Aquela noite estava sinistra e passar pelo chalé de Hades não foi uma boa ideia. Eu tinha meio que medo daquele lugar. Caveiras penduradas para todos os lados (mesmo que eu ache maneiro), tochas de fogo grego queimando vinte e quatro horas, paredes de mármore preto... Só falta os campistas dormirem dentro de caixões.
Corri um pouco para espantar o medo e entrei em meu esconderijo. Coloquei qualquer musica e peguei um livro para ler. Eram umas 2 horas da manhã quando alguém chega à porta. Conseguia ver sua sombra. Apaguei a lanterna e fiquei totalmente em silencio.
— Duda, está ai? – Reconheci a voz, era a boxtinha.
— Estou, to saindo – Falei e liguei a lanterna novamente.
Já fora da caverna, eu me lembrei de que ninguém sabia daquele lugar.
— Como descobriu? – perguntei
— O que?
— A caverna, eu nunca tinha mostrado ela pra ninguém. Como sabia que eu estava aqui?
— Eu sou espiã – Nós rimos – Eu te segui até aqui um dia, mas não consegui entrar – ela deu de ombros.
— Vamos rápido se não as Harpias pegam a gente – Eu ri e comecei a correr, ela veio atrás de mim.
Chegamos ao chalé e eu não estava com a mínima vontade de dormir. Mirela deitou na cama de cima do meu beliche e eu comecei a chutar a cama.
— Só me diga uma coisa, por quê? – Ela reclamou
— Porque eu sou muito criança e não consigo dormir – Ri e coloquei o travesseiro em meu rosto
— A é?
— Sim
— Então toma – Ela se levantou da cama e jogou o travesseiro na minha cara.
Começamos uma guerra de travesseiros no meio da noite. Eu sei que depois de 4 minutos, todos estavam acordados ou reclamando, ou jogando travesseiros em nós duas.
Eu só consegui dormir meia hora naquele dia, então, de manhã eu estava exausta. Fui acordada com um balde d’água jogado pela minha querida mãe. Resmunguei um pouco e levantei. Quando fiz isso, minha testa foi de encontro à cama de cima e eu deitei de volta com a mão na testa. Estava meio tonta então fiquei deitada por mais alguns minutos. Chequei minha testa com a mão, eu senti três galos na cabeça, resmunguei mais um pouco.
Levantei devagar dessa vez e me sentei na beira da cama, eu ainda estava meio sonolenta então não me levantei. Estava tranquila até que um projétil voador macio me acerta bem no meio da cara. Viro para o lado e vejo a boxtinha rolando no chão de tanto rir. Peguei o meu travesseiro e comecei a bater nela. Meus irmãos se divertiam assistindo nós duas “brigando”. Tive uma ideia. Fingi que fui bater na Mimi e bati no Digo. Nisso o quarto virou uma bagunça novamente. Voavam travesseiros, papeis e bichos de pelúcia. Estava muito divertido, até que Ana chega à porta do chalé e cruza os braços. Todos olhavam para ela paralisados. Tínhamos muito respeito a ela, como se fosse nossa mãe (já expliquei essa historia). Ela ficou olhando para nós com uma cara de decepcionada. Todos levantaram do chão e começamos a arrumar aquela bagunça. Foi só a Ana sair da porta que todos caíram na gargalhada.
Acabamos de arrumar toda a bagunça e saímos do chalé.

Estava um dia quente, diferente de ontem. Não consegui andar nem cinco minutos com a blusa de frio que tive de arregaçar as mangas. Estava um dia perfeito para dar um mergulho.

Peguei minha espada e fui treinar um pouco a esgrima. Meus reflexos eram bons, por isso em alguns casos eu levava vantagem. Eu não lutava com um escudo, para facilitar o manejo da espada, por isso eu sempre saia com arranhões.

Dessa vez, fui treinar com a Kath, de Poseidon. Ela era rápida e levava vantagem, pois tinha um escudo. Eu fui a primeira a atacar. Avancei pela direita e ela me bloqueou com o escudo, fui rápida e me recompus em posição de defesa. Dessa vez foi ela quem atacou. Bloqueei uma de direita, mas ela fora mais rápida e me acertou com o escudo na cabeça.

- Ai – Reclamei checando minha cabeça, tinha um pequeno corte – isso não é justo!

