Outra História: e se... vol.2

15 As cortinas se abrem: hora da verdade!


Notas iniciais
Vou dizer nada, eu quero só ver!

Era frio e quente, pesado e leve. Demorou-se a abrir os olhos, mas decidiu que deveria abrir e ver o que restara de si. Provavelmente só a mente divagando pelo mundo a fora. Sentiu seu corpo pesado e inexplicavelmente estranho, apesar de conhecer aquelas sensações. Já se sentira assim antes. Moveu-se e sentou-se, apoiando os braços sobre os joelhos dobrados.

Apertou o olhar e sugeriu algo a si mesmo. Sua vista focou numa flor que estava quase a altura de seu rosto. Aos poucos a flor fora ficando mais abaixo, seus olhos fitavam cada mais para o inferior para continuar focando a flor. Ergueu lentamente o olhar e viu Konoha brilhando ao sol do meio-dia. Sorriu de lado. Algo voltara ao normal. Fitou as próprias mãos. As peças estavam se encaixando de novo.

Sentiu alguém se aproximar de si. Um pequeno grupo de ninjas se aproximava, isso podia perceber de modo tão palpável que era natural. Sorriu de lado. Os ninjas lhe atacaram e ele estava desarmado. Sugeriu outra coisa ao seu corpo.

Num movimento veloz, roubou a kunai de um e com a própria desferiu um golpe certeiro no pescoço do homem, puxando sua coluna de dentro do corte. Com os ossos em mãos, lançou contra outro, derrubando-o no ato. Saltou sobre outro e furou-lhe os olhos com os próprios dedos. Sugeriu outra coisa ao seu corpo e seus ouvidos foram preenchidos pelos sons secos de ossos quebrando ao mesmo tempo.

O último do grupo ficara estático. Não sabia o que fazer. Uma parte de seus companheiros havia sido brutalmente morta e a outra parte fugira. Como isso era possível? Ele não deveria fazer aquilo, era para ele estar... Não pode concluir o pensamento, pois sua cabeça recebera cravadamente uma kunai, fazendo seu cérebro explodir.

Endireitou sua postura e suspirou. Estava de volta ao mundo. As coisas estavam como sempre deveriam ter sido. Olhou para si e sorriu.

–No fim das contas, eu entendi Kura-sama...

o/ o/ o/ o/ o/

–Me deixe em paz, cara! Eu sou quero ver o Naruto-nii sama! – Konohamaru debatia-se como louco nos braços de um Uchiha de moicano preto vestindo uma longa túnica preta. – Me solta cara! É sério cara!

–Um moleque como você não pode entrar no Complexo Uchiha assim, sem mais ou menos! Eu não vou permitir que esse lugar seja estragado por outro! Já basta aquele merda aleijado do... – sua fala e seu soco foram interrompidos por um pé descalço que lhe fez seu queixo sair do lugar e alguns de seus dentes voarem.

Konohamaru caiu sentado. Fitou o homem caído no chão e logo após o dono do pé.

Naruto estava diante de si, em pé nas próprias pernas. Isso era realmente possível? O homem ergueu-se, exibindo uma clara face de irritação e correu para atacar Naruto, porém o mesmo pé que outrora chutara a cara do homem, acertara o tórax dele, fazendo-o retroceder nos passos e cair estirado no chão, sem fôlego.

Konohamaru se levantou e no mesmo segundo Naruto caiu sentado, rindo baixo e com os cabelos cobrindo o rosto. Estava apenas de calças e com o corpo estranhamente marcado por alguns hematomas. Era assustador, mas real. Não pode controlar sua risada doentia. Finalmente entendera o que Kurama lhe dissera. A razão por não ter poderes.

Ergueu brevemente o olhar e viu um homem com cabelo de corvo sair da Mansão Uchiha. É chegada a hora. Num longo suspirou equilibrou-se com dificuldade sobre as pernas e fitou Sasuke ao longe, que exibia a mais clara cara de incredulidade que jamais vira na vida. O moreno se aproximou correndo e Naruto acenou.

Era chegara a hora.

–Naruto!

–Sasuke’ttebayo... – o moreno apressara o passo para se encontrar logo com seu dobe.

–Está andando! Como isso é possível?!

–Eu... – os dois estavam próximos de se encontrar, a felicidade era clara em ambos os olhos.

Mas Sasuke parou o passo ao ver um filete de sangue escorrer de uma linha diagonal que surgira lenta e repentinamente no pescoço de Naruto, no momento em que um homem passou por trás dele. Os olhos de Naruto se apagaram de vez e seu sorriso se desfez no momento que ele parou de acenar. Sua cabeça lentamente deslizou para a esquerda, acompanhando o movimento da lâmina misteriosa que passara, deixando seu lugar original e causando uma indescritível cara de terror em Sasuke.

–Não... – ele pronunciou quase sem emitir nenhum som, estático e inerte.

O corpo do Uzumaki se ajoelhou e deitou para direita, enquanto a cabeça sem vida de Naruto rolava até chegar aos pés do Uchiha.

Não houve palavras para descrever os gritos mesclados de Sasuke e de Konohamaru. Sim, um gritava mais alto do que o outro, havia mais dor em um grito de um do que no outro, o desespero era mais visível em um do que no outro. O pequeno garoto estava abraçado às pernas do corpo sem vida e gritava incessantemente de dor. Sasuke fora ao chão, apanhando com pressa a cabeça de seu dobe, gritava loucamente e chorava lágrimas de sangue.

–NARUTO!!! – ele bradou para toda a Konoha estremecer violentamente.

Como assim seu dobe fora morto? Como isso era possível? Por que ele fora morto?

