Notas iniciais
Demorei, mas cheguei e adivinha quem veio comigo? Leia até o final para saber! Muahahahahah

Sasuke acordou sorridente. Tivera um sonho, um alegre sonho, em que podia viver sua vida em paz ao lado de seu dobe e com ele tinha filhos. Sasuke sentou-se na cama e olhou para o lado. Seu dobe dormia de bruços e a pele amorenada exibia as recentes marcas do sexo anterior perto do pescoço e nos ombros. Estivesse como estivesse, Sasuke nunca deixara de ser possessivo, menos ainda com seu dobe no estado em que estava.

Com Naruto sem poder andar, Sasuke via a oportunidade perfeita de fisgar 100% o coração de seu dobe, fazendo-o seu sem nenhuma escapatória, mas havia alguns imprevistos pelo caminho, como sempre havia de ser.

O moreno ergueu-se cuidadosamente da cama, estando só de short azul e olhou uma foto em sua escrivaninha, ao lado da foto da equipe 7. Uma foto de família. Uma família de problemas.

Primeiro, seu pai. Fugaku sentia tanta repugnância por Naruto quanto pela relação que Sasuke tem com ele. Sasuke só não fora expulso de casa por causa do amor que sua mãe nutria por ambos os garotos, mas ainda sim a paz não reinava no Complexo. Obito, suposto tio e mestre de Sasuke, tentava amenizar a situação como conselheiro de Fugaku, orientando-o do quanto devia de apoio ao único filho de seus amigos de infância. Mas nada fazia a carranca Uchiha diminuir em Fugaku.

Segundo, seu irmão. Nunca imaginou que seu próprio irmão seria um problema. Todos os seus anos ao lado de Naruto, dez anos de uma vida incrível e repudiada por todos, dias sofridos e sem perdão, Itachi cobiçou Naruto. Não era amor, como Sasuke sentia, era pleno desejo de ter algo que mais ninguém poderia. Itachi ter inveja Sasuke? Nunca suspeitaria disso. Era sempre o mais novo que vivera com inveja de tudo o que o irmão mais velho tinha. Itachi queria Naruto e estava disposto a roubá-lo de Sasuke. Era uma guerra entre irmãos.

Ele suspirou longamente e moveu o pescoço para os lados.

Naquela manhã, ambos treinariam espadas. Sasuke olhou de lado e viu sua katana descansar ao lado da janela. Sorriu um pouco. Fazia tempo que não treinava descentemente. Aliás, fazia tempo que não trocava socos com alguém. Recordou-se das loucuras que fazia com Naruto. Quando ambos aprenderam a controlar chakra para subir árvores, andar sobre as águas e outras coisas, eles inventaram de treinar combate de cabeça para baixo em um tronco sobre um penhasco. Arriscado, mas gratificante.

Voltou para a cama, a fim de acordar o seu dobe. Abraçou o torso com delicadeza e deixou ali alguns beijos na tez marcada. Naruto moveu-se lentamente para o lado, girando o corpo dentro do abraço do Uchiha e o beijou com desejo. Sasuke riu mentalmente sentindo a língua de Naruto dançar com a sua dentro das bocas.

–Bom dia dobe... – sussurrou beijando o peitoral nu de Naruto.

–Bom dia teme... – Naruto quis se espreguiçar, mas o peso do outro sobre si o impediu – Sai de cima, por favor... – novos beijos foram deixados pela barriga enquanto o menor via o moreno desaparecer embaixo das cobertas. Então a sensação de ser sugado com vontade – Sasuke... Não, por favor, já fizemos demais...

Nada, só o riso abafado de Sasuke.

Repentinamente o Uchiha retornou e sorriu para Naruto.

–Você diz não, mas não consegue evitar uma ereção. – uma mão envolveu o membro de Naruto e o uniu com o do Uchiha – É só carinho, seu tolo. Um pouco de carinho.

–Você tem que... Ser rápido, ah... Você tem treino hoje...

–E por algum acaso você é minha esposa? Para estar preocupado com o meu dia? – as mãos rápidas faziam ambos enlouquecerem – Quer ser minha esposa é...?

