PARADOXO - Seson 3

23 Capitulo 20 - Lordes da Justiça Parte II


Notas iniciais
Oi pessoas! Desculpe por estar postando tão tarde, mas para não perder o costume de dificultar ao maximo minha vida, meu Pc não estava ligando. Enfim... Espero que se achem o capítulo divertido!

DAMIAN

Multiverso, o que uni os mundos, suas sarcásticas e possuidoras de um senso de humor doentio, linhas temporais? Sei que pode parecer condescendente, mas gosto de imaginar que há uma parte igual em todos eles, similaridades incontestáveis. Pelo que pude ver, a geografia é igual, a política com certeza é diferente, as construções de países, e as culturas em si também devem ser. Porém não são essas semelhanças que me parecem igualar em parte essas tantas terras. Gosto de acreditar que as similaridades são menores e quase imperceptíveis aos que não sabem o que procurar, mas basicamente pessoas especificas são o que tornam os mundos unidos. Determinadas pessoas e como elas agem, esse é o verdadeiro ponto em comum em meio a essa loucura toda.

Ao ver os olhos bondosos de Alfred me observando, com o mesmo carinho que o meu mordomo me olhava quando era criança, ou o Alfred do mundo que visitamos ontem me olhou, me faz ter certeza que são pessoas como ele que mantem o equilíbrio entre os mundos, e que se dane todas as explicações do Ramon.

—Deixa eu ver se entendi? – Estávamos na caverna, abaixo da mansão Wayne, onde ele ainda teimava em permanecer. Sua expressão era de incredulidade, o que lhe rendeu as duas sobrancelhas levantadas e o uma curvatura estranha nos lábios. – Vocês estão me dizendo que posso escolher entre morrer, ou viver no seu mundo?

—Você não tem escolha – a voz desse Bruce é muito parecida com a de um cachorro que levou uma surra e não sabe mais como emitir som.

Connor se move rapidamente, como se estivesse escutado algo. O tempo estava correndo, Zsasz estava chegando. Um olhar e já sabia que era exatamente isso. Seria o tempo de Alfred ser morto, mais um tempo até que minha versão desse mundo chegasse e o próprio Batman em seguida, enquanto Superman o estaria esperando para captura-lo, ou sabe se lá o que. Não posso esperar muito de quem está disposto a tirar a vida do Alfred.

—Não precisa ir para o nosso mundo, se não se sentir confortável com as nossas versões – tento, mas era a escolha dele. – O motivo de oferecermos ele é que já existem demônios mexendo com nossa linha temporal, e não estamos tendo o luxo de detectar anomalias no tempo.

—Não seja absurdo patrão Damian –apesar das palavras ele não parecia realmente chateado. – Em seu mundo, o que aconteceu comigo?

Eu fui assassinado, passei cinco anos como defunto e quando voltei a vida o mordomo da minha família, estava morrendo por causas naturais. Bom, não preciso dar tantos detalhes. Então forço um sorriso sem emoção e digo:

—Idade, diabetes, e uma ulcera não tratada – explano por alto. – Uma morte humana – ele pareceu ponderar por um momento.

—Não temos muito tempo – Connor me lembra, os olhos na entrada ao sul, a que vinha dos esgotos da marinha, mais próxima do presidio Blackgate. – Se vamos fazer precisam escolher agora.

—Vamos fazer – Bruce diz com o rosto petrificado.

Éramos apenas Bruce, Barbara, Connor, Alfred e eu na caverna, sabendo tudo que haviam perdido nesse mundo consigo sentir como cada um faz sua falta ser sentida.

—Bruce, essa não é a sua decisão – Barbara parecia dizer as palavras com tanta dor que era palpável. Por mais cabeça dura que Babs fosse, e ela era muito, não tiraria a escolha do Alfred.

—É o certo patrão – Alfred olha para Bruce pela primeira vez desde que contamos sobre sua morte iminente. – O meu tempo nesse mundo acabou, e estou preparado para isso.

—Nesse mundo – Connor fala mais alto que pareceu confortável para ele naquela situação. Mas Alfred apenas o ignora.

—Só preciso saber que vai ficar bem – caminha até Bruce e coloca a mão em seu ombro. – Nenhum pai teria mais orgulho do que eu tenho de você patrão, foi uma honra e privilegio servi-lo.

Não consigo ver aquilo, toda essa merda é mais dolorosa do que poderia imaginar. É como presenciar a mesma conversa que sei que meu pai teve com o nosso Alfred à beira da sua morte. Padrões se repetem em todos os mundos, Alfred definitivamente é um padrão.

—Se você não escolher ir, não pode imaginar que não lutaremos por você – Bruce soa ameaçador, mas era só dor mesmo, conhecia muito bem para saber como seria. – Todos já estão a postos.

—Eu sei, Bruce –Alfred sorri. – E é por isso que vou com o jovem Damian. Por que não posso mais estar aqui, e também não posso mais ver vocês se matando.

O mordomo puxa a versão do meu pai para um abraço de despedida. Eles são sortudos no final das contas, por poder ter esse momento para sempre vibrando infinitamente nas cordas do tempo. Isso certamente deixa toda a repetição um tanto menos cruel.

—Flash? – Connor chama pelo colar. – Pode trazer o plano A.

Um portal se abre atrás de Barbara e Wally sai vestido de Flash, o que fez Babs ficar em alerta.

