Outro lado tóxico
5 Desavenças.
Notas iniciais
Estávamos eu e Len sentados em nossos devidos lugares na escura sala do cinema.
Eu estava na cadeira 4 e o meu acompanhante estava na cadeira 5, ambos na fileira E. Comecei a beber o meu refrigerante pouco antes de começar o filme.
Confesso que eu estava perdida em meus pensamentos. As coisas que aconteceram no dia anterior foram… Como posso dizer? Desagradáveis? Mas admito que Len tem se mostrado preocupado comigo. Acho que realmente foi um breve desentendimento no momento em que nos conhecemos.
O filme não era tão assustador quanto dizia sua proposta. Na verdade, eu já estava ficando entediada.
Mas eu estava prestando atenção porque haviam pagado para eu ver o filme e nós estávamos na semana do meu aniversário.
Olhei de relance para ele, o mesmo parecia estar concentrado no filme enquanto comia seu lance. Eu também estava comendo enquanto assistia, naquele mesmo momento, eu estava mordiscando meu chocolate que era um diamante negro.
Assim que o filme chegou no final, nós levantamos de nossas cadeiras e nos dirigimos em direção a saída da sala. Na porta dela, onde havia uma lixeira, nós jogamos as embalagens que carregamos fora.
— Saída e toalete. — Quem havia dito isso era o mesmo funcionário que havia cortado nossos ingressos estava na porta da sala.
Eu olhei para a entrada do cinema que era próxima a sala que eu e Len estavamos saímos e vi que outra pessoa estava no lugar dele.
Agora que eu reparei melhor nele, O garoto era gordinho, alto e usava óculos. Ele aparentava ter traços orientais, eu diria que é coreano. Estava usando uniforme do cinema. Mas algo nele estava me incomodando... A sensação que senti, era mesma que senti no momento em que cortou nosso ingresso.
Foi quando eu olhei para sua expressão e ele parecia incomodado com a presença de Len que se encontrava indiferente. Olhei para as mãos do funcionário e eu vi garras que não eram humanas.
— Eu sabia que tinha te visto antes! — Exclamou Len com um sorriso irônico enquanto olhava para esse moço.
— Eu achei que você tinha me reconhecido no momento em que me viu. — Respondeu com um sorriso forçado.
— Alita… — Disse para a moça que estava passando pelo corredor com algumas chaves. — Faz a despedida aqui para mim?
—Claro! — Respondeu a garota que também tinha traços orientais, estava usando uma lente de contato azul, os cabelos negros estavam presos e estava usando uniforme da empresa.
O rapaz então foi ao lado de Len para o corredor onde estava mais afastado da sala e havia uma saída de emergência, eu os acompanhei.
— Então quer dizer que esse cinema contrata metamorfos… — O meu acompanhante disse demonstrando estar calmo.
— Eu não diria isso… — Comentou o coreano com um pequeno sorriso. —Somos funcionários temporários, eu e Alita. Logo voltaremos para Onairan.
— Você é o primeiro metamorfo que conseguiu uma vaga na academia para fazer parte do exército da rainha… — Prosseguiu Len. — Não é mesmo?
— Sim… — Disse ele. — Me chamo Kwang-Sun, eu e Alita estudamos na mesma escola. Mas estamos de férias. Em breve nós voltaremos para Onairan para voltarmos aos Treinos e aos estudos.
— Que bonitinho. — Mostrou um sorriso irônico após ouvir aquilo. — Tendo uma vida honesta.
— E você é capanga do Jean. — Disse o moço enquanto ajeitava seus óculos.
— Funcionário. — Respondeu com uma cara de tédio. Nesse momento, ele passou a segurar minha mão. Minhas bochechas ficaram vermelhas — Eu diria.
— Meu caro, Segurança de bandido pra mim é capanga. — Retrucou.
— Fale o que você quiser… — Disse o mais alto ainda segurando minha mão e com cara de tédio. — Eu não estou nem aí.
— Por mim eu te enfrentava agora. — O coreano mostrou um sorriso desafiador.
