Outra História: e se... vol.2
7 Confronto inevitável
Notas iniciais
–Então seu irmão virou Hokage e líder do clã Uchiha – ele falava enquanto mastigava – Seu pai se aposentou, você virou Capitão da Polícia de Konoha, Hinata é a futura líder do clã Hyuuga – um gole de suco e voltou a mastigar – Sakura se casou com o Shino e eles tiveram uma filha, resumindo o fato que todos da turma, exceto eu, casaram e tiveram filhos... A bruxa velha se aposentou, Konoha virou amiguinha de todo mundo e ninguém nem se lembrou de acender uma vela por eu ter ido embora... – engoliu tudo e fitou os dois adultos que o observavam comer. – É por isso que eu tenho vontade de destruir esse lugar de ingratidão.
Atores seria uma boa palavra para definir como eles agiam naquele momento, pois nem Sasuke, nem Naruto deixava transparecer que faziam poucas horas que estavam transando selvagemente. O loiro conseguia fingir magistralmente a dor em seu corpo e as marcas em sua pele, o moreno controlava os sentimentos de desejo por o homem a sua fronte e os dois tentavam segurar os sorrisos que poderiam denunciar o ato luxurioso.
Sasuke sentira falta daquela emoção, até mesmo no sexo Hinata era brando e suave, o que de certa forma desgostava Sasuke, acostumado com as loucuras de Naruto.
Suspiravam quando os olhos se encontravam para se acalmar.
Em “honra” ao jantar especial que Hinata preparara para o “visitante”, Sasuke vestira suas roupas de ninja, não tão diferentes das que Naruto vira alguns anos atrás, apenas com a ressalva para a oposição de cores: a camisa era negra enquanto o casaco era branco.
Já era noite, uma quente noite de verão com uma lua que sorria sinceramente para a vila. Os ventos assobiavam e balançavam as verdes folhas, espalhando os perfumes das flores noturnas por todos os lados. O Uzumaki fitou a janela. Era a calmaria antes da tempestade. Respirou profundamente, captando os cheiros, e deixou escapar um sorriso de canto dos lábios. Eles estavam vindo e não demorariam para chegar.
Foram mais rápidos do que pensara.
Naruto suspirou e deitou no prato o osso de frango que roía. Pelo menos tivera direito a uma última refeição antes do fim, uma boa refeição. Aliás, uma filha, uma transa e uma refeição. Já tinha tudo o que queria, poderia encerrar sem grandes remorsos.
Keiko comia ao lado de Naruto com uma educação interessante, pois apesar de ser filha do loiro, ela parecia ser bem criada. Bem diferente da mãe, que parecia um desesperado, como se nunca tivesse visto comida antes. A menina observou aquelas atitudes. Não se aproximavam nem um pouco da verdadeira personalidade de sua mãe. Aquele Naruto guloso era alguém completamente oposto ao que ela era acostumada a ver.
–Ah, Naruto – iniciou Sasuke, mostrando-se curioso – Por que Keiko te chama de “mãe” ao invés de “pai”? Por ser um homem, deveria ser pai, não é?
Naruto fez menção de responder, mas Keiko se levantou e se apressou.
–É porque são as mamães que geram os filhos, não é? São as mamães que ficam com os nenês durante nove meses e depois se tornam mamãe, cuidam dos bebês e ensinam a andar, a falar, e cuidam quando estão doentes, quando estão machucados e brincam com eles, e dão nomes e protegem quando o perigo aparece! E te contam histórias para dormir, conseguem qualquer coisa que você pedir e te faz ser a pessoa mais feliz do mundo! – ela sorriu, deixando ainda maiores seus olhos azuis.
–Para toda criança, as mães são como Deus! – completou o moreno.
Naruto exibia um tique nervoso no olho, incrédulo com a resposta repentina da menina, que mão lhe deixara tempo de pensar. Realmente Keiko era tudo o que Naruto achava que havia de bom dentro de si. Ele conseguira preservar muito bem tudo isso e dar forma, a forma de Keiko. Sasuke fitou a menina e sorriu com a sinceridade dela.
–Você a gerou por nove meses e teve ela? – sugeriu Sasuke.
Naruto assentiu.
–Hm. – monossilábico eterno.
Naruto fitou os dois meninos comportados.
–Então? Eles são super-gênios que nem você? Já despertaram o sharingan e soltam fogo que nem uns dragões? – falou descontraidamente. Sasuke negou, um pouco envergonhado. O loiro riu. Era de se esperar que o moreno não permitisse que seus filhos vivessem o mesmo tormento de sua infância e de sua adolescência.
