Outra História: e se... vol.2
17 O guardião
Notas iniciais
Estranhamente o dia amanheceu. Sasuke sentiu uma paz se instaurar naquele esconderijo, até as pessoas sorriam ainda que estivessem em péssimo estado. O Uchiha ficara na enfermaria e ganhara roupas muito semelhantes a que vestia no passado, porém variam em tons do azul escuro para o preto. Recebeu uma katana, que logo percebeu ser a sua de tantos anos, que fora guardada até o momento do despertar do Uchiha. Orochimaru surgiu diante de Sasuke e o guiou até onde estavam os outros dois.
–Então – iniciou o rapaz – Ao que vocês se referiam ontem?
Os três sennins se entreolharam de novo e assentiram, em concordância com algum plano misterioso. Eles guiaram Sasuke de volta para o esconderijo subterrâneo, até o salão oval e de lá tomaram outra porta, esta de aço pesado e de grossos ferrolhos, que apresentavam um túnel frio e escuro. Jiraya acendeu uma tocha e foi à frente iluminando o caminho. Tsunade serviu de apoio para Sasuke, enquanto Orochimaru ia ao último lugar da fila, vigiando os passos do rapaz. O caminho era longo e silencioso, como se estivessem mortos e seguissem para seus destinos finais. No fim, havia outra porta, semelhante à primeira.
Tsunade tomou a frente e abriu a porta com dificuldade. Sasuke apertou o olhar. O que escondem atrás dessas portas tão pesadas que até mesmo Tsunade tem que se esforçar para abrir? Uma luz branda e suave surgiu acompanhada por uma fria brisa da manhã. Um túnel com uma escada que subia fora apresentado. Os quatro subiram. Sasuke observou que havia raízes descendo como braços através das paredes e do teto do túnel.
Piscou e apertou o olhar. Deveriam estar debaixo daquela estranha floresta que vira na noite anterior. No fim da escadaria havia um buraco que se supunha ser a saída. Ao sair, Sasuke se viu no meio de uma floresta com árvores de troncos largos e verdes, com folhas vistosas e grandes, quase tapando todo o sol. Apenas uma rachadura no meio de uma árvore permitia que um fecho de luz escapasse e iluminasse o buraco escondido embaixo de um arbusto.
–Onde estamos? – indagou.
–Na Floresta da Morte. – falou Tsunade – O que queremos que você veja está logo no fim dela, bem próximo daqui. Nenhum Uchiha jamais conseguiu entrar nessas matas, porque, por alguma razão que eu não entendo, nem mesmo Orochimaru, a própria floresta se encarrega de matar os ousados que entram aqui.
–E por que eu não fui atacado ainda?
–Provavelmente, Sasuke-kun, o que dá poderes para essas árvores se defenderem só permite que você se aproxime. Talvez... – ele sorriu – Quando ver o coração desse lugar, as coisas fiquem de mais fácil compreensão.
O moreno assentiu e eles rumaram por uma trilha escondida entre arbustos espinhosos. De certa forma, Sasuke sentia já ter andado por aquelas bandas. Alguns minutos depois, os quatro se deparam com uma cortina de trepadeiras que escondiam uma estranha parede. Sasuke arregalou os olhos e sorriu: aquela fora a parede que continha alguns pergaminhos importantes para Naruto terminar algumas de suas pesquisas.
Pararam, pois misteriosamente as árvores começaram a se mover com o vento, saindo de seus lugares, como se as raízes fossem tentáculos. Sasuke franziu o cenho sem entender o que estava acontecendo. Jiraya olhou em volta: a trilha havia sumido e a floresta estava mudando com eles dentro. Se não fizesse algo logo, ficariam perdidos para sempre naquela mata e o resto da resistência estaria condenada a morte sem a presença deles.
Respirou fundo e entoou um suave assobio, que se propagou pela folhagem com o vento, indo longe, muito longe, praticamente fazendo tudo se silenciar. Tsunade fitou o velho homem assobiando calmamente, de olhos fechados, e observou os galhos. Era certo que ele chegaria, pois só correspondia àquele chamado especial.
Orochimaru cruzou os braços e fitou Sasuke. O olhar fixo do Uchiha indicava que provavelmente ele percebera quem era o curioso ser que Jiraya atraía com seu assobiar. As habilidades de rastreamento de Sasuke eram lendárias entre os resistentes e muito admiradas por Orochimaru. Era inexplicável a excitação que o homem sentia ao presenciar o ato.
