Notas iniciais
Perdão pela demora. Tivemos alguns desentendimentos entre nós, mas agora já esta tudo bem.
Aproveitem o capitulo.

P.O.V. Mapril

-Você sabe que não costumo ficar empolgado em ficar no meio de muita gente, mas estou com um bom pressentimento sobre a Darkness. Imagine Char, vamos fazer amigos!

Eu andava com uma agitação empolgada que não sentia dez da primeira vez que beijei a Charlie.

-Sei que é importante para você conhecer mais gente. Para mim também é. Finalmente acabaram as piadas. — Falei olhando para o vazio ao meu lado. Mas sabia que ela estava la.

Posso tentar me enganar, mas eu realmente detesto as piadas. Isso me tornou meio... frio. O gelo só derrete quando eu estou com a Charlie. Mas uma coisa que eu amo nela.

Atravessamos a rua na faixa de pedestre enquanto eu falava.

-A melhor parte de tudo isso é estar com você.

Uma velinha ao lado de Charlie se virou para mim com uma expressão que mescla a raiva e o lisogenizo.

Tentei disfarçar olhando para o outro lado e andando o mais rápido que minhas pernas mortas conseguiam.

Ouso um riso seguido de "Que isso Mapril? Me traindo?"

Reviro os olhos.

-Você é impossível Char. — Digo rindo.

Vamos andando até um grande parque no centro da cidade, onde as muitas árvores estão carregadas de flores e algumas pessoas caminham.

Passamos por caminhos serpenteantes até chegar a uma clareira deserta, com uma fonte de três andares e tema de golfinhos bem no centro.

-E agora? — Pergunto olhando para meu lado direito onde minha namorada começa a ficar visível, mas ainda esta gradualmente transparente.

Charlotte anda até a beirada da fonte e pinga algumas gotas de ectoplasma. A água da fonte fica verde.

-Jogue alguma coisa que confirme que é sobrenatural. — Diz ela antes de mergulhar e desaparecer.

Após alguns segundos a água volta a ficar transparente. Ando até a fonte e penso no que poderia provar que sou um zumbi.

-Hum...

Rasgo um pequeno pedaço de pele e jogo. A água muda levemente de cor.

Retiro a ponta do meu dedo (não o bastante para que não cresça de novo) e jogo. Desta vez a águe fica verde fosforescente. Ando até ela e coloco os dois pés, segundos depois sou sugado para dentro da fonte.

Por alguns instantes fico confuso e entorpecido antes de cair em cima de algumas almofadas.

Acima de mim, vejo uma enorme possa de água parada no teto (deve ser a outra face do portal, já que a Darkness fica em outro estado). As paredes do local em que me encontro são roxas e o chão é de lajotas brancas. Charlie esta falando com uma ciclope morena atrás de uma mesa cheia de papeis e na frente de uma placa que diz "matriculas".

Cuidamos da papelada e pegamos as chaves de nossos novos chalés. O meu era o de número 44.

-Qual é o seu Char?

Ela olha para o chaveiro por alguns segundos.

-14

Andamos, fascinados, por corredores cheios de sobrenaturais. Após uma meia hora, Charlie declarou:

-Pronto, estamos perdidos!

-Não estamos não, é só andar mais um pouquinho que eu aposto que vamos encon...

Tarde de mais, ela já estava perguntando para um esqueleto que passava:

-Com licença, mas onde ficam os chalés.

Ele apontou para uma placa atrás de nós (que não aviamos reparado) em que estava escrito "CHALÉS" e tinha uma seta apontada para um corredor a direita.

-Ou... é... então... valeu. — Falou Charlie para o esqueleto e depois veio em minha direção parecendo constrangida.

Eu soltei um risinho que ficou mais forte ao ouvir seu:

-SEM. COMENTÁRIOS.

Ao final do corredor passamos par o ar livre e mais a frente pra um corredor de chalés. Andamos por ele.

-Então... é... tchau amor. — Disse ela me dando um selinho e entrando no chalé 14.

Eu caminhei sorrindo feito bobo até o chalé 44.

P.O.V. Charlotte

Ao passar pela porta me deparei com 3 camas (uma em cada parede tirando a da porta). Em uma avia duas garotas idênticas. Elas tinham a pele levemente rosada (apesar de um delas ser mais pálida), orelhas pontudas, e cabelos negros. A pálida tinha cabelos "lambidos" enquanto a outra tinha leves cachos nas pontas.