— Você não pode me enfrentar. Não faz parte do exército. — Respondeu enquanto andavamos calmamente em direção a saída, ainda estava segurando sua mão. Kwang estava nos acompanhando. — Você pode ter sérios problemas. Ainda mais quando eu estou apenas tendo um dia comum com a Soraya. Sério, você só poderá me enfrentar depois que começar a fazer parte do exército da rainha. — Depois de ouvir isso que Len disse, o moço parecia ainda mais curioso, Me olhou fixamente. Eu cheguei a me sentir até desconfortável.
— Quem é ela? — Apontou para mim descaradamente. Eu fiquei sem reação. — É sua namorada?
— É a filha do chefe. — Que isso, Len? Assim na lata? No momento que eu ouvi isso, eu pensei “Você não pode sair dizendo quem eu sou."
— E sai dizendo quem é ela para todas as pessoas com quem conversa? — Questionou o jovem. Foi exatamente isso que eu pensei. — Tem sorte de eu ser apenas o mocinho. Talvez você não tenha tanta sorte quando disser a algum rival.
— É porque você é fraco. — Respondeu o mais alto enquanto abria a porta. Isso que ele disse doeu até em mim, acreditem — E você não faria nada a Soraya sem motivo.
Ao ouvir isso, era perceptível que Kwang-Sun estava tentando conter o nervosismo que Len tinha provocado. É compreensível, até eu ficaria irritada ao ouvir algo assim.
No momento em que o coreano ia dizer algo. A porta já estava aberta.
— Nos despedimos aqui! — Disse o raposo despreocupadamente enquanto passamos pela porta e ele a fechava em seguida.
Eu comecei a refletir... Estava na cara que eles lutam de lados opostos. Porém, realmente não achei certo a forma que Len o provocou sendo que não queria lutar. Eu sei que isso não tinha nada a ver comigo. Mas eu queria voltar lá na sala e ter diálogos construtivos e amigáveis com aquele rapaz.
Foi isso que eu pensei e claro, poderia ter dado certo se não fosse por duas circunstancias. Uma é que sou a filha do famoso criminoso Jean e a segunda é que o Len estava lá comigo.
Impulsivamente, eu soltei a mão dele e entrei correndo pela mesma porta que a gente tinha saído, ela ainda estava aberta.
A sala não era longe, era logo do lado no corredor. Já haviam saído todos os clientes. Entrei correndo e eu o vi subindo as escadas com material de limpeza.
— Er…. — Falei timidamente enquanto ia em direção as escadas da sala.
— O que você está fazendo aqui?! — Demonstrou uma enorme surpresa ao vira-se e me ver no inicio da escadaria da sala.
— Eu sinto muito pelas coisas que o Len te disse… — Estava realmente preocupada ao dizer isso.
— Padrão... — O coreano estava indiferente.
— O quê? — Questionei enquanto subia calmamente as escadas e parei na fileira C observando enquanto ele varria a mesma.
— Os capangas do seu pai são assim. — Falou sem nem olhar na minha cara. Afinal, ele estava trabalhando.
— Mas realmente… Ele não deveria ter dito aquelas coisas. Você está aprimorando suas habilidades… — Nesse momento, Len entrou na sala correndo. Estava preocupado.
— O que é isso? — Perguntou demonstrando estar irritado. — Quer ser amiga dele agora? — Começou a rir descaradamente.
— Eu só estava dizendo que Kwang-Sun está aprimorando suas habilidades e que você não deveria dizer coisas destrutivas. — Falei com um tímido sorriso.
— Você acha mesmo que as coisas que um capanga do Jean me diz me afetam? — Disse Kwang em meio a risos — Mas… Confesso que até que você não é tão ruim quanto eles. Vindo aqui demonstrando essa preocupação toda.
— Vamos embora! — Exclamou Len com uma expressão raivosa em seu rosto.
— Tenho que ir! — Falei mostrando um enorme sorriso. — Tchau! — acenei.
— Fica mais um pouco… — Disse o funcionario enquanto eu descia as escadas.
— Ela tem que ir! — Len estava realmente raivoso.
— Quantos anos tu tem? — Questionou o coreano.
— Fiz dezoito ontem. — Respondi enquanto me aproximava do mais alto.
— Não deveria receber ordens assim… — Disse o coreano descaradamente. — Se ele te disser para pular da ponte… Você pula? Ainda mais um mero subordinado do seu pai… Eu me sentiria envergonhado se eu estivesse no seu lugar. — Comentou ironicamente. Caralho, ele está alfinetando o Len e ele tem super força. Vai dar merda.
