Outra História: e se... vol.2
4 Velhos Am...
Notas iniciais
Hinata assombrou com aquele nível de poder. Então era sobre isso que seu marido sempre falava quando dizia que existem poderes ocultos capazes de destruir tudo o que era vivo, poderes esses que por poucos eram controlados. Naruto parecia tão poderoso quanto nos anos anteriores. Apesar disso, parecia amigável e com poucos interesses.
Ambos desativaram seus dojutsus, por fim, e se acalmaram.
O loiro mirou o seu redor e notou uma menininha de capuz azul. Naruto fez um gesto breve à menina que ficara escondida na entrada do parque. A menina se aproxima com receio, trêmula e com o rosto exibindo claro desespero.
–Por que está desesperada, Keiko? – murmurou o loiro, vendo a menina afastada e indo ao seu encontro, para trazê-la de volta para perto da família Uchiha.
–É que... Eu fugi... Pensei que você ficaria furiosa, mamãe... – Sasuke arregalou os olhos novamente. Então Naruto era “mãe” de Keiko? Mas como assim a mãe?! Ele é um cara! Como pode ter tido uma filha? Pensou intrigado.
–Não seja boba’ttebayo! – ele afagou os cabelos da menina, fazendo o capuz cair e revelar o suave rosto de menina – Vá se divertir, você é uma criança, pode brincar sempre e quando quiser. Estarei logo ali, descansando. – ele apontou para um banco fora do parque.
Sinto-me cansado, pensou o loiro, sinto-me velho e cansado. Parecia que o retorno a Konoha lhe trouxe os anos vividos e os anos perdidos todos somados aos anos que já tinha. Vinte e cinco anos de idade, porém sentia-se com 40 ou mais. Sentia-se desgastado completamente por tudo o que já passara. Fitou brevemente a filha e sorriu de lado.
A menina sorriu largamente, assentindo com veemência e correu para o balanço, ficando de pé no brinquedo e se movendo com vontade.
Naruto começou a caminhar para fora do parque com certo cansaço, rumando a passos lentos e descalços, esfregando preguiçosamente os próprios cabelos. Sentou-se em um banco e quase adormeceu. Era notável o estado abatido do homem, como se tivesse acabado de chegar de uma guerra de anos inteiros. Em comparação com o Uchiha, Naruto parecia muito mais velho e muito mais magro. Sasuke mostrava de face melhor forma.
–Ele parece ter lutado a vida inteira... – indagou Hinata, como que para si.
–A vida inteira dele foi um luta constante. – comentou Sasuke, acompanhando os movimentos do dobe – Naruto não sabe o que é descanso, Naruto não conhece a paz.
–Isso é vida? – Hinata perguntou com desespero contido.
Sasuke sorriu de lado.
–É a vida dele. – respondeu com tranquilidade. Piscou de leve. Aquela fora a sua vida também, em algum momento no passado, antes do título, dos filhos, de Hinata, do abandono.
Sim, ambos haviam envelhecido, Hinata via, e se apresentavam como homens feitos agora, ambos com suas próprias famílias e vidas. Naruto, com os cabelos repicados que iam até perto dos ombros, parecia mais alto, mais esbelto, perdera completamente os traços infantis que tanto enganaram alguns, exibindo uma face mais selvagem, ainda que cochilasse.
Hinata fitou Sasuke.
Era claro o desejo que ele tinha de ir até Naruto, mas não era certo. Eram adultos e não poderiam continuar vivendo no passado. O moreno retrocedeu o passo e pôs suas mãos nos bolsos. Parecia confuso. Hinata suspirou e levou sua mão ao peito: seu coração também palpitava de amores por Naruto, mas provavelmente não se comparava a angústia interior que assolava a mente de seu marido.
Estava indo tudo tão bem, pensava, até planejávamos encontrá-lo novamente. Por que essa precipitação repentina dos fatos? Por que Naruto teve que retornar justo agora, quando Sasuke se preparava mentalmente para procurá-lo?
A mulher foi até o loiro que cochilava, sentou-se ao lado dele e a muito custo criou coragem para acordá-lo. Naruto fitou-a com um único olho, abrindo largamente a boca para um bocejo. Hinata realmente fora a única pessoa que nunca fizera mal a Naruto em toda sua vida, era a única pessoa que lhe ajudara sem se importar com o fato de ele ser o Odiado. Nem mesmo Sasuke o era, pois o moreno adorava provocar o “mal” em Naruto.
Suspirou longamente. Se fosse um cara normal, tomaria Hinata como esposa, mas o cara normal dessa história é o Sasuke não eu, constatou por fim. Engraçado não ter ciúmes dela, mas de que iria ter? Não sabia, Naruto não sabia.
–Diga. – demorou-se mais do que devia no “i”.
–Fico feliz que tenha voltado... – sussurrou.
–Não... Estou só de passagem’ttebayo...! – falou se espreguiçando.
Os ossos soaram como garrafas de plástico sendo amassadas.