Keiko saltou por cima da mesa e puxou as mãos de Sasuke e de Hinata para fora da casa.
–Ei, Sasuke oji-sama, eu quero mostrar uma coisa que mamãe me ensinou!
o/ o/ o/ o/

Do lado de fora, no lago do complexo Uchiha, Naruto tentava convencer a filha a desistir do plano de mostrar a técnica nova que ela aprendera.
–Eu vou! – ela gritou, fazendo o loiro se encolher – Mamãe prometeu que eu poderia mostrar ao Sasuke oji-sama quando eu me encontrasse com ele! Eu também quero o símbolo!
–Ok, ok’ttebayo... – sentou-se na ponte e fitou Sasuke com preocupação.
Se ela fizesse mesmo, seria o fim para ambos. Suspirou. Deixa rolar então, quero ver a cara de tabaco que Sasuke vai fazer quando vir Keiko em ação, ele riu-se. A menina saltitava de um lado para o outro, animada com a permissão que recebera. Parou e se concentrou fazendo selos conhecidos por Sasuke. Keiko inflou os pulmões e sorriu.
–Katon! – gritou. Naruto a fitou com incredulidade. Não grite o nome da técnica, pensou desesperado – Goukakyuu no Jutsu!!! – cuspiu uma enorme bola de fogo sobre a água do lago, iluminando a área mais próxima do grupo.
Sasuke congelou. Keiko, se bem tivesse lhe dito, só tinha cinco anos de idade, a mesma de Hiroshi. Seu garoto ainda estava aprendendo a escrever e os primeiros golpes do estilo Hyuuga. Hiroki, que era mais velho, ainda não conseguia moldar chakra suficiente para fazer aquela técnica. Como aquela menininha conseguira fazer aquilo?
Hinata bateu palmas para o sucesso da menina ofegante e sorridente.
Não esperava algo tão surpreendente de um descendente de Naruto, pois nada conhecia sobre ele, aliás, muito pouco.
Keiko voltou-se para Sasuke, sorrindo e mostrando estar tudo bem com ela, apesar de arfar por causa do esforço. O moreno arregalou ainda mais os olhos. Keiko exibia um sharingan de duas tomoes em cada olho. Suas mãos tremeram. Como Naruto poderia gerar uma menina com a kekkai genkai dos Uchihas? Como?
Ele fitou o loiro. Naruto fitava o nada, disfarçando seu comportamento preocupado com o que o moreno iria achar. Sasuke deu um passo em direção ao outro sentado, Naruto sentiu o movimento e desapareceu usando um Hiraishin. O moreno o seguiu usando a mesma técnica, deixando mulher e crianças sem saber o que fazer. Surgiram no monte Hokage, sobre a cabeça dos antigos líderes. O Uchiha estava claramente irritado.
–OE! SEU IDIOTA DE MERDA!!! COMO VOCÊ PODE TER UMA CRIANÇA COM UM SHARINGAN, QUE SÓ PODE SER PASSADO ATRAVÉS DO SANGUE?! QUE PORRA É ESSA, CACETE?! – a distância era perigosa demais, apesar de ser um pouco grande.
–Eu... Eu não poderia ter dito antes...
–DITO O QUE, USURATONKASHI?! – ele esfregou o rosto, desesperado com os pensamentos que ocorriam a si agora – VOCÊ ME USOU, É ISSO? ME USOU PARA OBTER MAIS PODER, SEU FILHO DA PUTA?!! LOGO EU?! QUE SÓ TE AMEI!!!
Naruto negou assustado com a face de fúria de Sasuke.
–NARUTO!!! EXPLIQUE AGORA QUE PORRA FOI ESSA QUE VOCÊ FEZ...
–CALA A BOCA, PORRA!!! – gritou Naruto saltando para perto de Sasuke. Os dois se encararam – Eu estou tentando fazer isso, Sasuke... Keiko é uma Uchiha como você porque ela é sua filha de sangue’ttebayo. – Sasuke arregalou os olhos – Você tem o direito de me odiar para sempre por ter escondido isso de você por tantos anos, mas eu simplesmente não podia contar que o que aconteceu comigo. Isso só acontece uma vez a cada cem anos quando o chakra da kyuubi passa por uma transformação... Naquela noite, na noite do seu aniversário, quando tivemos nossa última vez juntos’ttebayo, eu permiti que isso acontecesse porque achei que nunca mais voltaria para esse lugar de novo... Então eu fui egoísta e me deixei engravidar para ter um pouco de você comigo. – Naruto baixou o olhar – Eu só queria ter a sua felicidade comigo, então achei que uma criança sua me permitiria ser feliz, mesmo longe de você’ttebayo...