Nesse momento, eu me encontrava do lado do Len e ele começou a andar em direção oposta a saída, que era onde ficava as escadas que Kwang-sun estava.
Eu percebi que ele queria bater no jovem. Entrei na sua frente. Mas o mesmo me afastou cuidadosamente. Nervosa, eu dei uns passos para trás e acabei tropeçando no carpete e caindo.
— Você está bem? — Perguntou enquanto me ajudava a levantar.
— Sim. — Tentei segurar seu braço. Mas calmamente o puxou enquanto seguia em direção ao metamorfo que estava parado na escada onde era a fileira E já que havia subido um pouco antes.
O jovem então se transformou impulsivamente em um Tigre que foi descendo calmamente as escadas da sala.
Eu fiquei aterrorizada. Não pelo fato de um deles ter super força e o outro ter se transformado em um tigre.
Mas sim se as outras pessoas os vissem. Ia ser um caos, eu sei. No momento em que o tigre se aproximou do Len para morder ferozmente sua perna.
Eu sai correndo em direção a entrada. Eu ia tentar impedir as pessoas de entrarem na sala e verem aquilo. Não é todo dia que vemos um tigre em um cinema, não é mesmo? Ainda mais por ser um cinema e não um zoológico.
Na entrada da sala, eu estava nervosa. Eu não queria deixar ninguém entrar na sala 1 que é onde estava ocorrendo o desentendimento dos dois. Estava tudo indo bem. Mas depois que se passaram dez minutos. Dois funcionários estavam com produtos de limpeza e vindo em direção a essa sala. Era só o que faltava, eu ia tentar impedir os funcionários do cinema de limparem a sala.
Mas eu reconheci a moça, que era a que Kwang-Sun tinha pedido para cuidar da sala enquanto ele ia conversar com Len. O nome dela é Alita e ela é que nem ele se não me engano.
— Ai meu Deus! — Disse após tirar um papel do bolso e olhar para ele. — A sala três está saindo. Vai para lá e depois eu te ajudo! — O amigo dela então foi para a outra sala enquanto ela vinha em minha direção.
— Você não pode entrar aqui! — Estava passando por mim segurando os produtos de limpeza. Eu segurei a manga de sua blusa.
— Mas… — Respondeu. — Eu trabalho aqui.
Naquele momento eu pensei se ela era mesmo a amiga do Kwang-Sun que também tem poderes mágicos.
— Se eu disser que o Kwang-Sun está usando os poderes dele. — Soltei a manga de sua blusa e fechei meus olhos nervosa. Eu estava chutando essa alternativa de que era ela mesmo.
— O quê? — Falou em meio a risos. — Ele é uma pessoa super pacífica. Não lutaria sem motivo.
— Mas se ele estivesse lutando… — Ao abrir meus olhos, comentei tentando não demonstrar nervosismo. — Contra um dos capangas do Jean….
— O quê?! — Ela ficou extremamente surpresa ao ouvir isso. — Ele não pode de forma alguma lutar contra os capangas do Jean! Ainda mais enquanto ainda está treinando na academia! — Nesse momento, ela entrou bruscamente na sala.
— Mas o Len…. O Len é uma pessoa muito boa! — Caíram lágrimas dos meus olhos enquanto eu entrava correndo atrás dela.
— Os capangas do Jean são pessoas Terríveis. Virou-se por um instante para me dizer isso demonstrando estar irritada. — São egoístas e não se importam com ninguém além de si mesmos!
Assim que entramos na sala. Nós vimos Len segurando o tigre pelo pescoço, era para enforcar mesmo e com uma extrema força, ele socou o tigre no chão. Eu só podia ver o chão se partindo com o impacto.
— Viu? — Comentou ele com um tom de deboche e um enorme sorriso em seu rosto. Sem arrependimentos, prosseguiu. — Você é fraco! Se comigo já é assim. Imagina quando eu estiver com a tropa.
Ao ver isso, eu fiquei em choque. Eu não queria acreditar que Len era assim.
Alita descreveu os subordinados do meu pai como pessoas terríveis…. Mas o Len… Não podia ser assim… Podia? Lágrimas começaram a escorrer dos meus olhos. No momento em que ele veio em minha direção e segurou minha mão, eu soltei de maneira bruta.