–Então o que veio fazer aqui? – falou Sasuke, aproximando-se, notando que os meninos voltaram a brincar em companhia de Keiko.
–Vim lhe dizer que aquele cara está vindo para cá. Só isso. – bocejou novamente. Sasuke apertou o olhar e sorriu de canto de boca. Como sempre, seu dobe lhe dava ótimas oportunidades. – Você vai ter a chance de se vingar de vez agora... Uaaahhh, que sono...! – coçou os cabelos – Eu nem quero saber o que vai fazer com ele...
–Como sabe que ele está vindo para cá?
Sasuke sentou-se ao lado do descansado amigo. Naruto se espreguiçou mais uma vez e estirou os braços sobre as pernas, deixando a cabeça pender para trás. A capa abriu-se um pouco, revelando uma parte do símbolo Trigrama para Sasuke, que rapidamente fez um link em sua mente com os momentos ardentes que teve com ele. Aquele pedaço de abdômen parecia bem cuidado e macio, Sasuke desejou tocar, mas se conteve.
–Ele está me seguindo... Se for esperto, logo vai entender minhas pistas e entender que de repente me bateu uma “saudade de casa”! – falou fazendo aspas com os dedos – Mas ele não vai contar com uma alma sebosa mal-amada que nem você andando distraidamente por aí.
Hinata riu. A língua afiada de Naruto era conhecida e perigosa.
–Naruto-kun... – o loiro fitou-a com espanto. Era a primeira vez que alguém usava esse tipo de tratamento com ele, mas acabou sorrindo: Hinata sempre lhe tratara com respeito. – o Sasuke-kun não é mal-amado. Ele tem filhos que o amam de verdade!
Ele fitou os meninos brincando de pega-pega com Keiko. Sorriu. Cópias de Sasuke fundidas com Hinata que corriam para lá e para cá irradiando chakra e sorrindo como patetas. Não pareciam para nada com o Sasuke que conhecia. Ele teria mudado com a paternidade?
Talvez sim, pois não notava a velha carranca e seu chakra fluía com mais tranquilidade.
É. O teme mudou mesmo, pensou. Suspirou profundamente e desfez o sorriso lentamente. As coisas mudaram e apenas Naruto se mantivera o mesmo, preso aos grilhões que construíra durante seus anos, mas não podia querer muito de Sasuke, pois ele era um Uchiha no fim das somas: tinha um dever social a cumprir e por isso deixara o bilhete 10 anos antes.
–E uma esposa também. – alfinetou.
O Uchiha seguira seu conselho e se casou com uma Hyuuga, e pelo visto a mais bonita disponível. Naruto riu quase que silenciosamente, se perguntando que tipos de relação aqueles dois tinham. Cansara de ouvir, em outros verões, o Uchiha dizer que só queria o corpo do Uzumaki e o de mais ninguém, então como fora para ele fecundar Hinata? Imaginou ambos na cama. Arregalou os olhos repentinamente, pois algo lhe ocorrera: Sasuke supostamente lhe amava e Naruto sabia que Hinata nutria semelhantes sentimentos por si. Será que no ato sexual ambos pensavam estar com o loiro.
Um sorriso demente surgiu no rosto descansado do Uzumaki. Hinata pensando ser fodida por Naruto e Sasuke imaginar estar fodendo ele, enquanto ambos gemiam seu nome. Naruto se conteve para não rir diabolicamente de sua suposição.
A vida é curiosa, constatou o loiro.
Pensar em Sasuke tendo relações com outras pessoas, ao contrário do que muitos sentiriam, fez Naruto sentir-se feliz. Era melhor que ele seguisse por esse caminho, era mais seguro para seu único e precioso amigo.
Sasuke assentiu, corando levemente as bochechas. Hinata sentiu-se elogiada por aquele simples gesto de seu marido. Não era o amor que ambos nutriam pelo Odiado, mas era um amor sincero de amigos cúmplices de uma vida. Uma forma válida de amor.
Naruto olhou para o céu. Recordara-se de algo que sentiu ao chegar a Konoha.
–Os três sennins... Os velhotes voltaram a ser amigos, não foi? – comentou por alto.
–Sim. São tão amigos que se tornaram conselheiros do Hokage, assumindo importantes atividades ao longo dos anos. Mas nada tão sério assim... Desde que você partiu, esse lugar tem andado pacífico demais! – Sasuke o fitou com intimidade, se perguntando como seria tê-lo depois de tantos anos – Parece que você levou todos os inimigos e as aventuras. Sempre tão egoísta! – Naruto riu, concordando com um aceno de cabeça – Imagino que esteja por trás de uns assassinatos que eu ouvi falar.
–Se refere à Akatsuki?
O moreno assentiu.
–Matei a maioria deles para conseguir minhas caudas. Correção: as caudas que preferem ficar comigo a em qualquer outro lugar.
–Então é verdade?