Naruto apertou o olhar e concentrou-se nos gestos de Sasuke. O moreno não teve sua resposta, nem durante e nem depois do gozo, menos ainda no resto do dia. Depois de vestidos, alimentados e preparados, Naruto e Sasuke foram para a sala própria para treinos que havia na casa do Uchiha. Na sala estavam Fugaku, Mikoto, um ancião Uchiha e Itachi.

Os irmãos se encararam com severidade e Naruto “estacionou-se” num canto isolado do lugar, para evitar maiores atenções para si. Foram ambos para o centro e fitaram-se mutuamente, era chegada a hora da verdade: Sasuke mostraria de uma vez por todas a quem pertencia Naruto, acabando de vez com a competição.

o/ o/ o/ o/

O fio da lâmina brilhava abaixo da orelha de Itachi. Sasuke sorria satisfeito. Ambos ofegavam e o caído no chão jazia sem sua espada, que ficara cravada na parede atrás do Uchiha Pai. Todos estavam estupefatos com o fim que aquela rápida batalha tivera.

–Finalmente venci. – Sasuke falou solenemente num tom baixo.

–Eu...

–Não se envolva mais com o que me pertence, Itachi. – ele apertou o olhar e moveu lentamente os orbes para o lado, indicando o ponto onde Naruto estava todo o tempo. – Você é o mais velho, mas não pode me superar. Não mais.

Nada disseram mais. E não havia o que dizer. A derrota era clara nos olhos de Fugaku. Os dois rapazes ficaram sentados sobre os calcanhares fitando o Uchiha pai, Sasuke deitou sua katana diante de si e esperou o veredicto.

–Itachi, Sasuke, eu... – era o claro o desespero nos olhos daquele homem.

Mas qual a razão? Seria porque seu tão amado filho perdera para o caçula, que se envolvera com o mais Odiado dos homens? Num movimento inconsciente, ergueu-se do solo e saiu, passando pelo meio dos dois, sem dizer absolutamente nada, deixando todos os presentes sem entender o que ocorrera.

Sasuke sorriu de lado. Finalmente comovera seu pai.

Itachi, ao seu lado, fechou o rosto num semblante de raiva. Se Naruto não pudesse ser seu, não seria de Sasuke e nem de ninguém mais. Só havia uma forma de acabar com isso.

o/ o/ o/ o/

Era primavera e a brisa quente da tarde lhe trazia os cheiros dos jardins do complexo Uchiha, além de bons sentimentos em seu peito. Naruto vestido em suas antigas vestes, camisa negra de mangas longas e bermuda laranja, estava descalço e sentado na lateral na casa de Sasuke, observando o ir e vir de todas aquelas pessoas que não existiam antes.

Ao ver cada rosto, recordava-se de como havia matado cada um em sua infância, naquela fatídica noite de lua cheia. Estrangulados, decapitados, estraçalhados, esmagados, mutilados, comidos, espancados, destroçados, mordidos, enforcados, esquartejados, todas as formas que Naruto podia pensar e se lembrar. Cada rosto que seus olhos captavam, a memória do assassinato lhe vinha de forma explosiva. Ao contrário da maioria das pessoas, Naruto não se incomodava com tais memórias, menos ainda com as sensações que lhe pareciam atuais. A frieza do assassino nunca lhe deixara e nem queria que o fizesse, do contrário poderia perder sua proteção natural.

Vários Uchihas lhe fitavam com desprezo. Ao trazer de volta as pessoas, trouxe também à rivalidade entre os clãs. As intrigas com os Hyuugas ressuscitaram e os rumores de uma nova guerra pairavam pelos ouvidos. Uchihas voltaram a se sentir o clã mais poderoso do mundo e odiavam a presença de outras pessoas em seus domínios.

Ter um Uzumaki naquele bairro, um clã praticamente extinto então, era o maior o insulto que o Terceiro Hokage poderia fazer, segundo a opinião de alguns conservadores do clã. Para Naruto nada disso importava, pois ser odiado já fazia parte da sua vida e já estava acostumado com os olhares. Suspirou profundamente revirando os orbes azuis daquelas encaradas severas e sem propósito. Dane-se, eu não estou nem aí.

