P. Bailey
9 Passagens
A parede rochosa não parecia nem de perto possuir qualquer acesso a outro lugar. Preston indicou uma pequena pedra no formato de estrela que estava no chão. "Aquela é a marca. Precisamos abrir a porta para encontrarmos a próxima passagem".
Nigel estava tão inseguro quanto Sydney diante da afirmação do irmão. "Tem certeza, Preston? Os registros indicam que há várias passagens falsas para a câmara dentro desta caverna. Temos apenas uma machadinha, vamos perder muito tempo quebrando todo o gelo da parede só para confirmar o que está dizendo."
"Eu sei o que estou falando, Podge! Fui eu quem passou os últimos anos estudando os mapas enquanto você viajava pelo mundo com uma bela historiadora!"
"Eu não estava viajando, estava TRABALHANDO. O que se deve ao fato de VOCÊ ter roubado o MEU emprego no museu, sua imitação barata de irmão!"
"Oh, então você é o pequeno Bailey!" constatou Jonathan, divertido "Houve um boato sobre dois irmãos disputando o emprego de Preston, mas eu não conhecia seu primeiro nome."
"Eu não roubei..." Preston foi interrompido pela visão do cano da arma apontado para o espaço entre seus olhos.
"Não se esqueçam que eu tenho a arma, senhores. O momento da brincadeira acabou. Parem de discutir e encontrem a urna!" O tom áspero de Jonathan paralisou o inglês de medo.
Por mais que Nigel gostasse quando alguém fazia seu irmão se calar, o pavor nos olhos de Preston fez com que se compadecesse. Sydney estava a ponto de dizer algo para tirar o inglês daquela situação, mas foi Nigel quem intercedeu.
"Preston, se este é o caminho, como devemos abrir a porta?"
A arma foi removida de seu rosto, mas as pernas de Preston demoraram alguns instantes para deixarem de tremer como gelatina. "E-Existe uma alavanca que aciona a porta. Ela fica próxima do chão."
Nigel e Sydney iniciaram prontamente a quebrar o gelo e buscar por qualquer marca ou possível mecanismo próximos da indicação. Eles revezaram o uso da única ferramenta por alguns minutos. "Syd, acho que encontrei."
Ela sorriu ao enxergar a rústica alavanca, feita de metal. "Muito bem, Nigel!" Preston revirou os olhos, emburrado. Sydney puxou a alavanca e aguardou.
Nada.
A alavanca foi puxada novamente, com mais força. Ainda nada aconteceu. É difícil fazer qualquer coisa com essas algemas estúpidas!
"Precisa tirar estas algemas ou não conseguiremos fazer nada!" Exigiu a caçadora. Jonathan a encarou e depois olhou para a alavanca. Ele fez um ruído de insatisfação, mas acabou enfiando uma das mãos no bolso e retirou uma pequena chave. Ele a entregou para Preston, que soltou as algemas e a passou para os dois colegas. Depois de se livrar das incômodas correntes, os dois se voltaram para o mecanismo na parede.
"Nigel, me ajude. Deve estar emperrada com o gelo, precisamos de muita força." Os dois caçadores puxaram a barra de metal ao mesmo tempo, com tudo o que tinham. Alguns segundos e a alavanca despencou bruscamente.
A caverna começou a tremer. Gelo e pequenas rochas começaram a cair do teto do túnel. Os quatro se protegeram com os braços e passaram pela abertura que surgiu na parede.
Os tremores logo cessaram, mas algumas pedras ainda caíam seguidas de leves esguichos de água gelada, que agora brotava do teto e das paredes.
As lanternas foram apontadas para todas as direções. Eles estavam em uma pequena câmara, apenas alguns metros mais larga que o túnel. Os ruídos amedrontadores de rochas e gelo se acomodando ao redor da pequena sala tornaram quase impossível ouvir a voz de Jonathan, que ordenava aos três que continuassem andando.
"Temos que sair daqui agora!" Sydney gritou para o homem, que pressionava a arma na cabeça de Preston.