Hinata fitou os dois homens conversarem. Sakura já lhe dissera uma vez que Sasuke e Naruto tinham uma assustadora forma rápida de comunicação, quase que telepática. Observou-os, tentando entender sobre o que eles estavam conversando.
Naruto viu o olhar de incompreensão da mulher ao seu lado. Sorriu. Provavelmente Sasuke não lhe contara muita coisa sobre a vida que tinha antes de se casar. Sim, uma vida, ou várias vidas, turbulentas, repletas de sofrimento, amaldiçoadas pela dor e pelas trevas. Apertou o olhar, ainda sorrindo. Talvez devesse contar um pouco sobre eles, sobre a verdade por trás do rosto polido e respeitado do Uchiha.
–Eu estou reunindo as bijuus, por isso digo caudas. Sasuke conhece o meu estilo de luta porque foi meu companheiro de guerra por anos inteiros. – ela assentiu — Sabe, Hinata, seu marido foi um assassino impiedoso, um dia’ttebayo. – seu sorriso de sadismo finalmente apareceu – Matou tanto quantos eu poderia contar, porém não ultrapassa as atrocidades que eu fiz e tudo por uma única razão... – fitou Sasuke – Você conseguiu, não foi teme? Mostre-me.
Sasuke sorriu e piscou lentamente. Os olhos completamente negros, com linhas vermelhas que começavam na fronteira da íris e diminuíam à medida que se aproximavam do centro, onde havia uma tomoe no lugar da pupila. Naruto arregalou os olhos e saltou, parecendo completamente desperto. Apontou para o rosto de Sasuke.
–Você é um puta teme incrível do caralho, Sasuke’ttebayo!!! – gritou. O casal fechou o rosto, em vista do linguajar impróprio – Ah... Desculpe-me, às vezes eu mesmo esqueço que sou mãe... Enfim – fitou o outro com sincera alegria – Conseguiu ao seu modo, não foi? Conseguiu chegar ao Rinnegan antes que eu libertasse todas bijuus... Você é uma pessoa incrível.
–Eu tive uma boa orientação. – falou piscando um olho para ele.
Os dois sorriram.
–E como vai sua coleção de selos? – brincou Sasuke voltando ao normal – Já está em quantos?
Naruto retirou sua capa num movimento, fazendo-a cair no chão e mostrou o peitoral nu.
Usava apenas calças negras que se prendiam nos tornozelos por fivelas, onde estavam as argolas douradas de cigano, as costumeiras luvas com semelhantes argolas douradas e um peculiar cinto laranja, onde estojos estavam prendidos em suas costas. A pele bronzeada exibia com orgulho os exatos seis selos diferentes espalhados, sem contar o de Oito Trigramas que trazia no estômago.
Sasuke assombrou-se de tão admirado que ficara.
Era incrível que Naruto conseguira que apenas um único corpo de aparentemente físico magro sustentasse tamanha quantidade de chakra. Era assustadoramente excitante. Analisou não os selos, mas o corpo: a pele macia do pescoço, o peito bem definido, os mamilos relaxados, as curvas perfeitas do abdômen trabalhado. Como deve estar a bunda? Pensou Sasuke, contendo-se para não babar e nem expelir sangue pelo nariz.
Naruto fitou suas costas e chamou por Keiko. Ao ver a mãe, logo entendeu que o que deveria fazer: foi correndo até a capa no chão e fez um selo único, transformando o tecido negro em uma camisa ao estilo japonês de botões laranja com detalhes pretos na barra.
O loiro a vestiu sem pressa e suspirou, sorrindo de lado.
–Naruto-kun? – ela se levantou e tomou com cuidado as mãos do loiro.
–Sim Hinata. – Naruto estranhou aquele gesto.
Hinata sempre lhe surpreendia com aquele tratamento carinhoso que ele só recebera de Sasuke em determinados momentos. Realmente o Uchiha escolhera bem, muito bem.
–Janta lá em casa? – ela falou sorrindo docemente.
Sasuke piscou, demorando a entender a informação. Naruto? No distrito Uchiha? Jantar em sua casa? Sorria sadicamente, porém de maneira contida. Parece que os velhos tempos estavam retornando como a fênix que renasce das chamas.
–Mas é claro que sim!!! – Keiko saltou sobre os ombros do loiro e agarrou seu pescoço, quase derrubando o homem em cima da mulher. Sasuke riu um pouco, trazendo os meninos para perto da mão – Nós vamos, né mãe?! Vamos, vamos, vamos, vamos!!!
–Ok, ok. – falou colocando a menina no chão. – Tem algum problema, Sasuke?
–Problema? – o moreno cruzou os braços e sorriu de lado – Estou esperando a sua visita há muito tempo, dobe. Problema seria se você negasse.
–Depois de uma dessa eu vou! – Keiko se abraçou às pernas de Naruto e uivou de emoção, ao ouvir a resposta. – Mais baixo... Assim fico surdo. – todos riram da face de cansaço que ele exibira ao falar.
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