Outra História: e se... vol.2

5 Nova Konoha, velhas histórias


Notas iniciais
Feliz Páscoa, meus queridos leitores e minhas amadas leitores! Espero que gostem desse capítulo.

As duas famílias tomaram os rumos para o bairro onde ficava o Complexo Uchiha. As pessoas olhavam assombradas para a presença do loiro homem magrelo caminhando ao lado do famosíssimo capitão da polícia de Konoha que mantinha a paz na vila. Nem mesmo os guarda-costas indicados pelo pai do Uchiha andavam ao seu lado, mas aquele homem caminhava com tanta tranquilidade que nem parecia estar ao lado do perigoso Uchiha Sasuke.

Alguns poucos reconheciam aquele rosto um pouco envelhecido por batalhas e pelo tempo duro de vida. Seria ele, que teria voltado? Talvez. Outros tinham certeza, pois não poderiam esquecer singular face com riscos nas bochechas. Naruto tinha que admitir: ele era o tipo de pessoa que não se vê todos os dias.

Hinata sentia-se de certa forma aliviada por ver seu marido tão feliz, como só ocorrera no nascimento de seus dois filhos ou quando Sasuke estava com eles. Momentos raros, pois era um homem muito ocupado e se envolvia com missões que lhe tomavam muito tempo. O sorriso em seu rosto era tão sincero que nem parecia ser seu costumeiro marido, seu olhar de felicidade dava um brilho tão especial aos negros de sua visão e ares joviais a sua face sempre carrancuda. Seu jeito natural com as mãos nos bolsos e com o caminhar sem nervosismo ou pressa deixava claro o quanto Sasuke sentia-se a vontade com Naruto ao seu lado.

As três crianças iam alguns passos à frente, conversando e brincando aos saltos e aos gritos, e quem os visse de longes notavam a clara semelhança entre eles. Algumas pessoas ousavam e entre sussurros comentavam e criavam hipóteses sobre a razão para que o casal escondera uma criança da sociedade. Mas nenhum dos adultos dava atenção, ainda que ouvissem.

Naruto não ria tanto ou ouvia tantas histórias desde o dia que partira para longe das fronteiras da Vila Oculta da Folha. Um sentimento de nostalgia lhe encheu o peito e fez seu coração palpitar mais rápido. A última vez que tal saudade se apossara de si fora quando finalmente ultrapassara os limites de Konoha.

Ver aquele monte bem ao longe quase sem reconhecer os rostos encrustados neles, ver alguns tetos como manchas na floresta verde-escuro, os ventos lhe trazerem os cheiros tão conhecidos, era como se um fio estivesse sendo cortado naquele exato momento.

Instintivamente tocou sua barriga. Desligara-se de Konoha, mas não de Sasuke. Lembrou-se que sorrira sem perceber e algumas lágrimas derramara, mas Naruto não se arrependeria de suas ações, pois havia um objetivo e não voltaria atrás. Respirou fundo e rumou cada vez mais para longe, desaparecendo no horizonte.

Naruto parou a marcha, ao fim de seu devaneio, encarando o Monumento Hokage. Ao lado da princesa dos vermes, estava um rosto conhecido, muito conhecido. O loiro franziu o cenho, tirando as mãos dos bolsos e levando ao rosto numa face de incredulidade. Mas quem diria que a história de Konoha iria dar uma guinada absurda dessa?

Uchiha Itachi era o novo hokage de Konoha. Um Uchiha no comando da vila? Somente o primeiro Hokage imaginaria algo do tipo.

Não parou aí seu momento de estupefação. Ao virar o rosto para o lado de Sasuke, a fim de lhe perguntar mais sobre tamanha realidade, deparou-se com Hinata guiando Hiroki e Hiroshi para uma enorme mansão estilo colonial chinês atrás de um muro de pedra. Os queixos de Naruto caíram sem que ele se desse conta. Sasuke tomou a dianteira, acompanhado de perto por Keiko, deixando o loiro abismado para trás.

–Mas que... Você ficou rico?! – por fim soltou, recordando-se de piscar. – Sasuke, você é rico?!

O moreno parou e sorriu de lado, retornando para Naruto.

–Vai me dizer que não sabia?

–Mas... Mas... sua família morava num apartamento no Distrito Uchiha... Eu não sabia...

–Que isso tudo é meu e de Itachi? – falou apontando para a mansão com o polegar – Tecnicamente sim. Só depois que eu casei que voltei para esse lugar.

–...Ta que pariu... – resmungou, ainda sem acreditar. É isso: ser um Uchiha não era somente estar no topo da elite de Konoha, é também estar acima de todos, seja em dinheiro e poder, seja em status e conceito – E levando em conta os Hyuugas...