Uma sombra se projetou sobre seu corpo e fez Naruto fitar o alto.

–Kura-sama! – ele sorriu – Senti sua falta.

–É mesmo? – a raposa desceu lentamente do telhado da casa e se colocou em volta do garoto – Como você está hoje?

–Um pouco entediado... Não tenho muito que fazer, além de ler, estudar e observar esse povo. Sem minhas pernas eu não sou muita coisa... Nem sou o mesmo Naruto de antes.

Kurama sorriu e afagou o rosto do menino com a ponta do nariz. Naruto riu, abraçando o pescoço e descansando o corpo na pelagem macia da enorme raposa. No ato, Kurama ergueu-se do chão e com a ajuda das caudas, colocou Naruto em seu lombo, levando-o para um breve passeio fora do complexo. Como um cavalo a trote, a raposa ganhou os telhados e as ruas de Konoha, provocando risos gostosos em seu dito filho.

–Vou dar um jeito nesse seu tédio! – bradou.

Naruto uivou de felicidade e se deixou levar pelo momento de liberdade. Abriu os olhos e viu as paisagens passarem velozmente por si. Lembrou-se do tempo em que corria como um espírito livre pelas florestas e pelos prédios. Era um alazão selvagem que fora ferido, mas não abatido. Fitou tristemente o pelo macio da enorme raposa.

Esse não era ele. Não o Naruto que todos temiam. Suas pernas inúteis só lhe ocupavam espaço e lhe eram estorvos, mas não podia se livrar delas, precisava de ambas para, talvez, voltar a andar novamente algum dia. Kurama continuou correndo, mas não ouvia mais os brados alegres de seu filho, ele estava quieto e pensativo. Parou a marcha e fitou seus ombros: o olhar sem brilho, perdido atrás de seus longos fios dourados de cabelo, com uma expressão desolada e sem um mínimo de fé.

Kurama foi até o monte Hokage, correndo para depois dele e sentou Naruto na sombra de uma árvore, deitou-se em sua fronte e suspirou.

–Ficar assim não vai ajudar em nada, sabe disso.

–Eu sei Kura-sama, mas que posso fazer? – Naruto deu em ombros – Sou uma ave abatida... Não tenho serventia nenhuma, exceto ser o brinquedo sexual de Sasuke.

–Não diga isso... Ele te ama, apesar de eu odiar ter que admitir isso.

O loiro riu, assentindo, fazendo Kurama sorrir.

–Tem razão, tem razão... Mas sou uma vergonha para o meu clã nessa situação... Além de que ainda não fiz o que tinha que fazer, Kura-sama. – a raposa se aproximou e colocou-se ao lado de Naruto – Eu sei que mamãe e papai descansam em paz, mas o que o mundo fez com vocês, o que Konoha fez para mim... Não posso deixar passar.

–Mas você salvou Konoha do fim! Se queria que tudo se acabasse, por que não deixou arder?

Naruto piscou e sorriu largamente.

–Eu pensei melhor. Não vou culpar a cidade inteira pelo mal dos governantes. Eu farei quem merecer pagar pelos seus pecados, mas do jeito que eu estou... – Naruto afastou uma borboleta de seu pé e a fez voar alto num suave gesto – Já sabe...

Kurama apertou o olhar e sorriu de lado.

–Ainda não descobriu porque perdeu tudo o que tinha não é Naruto? – o loiro negou e depois deu de ombros. O sorriso da raposa aumentou consideravelmente. Ela ergueu-se do chão, colocando-se sobre duas patas e olhou o céu. Uma sombra aproximava-se veloz. Fitou outros pontos da mata ao seu redor e sentiu presença se aproximarem. Kurama continuou sorrindo e fitou o garoto que nada entendia – Farei você descobrir por que não tem poderes.

–Como?