—Flash do bem. – Wally aponta para o próprio peito, depois para os cabelos vermelhos expostos por sua máscara. Atrás dele uma mulher de cabelo curto, uniforme preto com duas faixas em ‘X’ cruzando o seu peito, pele verde e rosto coberto de sardas surge com ele.

—Por que vocês só me chamam para morrer? — M'gann não parece realmente chateada. Mas precisamos melhorar mesmo os nossos encontros, da próxima vez juro que pago uma pizza para ela e o Kent. Antes ou depois da morte que tiver que encenar, é uma promessa.

—Como assim morrer? – Babs parece horrorizada o que faz M’gann esboçar um pequeno sorriso.

—Não vou morrer, morrendo de verdade – diz com seu jeito naturalmente animado, talvez animado demais para a situação. – Só vou entrar na cabeça do assassino e o fazer pensar que cumpriu a missão com êxito. Que foi? – questiona sob meu olhar inquisidor. – Não sou uma atriz Robin, não vou encenar uma morte dramática sempre que me convocarem!

—Obrigado por isso M’gann – Connor toca seu ombro e ela sorri de forma doce em resposta.

WALLY

Ótimo, mais um show de horrores. Assim que Zsasz passa pela entrada escondida ao fundo da caverna, seus olhos ficam completamente brancos e Damian ajuda Alfred a alcançar a porta, sendo içado por Isis pela parte de dentro, assim que ela coloca a cabeça para fora seus olhos se arregalam em uma expressão de pavor.

—Qual o problema? – escuto Robin questionar, mas meus olhos estavam em Connor.

Ele estava completamente em alerta, treinamos juntos, lutamos juntos nossas vidas inteiras e sem bem o que aquilo significava. Com ou sem essa nova mandinga que o tal bloqueio suprimia, o Arqueiro Verde com o qual trabalho, sempre teve os melhores instintos. Hawke passa seus olhos em Bruce e Barbara, que estavam completamente destruídos emocionalmente ao ver Alfred os deixar. Precisávamos os tirar dali, sem atrair atenção para dentro da caverna, enquanto M’gann não terminava com o Zsasz.

—Os planos foram adiantados, o que vocês fizeram mais cedo, era para Victor Zsasz já ter terminado por aqui... eles estão lá fora, prontos para invadir – Isis murmura se apressando e fazendo sinal para os outros.

—Não podemos – Batman diz segurando a Batgirl pelo braço antes que ela pudesse avançar. – Se eles descobrirem isso – aponta para a porta colorida flutuante. – Não vão parar até encontrar e ter cada um de vocês em mãos.

—Bruce, se não formos eles vão conseguir te capturar – Babs fala entre dentes, o pavor claro em seus olhos. – Por que sempre precisa dificultar tudo?

—Gostamos das coisas do jeito dificil – estralo o pescoço e Connor puxa o capuz sobre o rosto, enquanto leva uma pílula verde a boca, nem quero saber o que era aquilo.

—Damian, vai e cuide do Alfred e do outro – Con instrui e vejo o Robin assentir lançando um último olhar para o Batman, mas então se volta para mim.

—Hey Flash – me viro em sua direção. – Suplementos – me lança um batirangue que pego por reflexo, havia uma pílula igual à que Connor havia tomado preso a ele. Merda, só espero que isso não me deixe doidão. Lanço o equipamento para ele de volta, nada de vestígios e finalmente a porta desaparece.

Não tínhamos tempo para um grande e brilhante plano ser elaborado, então decidimos apelar para apelo emocional e a boa e velha culpa. Nesse universo Oliver foi brutalmente assassinado por Kal-El, a verdade é que meu padrinho é o único motivo para a resistência ainda existir nesse lugar. Razão essa para o Senhor Destino intervir e trazer como uma forma estranha de “recompensa” o outro Arqueiro Verde, que por sua vez havia perdido todos em seu universo. Mas todos da resistência o escondiam, esse Oliver nunca foi visto, só ajudando em missões de extrema importância e sem contato direto com as cabeças do regime.

Não sentindo nada além de uma pequena carga de energia e meus músculos pulsarem ao tomar a pílula, pego Babs nos braços e me apresso pela saída dos fundos, ao mesmo tempo que vejo Connor apoiar Bruce em um braço depois do morcego dar dois bons socos na cara do Zsasz, a ponto de o sangue esguichar e sujar sua luva.

—Você é mais rápido que nosso Wally já chegou a ser, e não parece ser efeito da pílula – Barbara comenta, quando já estávamos em um bairro distante da mansão Wayne. – É mais forte também...

Ela engole em seco, dando um leve aperto e meu braço e preciso sufocar uma gargalhada. A deixo no chão e me viro para encará-la com minha melhor expressão de divertimento. Posso ver o momento exato em que se arrepende de suas palavras.

—Está me dando mole, Gordon? – ergo uma sobrancelha e o desconcerto estampa sua face, como flores em camisas havaianas. – É uma honra, juro, mas sou casado com uma de suas melhores amigas – tagarelo apenas por diversão, tentando aliviar a pressão do que deveria fazer a seguir. – Há! Isso vai ficar para a história!

—Pelo visto é o mesmo idiota de sempre – murmura irritada.

—Idiota para o qual você teve um lapso repentino de interesse – friso, recebendo um olhar mortal como resposta. Adoraria continuar com isso, mas não tenho tempo. Giro a carta de baralho velho na mão. – Pode entrar, a casa vai te guiar para uma saída que te leve ao seu esconderijo – ela assente e passa pela porta sem dizer mais nada.