–Juntando o que eu tenho com o que Hinata tem, pode-se dizer que estamos bem financeiramente. – completou o sorridente Sasuke — E se caso cheguemos a morrer, podemos deixar nossos filhos em segurança.

–Isso é que é um pai. – comentou voltando a caminhar, sem tirar os olhos da imponente construção de dois andares que se agigantava diante dos olhos azuis de Naruto.

Sasuke seguiu o loiro de perto.

–E você?

–O que tenho eu?

–Se morrer, o que deixará a Keiko?

Ambos pararam a marcha e se encararam por alguns segundos.

–Eu... – Naruto baixou o olhar observando as próprias mãos – Bom... Eu... Não sei ao certo o que posso deixar a ela... – deu de ombros — Não tenho dinheiro, ou casa ou qualquer coisa que posso dizer “é meu e lhe dou agora”. Tudo o que consegui foi com pequenos trabalhos, mas não deu para fazer algum tipo de pé-de-meia, só era o suficiente para não faltar comida ou roupas ou o que Keiko quisesse... Mas eu não... Nem meu nome eu posso dar a ela.

Sasuke suspirou. Ser um Uzumaki provavelmente seria o atestado de morte ou de loucura de Keiko. Ela seria tão desprezada quanto fora o pai.

–Hinata. – ele chamou, a morena se virou e sorriu, ele sorriu de volta – Eu e Naruto vamos beber um pouco. Depois voltamos. Pode cuidar de Keiko?

–Claro! Pode deixar tudo comigo. Divirtam-se rapazes!

Sasuke tomou a mão de Naruto e o levou a um bar perto dali, um bar onde costuma relaxar depois do trabalho. Um local discreto e com mesas separadas por cortinas, tornando o lugar aconchegante e discreto. Sasuke pediu sua costumeira mesa, uma que ficava bem ao fundo e isolada do resto do bar. Empurrou Naruto para o canto e sentou-se ao lado dele.

Pediu duas cervejas em copos fartos e esperou a garçonete sair para fitar o dobe.

Num ímpeto involuntário, puxou-o para um beijo ardente de saudade. As línguas brigavam por espaço e as mãos procuravam pelo antigo território outrora explorado. Beijavam-se e faziam de tudo para não chamar atenção com gemidos e arfadas. Quando enfim o ar acabou, soltaram-se e ainda de testas coladas, Naruto recebeu mais alguns suaves beijos de Sasuke, onde só o roçar de lábios era suficiente para fazê-los rir.

Naruto pediu com um olhar por mais um beijo e Sasuke o deu de bom grado. De certa forma, era ótimo sentir aqueles lábios nos seus. Ninguém beijava melhor do que seu teme. Aliás, somente Sasuke tinha o direito de tocar seus lábios. Teriam se pegado ali mesmo se Naruto não tivesse ouvido os passos da garçonete e afastado Sasuke de si a muito custo.

Receberam as bebidas e a moça os deixou a sós de novo.

Carinhosamente o Uchiha afagou a mão de Naruto que segurava a alça do copo.

–Eu sei que deve ter criado aquela criança muito bem... – iniciou – Pelo o que eu vi, deve ter dado muito amor e carinho, evitando que ela crescesse como você cresceu. Fez como eu, impedindo que nosso passado estrague o presente.

–Nossa, você fica filósofo quando bebe. – brincou o loiro.

Os dois riram tomando breves goles de cerveja.

Sasuke aproximou seus lábios do ouvido de Naruto.

–Eu queria tanto te comer... – sussurrou, lambendo lentamente o lóbulo – Queria tanto fazer amor com você, sentir-me dentro de você de novo.

–Pare... Você é um homem casado, pai de família. Tem que se comportar como tal. – os dois se encararam exibindo sorrisos faceiros – Não pode fazer mais isso.

–Eu não me importo. Largaria tudo por você.

Naruto desfez seu sorriso e afastou Sasuke com o cotovelo, voltando a beber. Não gostou do que acabara de ouvir e o moreno percebera isso.

–Que foi? – perguntou com certa preocupação.

–Eu não deixaria Keiko por você. Não posso me dar esse luxo, afinal ela só tem a mim.

–E o pai? Já que você é a mãe...

–Não interessa tanto. Keiko só conhecerá o pai quando eu morrer, o que não vai demorar muito, se levar em consideração a minha vida.

–A sua vida? – Sasuke indagou sem entender e Naruto assentiu – Refere-se a...

–Não terei tanto tempo assim de vida como pensa. Logo, logo meu corpo vai sucumbir e você sabe disso... – Naruto respirou fundo e fitou intimamente o homem ao seu lado – Se acontecer, por favor, Sasuke, cuide de Keiko por mim.

–Eu não vou deixar que você chegue a esse ponto. – aquilo soara como uma severa ordem nos ouvidos de Naruto – Eu não quero nem saber. Eu não permitirei que você...

