Notas iniciais
Espero que gostem

Acordei assustada, “mais um pesadelo” pensei. Olhei para cima e logo me tranquilizei, estava em casa, no chalé seis. Levantei com cuidado para não bater a cabeça na cama de cima do beliche (minha testa e a cama de cima do beliche tinham uma longa historia) e sai do chalé.
O céu ainda estava escuro e tinha um pouco de neblina do lado de fora. Estava frio. Comecei a andar e circulei o chalé três, Ana estava sentada na porta. Eu acenei com a mão e ela apenas me respondeu com a cabeça. Ana era minha mãe de consideração. Desde quando cheguei ao acampamento, ela me tratava com carinho, como uma mãe de verdade.
Continuei rodando o acampamento até chegar a uma caverna longe dos chalés. Era para lá que eu fugia sempre que tinha algum problema. Passei pela estreita entrada que estava sendo escondida por arbustos (essa é a vantagem de ser pequena). Fui bem lá para o fundo onde tinha uma mini estante e um fone de ouvido especial que passava a musica que eu quisesse ouvir, que eu “peguei emprestado” no chalé de Hefesto. Peguei o fone e coloquei em uma musica aleatória que veio na minha cabeça.
Lembrei-me de quando cheguei ao acampamento, aquela garotinha de 9-10 anos indefesa que foi para o chalé de Hermes e aprendeu a sobreviver ao meio de ladrões e brincalhões. Tive que ficar dois anos no chalé 11 até Atena me reclamar. Depois disso as coisas meio que melhoraram.

Bem... Ainda na me apresentei. Meu nome é Maria Eduarda. Me chame de Duda. Sou pequena, meio magra, em forma (ou nem tanto). Tenho cabelo castanho, médio, meio enrolado. Uso óculos, sim, óculos de Nerd, não de Restart.
Fiquei ouvindo musica até dar a hora de todos acordarem. Voltei para o chalé e troquei de roupa. Coloquei uma blusa do CHB, um jeans escuro, um All Star preto cano médio e uma blusa de frio com um capuz bem grande, como eu gostava. Abaixei o capuz e ele cobriu meu rosto inteiro, nisso, bati de cara com uma figura um pouco maior que eu.
- Ai meu nariz! – resmunguei.
- Bom dia pra você também, boxtinha! – Mirela riu e tirou o capuz do meu rosto. Boxtinha era como a gente costumava a se chamar, uma looonga historia.
- Atá... Desculpa – falei sem graça – Bom dia
Mirela foi a primeira pessoa que me recebeu no chalé. Ela era sempre amigável e responsável. Como podia ser sua irmã? Ela sempre de bom humor, disposta a ajudar todos, sempre organizada...
Saímos do chalé e começamos a andar, quando de repente somos surpreendidas por balões de água. Olhamos para o lado e, adivinha? LB e David rindo e fazendo um “toca aqui”. Bem a cara deles. Eles eram do chalé de Poseidon. David era nosso “tio” porque era irmão da nossa “mãe”. Eu e o LB (Felipe) nunca nos dávamos bem, não sei por que, mas sempre que começávamos a conversar, brigávamos.
Eu e Mimi começamos a correr atrás dos dois e eles foram em direção ao lago. Filhos de Poseidon tem mais força na água, então eles teriam aquela vantagem. Os meninos olharam para traz para ver se estávamos chegando perto quando Ana entrou na frente e parou os dois.
- Muito bonito, não? Vocês fazendo brincadeiras com as minhas filhas – Ana colocou a mão na cintura, eu sabia que aqueles dois estavam muuuito encrencados – Garotas, vão se secar, deixem que desses dois cuido eu.
Sai de perto ainda rindo, acho que eles não iam mexer com a gente de novo tão cedo. Desisti de pegar uma roupa limpa e fui para o refeitório molhada mesmo. Pedi o de sempre para o café: Ovo com bacon e um suco de laranja natural (pelo menos algo tem que ser saudável). Comi rápido e esperei meus irmãos acabarem de comer para sair da mesa. Quando sai, trombei com outro ser que surgiu das sombras (estou sempre trombando com pessoas, isso que dá ser desastrada).
- Olá – Daniel riu
- Ai Dan, para de sair das sombras para me assustar, isso não é legal – Resmunguei e dei um tapa no seu braço.
- Sabe que eu amo fazer isso, né? – Ele brincou.
- Vai encher sua “Best”, vai – Falei cruzando os braços. Era Ana. Aqueles dois viviam brincando, eram duas criançonas.
- Posso mesmo?
- Deve, anda – comecei a rir e ele sumiu nas sombras novamente. Nós nunca conversamos direito, mas ele ama me encher o saco.
Depois que saímos da mesa, fui em direção ao lago. Gostava de lá, me dava àquela sensação de liberdade. Quando cheguei, vi David e Milena de mãos dadas logo em baixo de mim. Eles estavam namorando há pouco tempo, mas mesmo assim já era o casal mais conhecido do camp tirando Percabeth.
- Olááá pombinhoooos – Falei brincando.

- Er... Oi Duda – Deiv ficou vermelho
— Eu... Vou deixar vocês dois aqui e vou... Dar uma volta – Ri, Milena odeia quando eu falo isso. Eu gosto de irritar as pessoas.
Andei mais um pouco e sentei na beira do rio. Tirei meu tênis e coloquei meu pé dentro d’água. Estava tudo muito bom até que algo me puxa para dentro do lago.
Eu tentava subir a superfície, a água entrava em meus pulmões e eu sentia que ia desmaiar a qualquer momento. A mão soltou meu pé e um vulto me puxou pelos braços e me levou a superfície. Eu sentia que estava deitada na grama. Tossi, água saiu pela minha boca. Tentei abri os olhos e via tudo turvo. Vi uma figura magra e parcialmente musculosa em cima de mim. Cuspi mais um pouco de água.
— Está tudo bem, Duda? – Reconheci a voz, era Deiv
— Eu acho que... Penso que sim – Tentei levantar – Você viu quem me puxou?
— Pensei que você soubesse quem era.
— Não... Não vi.
Levantei-me ainda tonta, as minhas roupas estavam ensopadas. Resmunguei. David me emprestou sua blusa para que me secasse um pouco. Tirei minha blusa de frio e vesti sua blusa por cima da do camp. Percebi logo que não foi uma boa ideia. Sai correndo para o chalé e quando chego lá, bato com a cara nas costas de alguém e caio no chão (sou muito desastrada mesmo).
— Em quem eu bati dessa vez? – Reclamei
— Em mim. O que houve que você está toda molhada? – Rodrigo perguntou
— Um mentecapto me puxou para dentro do lago e eu me afoguei – Falei
— Ah... – Ele me ajudou a levantar e eu entrei no chalé pra trocar de roupa.

Notas finais
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