Naruto sentiu um forte vento soprar todo o que estava por ali. Sentiu que poderia ser levado por aquele vento repentino e assustador. Diante de seus olhos surgiram as sete bijuus que viviam em Konoha, todas elas fazendo questão que seus chakras fossem vistos e sentidos por Naruto. As caudas poderosas envolveram o corpo completamente, fazendo Naruto submergir numa profunda e pesada escuridão.

Onde estava? Mas que lugar é esse? Onde está tudo?

De repente calor, muito calor que lhe fez suar. Um suor frio como o próprio gelo. Um barulho metálico atraiu sua atenção de seu próprio corpo para um ponto mais abaixo de seus pés. Como se uma serpente de ferro estivesse se movendo lentamente e no mesmo momento ouviu um baque surdo, como se algo muito pesado estivesse descendo por um espaço mínimo.

Olhou para baixo. Correntes flutuavam no nada, subindo como cobras em busca de sua presa, ao que parecia era o próprio Naruto. Ele tentou se mover, desejando fugir daqueles grilhões, mas era em vão. Os baques surdos aumentavam, se aproximando cada ver mais de seus ouvidos. Naruto ergueu os olhos e deparou-se com o que parecia ser grades rígidas de uma prisão. Iria ser encarcerado? Por que, o que fizera para ser preso?

Já não pagara pelos seus pecados? Praticamente dera sua própria vida por uma cidade que odiava, engolira seu orgulho para aprender a amar a única pessoa que lhe suportava. Era um notório assassino, mas já não pagara por tudo?

Tal como supunha, Naruto fora brutalmente acorrentado, provocando hematomas por todo o corpo dele ao ponto do sangue escorrer. Naruto mal conseguia pensar ou respirar dada a pressão que o metal frio fazia, mas ainda sim conseguiu ouvir as pesadas barras de ferro se colocar em seu redor, cruzando-se e interligando-se de modo a criar um enorme cubo. As correntes esticaram seus membros e seu corpo, quase arrancando pedaços de si, prendendo em vários pontos do cubo.

Símbolos de um tom azul muito forte foram surgindo nas paredes e se alongando pelas correntes até chegarem ao corpo de Naruto.

Ardeu como se o próprio fogo do inferno queimasse suas carnes e corroesse seus ossos. Mesmo que estivesse com a vista embaçada, Naruto conseguia entender os símbolos que estavam ali. Eram selos, selos que seu clã só utilizava para punir da forma mais severa aqueles que mereciam. Era o pior castigo que alguém poderia receber, pior que a morte e quiçá pior que os genjutsus do clã Uchiha. Aquilo era dor real, uma tortura dilacerante.

Seus pensamentos estavam um caos e nada fazia sentido.

De repente uma forte luz lhe obrigou a fechar os olhos. Sentiu seu corpo ser transpassado por inúmeros objetos pontiagudos, como lanças e espadas, lhe fazendo vomitar sangue. A luz fez o calor aumentar ainda mais e o ferro lhe queimou a pele. Naruto sentiu sua pele deixar seu corpo, como se uma roupa tivesse sido arrancada de seu corpo. O cheiro de carne queimada invadiu suas narinas e ele entendeu que era a sua carne que estava em chamas.

Abriu os olhos pelo impulso de defesa.

Seu corpo se desintegrava aos poucos, restando apenas os ossos acorrentados de uma caveira que finalmente gritou a plenos pulmões por ajuda. Gritou desesperadamente, mas sua voz se perdia naquela escuridão densa e sem fim. Naruto continuou gritando, como se sua alma fosse escapar de sua arcada, até que toda aquela realidade que surgira repentinamente explodiu num único respirar da caveira, fazendo a mente de Naruto implodir.

Notas finais
Soooooooooooooooolta negada! Quem veio comigo foi a nova fic que eu prometi! E aí, curiosos em saber como é, sobre o que é e o que rola por lá? Então vão dar uma conferidazinha, conferida camarada, na minha nova fic, que será postada com a mesma assiduidade dessa. ¬¬ E o nome é meio meloso, mas foi o melhor que eu consegui, desculpem-me por isso... "Amor à moda antiga". Confiram, por favor, meus amores e minhas amoras! Vejo vocês por aqui e por lá! ;D