A diversão tem fim no instante em que dou meia volta, tudo isso não deve ter levado mais do que trinta segundos, do momento em que levei Babs a me despedir e voltar. No instante em que chego à entrada principal da caverna, a cachoeira dava espaço para uma abertura imperceptível onde Connor estava passando pela porta, apoiando Bruce como se ele estivesse acabado de entrar em uma briga feia, que é o que queríamos fazer com que os outros acreditassem. E por falar nos outros...

Superman pairava no alto de frente para a saída, ladeado pelo Lanterna Verde que acredito ser o Hal Jordan, que para minha surpresa estava amarelinho como uma banana madura, Diana e pasmem, Sinestro. No chão a pessoa que vejo faz meu peito se apertar. Meu tio Barry, não estava feliz naquela posição, todo o seu corpo me dizia isso. Todos eles travam ao ver Connor, todos menos o Sinestro, mas ainda que tentasse avançar, Kal-El o para, paralisado pelo choque.

É importante ressaltar que a essa distância seria impossível para olhos comuns distinguir Connor do Tio Ollie, mas mesmo a super visão do azulão estava encontrando dificuldades. Talvez pela culpa que ainda suprime pela morte, mas não sei dizer, não posso imaginar o Clark matando ninguém, muito menos um de seus amigos.

—Seu gosto para cores costumava ser melhor Hal – Connor implica com o grande amigo de seu pai, que tinha o rosto contorcido de dor. A voz exatamente como a de Oliver e o Flash parece arfar de surpresa, atraindo sua atenção. – E aí Bear? Como vai, amigo?

—Não pode estar vivo, eu vi o seu corpo... – Diana balbucia tão chocada quanto todos os outros. – O acidente que te levou afetou a todos nós.

—Acidente? – a voz de Connor se torna mais dura e incisiva. – É assim que chamam agora? Foi assim que chamou o que ordenou Victor Zsasz a fazer essa noite? – se volta para o Superman e o ódio toma imediatamente as feições do homem de aço. – Contou a eles Clark?

—Não me chame assim – ordena entre dentes.

—Por que? – é a primeira vez que Bruce abre a boca, mas sua voz é algo indescritível, a dor deformando toda a sua face e o desamparo em que se mantinha sendo apoiado por Connor era de partir o coração. – O que o Alfred fez para você?

—O que tem o Alfred? – Barry pergunta, parecendo começar a entender a gravidade do que estava acontecendo.

—Alfred está morto – Connor declara e as pernas de Bruce parecem falhar, o fazendo demandar de mais força para manter o morcego sobre seus próprios pés.

Quase todos reagem a notícia. Barry apoia as mãos nos joelhos como se subitamente estivesse exausto. Diana tapa a boca com o rosto surpreso, Hal arfa e olha desconfiado para Sinestro e Superman ao seu lado. E é aí que não consigo entender, por que raios eles apoiariam o assassino do melhor amigo deles? Mas naquele pequeno olhar entendo que eles não estavam o seguindo cegamente. Ao menos não esses dois.

—Você vem comigo Bruce, chega de tudo isso, não estou mais disposto a continuar com essa brincadeira de gato e rato – Kal-El ordena avançando em direção aos dois.

—Dê um tempo para que ele possa enterrar o... – Hal tenta o parar, mas o Superman apenas empurra para o lado, como se fosse uma mosca.

—Já dei tempo de mais, isso acaba hoje!

—Vai ter que me matar de novo, se quiser pegá-lo, Clark.

Connor cuspiu as palavras com um desprezo tão grande que me assustou vindo dele. Bom, esse cara assassinou uma versão de seu pai, a única pequena trava para a fúria do Hawke, sua família. O que aconteceu a seguir foi rápido demais para qualquer um que não tivesse super velocidade entender.

Superman avançou na direção do Batman, mas Connor se colocou no caminho, o desafiando sem pestanejar. Não vejo algo assim desde Hunt ameaçando Isis, e estava prestes a intervir quando sou parado pelo espanto ao ver meu melhor amigo parando o soco do azulão com a mão.

Suplementos...

As pílulas verdes! Sorrio feito idiota ao ver Connor travar o braço de Clark e torcer, antes de girar o corpo e escalar o Superman, girando as pernas sobre seus ombros e o lançando no chão. Ao mesmo tempo Barry pega Bruce antes que um raio amarelo que Sinestro havia lançado o acertasse em cheio. Ele dispara com Bruce nos braços e por mais que desejasse deixar que Connor continuasse mostrando a esse Superman monstruoso que poderes não valem basicamente nada quando você apenas confia neles e não tem nenhuma técnica para dar suporte, precisamos sair logo desse universo.

Pego rapidamente meu amigo, antes que ele também fosse atingido por mais um raio que o filho da puta do Sinestro insistia em lançar, mas dessa vez Jordan também entra na frente e passa a enfrentar o outro lanterna amarelo, nos dando tempo para desaparecer. Em dois segundos já estou desacelerando para acompanhar meu tio Barry que carregava o Batman, ele olha para o lado surpreso, mas não para de correr.

Saímos de Gotham em cinco segundos. Dez segundos depois estamos do outro lado do estado, parando nas ruas sombrias de Star City. Solto Connor e ele faz o mesmo com o Bruce. Damos tempo aos dois para se recomporem, enquanto nos encaramos com diferentes sentimentos no rosto. No caso dele um misto estranho de confusão, alivio e saudades. No meu desapontamento e incapacidade de o entender.