Não houve um só lugar no mundo que não viu o colossal pilar de chakra roxo com chamas negras se agigantar muito além dos céus no segundo que Sasuke abraçou com força a cabeça de Naruto em seu peito entre seus braços.

Iria destruir tudo, iria dar fim naquela dor sem fim, naquela amargura eterna de nunca poder estar com seu Naruto.

Instintivamente Sasuke ergueu o olhar e no instante que suas pálpebras se abriram a imagem de enormes presas brilhantes, afiadas e pontudas se projetarem contra seu rosto ficou para sempre guardada em seus olhos negros. A população gritou. O demônio acabara de decapitar o filho mais novo de Fugaku, arrancando violentamente a cabeça e o pescoço dos ombros, espirrando sangue para todos os lados.

A raposa fitou intimamente aqueles olhos negros.

–É o fim de seu tormento. – pronunciou – Acorde e encare a realidade. Tudo já foi provado.

E por fim Sasuke fechou os olhos, para então abri-los.

o/ o/ o/ o/

O peso das suas pálpebras era indescritível, mas ele fez força para abrir movimentando com dificuldade o seu corpo. Viu um teto branco iluminado por uma estranha e densa luz pálida, um pouco leitosa a sua vista. Alguns segundos depois, conseguiu o foco visual e pode perceber que a sala onde estava era completamente branca e abobadada. Olhou em volta com lentidão, notando-se deitado e com alguns fios ligados ao seu corpo.

A sua direita havia uma superfície espelhada e ao ver o próprio reflexo, viu fios presos em sua testa e nas laterais de sua cabeça. Olhou para si pelo espelho. Estava apenas de calças negras e com mais fios presos pelo peito, pulsos e abdômen. Onde estava?

Ouviu um barulho de porta se abrindo e um buraco quadrado surgiu na parede, de certa forma lhe assustando com o movimento repentino. Dele saiu uma mulher, que ele logo reconheceu por causa da cor de seus cabelos. A mulher veio até si sorrindo suavemente e empurrando um carrinho de metal com alguns apetrechos em cima.

–Que bom que acordou... Estávamos preocupados e ansiosos. – ele viu lágrimas nos cantos dos olhos dela. O aspecto de seu conhecido rosto era de uma pessoa que não dormia há muito tempo. – Como se sente?

–Eu... – ouvira sua voz, que ecoara por aquele lugar, amplificando ainda mais os tons graves, um pouco anasalados, dela – Não sei... Minha cabeça dói.

Ela tocou suavemente os cabelos dele e começou a cuidadosamente retirar os fios que estavam conectados ali. Alguns minutos depois e com a ajuda dela, ele se sentara na maca onde estivera deitado por tanto tempo.

–Lembra-se de algo? – ela sentou-se ao lado dele – Algo lhe vem à mente?

–Tenho a sensação que estive... Preso num loop longo de pesadelos... Um pior do que o outro... Como se minha mente fosse esmagada a cada novo ciclo...

Ela assentiu.

–Sabe quem eu sou?

Ele fitou-a por alguns segundos, apenas para ter certeza do que via.

–Sakura... Haruno Sakura.

–Isso! – ela juntou as mãos em prece junto com as deles e sorriu – E sabe quem é você?

Ele se observou pelo reflexo do quadrado espelhado.

–Sasuke... Uchiha Sasuke.

Sakura retirou de dentro do carrinho um colar e o mostrou a Sasuke. Ele tomou o objeto entre os dedos o fitou longamente, como se tentasse encontrar algum vestígio de lógica naquele penduricalho. De repente um lapso de memória piscou em sua mente e se recordou de uma situação que vivera quando criança e que lhe rendera aquele colar.

–Esse colar...

–Sabe quem lhe deu?

–Sei. – sorriu – Eu não poderia esquecê-lo. Foi... – piscou com firmeza e baixou as mãos, ocultando o objeto entre elas – Foi o dobe.

–E quem é o dobe?

–Naruto, oras... – fitou-a com desconfiança – Não me diga que não sabe quem é?

Ela riu.

–Só estou lhe questionando essas coisas para saber se sua memória está funcionando adequadamente. Só isso. Não tem com o que se irritar. Eu só quero me certificar que você realmente acordou, depois de tanto tempo...

–Acordei? – Sasuke piscou – Lembro-me de em meu último sonho, a kyuubi falar algo sobre dar fim ao meu tormento, de acordar...

Sakura assentiu outra vez e tomou a mão de Sasuke, ajudando-o a ficar de pé e caminhar pelo lugar com lentidão e cautela. Alguns segundos depois, ela já o guiava para fora do lugar por um escuro corredor iluminado apenas por pequenas lâmpadas internas. Os sentidos de Sasuke se aguçaram ao sentir a fria pedra do chão entrar em contato com sua pele desprotegida dos pés, sorriu sentindo o arrepio provocado.

–Vamos para um lugar onde tudo será esclarecido, Sasuke-kun. Existem muitas coisas que você precisa saber, existem outras coisas que você precisa ver e existem coisas que você precisa nos explicar. Vou lhe levar a uma pessoa que quer muito conversar com você.

Ele assentiu com brevidade. Respirou fundo e pensou: estava preso em um loop de pesadelos todo esse tempo? Significaria que Naruto desaparecera de verdade e ele criara realidades onde Naruto existia apenas para amenizar a dor? Ou ambos estariam sofrendo as consequências das liberações bruscas dos selos de chakra? Sasuke piscou e sentiu várias essências, de várias pessoas diferentes. Uma lhe chamou atenção, mas depois do que acontecera, ele não tinha certeza se era real.

O que aconteceu, afinal?

Notas finais
E aí? Alguém entendeu o que aconteceu? Manjou?