Babs sugere e confirmo com um aceno, então ela se aproxima e começa a conferir cada parte minha.

—Hum, o que está fazendo? – murmuro desconfortável.

—O seu Grayson... – diz enquanto me apalpa.

—Ele me obrigou a usar isso – me apresso a dizer segurando suas duas mãos e ela solta o ar, claramente aliviada.

—Richard está vivo? – a voz de Bruce não passa de um sussurro grave.

—Todos estão – meus lábios se transformam em uma linha fina, não quero acrescentar que nem todos estão, e que talvez ele perca hoje a mesma pessoa que perdemos. – Nós precisamos de ajuda, e viemos ajudar ao mesmo tempo.

—Estou ouvindo – cruza os braços.

—Em nosso mundo nós estamos enfrentando uma ameaça que afeta todos os universos, para lutar contra precisamos de armas de universos e tempo diferentes – Connor começa.

—Nós precisamos das lágrimas de uma versão minha que não buscou redenção – concluo. – Preciso dele emprestado, mas prometo o devolver.

—Isso não é tudo – Babs adivinha.

—Não, e agora é a pior parte – suspiro sem nenhuma vontade de proferir as palavras a seguir. – Superman montou uma armadilha para o senhor essa noite – olho para o Batman que ainda não parecia estar realmente tenso. – Precisa escolher se vai interferir no que aconteceria no seu mundo, ou se vai abrir mão do Alfred – e aí está a tensão. – Podemos os salvar sem causar uma anomalia temporal, mas isso não permite que ele fique aqui.

—Espera, por que estamos escolhendo se Alfred fica ou vai? – Babs me olha confusa.

—Por que essa noite, o Superman enviou o Zsasz para assassiná-lo. – Connor termina o que seria incapaz de dizer.

Notas finais
Não esqueçam de me contar o que acharam! Bjnhos!!!