—Você, não te vejo a dois anos – sussurra com os olhos verdes marejados. – Mas... – então percebe meu tamanho e altura, completamente diferentes dos do adolescente que perdeu. — Wally?

—Não sou dessa terra, tio – digo me virando para os outros e os ajudando a ficar de pé. – É melhor que eles estejam bem longe quando o Superman nos alcançar, daqui a uns dez minutos.

—Verdade – Barry olha em volta desconfortável. – Só consegui pensar em Star City depois de ver Ollie – encolhe os ombros encarando Connor. – Não poderia deixar que Bruce fosse...

—Obrigado por isso, Barry – Bruce diz, a voz ainda embargada pela despedida do mordomo. – Acho que salvou minha vida hoje.

—Kal não iria te matar... – sua voz vai sumindo ao decorrer da frase, enquanto se dá conta de que é exatamente isso que Kal-El faria. – Precisam ir, agora.

Connor gira a carta entre os dedos e guia Bruce para dentro da casa. Mas antes de entrar se vira para meu tio, descendo o capuz e a máscara. Barry precisa de três segundos para entender que aquele não era o Oliver Queen, então seu rosto é tomado por mais tristeza e desespero.

—Sou Connor, filho dele – Con diz com a voz acolhedora, fazendo os olhos do meu pai brilhar. – E o senhor é um dos heróis que mais admirei por toda a minha vida. Não sei por que está do lado de um ditador, e se for como nosso Barry, só posso pensar que se manteria por perto para pará-lo se for preciso – solta um suspiro triste e entra na casa seguindo Bruce.

—Pode fazer isso – apoio uma mão em seu braço o olhando nos olhos, sou um pouco mais alto o que torna o gesto meio estranho, como se nossos papeis estivessem invertidos. – O Superman não é o único herói da Liga a se conter constantemente. Nós nunca nos soltamos, nunca usamos toda a velocidade que possuímos, sabemos o que isso faria a nossa força, ou a tudo ao nosso redor.

—Ele ainda é um amigo, Wally – fala em tom de derrota. – No fundo ainda espero conseguir refreá-lo de uma outra forma.

—Kal-El não é mais seu amigo Clark, pai – digo naturalmente e o vejo me encarar espantado. – Ótimo, só para não perder o costume dos Spoilers – ralho comigo mesmo, sentindo seus olhos me queimarem. – Outra terra, termos diferentes – explano por alto. – O que eu quero dizer é que ele é um assassino, cruzou a linha e a parte mais aterrorizante é que ele acredita que fez o certo, acredita estar do lado do bem. E não existe nada mais perigoso do que a convicção de um tirano que se julga um salvador.

Barry assente. Sua postura derrotada me parte o coração, mas cada um vai precisar lidar com as próprias escolhas deste momento em diante, só espero que ele procure se redimir das dele.

—Vai ficar bem? – questiono sem poder ignorar a preocupação. Ele atraiu a ira do ser mais poderoso do planeta. Barry concorda e me abre um sorriso triste.

—Se cuida, Kid – sorrio ao escutar a forma familiar que sempre me chama, mesmo eu já não sendo mais uma criança a anos.

—Vou me cuidar, espero que o senhor faça o mesmo.

ISIS

A casa conjurou uma versão quase irônica do que seria uma prisão na idade média. A ironia estava nas cordas mágicas que prendiam o nosso convidado em uma cadeira, se fundindo ao chão, atrás de grossas grades de ferro encantadas. Sem falar dos painéis inúteis que simulavam tecnologia moderna, é como se a Casa estivesse adorando brincar com a resistência do Wally por ela.

Contudo, era impossível olhar o homem a minha frente e não sentir empatia por ele, a versão mais velha de Damian, uma versão mais sombria, um homem que havia se jogado de um precipício sabendo o que iria encontrar antes de chegar no fatídico fim. Se o nosso Damian tivesse abraçado a escuridão que tinha quando o conheci ele não seria tão diferente desse homem aqui.

— Acho que está na hora dele acordar.

Lunna estava entre Dam e Connor, parecia querer protege-lo tanto quanto eu, e só conseguia sentir gratidão por ela. Dam precisaria de férias quando tudo isso acabasse, e eu também. Uma praia, não, uma ilha, melhor um quarto de hotel, filmes e serviço de quarto e uma semana de fazer vários nadas. Isso parecia muito bom.

—Ele já está acordado – a voz de Dam não mostrava nenhuma emoção.

Sua versão do mal levanta a cabeça com um sorriso perverso, que faz minha espinha gelar e Sara fazer careta. Aquele sujeito não era parecido com o nosso Bruce, nem de perto, mas algo nele pareceu repelir Sara, tenho que me lembrar de perguntar o que a fez sentir. Por que em mim ele despertou um medo sufocante de perder tudo que acabei de reconquistar.

Damian anda vagarosamente até parar a frente do seu doppelganger, separados apenas pelas grossas grades de ferro. Seus olhos sem expressão ao melhor estilo Batman de ser. A versão Invocação do Mal, tenta se levantar, mas acaba levando choques tão fortes que faz o corpo dele tremer por inteiro.

— Vamos ser bonzinhos se não quiser que tudo isso aconteça novamente – Sara consegue se soltar da sua barreira, sua postura é de uma felina, ela era perigosa e ninguém poderia negar.