Sasuke deu um passo para abraçar seu eterno amante, que nunca o deixara de verdade, estando sempre em seus pensamentos e em suas memórias, mas seu ato fora impedido por uma enorme explosão no centro de Konoha. Os dois encararam o lugar da explosão. Uma onda de chakra vermelho se espalhou pelo o lugar.
Naruto arregalou os olhos. Sasuke o fitou. O desespero estava preso aos olhos azuis de Naruto como nunca o Uchiha vira antes.
O moreno reconheceu aquele chakra quando a segunda onda passou pelos corpos de ambos. Sabia bem que frequência de chakra era aquela, era chakra da kyuubi sendo libertada, porém como poderia ser, se a raposa estava bem ali, ao seu lado, no estômago de seu dobe.
Os dois desapareceram, correndo para o foco da explosão. Sasuke viu lágrimas correrem dos olhos de seu dobe, algo realmente terrível deveria estar acontecendo. Outra explosão que fez muitos shinobis presentes ali voarem, enquanto eles passavam correndo, cortando o vento como navalhas.
Pararam a carreira.
O homem mascarado estava ali, diante deles, com uma mão sobre a cabeça de Keiko e outra sobre Hiroki. Os chakras das crianças fluíam por suas mãos e sempre que alguém se aproximava, ele provocava uma expansão de ar para afastar a todos, dando a impressão de ser uma explosão. Sasuke voltou a mirar Naruto: o manto da kyuubi já lhe cobria completamente, suas mãos tremiam e um sorriso extremamente assassino preenchia sua face de desespero.
Ele estava prestes a surtar.
O moreno sorriu. Era a sensação mais excitante que sentira desde sua última vez com o dobe. Aquele dia estava sendo inexplicável. Uma corrente dourada cresceu do pescoço de Naruto até a mão de direita de Sasuke, prendendo-os e unindo-os.
–Finalmente – rosnou Sasuke ativando o seu Mangenkyou – Você veio até mim. Depois de tantos anos, eu finalmente terei minha vingança!
–Uchiha... Sasuke... – sussurrou o outro – Finalmente eu terei seus olhos e com ainda mais poder do que quando era só um moleque! Com o poder da Kyuubi ao meu lado e os olhos dessa criança, eu com certeza subjugarei o seu poder.
Sasuke folgou a corrente. Naruto rugiu alto desaparecendo e surgindo diante do corpo do mascarado, chutando-o para longe das crianças. O homem encarou a fera rosnando para si, cobrindo em instinto de proteção as crianças caídas ali.
–Nunca ouse – Sasuke sentenciava com sua voz rouca – Tocar nos filhos de um Uchiha. – franziu o cenho, numa expressão severa – E para sua informação, essa menina não é a kyuubi. – um sorriso cruel se alargou no rosto do moreno, só não maior e mais assustador do que o Naruto – Você caiu na armadilha da raposa... A verdadeira kyuubi está aqui! – ele apertou a corrente, que brilhou no pescoço de Naruto. – E esses olhos você jamais os terá... – o selo no pulso direto foi ativado e uma katana especial surgiu em sua mão.
o/ o/ o/ o/
Os golpes eram rápidos e o brandir das lâminas era ouvido de qualquer ponto. Os dois lutavam com precisão, soltando faíscas para todo lado por causa da força aplicada nas katanas que se chocavam a cada giro, a cada movimento, a cada palavra, a cada olhar. A máscara começava a se partir por causa dos socos sem piedade que Sasuke desferia, no entanto o moreno também recebia dano por causa da incrível capacidade do homem de desmaterializar.
Ora os punhos acertavam, ora passavam direto pelo corpo do homem, como se ele fosse um fantasma. Que droga! Como é que eu vou matá-lo desse jeito? Os dois se afastaram quando Sasuke cuspiu uma bola de fogo nele.
O Uchiha fitou Naruto, ainda na mesma posição de proteção. Teve uma ideia. Invocou a corrente dourada, chamando a atenção do menor, e lançou na direção do mascarado. Num único e veloz salto, Naruto acertou as costas do inimigo com os dois pés. O homem tentou revidar, usando uma kunai contra as pernas do loiro, mas ele pisou nos dois braços do mascarado, afundando-os no chão. O Uzumaki fitou Sasuke, como se esperasse a concessão para continuar: um sorriso cruel foi tudo o que viu.
Começou violentamente a pisar no corpo do homem, que ora se desmaterializava e nos segundos seguintes voltava a ser sólido e sentia o peso dos golpes de Naruto. O loiro saltou alto e esticou a mão esquerda para cima. Uma quantidade gigantesca de chakra se reuniu ali, atraindo correntes de ar e tomou forma de um rasengan, porém com uma espécie de shuriken de quatro pontas orbitando em torno do rasengan.
