Notas iniciais
Quem é o guardião? Muita gente tentou, mas não conseguiu, mas dois leitores riscaram bem perto da resposta certa, de modo que em honra às tentativas deles que eu posto capítulo duplo! Aeeeeee!!! Fiquem com o capítulo. Recadinho no final.

Repentinamente a luz aproximou-se do grupo, como se corresse. Ouviram passos apressados e então outro garoto de rosto semicoberto apareceu, porém este tinha uma face mais observadora e preocupada em comparação com a de Naruto. O loiro sorriu e desceu dos braços de Sasuke num salto, indo abraçar aquele garoto mais velho, não lhe dariam menos de treze anos. Sasuke franziu o cenho ao ver aquele tipo de intimidade.

–Shunsuke! – ele falou sorridente – Não vi que era você!

–O que faz aqui dentro?

–Esse pessoal quer falar com o Original.

–Oh, entendo... – ele ergueu supostamente o olhar, fitando cada um dos sennins e por último Sasuke – Algo me diz que essa montanha vai se abalar como jamais aconteceu antes.

–Acho que sim! – Naruto falou coçando a cabeça, intrigado – Enfim, os sennins querem levar esse cara aí até o Original e eu não sei por que e nem me importa! Faz tempo que eu queria entrar aqui, mas tinha medo de vir só’ttebayo!

–Pode nos levar até ele, Shunsuke-san? – indagou Tsunade, interrompendo a conversa.

O garoto fitou mais uma vez Sasuke e sorriu de lado outra vez.

–Claro. Ele já estava ficando impaciente. Passar tantos anos naquele estado esperando por alguém não é moleza. Vamos, o caminho é longo até o coração. — ele iluminou o próprio rosto e um sorriso sombrio se projetou.

Voltaram a marchar pela escuridão, com uma mínima iluminação que parecia envolver a todos numa fina redoma de proteção contra aquelas trevas intermináveis. Sasuke só conseguia perceber o chão abaixo de seus pés: não sabia dizer a que distância estava o teto ou se as paredes estavam ao alcance das mãos, porém não ousava descobrir.

Enfim uma luz mais intensa indicou o fim daquela longa fenda. Todos pararam numa espécie de plataforma de pedra fria. Sasuke olhou para os lados e para o alto: eram realmente as entranhas de uma montanha antiga e solitária. Não havia luz natural e a ventilação era pouca, bem como o ar para respirar, porém era inexplicavelmente frio. De apoio só existia aquela plataforma e mais nada. O resto era escuridão, frio e silêncio que de segundo em segundo eram quebrados pelos estalos baixos de duas tochas presas na entrada da fenda.

O garoto guia tirou a máscara que lhe cobria parcialmente o rosto e revelou cabelos rosados arrepiados nas pontas. Naquela luz, Sasuke notou um peculiar símbolo nas costas do casaco vermelho que ele vestia. O leque Uchiha. Aquele garoto era um Uchiha?

Shunsuke se virou e sorriu, colocando os punhos fechados, e cobertos por luvas muito parecidas com a de sua mãe, sobre a cintura. Suas vestes bem compostas e com cores que mesclavam dois clãs que eram familiares aos olhos atentos de Sasuke, davam-lhe ares de um guerreiro monge sofisticado. Os olhos verde-esmeralda logo denunciaram de quem aquele jovem era filho: Haruno Sakura, porém quem seria o pai?

–Bem-vindo, tio Sasuke. – “Tio”, como assim “Tio”? Gritou a mente de Sasuke – E antes que pergunte, eu prefiro ser conhecido como Haruno Shunsuke. Meu nome me foi dado em homenagem aos homens que salvaram a minha mãe: você, tantas vezes no passado, e Shun-Mei, um senhor que acolheu minha mãe depois que ela foi... Foi...

–Estuprada pelos Uchihas. – falou Tsunade apertando os punhos – Eu não pude fazer nada para protegê-la! Eu poderia ter feito pelo menos alguma coisa!

A mulher estava visivelmente abalada.

–Calma, Tsunade, calma... Tudo bem. – Jiraya abraçou-a com carinho.

Sasuke quis falar algo, mas fora interrompido por Shunsuke.