—O que esperam de mim, além de que me solte e acabe com cada um, de maneira muito cruel e dolorosa? – se vira para Wally. – Nem mesmo esse velocista seria capaz de impedir o que tenho em mente para cada um de vocês.

—O que tem em mente? – Connor não sai da sua posição, o rosto transbordando tédio. – Vai matar cada um dos nossos como matou seu Grayson? – falso Damian se abala um pouco, mas não o suficiente.

—Posso matar essa mulher – aponta com o queixo para Lunna que o olhava com uma piedade conflitante – na sua frente, de uma maneira bem terrível – estuda o rosto do casal, mas Lunna continuava parecendo calcular o tamanho do universo, tamanha a concentração com que o encarava, mas aquilo em seu rosto era tudo, menos medo. – Já disse que vai ser na sua frente? – o queixo de Connor trava levemente, mas foi o bastante para o doppelganger mostrar uma fileira de dentes em um sorriso perverso de satisfação. Mas ele era o único, meu Damian quase pareceu achar divertida a ameaça da sua duplicata e Wally chegou a esboçar um pequeno sorriso de lado. Lunna está longe de ser uma presa indefesa e olhando por esse lado, seria engraçado presenciar esse cara percebendo isso em primeira mão.

Só poderia imaginar um Damian Wayne peitando uma sala cheia de heróis nada dispostos a morrer de amores por ele, e ainda pensar que está com a vantagem. Respiro fundo, eu não queria fazer isso mais que qualquer um, mas aquilo precisaria acontecer. Vou até ele, as grades desaparecendo no instante em que me aproximo delas e tiro sua máscara de Asa Noturna, esse Damian não ficava tão bem nesse uniforme como o meu, mas poderia ser a série de hematomas que ele tinha em seu rosto, isso ou o cabelo que precisava urgentemente de um shampoo ante oleosidade. Pego um kit de primeiros socorros, encharco uma gaze com soro e começo a limpar o sangue seco do corte dos supercílios que parecia ser o pior machucado em seu rosto, aquilo iria inflamar se não tratado direito.

A maioria dos membros do meu time pareceu desaprovar o meu ato, mas não é como se fossemos deixar ele morrer de assepsia. Então ficaram olhando em direções distintas enquanto eu trabalhava no rosto arruinado da versão babaca do garoto que amo.

—Você deve ser a garotinha de um deles, mas não acredito ser o velocista ele parece ter uma ligação com a pantera ali – indica Sara como a cabeça. – Se esse Arqueiro não estivesse tentando a todo custo não olhar para você, poderia dizer que é alguém importante, ele não quer me deixar saber o quanto, deve ser muito importante. Mas tem a mulher bonita que ele não pode disfarçar, então...

—Então? – precisava o manter falando se quisesse chegar em algum lugar.

—Sobra eu mesmo, não eu, não leve a mal, você é muito nova – não tenho reação, ele faz questão de simular decepção. – Mas esse Damian não está demonstrando nada, mesmo agora.

—Interessante – troco de machucado depois de dar um ponto no supercílio, passando para o nariz que estava quebrado. – Isso vai doer – indico colando o nariz de volta no lugar, o que rendeu um pouco mais de sangue, mas nenhuma careta de dor, limpo o sangue que escorria por sobre a sua boca me permitindo virar o olhar já que ele não conseguiria ver, aquela demonstração de masculinidade era bem ridícula.

—Interessante? – repete parecendo cair no jogo.

— Acho que isso vai aguentar até você se desprender e matar cada um de nós com requintes de crueldade – dou de ombros, e me afasto. Damian, o meu Damian, tem seus lábios inclinados em uma expressão de desgosto, mas a versão sombria não pareceu notar.

—O que seria interessante? – repete intrigado, respiro fundo e me viro para ele novamente.

—Você vê ligações entre todos, mas não tem uma ligação real com ninguém em seu mundo – me sento sobre a mesa onde Damian estava encostado para confirmar a sua teoria. – Um mundo muito complicado o seu. Meu palpite é que ou você que não consegue criar relações, ou decidiu não as manter por medo.

—Qual o seu nome de combate garota? Analista?

—Nigthmare – sorrio para o meu Damian que parece um pouco mais tranquilo, todos estávamos, nós só tínhamos um objetivo era ganhar tempo até que a pessoa correta pudesse aparecer.

—Pesadelo? Não parece aterrorizante para mim.

—Mantenha isso em mente – Wally, dá de ombros, e parece mais relaxado, tensos como todos estávamos não conseguiríamos nada além de criar camadas e camadas de resistência.

—Você não parece o Barry – os olhos analisam cada detalhe do uniforme.

—Meu tio – Wally baixa o capuz e senta o meu lado na mesa.

—Faz sentido ser Wally – dá uma risada irônica que não afeta ninguém. – Seu nariz ainda sangra quando faz muito esforço?

—Todas as vezes – West sorri inocente e nós precisamos nos concentrar para não rir de quão natural sua mentira parece.

Aquilo era como meu exorcismo por falta de definição melhor, Connor finalmente entende que nossas ligações era o que realmente o afetaria. Seus ombros relaxam e os outros parecem seguir seu exemplo aos poucos. Brinco passando os dedos sobre os padrões do meu uniforme e ninguém se importa em tentar dizer nada. Silêncio, a pior de todas as torturas.

—Vocês são tipo uma grande família feliz? – irônico? Sim, mas isso o afeta.

Meu Damian dá uma risada satisfeita, que se mescla com um tipo de careta que beira o desespero. – É o que parece, não é?