–Fuuton! – só houve tempo o mascarado olhar o que iria lhe acertar – Rasenshuriken!!! – Naruto lançou diretamente nas costas do homem, fazendo a terra explodir e uma enorme bola de correntes de ventos concentrados se expandirem ao ponto de empurrar Naruto ainda mais alto no ar. Sasuke cobriu o rosto com as mãos, sorrindo. Era uma técnica formidável aquela.
A nuvem de poeira se dissipou quando Naruto pousou, provocando uma leve expansão do ar, somente para afastar. Sasuke se aproximou ainda empunhando sua espada. O homem estava lá, imóvel. O moreno usava seu sharingan e percebia atentamente que o miserável estava vivo, provavelmente usara sua técnica especial para não sofrer com o ataque de Naruto. Ele levantou o olhar: os olhos do dobe haviam mudado.
–Dobe... – chamou – Seus olhos...
–É por causa do Senjutsu. – ele fitou-o. As íris estavam amarelas, as pupilas correspondiam a pequenos retângulos de bordas arredondadas, ao redor olhos havia uma espécie de contorno vermelho que se angulava nos pontos mais altos das pálpebras. – Quando eu consigo absorver o chakra da natureza e controlo-o em meu corpo, é assim que meus olhos ficam.
–Isso não é demais para você? Por que precisa de mais energia, com toda a que existe dentro aí... Você está obcecado pelo poder.
Naruto riu.
–O que há dentro de mim – ele tocou a barriga – Não me pertence e, portanto, não posso usar. Sou apenas um recipiente para eles. Um lugar de paz num mundo de trevas. – olhou para a cratera. O homem desaparecera. Naruto franziu o cenho, irritado.
Sasuke suspirou. Por pouco não o matara.
–Sasuke... – chamou friamente o loiro – Vamos usar aquele jutsu.
O moreno franziu o cenho num semblante interrogativo.
–Que jutsu? – ele manteve-se inexpressivo ao ver o dobe desabotoar a própria camisa. Arqueou as sobrancelhas ao ver o selo no tórax de Naruto cintilar com cores vermelhas e douradas. Entendeu sobre que jutsu ele estava falando. – Não podemos Naruto, não depois de tanto tempo. Se o fizermos, você sabe que tudo isso – ele olhou em volta e seus ônix pararam sobre o rosto preocupado de Hinata com seus filhos e Keiko – Pode deixar de existir. E para quê? O homem sumiu, não há necessidade!
Naruto se aproximou, respirando lentamente, tocou com dois dedos a testa de Sasuke e o selo roxo e azul acendeu.
–Se não o fizermos, o líder da Akatsuki irá chegar aqui... Ele quer capturar o que eu tenho. – apontou para a barriga — Toda a Konoha com seus habitantes morrerão. E se eu partir agora mesmo, para outro local, outra vila, outra cidade, essa será destruída e seus habitantes brutalmente assassinados. Pain, como ele gosta de ser chamado, tem um jutsu que nem mesmo eu posso conter a força de devastação.
Sasuke engoliu em seco.
–Não posso tomar essa decisão.
Hinata se aproximou correndo e ao seu lado vinha Itachi.
–Sasuke-kun... Do que Naruto-kun está falando? – ela se espantou com o rosto do Uchiha. Itachi nada disse, mas era clara a sua surpresa por ver aquele selo em sua testa se conectar pouco a pouco com os outros dois selos que existiam no corpo do irmão.
O Uchiha mais novo voltou o ar e viu nos olhos de Naruto permissão para falar.
–Naruto é a pessoa por trás dos assassinatos dos membros da Akatsuki – Itachi sorriu, como se dissesse “Eu sabia!” – Ele me informou, tempos atrás, que havia um homem na Akatsuki com olhos semelhantes aos meus, – ele exibiu seu Rinnegan – Porém com poderes diferentes dos meus, assumindo ser um “Deus”. Ele tem cacife para o título e Naruto acredita que mesmo que ele lute contra esse tal de Pain, o resultado é inevitável: morte.
Hinata angustiou-se.
–Não há nada que se possa fazer para evitar?
–Há... – continuou Sasuke, com a voz severa – Mas as consequências podem ser ainda piores do que um ataque do Pain...
–E... O que é...? – ela temeu em perguntar.
Sasuke virou o rosto. Não poderia dizer. Era o proibido na concepção de proibição deles.
–O Jutsu proibido de retorno ao passado. – respondeu Naruto sem olhar para os presentes.
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