"Ninguém sai sem a urna!"
Preston apontou para a outra rocha em formato de estrela logo adiante "Vamos abrir a outra porta e acabar logo com isso, eu não quero morrer aqui!" Afinal, dos três ele era o único que estava sob a mira da pistola.
Jonathan o empurrou com raiva e Preston caiu em frente à marcação "Abra isso agora!" O inglês levantou-se do chão com dificuldade.
Sydney começou a se aproximar vagarosamente do homem com a arma, mas este pressentiu seus movimentos e encostou a pistola novamente na nuca de Preston. "Fique aí na porta ou eu acabo com ele, e depois dou um jeito no seu assistente!"
Ela teve que fazer o que lhe foi ordenado. A distância era muito grande para que ela pudesse chutar a arma, e mesmo que estivesse mais próxima, as chances de conseguir desarmá-lo eram muito pequenas. Jonathan mantinha a arma perigosamente apontada para a cabeça do inglês.
Preston encontrou a alavanca que abriria a próxima porta em um canto parcialmente congelado. Pegou a machadinha de Nigel e limpou o gelo. Depois de alguns minutos, pendurou a ferramenta no pulso e começou a puxar a barra de ferro. Ela desceu apenas até a metade e mais um forte tremor iniciou-se na caverna.
Desta vez, mais rochas começaram a cair do frágil teto, ameaçando soterrá-los antes que ele pudesse terminar de acionar o mecanismo.
"Seu idiota! Vai nos enterrar vivos!" Jonathan puxou Preston pela gola do casaco e o lançou em direção à porta onde Sydney estava. A passagem era pequena e a mulher teve que dar um passo fora da câmara para que ele pudesse retomar seu equilíbrio e sair da sala, que agora estava tomada por gelo, lama e rochas desabando.
"Eu sabia que você era um inútil!" gritou o loiro enquanto corria para a porta, seguido de Nigel. Ele estava totalmente enfurecido e apontou a arma para Preston, que se levantava do chão. Sydney viu o que iria acontecer e o abraçou, na tentativa desesperada de protegê-lo da bala.
O disparo soou abafado pelo barulho das rochas que começaram a bloquear a saída da câmara.
Nigel não conseguiu sequer gritar ao ver sua amiga e o irmão sob a mira certeira da arma. Antes que pudesse pensar em qualquer coisa, a adrenalina havia lhe dado impulso suficiente para alcançar o braço de Jonathan no último segundo antes de ele disparar. Nigel olhou para os dois abraçados e constatou aliviado que a bala não alcançara seu alvo.
Jonathan desvencilhou-se rapidamente quando uma das rochas que caía do teto acertou a perna de Nigel, fazendo-o vacilar. O jovem assistente não teve tempo de proteger seu rosto da coronhada violenta que o acertou na têmpora esquerda.
A visão de Nigel turvou e ele não sentiu mais nada.
Jonathan se jogou em direção à porta, mas o gelo e as rochas a bloquearam um instante antes, seguidas de jatos cada vez mais fortes de água gelada.
"NIGEL! NÃO!" Preston segurou Sydney e a arrastou para longe do desmoronamento antes que ela fosse atingida pelas pedras. Ela se debateu e os dois escorregaram na lama e no chão congelado. "Me solte! Temos que tirá-lo de lá!"
"Não vamos conseguir por aquele caminho, Sydney. Temos que fazer a volta e alcançar a outra porta!"
"Não, você está mentindo! Vai fugir e deixá-lo!"
Preston fechou os olhos com raiva e a apertou ainda mais contra si. "Não, eu não vou abandonar meu irmão! Agora se acalme e me ajude a encontrar a outra entrada. Seu desespero não está ajudando!"
Sydney parou de se mexer imediatamente. Ele estava certo. Ela deveria se acalmar e pensar em uma maneira coerente de salvar seu amigo "Tudo bem, Preston. Indique o caminho!"
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