Duas batidas a porta, faz Connor e eu prendermos o ar, os olhos desse Damian param em meu rosto por um tempo maior que o aceitável, mas finjo ignorar. Grayson cruza a porta vestindo suas roupas civis, com Babs logo atrás, o combinado era só o Dick, olho Dam, e ele dá de ombros.

—Agora entendi – Damian do mal ri abertamente, mas havia algo de errado, era mais desespero que qualquer outra coisa. – Vocês querem me confrontar com a versão do seu mundo do Grayson. Por que vocês acham que ele conseguiria me convencer que estou lutando do lado errado, quando o Grayson do meu mundo não conseguiu? Que esperança tola.

—Bom, ele não teve muito tempo – Wally murmura como se falasse sozinho, mas é o bastante para o Dam Vader engolir em seco.

—Não estamos aqui para te convencer de nada – Dick dá de ombros dando um passo para o lado olhando fixamente para Barbara que parece receosa de abrir caminho.

Agora entendo, a mulher de cabelos ruivos não havia vindo para assegurar que o seu marido iria voltar, ela tinha vindo como uma mãe contrariada, por que atrás dela havia uma garotinha de onze anos, tão marrenta quanto ela, e com os olhos tão profundos quanto o de Dick, eles haviam trazido Chloe. Dam ao meu lado fica rígido, aquilo não fazia parte do plano.

Chloe olha para nós seis, e depois para Dam, falando como uma garota que cresceu sabendo que seus pais são heróis, entendo que ela saiba o que fazemos. Mas daí a presenciar é uma história diferente. Não via nem mesmo meu pai quando ele estava machucado a esse ponto, não que pensasse que tudo se resumia a salvamentos e arco íris, mas passei um bom tempo fingindo pela sanidade deles que era assim. Talvez Chloe faça a mesma coisa.

—Pai por que o tio Dam, aquele — e aponta para o Damian sentado à nossa frente – está todo machucado?

— Dia ruim, princesa. – Dam fala olhando fixo para ela que se solta dos braços da mãe e saltita graciosa em direção ao tio -Você não precisava vir.

— E o que a gente faz, ajuda as pessoas. E ele precisa de ajuda. – Chloe aponta sua mão delicada para a versão sem fala de Damian a nossa frente. Ele não conseguia desprender os olhos da garota ao meu lado, ela era a perfeita união de Dick e Babs.

—Chega Chloe, hora de ir para casa. – Babs tinha um tom de puro desespero.

—Não se preocupe Barbara, nunca faria mal a sua filha. – Damian tinha a voz embargada.

—Tenho certeza que falou isso também para o meu marido, mas espera, você não teve tempo de conversar não é mesmo? – Damian cobre os ouvidos da sobrinha com as mãos, e Wally começa a fazer palhaçada para chamar a atenção da menina para distrair de tudo que acontecia ao seu redor. – Atacar pelas costas – ela solta uma risada seca. – Não é bem o estilo do nosso Damian, mas você nunca seria como ele de qualquer forma.

—Foi um acidente! – Damian parecia à beira de um precipício. – Eu nunca machucaria o Grayson de caso pensado.

—Você acha que me matar seria a única maneira de me machucar, Wayne? – Dick toca o ombro da esposa a puxando de leve para trás. – Você abandonou tudo o que confiamos, abandonou a nossa família. E hoje você deixou Alfred morrer. – Grayson vocifera, acho que Damian nunca o havia visto desse jeito, ele parecia confuso sem entender nada do que Dick dizia. – Não sabia? O Superman do seu mundo mandou matar Alfred hoje, e eles o salvaram – aponta para Connor e Dam.

—Hora do milkshake! – Lunna pega a mão de Chloe. – O meu vai ser de chocolate.

—Sério, tia Lunna? – a menina ergue a sobrancelha. – Não sou a Nina, sabe disso, não é?

—Me julgue, mas não quero que fique aqui agora – dá de ombros abandonando a falsa animação de antes. – Por que não damos um tempo para os três conversarem e depois você pode voltar e ver esse Damian mais uma vez? – sugere, olhando para Babs sobre os ombros da filha. Barbara sussurra um obrigada sem emitir som.

—Então eu vou querer milkshake também, Lu – declaro saltando da mesa, ignorando o olhar do Damian do mal.

—Lunna – Dick se vira para minha cunhada como se acabasse de dar conta de sua presença, e sorri para ela dá forma nada politicamente correta como sempre faz.

—Richard – responde tocando o ombro dele antes de sair, e todos nós a seguimos em silencio.

DAMIAN

Na minha extensa lista de coisas que nunca desejei fazer, essa situação é tão absurda que nem constava até começar a vivencia-la. Agora digo com toda a certeza que está no meu TOP 3. Dick está parado ao meu lado, olhando o case de game que coloquei sobre a mesa, seus olhos ficaram escuros e ele lentamente estende a mão para o objeto. A minha versão Pesadelo Extremo observava tudo com um distanciamento mais falso do que a cor do cabelo do Gladiador Dourado, aquilo era um caso preocupante de levar o codinome ao pé da letra.

—Onde encontrou isso? – Grayson sussurra parecendo temer que o objeto fosse radioativo.

—Bom, não é a versão destruída que você deixou no meu túmulo – dou de ombros e ele me olha com a sombra de um sorriso quase se fixando em seu rosto.

—Não deveria morrer se queria tanto um presente de aniversário – devolve em tom de repreensão, e a mesma pontada de sempre atinge meu peito.