–O meu pai era um irmão bastardo seu, tio Sasuke, mas ele foi morto pelo Orochimaru-sensei, então está tudo bem. – o garoto suspirou e mudou seu semblante de triste para sombrio sorridente – Talvez queira saber onde está. Que lugar é esse, não é, que nenhum Uchiha pode entrar, exceto você.

Ele assentiu. Shunsuke pegou uma tocha e revelou uma escada que descia rente ao paredão da montanha. A escuridão era de tal intensa que mal se via cinco degraus daquela escada de pedra escura. Sob o cuidado do jovem Haruno, o grupo começou a delicada travessia, descendo, ao que parecia para Sasuke, até o próprio inferno.

–Esta é uma prisão especial. Gosto de pensá-la como um sanatório. Mamãe me encarregou de ser o guia desse lugar, porque... – ninguém, além de Sasuke e Naruto, os mais próximos de Shunsuke na fila, perceberam o sorriso assustado que o garoto escondera na escuridão – Ele me concedeu essa... essa... dádiva. Eu sou meio Uchiha, mas é motivo suficiente para me dar a morte de graça. Mas ele não me matou... Por amor a minha mãe... Sem mim, as pessoas se perdem aqui, mesmo que consigam decorar o caminho.

–É negócio de doido’ttebayo! – comentou Naruto, colocando as mãos atrás da cabeça. — O Original dá fim a todo mundo que é metido a besta. Não sei quem é mais doido: quem entra aqui ou ele!

–Por isso que aqui é um manicômio.

–E quem está internado aqui? – Sasuke perguntou, com certo tom de ironia. Não julgava o interior de uma montanha o melhor lugar do mundo para tratar das loucuras de alguém. — Que tipo de louco precisa estar trancafiado numa montanha e longe dos Uchihas?

–Não consegue supor quem seja, tio Sasuke?

Só conseguia pensar em uma única pessoa que precisaria estar presa naqueles confins, tão escondidos e perdidos que sequer um único facho de luz solar conseguia trespassar. Apenas uma pessoa supostamente merecia estar num manicômio de tão doentia mentalmente falando que era. Será que seria aquela pessoa? Precisaria confirmar com os próprios olhos.

–Diga-me Shunsuke. – o garoto mostrou-se atento – Notei que não tem bons sentimentos para com os Uchihas, mas mesmo assim carrega o nosso símbolo em sua roupa. Isso é curioso.

–É a mesma lógica sua, Sasuke-oji-sama.

–Minha lógica?

–Sim. Mamãe me contava que apesar de amar seus pais, Sasuke-oji-sama não se dava bem com o clã, muitas vezes indo duramente contra ele, mas não abandonava o símbolo por questões de orgulho. – Sasuke sorriu: bem ali, naquelas últimas palavras, estavam os vestígios claros do orgulho de ser um Uchiha. Acho que nem Shunsuke pode negar isso, pensou.

Uma longa caminhada, de horas de duração, se seguiu. Longa, mas não silenciosa, pois Jiraya e Tsunade ocuparam-se em por Sasuke a par de tudo o que estava acontecendo naqueles dias, contando-lhe os pormenores. O mundo enlouquecera e o manicômio só possuía um residente, isso é que é ironia, constatou depois do longo diálogo.

Repentinamente barulhos estranhos fizeram todos se calarem, semelhantes ao estado atento de Orochimaru. Passos ligeiros ecoaram pela silenciosa caverna. Como se patas com garras cravassem-se na rocha para poder se locomover, porém com muita rapidez. Sasuke tocou o cabo de sua katana, mas nada fez esperando que o som se repetisse.

Pararam a marcha e tentaram enxergar algo no breu, mas fora em vão.

Shunsuke fez sinal para que prosseguissem, mas o barulho se repetiu, fazendo todos entrarem em modo de combate. O pequeno Naruto sorriu de lado e segurou a mão de Sasuke que apertava o cabo da espada ainda embainhada, espalmando o punho firme dele. Ele fez o maior se abaixar.

–São os reminiscentes. – segredou.

–Reminiscentes?

–Sim. Estão alvoroçados com sua presença! – ele riu baixinho – O seu chakra é como maná dos deuses. Eles conseguem sentir que você está aqui e com certeza o Original também já sabe!

–O que são eles?