-Am... oi. — Falei acenando de leve.

Cachos olhou para mim e deu um pequeno sorriso, mas ao constar que eu estava flutuando sua espreção se tornou de angustia.

-Já volto — Li seus lábios enquanto sussurrava para a pálida.

Ela se levantou e fez um gesto meio desesperado para que eu a acompanhasse por traz de uma porta que presumi ser um banheiro. A segui.

Eu estava certa, era um banheiro de azulejos, do tamanho de quatro banheiros químicos, com um box, uma privada e uma pia.

-Oi. — Disse ela sorrindo novamente.

Que garota bipolar.

-Oi- Falei devagar tentando entender o que sua postura significava. Sera que ela não gostava de fantasmas?

-Desculpe-me quanto aquilo, mas a minha irmã esta passando por uma... fase difícil.- Falou

-Am... tudo bem. Como assim fase difícil? — Perguntei.

-Bom, é provável que não tenha reparado, mas somos fadas. — Disse ela.

Apertei os olhos tentando ver suas asas. Sem sucesso.

-E ela perdeu as assas. — Revelou.

Arregalei os olhos e levei as mãos a boca, em choque. Fadas que perdem as asas se tornam depressivas e definham até a morte. Bom, pelo menos antes de inventarem os tratamentos, mas somente metade delas se cura totalmente.

-Minha nossa! — Foi a unica coisa que consegui dizer. Percebi o quanto soei grosseira dois segundos depois. -Me desculpe. Mas... isso é tão... bom eu nunca avia conhecido...

-Tudo bem. — Ela disse em tom tranquilizador.- A maioria das pessoas se surpreende mesmo.

Dei um pequeno sorriso para ela.

-Bom, por causa do que aconteceu eu entrei no projeto lagarta. É um projeto em que pessoas que podem voar param voluntariamente para dar apoio moral para as fadas sem asas. As minhas por exemplo estão enfaixadas ao meu tronco. Eu sei que é pedir muito, mas sera que poderia... — E ela apontou para meus pés. Sua expressão agora passou novamente para a angustia, como se estivasse esperando um "NÃO!"

Ok, ela é bastante bipolar, mas seus sentimentos devem estar realmente conflitantes com esta situação toda.

Eu sei o que é passar por problemas; o que custa ajudar?

-Mais é claro! Tudo que eu puder fazer para ajudar, pode contar comigo. -Falei.

Ela abriu mais um sorriso, desta vez largo e radiante, e me abraçou, ou pelo menos tentou me abraçar pois seus braços passaram direto por mim.

-Desculpa. — Falei envergonhada.

-Tudo bem. — Ela respondeu, ainda radiante.

Ao sairmos eu já estava andando.

-Clara, venha conhecer nossa nova colega de quarto. — Falou em tom maternal para a tal Clara, que estava encolhida em uma "bolinha" no canto mais escuro do quarto.

A fada apenas se limitou a levantar o rosto, que era o retrato da tristeza.

-Maninha, esta é a... a.... — Ela se virou para mim -Me esqueci de perguntar seu nome.

-Charlotte. Mas podem me chamar de Charlie. — Falei sorrindo para as duas, tentando elevar o animo do lugar.

-O meu é Camila, mas me chame de Mila. E já deve ter percebido que o nome da minha irmã é Clara.

P.O. V. Mapril

Ao entrar no chalé 44 vi um lobisomem e um sátiro.

-Oi. — Falei apenas.

-Oi, cara. Eu sou Lino. — Respondeu o sátiro erguendo a mão para um "toca aqui". Fiquei olhando para ela.

Ele fez uma uma cara de ofendido e murmurou algo como "credo, cara grosso". Lino tinha olhos verde-escuros e cabelos encaracolados castanho-claros.

O lobisomem estava deitado na cama, lendo um livro que reconheci sendo " Como controlar seu lado maligno perto da sua namorada — Guia de auto-ajuda". Sim, eu já li este livro; problema?

Ele olhou para mim e fala:

Oi, eu sou Edmundo.

Não respondo nada.

-Qual é o seu nome? — Diz ele devagar, como quem explica algo a uma criança.

-Mapril.

Já não estou tão ansioso com a perspectiva deste ano.

Notas finais
Obrigada por lerem :D
Por favor deixem comentários.
bjs