—Não fui o único – devolvo com arrogância.

—Lá vamos nós – Dick passa a mão pelos cabelos e me encara procurando uma forma de justificar sua falsa morte pela milionésima vez. – Todas as suas identidades estavam em risco, precisava fazer aquilo Dam, não queria. Odiei estar longe quando te trouxeram de volta, precisava tirar a sua imagem de dez anos empalado pela espada de sua mãe da minha mente.

—É, tanto faz – me sento novamente na mesa que estava antes e indico minha outra versão com a cabeça, quando ele não para de me encarar com o rosto torturado.

—Verdade, depois discutimos isso – respira fundo e se aproxima do outro Damian.

—Sério, querem me comover com esse teatrinho de irmãos unidos? – ergue a sobrancelha arruinada, Dick o olha com cansaço aparente.

—Queria mesmo que isso fosse teatro – não tem como o outro duvidar de sua sinceridade, não com aquela expressão de dor no rosto do Grayson.

Nossas mortes, sempre um assunto delicado para as duas partes. Não tenho rancor do que ele precisou fazer, mas me deixa puto saber que ele fez. Um caso complicado de explicar, sei que nossas reações são ridículas, mas não acredito que ele tenha mais controle sobre elas do que eu.

—Então você é o Asa Noturna agora? – puxa uma cadeira se sentando a frente dele, que desvia o olhar do meu irmão, claramente envergonhado. – A propósito, está quase tão incrível quanto eu – se vira em minha direção, abrindo um sorriso largo que ameniza meu humor ruim pela história dele morto.

—Não deveria ter mandado isso sem me consultar – digo e ele revira os olhos.

—Claro, claro – me imita voltando novamente sua atenção para minha duplicata. – Então, Asa Noturna? Olhar para você me faz entender por que todos zoavam tanto meu cabelo antigamente.

—Você me enviou esse uniforme – a voz agora era fraca, quase derrotado. Nada do “Vou me soltar e arrancar suas cabeças” de antes. – Possuiu um entregador para me dizer que deveria usá-lo.

—Claro que fiz isso – dá de ombros fazendo aquele Damian o encarar surpreso. – Imagino como ver sua tortura em usar o uniforme do Robin quando não se tem um Batman deve ter mexido com minha cabeça.

—Foi um acidente, o que aconteceu – murmura, voltando a encarar os próprios pés.

—Devo ter dito que te perdoava quando te entreguei isso, não? – aponta para o uniforme preto e vermelho que o garoto usava. Damian confirma com um aceno sem energia. – Então vamos pular essa fase, o que quero conversar com você é sobre o que poderia ter acontecido se meu irmão e o time dele não tivesse entrado no meio.

—Batman só não aceita que outro imponha regras no lugar dele – começa sem muita convicção, isso ou não se sente confortável em contrariar o Grayson bem na cara dele.

—Batman tirano – Dick dá risada e acabo fazendo o mesmo. – Bom, queria refutar isso, consegue pensar em algo Dam? – me pergunta se divertindo por algum motivo doentio que nunca seria capaz de compreender.

—Matar pessoas é uma boa – sugiro.

—Exatamente – se volta de novo para minha outra versão. – Deixa eu te dizer uma coisa que só aprendi quando precisei ser o Batman – o humor deixa completamente suas feições agora. – Não é só se vestir de morcego e botar medo em psicopatas homicidas. Aquele manto pesa a morte dos Wayne, e vai acrescentando mais peso a cada pessoa que ele não consegue salvar, cada um de nós que acaba morrendo. Ninguém vivo consegue carregar esse peso por muito tempo, seu pai já se foi Damian, morreu anos atrás em um beco escuro ao lado de seus avós.

Tiro os bastões de seus suportes em minhas costas e fico os girando nas mãos para tentar não demonstrar o quanto a declaração do Dick faz sentido. Bruce raramente tem alguma vida em seus olhos, ele se arrasta noite após noite, interpreta muito bem um papel de magnata irresponsável pelo dia sempre que houver um par de olhos civis ao seu redor. Morto, parece uma justificativa válida.

—Nós, os Robins – Grayson continua quase didático. – Representamos a parte viva que ainda resta dele. Não te julgo por querer se afastar do Bruce, sabe que fiz o mesmo por um tempo, mas se manter afastado não está fazendo bem para nenhum de vocês.

—Ele me despreza, sou o assassino do seu verdadeiro filho – declara com a voz sufocada.

—Foi um acidente – Dick toca seu ombro e um olhar de choque surge nos olhos do Damian. – Se eu te perdoei, ele deve ter feito isso na hora seguinte, só não sabia como te pegar de volta.

A porta se abre e Chloe entra com um copo de milkshake, seguida por uma Barbara resignada. Babs para ao meu lado, encostando a cabeça em meu ombro, isso não é muito do feitio dela, mas não me afasto. Ela parece precisar estar ali, e se posso ajudar com isso, então paciência.

—Vai tentar me vender esse copo? – Dick questiona a filha, com as sobrancelhas franzidas. Ela parece pensar a respeito e prendo o riso.

—Deveria ter trago dois – declara arrependida. – Esse é para o tio Dam – olho confuso, Babs suspira cansada. – O seu está na cozinha, pode andar até lá – diz vendo minha cara de paisagem. – Aqui – se aproxima da minha duplicata sem nenhum receio, Dick não parece ter nenhuma preocupação com isso também, mas todo o meu corpo fica tenso. – Pode tomar, pedi a tia Lu para misturar menta com chocolate, no sorvete de chocolate amargo, do jeito que prefere.