Apesar de estar apenas com o olho direito ativado, Sasuke notava claramente a presença de áurea poderosa de aproximando velozmente pela floresta.
Jiraya parou e esperou. Uma risada infantil ecoou como resposta ao assobio e por fim uma criança, empunhando uma única kunai, surgiu correndo de detrás de um tronco. Era um menino loiro que saltara para os braços de Jiraya buscando por um caloroso abraço do homem. Sasuke sorriu sem acreditar em seu próprio Sharingan, mas era o chakra de seu dobe ele via ali, no corpo daquele menino. Aliás, era Naruto, porém com a aparência de oito anos.

–Ero-sennin! – gritou – Faz tempo que veio me visitar!
–Como vai, Naruto-kun? Tem cuidado bem da floresta? – ele perguntou afagando os cabelos rebeldes e depois pondo o garoto no chão.
–Sim! — desfez seu sorriso e emendou um bico de inconformação — Apesar de aqueles idiotas zoiúdos ficarem fuçando e destruindo as árvores! Fica difícil desse jeito’ttebayo...
–Eu sei, eu sei. – Jiraya sorriu – Olha Naruto-kun, hoje nós temos uma visita.
–Sério?! – os olhos do menino brilharam – Quem é? Onde está?!
–Bem ali. – ele apontou para o rapaz ao lado de Orochimaru. Naruto correu até o sennin das cobras de braços abertos, pedindo por um abraço, que o recebeu a muito custo, pois Orochimaru evitava esse nível de envolvimento. Naruto olhou de lado para o rapaz de cabelos negros que imitavam a asa aberta de um corvo.
–Um Uchiha... Aqui... – falou cruzando os braços e se aproximando.
O loiro contornou Sasuke, fazendo uma engraçada cara de quem analisa seriamente algo. O Uchiha o fitou, acompanhando seus movimentos. Assemelhava-se com Naruto, mas não era o mesmo assassino de antes. Este era mais pueril, mais criança, um pouco bobo. O menino parou de frente para o rapaz e colocou os braços na cintura, fixando seu olhar sério nos olhos negros de Sasuke, e este, por sua vez, abaixou-se, apoiando os braços nos joelhos dobrados.
–Você é diferente dos Uchihas comuns. – ele falou pensativo, estreitando seu olhar azul – Sinto que já vi você em algum lugar, mas não lembro onde’ttebayo...
Sasuke sorriu minimamente e estendeu sua mão ao alcance do rosto de Naruto, afagando-lhe a bochecha direita com a ponta dos dedos. Naruto arregalou os olhos e encolheu as mãos, deixando-se imóvel ao toque quente e carinhoso daquele novo Uchiha. Vivo, verdadeiramente vivo Naruto estava. O moreno suspirou de felicidade, pois sentia estar cada vez mais perto de seu dobe.
–Sabia que eu te amo? – ele falou de uma vez, sem se preocupar com o fato de ali ser uma criança pequena. Tsunade suspirou de admiração – Faz muito tempo que eu quero te ver.
–Me ama? – Naruto corou e baixou o olhar, tentando esconder um sorriso – Eu... Eu nem te conheço direito... Como pode me amar? Só quem gosta de mim é o Ero-sennin, a Tsunade-hime e o Orochi-sama...
Sasuke ergueu-se e deu um passo para frente, colocando-se próximo de Naruto ao ponto de pegá-lo no colo e suspendê-lo no ar. O menino nada fez, atordoado por aquelas atitudes carinhosas vindas de um estranho que lhe passava sensações de paz e conforto. Sasuke suspirou, ainda sorrindo, e beijou suavemente a testa de Naruto depois de lhe afagar os macios cabelos dourados.
O menino apertou o olhar, sem saber como agir.
–Não se lembra de mim? – Sasuke perguntou posicionando Naruto bem a frente de seus olhos negros como a noite sem lua – Tem certeza de que não sabe quem eu sou?
Ele não respondeu. Sasuke apertou o olhar. Ali estava o seu dobe, que não admitia seus sentimentos sobre ele. Certas coisas nunca mudam, pensou.