— Isso que você fez… — Olhei em seus olhos e assim pode me ver chorando. — Não está certo... — Não consegui me conter e comecei a socar seu peito seguidamente. — POR QUE BATEU NELE? — Gritei. — POR QUÊ?
O mesmo se mostrou indiferente e olhou para a parede ao lado.
No momento em que eu ia me dirigir para ver se o Kwang-Sun estava bem. Ele segurou minha mão e eu não consegui me soltar, era muito forte.
— Você não vai. — Me segurou firmemente. Eu não consegui insistir. então o acompanhei em direção a saída do cinema.
Eu queria apenas saber se o moço estava bem. Comecei a ter pensamentos negativos, comecei a achar que o raposo matou o tigre.
Fiquei muito mal no caminho e aquilo seria minha culpa. Apenas porque eu achei que poderia ser construtiva, eu nunca deveria ter voltado naquela sala de cinema, naquele momento.
Assim que chegamos no carro, eu mal olhei para a cara do Len, estava muito chateada.
— Agora é só o que me faltava. O cara nem faz parte do exército da rainha e acha que tem alguma moral para enfrentar algum bandido. — Parecia irritado ao me dizer isso. — Não quero te ver com essa gente. Escutou? Seu pai vai ficar puto.
Não respondi nada do que falava para mim. Apenas olhei a vista pela janela do carro. Parecia que era para me provocar quando colocou uma música deprimente. Aquele era o meu dia e eu achando que seria normal.
— Nós vamos para Onairan? — Não resisti e perguntei ainda olhando a vista pela janela. Eu nunca tinha ouvido falar sobre esse lugar. Provavelmente é uma terra magica em outra dimensão. Só pode.
— Sim… — Me respondeu enquanto dirigia. — É onde se encontra o laboratório do seu pai.
— E como é esse lugar? — Perguntei curiosa.
— Não é muito diferente daqui… em relação à paisagem. — Mostrou um sorriso tímido. — Mas existem coisas que diferem daqui. Quando você estiver lá, vai entender.
— Os soldados da rainha são pessoas boas? Eles são os heróis, não é mesmo? — Perguntei. — E nós? Nós somos os vilões?
— Bem… É complicado… Dizem que eles não são diferentes de nós… — Falou com a mão direita no volante e a esquerda coçando o queixo. — Que são mercenários e corruptos… como se fossem os policiais daqui. Alguns são bons e outros não.
— Entendo… — Eu ainda estava curiosa em relação a tudo. — Prossiga…
— Sobre o seu pai. A resposta está na sua cara. Ele é um super vilão. — Isso soava como uma facada em meu peito. — E… não sou o príncipe encantado no qual você sonhava. Eu trabalho para ele —
Nesse momento, eu comecei a chorar muito. Tudo estava me ferindo cada vez mais. Decidi então ficar quieta e não prosseguir com o assunto.
Demorou um pouco para chegarmos em casa. Até que chegamos, eu Vi um carro preto estacionado lá perto. Mas não me importei, apenas desci calmamente do carro enquanto limpava minhas lágrimas com a minha mão direita.
Assim que Len se aproximou de mim, tentou segurar minha mão esquerda, mas eu puxei. Entrei em casa pelo buraco da parede que parecia que estavam dando um jeito nele.
— Já era hora de dar um jeito nisso. — Comentei em alto e bom som após entrar pelo que restava do buraco.
No momento em que olhei para a escada, Bryan, Winderson e um moço ruivo que eu não sabia quem era estavam descendo por ela.
— Mas ainda dá para passar. — Minhas bochechas ficaram vermelhas. Parecia um desfile de tanto moço lindo nessa casa. Pareciam modelos e não bandidos.
— Eu sei! — Exclamou Bryan enquanto descia as escadas com seus colegas atrás. — A casa vai ser reformada para ser alugada depois. Eu já arrumei nossas malas. Vamos levar apenas nossas roupas.
Len entrou em casa pela porta. Já estava irritando pelo que havia acontecido, no momento em que olhou para o ruivo, o fuzilou com o olhar.
— Quem é o ruivo? — Perguntei timidamente. O careca estava do meu lado naquele momento. Quanto mais o ruivo se aproximava para se apresentar, mas o raposo cerrava os punhos. Era nítido que não gostava daquele homem.