–E perder tudo? – fitavam-se firmemente.

Hinata tinha razão. A paternidade lhe fizera amadurecer. Sasuke respirou fundo e engoliu todo o conteúdo do copo a sua frente. Fitou o dobe ao seu lado.

–Eu estou disposto a tudo por você, até a desistir dos meus planos. Aliás, eu já desisti há muito tempo, quando você me deixou sozinho aqui, nessa merda de lugar. Meu único empenho em todos esses anos foi te ver de novo e tê-lo completamente. Eu estou pouco me lixando...

Naruto suspirou e empurrou um pouco o copo, recostando-se na cadeira.

–Mas eu não vou deixar tudo. Se for para perder minha vida inteira, que seja pelo menos com uma razão. – falou sem fitá-lo – Eu sei que tenho Keiko, mas não posso permitir que isso continue por mais tempo, eu tenho que fazer tudo purgar.

Sasuke suspirou cansadamente e recostou-se também na cadeira, transpassando um braço sobre os ombros de Naruto. Fitaram-se, mas desta vez havia carinho entre os orbes multicores, de modo que Naruto beijou aquela boca que sem palavras lhe pedia por mais carinho.

–Que faço com você? – Naruto sussurrou sorrindo, entrelaçando seus dedos nas macias madeixas do cabelo negro de Sasuke, fazendo-o cerrar os olhos como um gato que recebe um gosto afago – Me fez voltar aqui... Demorei tanto, mas voltei... Estou de volta...

–Bem-vindo de volta, meu amor. – Sasuke respondeu sem sentir.

Naruto sorriu de lado.

–Não use esses termos comigo... Não existe amor em mim, não mais. Eu sou apenas uma casca com um propósito e nada mais.

Sasuke segurou a mão do dobe e apertou-a em seu rosto.

–Por favor, Naruto. – ele abriu lentamente os olhos – Eu nunca lhe pedi nada...

–Mentiroso. – interrompeu o outro.

–Porra, cara! Eu aqui querendo expor meus sentimentos e você fica de sacanagem comigo?

Naruto gargalhou alto, tentou tapar a boca e impedir o barulho, mas não conseguiu. Riu até ficar com dor no estômago, quase ficando sem ar e com lágrimas escorrendo pelos cantos dos olhos, perdendo as estribeiras. Sasuke não conseguia entender o motivo do riso, mas estava encantado com aquele semblante de felicidade espontânea. Realmente seu dobe é lindo quando está rindo, é lindo irritado, é lindo triste, é lindo de todas as formas.

Depois de muito tomar fôlego, finalmente Naruto recordou-se de respirar.

–Desculpe... Pode falar. Estou ouvindo.

–Que é que eu faço com você... – ele falou rindo. – Como eu ia dizendo, eu lhe pedi poucas coisas nessa vida e se você me conceder uma última vontade, eu queria que desistisse de tudo isso e ficasse comigo. Eu posso cuidar de você e de Keiko sem problemas, eu sei que Hinata não se importaria, acho até que ela ficaria feliz em te ter por perto, eu pod...

–É tudo muito lindo, tudo muito perfeito, mas Sasuke, cá entre nós – ele interrompeu e terminou sua bebida – Nada disso funciona comigo. Não regrida agora.

Sasuke suspirou cansadamente.

–Ok então, Naruto... Vamos. – ele chamou a garçonete, pagou as bebidas e saíram do bar – Acho que você vai sentir menos desprezo por Konoha.

–Não quero pensar nisso agora. – Naruto olhou safadamente de lado para Sasuke e alargou seu sorriso levantando uma sobrancelha, uma ideia lhe ocorrera – Na verdade por que não me mostra à nova Konoha? Quero dizer, fazer coisas de homens – Sasuke o encarou sem entender bem – Como nos velhos tempos, sozinhos – a cada nova palavra o Uchiha sorria mais – Sem preocupações externas... Esse tipo de coisa! Por exemplo – Naruto fingiu pensar e apontou para a floresta no extremo oposto do Complexo Uchiha – Você poderia me mostrar a Floresta da Morte! Faz tempo que a vi, o que me diz?

–Pressinto que será um prazer lhe mostrar o lugar. – o outro compreendera todas as intenções naquela proposta – Deixe-me apenas avisar a Hinata, para que ela não se preocupe.

–Preocupar com o quê? Não faremos nada que já não tenhamos feito antes, se é que me entende, Uchiha Sasuke. – saudades de Konoha, Naruto jamais sentiria, mas saudades de um homem e do que ele poderia fazer, quase explodia naquele momento.

Notas finais
Nos vemos no próximo capítulo e para bom entendedor, já saberão o que vai rolar! Dica: Mr. Catra está patrocinando.