–Se me deixou entrar aqui, mesmo eu sendo um Uchiha verdadeiro, e não me atacou ao me ver, além de não ter rejeitado estar em meus braços, provavelmente é porque sabe quem eu sou, mas está com vergonha de dizer.
Naruto assentiu rapidamente.
Sasuke gargalhou alto e apertou o abraço, sendo que desta vez ele foi correspondido carinhosamente pelos curtos bracinhos de Naruto. Como era bom ter seu dobe de verdade em seus braços. De repente ele ouviu um estalo em sua mente. Fitou Naruto instintivamente.
Procurava algo naquele corpo sorridente. Achou uma estranha marca no pescoço do menino. Lhe parecia uma marca para transferência de chakra, como um condutor de energia.
–Naruto-kun. – ele chamou.
O menino lhe fitou.
–Que marca é essa em seu pescoço?
–É que eu... – ele apertou o olhar ainda sorrindo – Sou um clone das sombras.
–Como é?! – Sasuke arregalou os olhos e suspendeu o menino pelas axilas – Um clone?! – ele fitou os três sennins por trás, que exibiam olhares de concordância.
–Sim! Eu protejo essa floresta contra pessoas que querem roubar os poderes presos naquela montanha ali. – ele apontou para a enorme formação rochosa logo atrás de si que surgiu depois de algumas árvores se afastarem – É dali que vem o meu poder! Todo o meu poder! Que faz com que as árvores me obedeçam’ttebayo!
–E é para lá que nós vamos! — completou Jiraya — Precisamos entrar na montanha, Naruto-kun.
–Para quê?
–Agora que Sasuke-kun acordou — sibilou Orochimaru — Precisamos acabar com essa guerra de uma vez por todas. Nós temos que levar o Sasuke-kun até o original o quanto antes. — o menino assentiu — Sasuke precisa se encontrar com Naruto.
–Naruto está ali...? — Sasuke murmurou.
–Sim. — o menino sorriu em seus braços — O original está preso naquele lugar desde sempre, clamando por você.
A realidade caiu duramente em sua cabeça. Eles mudaram o passado, acabaram por mudar o futuro também. Visto que Naruto não matara os Uchihas, eles se multiplicaram em número e poder, tomaram as rédeas das coisas e a população acabou por aprisionar a besta de nove caudas numa montanha para que eles não tivessem acesso aquele poder. Sasuke teria chorado, se não estivesse tão determinado a libertar Naruto de sua prisão.
–Esses dois precisam conversar. — comentou Jiraya — Se Naruto se dispuser a ajudar Sasuke, poderemos acabar com essa guerra graças aos poderes assustadores da kyuubi e de Naruto. Por isso precisamos que nos leve até lá.
O pequeno Naruto assentiu e fitou a floresta.
Sasuke ajeitou o menino em seus braços e observou a trilha surgir novamente diante de seus olhos com apenas o movimento de “abrir os braços” do pequeno Naruto. Com um aceno de cabeça, os três homens e a criança seguiram de perto Tsunade, que tomou a dianteira da retomada da caminhada. Em poucos minutos, o grupo estava diante da enorme montanha.
Desta vez quem tomou a frente fora o pequeno Naruto, que estava de mãos dadas com Sasuke, guiando-os por entre pedras e árvores tortas, até uma fenda muito bem escondida que era a passagem para as entranhas da montanha.
Ora Sasuke sentia-se subir, ora sentia-se descer, sem entender exatamente para onde seus pés, juntamente com Naruto, lhe levavam, pois nada ele enxergava e nem conseguia perceber nada com seu Sharingan. Em certo momento o grupo viu um ponto luminoso flutuar no meio da escuridão. Naruto estremeceu e saltou para os braços de Sasuke.
–Um-um-um fan-fan-fantasma-ma...!!! – gemeu aferrando-se ainda mais ao moreno.
Sasuke respirou fundo, sentindo sua pele corar com aqueles gestos de vulnerabilidade. Era um clone de seu dobe mesmo: até o medo de fantasmas ele tem. Devagar o Uchiha afagou as costas da criança, numa tentativa de lhe acalmar.
Tsunade adiantou-se e sorriu para o loiro.
–Não é um fantasma. – Naruto fitou-a com os olhos lacrimejantes – É a primeira vez que você entra aqui, não é? – a voz da mulher era tão terna que não havia como o menino não se envolver e assentir – Aquele é o Guia.
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