— Prazer, eu também sou uma Kitsune! Igual o Len. Eu não sei se ele te disse que é uma kitsune. Mas estou dizendo agora! — Exclamou enquanto mostrava um enorme sorriso. — Meu nome é Gabbe!
— Prazer… Meu nome é Soraya — Me apresentei Tímidamente. Provavelmente já sabia meu nome. Mas que mal tem relembrar, não é mesmo.? Nesse momento, Gabbe me puxou para mais perto dele, me deu um abraço e beijou meu rosto.
O careca ia bater no ruivo. Mas foi só Gabbe tocar no pulso dele, que o mesmo desmaiou. Winderson foi em direção ao Len que estava desmaiado. Ele e o Ruivo Levaram o raposo até o quarto e o deitaram na cama. Depois começaram a descer a escada juntos.
— Você e esse poder de cura que mais parece um feitiço do sono… —Disse Bryan que estava encostado no corrimão da escada.
— Eu sei! — Falou Gabbe com um enorme sorriso. “Poder de cura…” Eu pensei. Estava claro que aquela era a resposta, Eu teria que levar Gabbe até o cinema naquele momento para curar Kwang-Sun.
— Gabbe… — Comentei enquanto ia em direção a porta. — Vamos ao cinema!
— Nossa… Assim do nada? É para a gente se conhecer melhor? — Mostrou um tímido sorriso. — Que filme está passando?
— Não é isso… — Demonstrei um enorme nervosismo ao dizer. — Len bateu em um colega meu. Eu quero muito que meu colega melhore! — Comecei a chorar muito após dizer isso.
— Calma, gata. — Colocou a mão no meu ombro. — Nós damos um jeito nisso. — Parecia despreocupado. Isso me trouxe expectativas.
— Obrigada! — Mostrei um pequeno sorriso ao olhar para o ruivo.
— Mas tem um porém. — Comentou Bryan. — Dependendo do estrago... Ele pode acabar dormindo por uma semana
— E se ele estiver morto, eu não vou poder trazer de volta à vida. — O ruivo reforçou. lágrimas voltaram a sair dos meus olhos. Eu me sentiria terrivelmente culpada se esse moço morresse.
Assim que saímos de casa pela porta, Nós entramos naquele carro preto que eu tinha visto antes. Descobri que pertence ao ruivo. Eu entrei no banco de trás enquanto Gabbe seria o motorista e Bryan sentou no banco ao lado do motorista.
A forma apaixonada que o moreno olhava para o ruivo deixava claro que Gabbe era o crush dele. Eu pensei “Caralho, eu shippo”
Mandei mensagem no whatsapp para Bryan usando meu humilde 3g:
“Gabbe é seu crush?” Achei que ele não responderia essa mensagem.
“ Sim… é” Mas respondeu. “Len também já foi meu crush. Mas quando eu me declarei, ele me disse que é hetero. Ai eu respeitei, né.”
“Bem… Eu estava gostando de conhecer o Len... “ Comentei.
— Gabbe… Me fala de você… — Puxei assunto.
— Bem… Eu era casado. Mas eu descobri que minha esposa me traiu. Ai eu me divorciei. — Me respondeu enquanto dava partida no carro. — Tenho um filho de onze anos chamado Igor.
— Interessante. Mas você está aberto a novas experiências? — Perguntei com um sorriso malicioso.
— Gata, está insinuando que quer algo comigo? — Pelo amor de Deus, não é isso! — Não… É que eu tenho um amigo gay… — Olhei para o celular e:
“Caralho, o que ce ta fazendo?” Bryan disse e tinha um emoji raivoso. Ai eu fiquei nervosa.
— O quê? — Gabbe começou a rir. — Eu não sei se eu ficaria duro com um cara. Sei lá… Um macho gordo e peludo. Não faz meu tipo, entende? — O moreno ficou com as bochechas coradas e olhou para a janela.
— Eu entendo. — Fiquei meio sem jeito com essa resposta. — Mas você nunca vai saber se não tentar...
— Verdade! me apresenta seu amigo. — Estava envergonhado. — A gente pode trocar uma ideia. Sou um cara com mente aberta.
Depois Bryan me mandou algo pelo whatsapp.
“Valeu mesmo.” Tinha um amoji corado no final da frase.
