Outra maneira?
7 Hungarian Dance No. 5
Notas iniciais
OOI GENTE
to bem feliz q tem gente me acompanhando aqui, obg por isso ♥
vamo dnv nessa fic q ta estourooo
250 dias depois do assalto.
Ninguém prometeu nada. Sergio estava deitado na rede, do lado de fora da casa, de olhos fechados e o terno amassado. Dormira ali porque tivera insônia pela noite e saíra para tomar ar. Sentia-se como aliviado. Agora sim estava conseguindo reduzir Raquel a uma ideia, uma lembrança boa. Andrés era como um sussurro consolador no meio da noite. Agora sim Sergio sentia-se em paz com as lembranças. Talvez porque tenha passado muito tempo. Talvez porque a noite tenha trazido um vento frio que tanto o apetecia. Talvez porque o filho de Mónica nasceu e a ideia de uma coisa boa ter acontecido por causa do assalto o fez sorrir. "Agustín"Denver fizera um bom trabalho: o preço que pagou foi compensado. "Todos pagaram um preço, mas alguns ganharam coisas." E a ele? Sobraram as lembranças. E, é claro, uns muitos milhões. Levantou-se, pegou o jornal na mesa, e deitou-se na rede novamente. O mundo continuava acontecendo, bancos sendo roubados; carros, explodidos; políticos, presos… Filmes continuavam a ser lançados e os festivais, lotados. Músicas a serem gravadas e regravadas. Times de futebol ganhando e perdendo. Pessoas se casando por todo o mundo. E descasando também. Mulheres sendo espancadas e homens violentos, presos. Tudo continuava indo, a máquina do mundo não parando nunca, tudo ocorrendo simultaneamente. E ele ali, absorvendo tudo isso a todo instante. Respirou fundo. Entendeu, por fim, que o mundo continuava, assim como continuou todas as vezes. Decidido a não se sentir mais sujo e ridículo, levantou e pegou a caixa de cartas embaixo do criado-mudo, a caixa das cartas jamais enviadas. Andou até a área de serviço, jogou as cartas no tanque. Buscou álcool no armário. Pegou fósforos na cozinha. Ateou fogo às tantas cartas, ao sentimento viscoso que escorria delas. Respirava rápido. Se despedia da lembrança delas, do sentimento louco e obcecado. Raquel não voltaria, era verdade. A guardaria num espaço bom de sua mente. "Além do mais, foram só alguns dias." Poderia muito bem administrar o que sentira só por uns dias. A ver, existiam tantas outras mulheres por aí. E ele nunca fora alguém que necessitava de uma companhia para sempre: o amor, para Sergio, sempre fora apenas um ideal inalcançável. Raquel poderia até ter gostado dele, naquele momento, mas agora tudo isso já era passado. O mundo continuava. Bancos, roubados. Políticos, presos. Cartas, queimadas. Sergio fechou a porta da área de serviço. Deitou-se na rede. O mundo continuou.252 dias desde o assalto. Raquel se contorcia na cama. Ángel a beijava, beijava seu corpo com o desespero de alguém que sabe que vai perder aquilo que tem. A mulher mantinha os olhos fechados, as mãos paradas nas costas do inspetor, enquanto ele se deliciava com a situação. Raquel se arrependia a cada movimento de Ángel, seus corpos grudados e seus lábios colados. Ela não queria de arrepender, era verdade. E ele estava separado, ela estava divorciada, e ele estava lá nessa noite em que o corpo de Raquel pedia pelo sexo. Mas as palavras que ele dizia ao ouvido dela, o cheiro que ele exalava, tudo nele fazia ela se arrepender. Apertava os olhos, tentava abstrair. "Sentir prazer, sentir prazer…" Era o que seu corpo e sua mente precisavam. Concentrou-se. Quando Ángel saiu de cima dela, suado e respirando fundo, Raquel virou-se para o lado de fora da cama. Piscou várias vezes. O que havia acontecido? Ángel tocou suas costas, em silêncio. Sabia o que aquilo significava. Não tardou para que Raquel fosse embora, apenas com um sorriso forçado e um desejo de boa noite. Ao entrar no carro, a mulher deixou que as lágrimas caíssem. Sentia vergonha… Mas de que? Nada do que fizera era vergonhoso ou imoral. Sentiu-se triste, angustiada e, sobretudo, ridícula. Sentiu saudade do corpo e do toque de Sergio, pensou no quanto prazer ele lhe proporcionara. E no quanto seu beijo fazia com que suas pernas tremessem, no mais típico clichê. Não sentiria o que sentiu por ele por longos tempos. Sentiu saudade até de gostar dele, já que agora era tudo tão vago. Não o amava, não tinha como. Mas, nesta noite, Raquel queria tê-lo só por alguns momentos. Para sentir-se arrepiada. Para ter ânsia de alguma boca. Para que seu ventre respondesse a um toque. Entrou em casa, olhou a filha no quarto e foi para o banho. Quando saiu, jogou-se nua na cama, a chorar. De fato, a noite a fizera ridícula. E o desprazer a fizera quebrada.
Notas finais
gente critica minha fic por favor
obg
Fale com o autor