–São sopros de chakra que tomaram forma ao longo dos anos, agregando-se às energias das pessoas que foram mortas por tentarem entrar aqui. – comentou Shunsuke, também se abaixando – São puro sangue e energia. Não podem morrer, apenas desaparecer com o desejo de quem os criou... Em outras palavras...

–Só somem se o Original quiser ou se ele morrer... – sentenciou Sasuke com o olhar sério.

–Vamos... – Shunsuke tomou a mão do pequeno Naruto e o puxou para frente – O caminho é longo e as trevas não tem fim aqui.

o/ o/ o/ o/

Finalmente o chão, ou o fundo da caverna. Jiraya assobiou de tão aliviado que ficara ao perceber a superfície extensa abaixo de seus pés. Orochimaru esboçou um sorriso enquanto observava o velho de cabelos brancos comemorar a descida sem grandes problemas e sem nenhum combate. Tsunade acabou rindo dos comentários. Sasuke focou seu olhar em Shunsuke: ele parecia apreensivo com algo, algo que talvez viesse do alto.

O garoto correu até uma pedra, deixando a todos no breu fitando aquela bola de luz se afastar aos poucos, apesar da carreira. Naquela pedra, Shunsuke tocou em alguns pontos que Sasuke não conseguiu enxergar quais eram e a rocha tremeu.

–Rápido! – o garoto gritou – Venham para cá logo! Eles estão vindo!

–Quem?! – gritou Sasuke já se pondo em carreira.

Orochimaru ergueu o olhar enquanto corria e arregalou os olhos. Pares de pontos brilhantes se aproximavam, como estrelas num céu sem lua. Criaturas desciam as paredes da caverna.

–O que são essas coisas, Shunsuke-san? – perguntou o sennin das cobras.

–São Reminiscentes! Monstros de sangue e chakra! Yonbis falsos!

–Yonbis falsos?! – desesperou-se Jiraya – Fala de bijuus de quatro caudas que não são bijuus?! Essas coisas existem mesmo?!

–São tão reais quanto eu! Rápido senseis! Rápido Sasuke-oji-sama!

Em poucos segundos uma fenda abriu-se “magicamente” atrás de Shunsuke e todos saltaram para dentro do lugar. Sasuke fora o último a entrar e num relance de olhar pode ver uma das tais criaturas perto da tocha que o Haruno deixara na rocha onde estivera anteriormente. Era semelhante a kyuubi, porém com quatro caudas e com um aspecto mais monstruoso. A fenda fechou-se de vez, impedindo que qualquer coisa entrasse e qualquer coisa saísse.

O grupo olhou, cada um ao seu modo, para onde estavam. Nenhum dos três sennins conseguiu chegar até aquele ponto da montanha. Do início da escadaria eles retornavam para a resistência. Sentiam-se mortos, por não poderem ver nada, mas uma chama quente e luminosa estendeu-se até onde o fôlego sustentava. Sasuke acabara de lançar bolas de fogo para iluminar o ambiente.

Outro túnel, porém, desta vez e de alguma forma inexplicável, o fogo que Sasuke deixou pequenas flâmulas iluminando o caminho, como se fosse a chama de uma vela.

Seguiram por ali até um beco sem saída.

–Eu deixo vocês aqui. – Shunsuke sussurrou.

–Eu também’ttebayo. – emendou Naruto.

–Como é?! – Jiraya alterara-se um pouco – E como é que seguiremos se não há mais passagem? É um beco sem saída!

–Mas a porta está aberta para quem quer entrar.

Ao fim de sua fala, tanto Naruto como Shunsuke desapareceram, pois aquelas chamas flutuantes começaram a se apagar, deixando todo o grupo nas trevas novamente.

–Morremos! – gritou Jiraya.

–Calma homem! – rebateu Orochimaru – Vamos usar a cabeça!

Silêncio.

Só as respirações nervosas eram ouvidas, então um chiado baixo que foi aumentando gradativamente e uma luz azulada se acendeu no punho de Sasuke.

–Chidori! – gritou, acertando em cheio a parede, fazendo-a cair.

–Boa, rapaz! – comemorou Jiraya – Enfim luz!

Do outro lado do buraco, tudo o que viram foram infinitas correntes e uma enorme bola azul de energia flutuando num oco de pedra.

Notas finais
Não que ninguém soubesse quem é que está acorrentado, mas é no próximo capítulo que Naruto aparece.