“Você tem chance.” Eu respondi.
Chegamos no shopping, assim que entramos nele, fomos correndo até o elevador e assim que ele abriu clicamos no andar do cinema. Ao entrar no cinema, eu encontrei a Alita parada ao lado da sala três que ficava de frente para a entrada.
— O que vocês querem? — Disse ela de frente para nós com uma expressão irritada em seu rosto ao nos ver nos aproximando.
— Cadê o Kwang-Sun? — Perguntei demonstrando preocupação.
— Eu usei magia para consertar a sala um que foi devastada pela luta deles. — Suspirou e depois me fuzilou com os olhos. — Kwang-Sun está com alguns ferimentos causados pela luta. Ao recobrar a consciência já em sua forma humana, seu corpo se encontrava dolorido e também estava cansado. Ele me disse que não queria ir no médico, apenas queria descansar um pouco. Com dificuldades, eu o ajudei a andar até a sala seis do cinema.
— Meu amigo tem poder de cura. — Demonstrei expectativas e passei a segurar a mão de Gabbe inocentemente. — Trouxe ele para ajudar Kwang-Sun a melhorar.
— Está tentando consertar seus erros? — Ainda de frente para mim e me encarando, a moça estava desconfiada.
— Sim, Eu estou! — Prossegui. — E vai dar certo! Mas ele vai dormir por muito tempo.
— Não tem problema. Eu falo que ele virou a noite e desmaiou de sono. — Comentou despreocupada. — Espero que quando eu vê-lo de novo, ele esteja bem. Ele está escondido depois da saída de emergência da sala seis, ela fica no final do corredor — Me indicou a sala apontando com a mão esquerda.
Ao chegar na sala, estava tendo sessão. Eu, Gabbe e Bryan seguimos até a porta e quando abrimos, nós vimos o moço sentado, inconsciente e encostado na parede. Eu vi que alguns dos machucados dele havia desaparecido, isso mostra que Alita estava realmente se esforçando.
Me ajoelhei ao lado do coreano e fiquei observando.
— Magias de cura servem apenas para pequenas feridas. — Disse o ruivo enquanto se aproximava do coreano e ao ajoelha-se também, Uma luz azul acendeu em suas mãos e com elas passou a tocar calmamente os lugares fraturados pela luta. — É bem grave, mas vou dar um jeito.
Conforme fui olhando, era inacreditável. Os machucados e os cortes causados pela luta. Além da fratura no braço do jovem estavam desaparecendo. Nesse momento, Alita entrou pela porta e nos viu. Ela que estava com uma expressão cheia de raiva anteriormente abriu um enorme sorriso.
— Desculpe-me pelos problemas que eu causei. — Comentei sem nem olhar para trás para ver seu rosto. — Eu realmente queria amizade com você e com Kwang-sun.
— Ele está bem, gente. — Gabbe mostrou um enorme sorriso ao se afastar do rapaz. — Serviço completo. Mas já aviso que vai dormir por uns três dias pelo menos.
— Tudo bem… Você já consertou seu erro. — Disse Alita enquanto se aproximava de mim, e ao se abaixar me deu um forte abraço. — Me passa seu whatsapp depois?
Nós saimos do local e seguimos para a entrada. Gabbe e Bryan carregaram o coreano. Alita explicou para o gerente que o Kwang não dormia a dias e desmaiou. O mesmo foi liberado do trabalho naquele dia. Eu passei meu numero para Alita e ela mandou para o Kwang-Sun.
Nós saímos do shopping aliviados que o rapaz estava bem depois de tudo. Tenho que agradecer ao Gabbe por me ajudar usando suas habilidades de cura.
— Onairan é uma cidade magica localizada em outra dimensão. Nós vamos nos mudar para lá. — Disse Bryan.
— Eu imaginava algo assim, depois de ver algumas pessoas com poderes. — Respondi.
— Adivinha quem vai para Onairan? — Comentaram ambos em uníssono. — Já aprontei as suas roupas. Seu pai disse para não levarmos os móveis porque onde vamos estar já é mobiliado.
— Nós vamos para Onairan! — Respondi enquanto entrava no carro no banco de trás. Gabbe iria dirigir e Bryan sentou-se ao seu lado no banco do passageiro.
Fale com o autor