Notas iniciais
oinnn, mais um p vcs, pfv sejam legais cmg ♥

90 dias desde o assalto.

Sergio lia um livro. Lia cada linha mas não conseguia achar sentido nas palavras. Era difícil se concentrar enquanto sua mente vagava por outros lados e insistia em manter Raquel e Andrés em evidência.

Fazia calor, e sua roupa escolhida era uma bermuda branca e uma camisa de linho azul clara. Agora tinha muito tempo e muito dinheiro para se dedicar à sua vestimenta, e era bem verdade que isto lhe era como uma válvula de escape: se distraía com um passatempo fútil na esperança de que aliviasse um pouco a tensão que existia todos os dias. Estava muito nervoso, mesmo sem que um motivo aparente. Era como numa crise de ansiedade: nada o que o afligia era momentaneamente externo, mas sim uma bagagem de emoções lembradas e guardadas que comprimiam seu peito.

Fechou o livro, pôs na mesa e levantou-se.

Já tinha contatado todos os assaltantes sobreviventes, e, ao saber que estavam bem, tinha até que relaxado um pouco. Contudo, resolver essa questão também a retirava da lista das "coisas por resolver", o deixando novamente apenas com a saudade de Raquel e com o luto por Andrés, tudo tão impossível de se ajeitar.

Nairóbi e Helsinki moravam juntos, e planejavam o encontro dela com o filho, quando fosse mais velho.

— Ágata, se precisar de alguma coisa, me ligue.

— Professor, o máximo que eu poderia pedir é que você faça um filho em mim…

Tokyo e Rio tinham fugido juntos num navio chinês, e seguiam viajando pelo globo, a descobrirem todas as belezas do mundo.

— Como está meu anjo da guarda?

— Poderia estar melhor.

— Posso fazer uma visita pra tentar te ajudar…

— Eu adoraria receber você e Rio…

Denver e Mónica se casaram, e ao filho que nascerá já o chamam Agustín. Moram em Cuba, e chamaram o Professor para que fosse abençoar o casamento.

Dos reféns, o Professor soube apenas que o diretor, Arthuro, havia se separado e tirado uma longa licença depois do assalto. Alison Parker mudou-se da Espanha. Sr. Torres recebeu seu milhão na porta de casa, dentro de um tonel de cerveja: dentro, um mapa de Nairóbi, a cidade, e um beijo marcado com batom.

Ariadna recebeu seu milhão, e guardou-o discretamente no guarda-roupa, esperando o tratamento psiquiátrico acabar antes de usá-lo para algo. (O Professor sequer desconfiava que Nairóbi havia lhe dado o dinheiro, como tampouco fazia ideia do papel desempenhado pela garota na vida de seu irmão, Andrés).

Só faltava saber da única pessoa que importava.

"Raquel…"

O Professor estava tão desnorteado com a situação que não sabia se queria saber dela ou não. E se estivesse até que feliz? Seria bom ou ruim? E sua filha, como estaria?

Pegou o telefone. Pegou o caderno. Discou.

Uma moça atendeu.

— Professor…

— Lyudmilla, como está? – a sérvia de cabelos ruivos e pele extremamente clara era, para o Professor, o meio mais delicado de se aproximar da inspetora. Qualquer brutamonte sérvio seria facilmente considerado suspeito, mas não ela. E ele precisava de discrição e delicadeza neste assunto, agora, tão complexo de ser resolvido.

— Bem. Planejo viajar com Darko no próximo ano, mas por agora estou aqui para ajudá-lo, depois de tudo o que fez por nós.

Sergio riu.

— Fico feliz com os seus planos. Mas, me conte, como anda a inspetora?

Lyudmilla suspirou e, ao fundo da ligação, parecia se ouvir o som de papel sendo mexido.

— Ela largou a polícia, então não é mais inspetora. A notícia é pública e ela deu várias declarações contra a corporação, ela anda desarmada e não sai de casa sozinha há mais de duas semanas.

— Sozinha? Como assim?

— Ela só leva e busca a filha na escola, leva ela pra comer, essas coisas… Não faz mais nada. E, pelo que ouvi no fórum, o ex-marido está movendo uma ação contra ela, exigindo a guarda da criança…

Sergio tirou o telefone da orelha, sentindo as lágrimas brotarem nos olhos: Raquel havia desistido de sua carreira e estava a ponto de perder sua filha. Tudo porque havia se apaixonado por ele.

— E o que você acha? -ele perguntou, tentando parecer calmo

— Ela deve perder a criança mesmo, pelo que tudo indica. Ah, e o amigo dela, o Rubio, virou o inspetor e sempre a visita, mas sai da casa dela como se tivesse visto um cadáver.

— E do Prieto, sabes algo?

— Hm, dele não consigo nada. O Serviço Secreto é mais difícil de rastrear.

— Ok. E quanto à investigação?

— Ninguém tem uma puta ideia de onde vocês estão. Seu retrato falado estava nos dados da polícia, mas agora, depois de 3 meses, parece que eles esfriaram um pouco. A imprensa detesta qualquer investida deles, e a opinião pública tende a ficar do nosso lado.

— E você? Está segura?

— Sim, estou. Ninguém desconfia de mim. Bom, a não ser a moça, a inspetora. Eu atravesso a rua e ela me encara várias vezes.

O Professor respirou fundo e não sabia se sentia medo ou orgulho.

— Tome cuidado, mas, se eventualmente ela te abordar, diga que você segue minhas ordens. Mas, de preferência, em algum lugar em que ninguém te escute, muito menos o Rubio.

— Ok. Alguma instrução a mais?

Sergio ponderou.

— Se afaste da inspetora, um pouco. Saia da cidade e descanse. Te ligo nesse telefone se precisar de você de volta por Madri.

— Quando devo estar de volta?

— Em um mês.