- Vamos lá Bacon! Vamos lutar – Bacon era como ela me chamava.

Eu levantei rapidamente e olhei fixamente para o escudo. “Tenho de desarma-la” pensei. Mas... Como? Pense Duda, pense. Ataquei por baixo e depois pela esquerda, ela desviou os dois golpes. Bati minha espada na espada dela com força, a espada caiu no chão. “consegui” pensei feliz. Dei uma serie de ataques e ela defendia com dificuldades. Ela tentou me atacar com o escudo e abriu a retaguarda. Era minha chance. Ataquei por baixo e encostei minha espada em sua armadura.

- Ganhei! – vibrei.

Nunca havia ganhado dela. Ela era forte, rápida e maior do que eu (mesmo sendo mais nova). Minhas habilidades haviam melhorado muito de uns dias para cá.

- Pode deixar bacon, vai ter revanche – Ela falou e foi pegar sua espada caída.

Sai da arena exausta e fui procurar o que comer. No caminho para o refeitório eu encontrei Mirela. Ela não havia treinado hoje, como era de costume. Perguntei por que e ela apenas deu de ombros.

O refeitório não estava muito cheio (normalmente ele enche entre meio-dia e duas horas, não ás dez). Comemos algo rápido e fomos para o lago. Chegando lá eu tive uma ótima ideia, ok... Nem tão boa assim. Tente joga-la no lago, porém me esqueci de que ela é beeeem mais forte do que eu. Resultado: Eu toda encharcada e ela rindo da minha cara.

- ISSO-NÃO-É-JUSTOOO! – Reclamei tentando não me afogar.

- Você tentou me jogar, eu só... – Ela não acabou de falar, David a empurrou para dentro do lago e pulou junto.

Depois de algum tempo, estavam eu, Mirela, David, Milena, Ana, LB, Rodrigo, JP e Kath fazendo uma guerrinha de água.

Ficamos brincando ali até entardecer. Curtimos o por do sol que pelo visto estava lindo. Saímos de lá quando anoiteceu.

Entrei no chalé e coloquei uma roupa comum. Jantamos todos felizes, contando piadas e tudo. Hoje era o dia dos fogos. Estavam todos muito ansiosos.

Quando acabamos de jantar, fomos ver os fogos. David e Milena foram juntos. Eu e Mirela ficamos segurando vela para eles por alguns minutos.

Assistimos os fogos na beira do rio. Eu deitei no colo de Mirela e coloquei os pés no colo da Ana (sim, sou muito folgada). Eu estava quase dormindo em seu colo quando imagens do pesadelo voltam para mima cabeça. Estremeci só de lembrar.

- O que houve boxtinha? – Mirela perguntou

- Nada... Ideias vagando pela minha cabeça – Respondi rápido

- Que ideias? – Questionou David com uma voz desafiadora.

- É que... Eu estava pensando se...

- Se...? – Insistiu Ana

- Se saíssemos daqui e fizéssemos uma jornada. Quem sabe uma floresta? Sei lá... Seria divertido – Falei meio que me arrependendo das minhas palavras.

— Eu aprovo a ideia – Mirela disse rapidamente

- Como se você reprovasse alguma ideia dela – Retrucou David

- Deivs, isso é... Verdade – Ela riu – Mas realmente acho que seria uma boa ideia. Precisamos de um pouco de aventura.

- Concordo com a Mirela. Precisamos sair um pouco, nos diverti. – Falou Milena

- Mas... O que faríamos nessa floresta? – Interviu Ana.

- Sei lá... Explorar, matar alguns monstros, sabe? Fazer coisas de semideuses – Propus.

- Ok. Quando a gente sai e quem vai? – Milena perguntou.

- Sei lá... Podemos arrumar as coisas e quando estivermos prontos, saímos. Quem vai? Bem... Eu, vocês, poderíamos chamar o Digo, Jão, Kath, Dan... Sei lá. Temos que ver se eles vão querer ir – Falei meio vacilante.

- Pode ser. Todos de acordo? – Ana perguntou.

- Sim! – Todos responderam com entusiasmo.

- Vamos dar uma de escoteiros – brinquei – Vai ser divertido.

Notas finais
Gostaram? Não? Comentem!
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.