Ela sorri ajeitando o canudo no copo para ele, que tem uma expressão de choque misturado com encantamento. Chloe faz com que beba aos poucos, com cuidado. Dick passava a mão nos cabelos dela de tempos em tempos, como se precisasse expressar seu orgulho de alguma forma. Babs tentava não chorar e eu permaneço com o maxilar travado, me concentrando em minha própria respiração.

—Muito bom, Tio Dam – elogia como se ele fosse o Al, olhando para o copo vazio. – Pode cortar esse cabelo quando voltar para seu mundo? – pergunta tocando uma mecha oleosa com suas mãos delicadas, Damian sorri com lágrimas nos olhos.

—Vai se sentir melhor se fizer isso? – questiona com a voz embargada.

—Eu não me importo, mas acho que o senhor vai se sentir – declara se aproximando ainda mais e dando um beijo em sua bochecha boa. – Não deve se machucar tanto também, não gosto de ver isso. Pronto, mamãe, agora podemos ir – passa mais uma vez a mão pelos cabelos dele e se vira para Babs.

Dick recolhe as lágrimas e o outro mal consegue notar o que foi feito. Babs desencosta do meu ombro, e pega o copo vazio da mão da filha. Chloe para em minha frente me olhando com um ar bem parecido com a minha versão revivida do outro mundo, mas o dela era totalmente adorável, um ar de sabe tudo nada humilde. Ao contrário do mini demônio que me fazia desejar manda-lo para o quarto sem jantar.

—Ficou bem com esse uniforme – me dá um sorriso largo e reviro os olhos. – Sério, é mais ameaçador do que seu capuz amarelo! – Dick e Babs dão risada e solto o ar a pegando no colo.

Não tem mais tamanho para isso, uma pessoa normal provavelmente não a levantaria mais com tanta facilidade como fiz. Chloe está mais perto de ser uma adolescente do que uma criança agora, por mais que odeie admitir isso. Abraço sua cintura tirando seus pés do chão, ela solta uma risadinha e aperta os braços ao redor do meu pescoço.

—Desde quando uma pirralha sabe o que é ameaçador ou não? – murmuro ofendido, e sinto ela rindo da minha reação.

SARA

Dick e Babs trouxeram mais do que Chloe para a casa dos mistérios com eles. Encarei uma garotinha morena de cabelos cacheados cheios de cachinhos que estava em cima do sofá da sala, penteando os cabelos do Constantine com um Kit de cabelereiro infantil. Wally para abruptamente ao meu lado, assim como todos os outros e sinto meu coração se encher de alívio, felicidade e mais algumas coisas que não saberia nomear.

—É a nossa filha – ele diz tão surpreso quanto eu.

—Nina? – chamo depois dela prender um enfeite rosa na franja do Constantine. Nina para seguindo o som da minha voz, o sorriso mais lindo do mundo se abre quando seus olhinhos me encontram.

—Mamãe! – solta seus brinquedos de qualquer jeito descendo do sofá para correr em minha direção.

—Oi minha vida – murmuro com ela em meus braços a apertando e distribuindo beijinhos por seus cabelos, ombros qualquer lugar que alcançasse sem precisar me afastar dela. – A mamãe estava enlouquecendo de tantas saudades suas! – ela suspira e meu coração se parte, quanto tempo ela deve ter passado sem nos ver?

—Não é só a sua mãe que está aqui, sabia? – Wally finge indignação e ela salta para seus braços, o apertando da mesma forma que havia feito comigo.

—Desculpa, papai – diz e posso ver a careta de culpa no rosto do meu marido.

Não éramos mais a mamãe Sara e o papai Ali de antes, agora era só mãe e pai, e não sei por que essa pequena mudança me abalou tanto. Nina permanece em meu colo, com Wally nos abraçando, nós três sentados no sofá. Todos a olhavam com o mesmo misto de felicidade e alivio que nós, mas ninguém parecia querer tirá-la dos nossos braços. Até que minha filha viu sua madrinha fazendo cara de quem não quer chorar, sem conseguir conter a emoção e a chamou com gesto fofo, e fez Lunna se sentar no braço do sofá que estávamos e ficasse segurando sua mão, até que finalmente adormeceu.

—Deixei o garoto problemático com o pai, na terra dos horrores – Constantine entra na sala e nem percebi quando foi que ele havia saído. – Os Grayson estão de volta a sede dos Titãs e levaram o mordomo com eles. Vocês podem começar a focar na próxima missão, nosso mundo está um belo caos.

—E meu bebê? – pergunto, a apertando mais em meus braços, nem um pouco disposta a deixa-la ir.

—São os guardiões, amor – me responde indo despreocupadamente para o centro da sala. – Ela fica onde estiverem.

—De quem é a próxima missão? – Wally questiona depois de um suspiro aliviado.

—Pequena Queen e Sara – gesticula na direção de nós duas. – Mas vou acompanhar vocês em uma parte da incursão, sairemos assim que o Senhor Destino chegar para me substituir por aqui. Aproveitem esse tempo para descansar, nós estamos em uma maratona de vida ou morte agora.

Muito animador.

Notas finais
Não deixem de me contar o que acharam, vou adorar saber. Proxíma missão Sarinha e Isis, bom, espero que estejam animados! Bjnhos!