Outra História: e se... vol.2

25 Alguns verões depois


Notas iniciais
Desculpem-me a demora em postar, mas é que a história está caminhando para os seus capítulos finais e eu estou tentando caprichar para encerrar com chave de ouro. Além de que a faculdade toma bastante tempo de vida... ¬¬ Enfim... Capítulo absurdamente grande para compensar, de certa forma a demora... Espero que gostem!

Um grito ecoou, tão alto que acharam que o teto iria desabar sobre suas cabeças. Um grito estridente que indicavam que as coisas estavam fugindo novamente do controle. Era demais para ele, além de estar longe de seu dobe, lavando as louças do almoço, ainda tinha que evitar que a Quinta Grande Guerra ninja começasse embaixo do seu próprio teto por causa de suas duas filhas. Não que achasse ruim tê-las, mas era Naruto que sabia como lidar com suas jovens meninas que recentemente ativaram o sharingan.

No fim das contas eram Uchihas verdadeiras e brigavam por tudo que envolvesse o orgulho de ser quem são. Sasuke suspirou começando a secar as louças quando ouviu um barulho de estilhaços no instante que seu terceiro filho entrou em casa. No momento que olhou para porta, para recepcioná-lo, sentiu um arrepio sinistro que fora compartilhado pelo menino.

–Acha que algo importante quebrou dessa vez, papai?

–Não sei... Eu espero que não. Sabe como sua mãe fica demoníaca quando mexem nas coisas de pesquisa dela. – o menino assentiu e guardou sua mochila no armário próprio para aquilo, para então ir ajudar o pai a guardar as louças – Como foi seu dia?

–Foi legal. – o menino sorriu, ressaltando as duas linhas que cada uma de suas bochechas tinha – Eu consegui fazer o clone das sombras hoje! – Sasuke sorriu, satisfeito com aquela notícia – Fiz três dessa vez, mas eu sei que poderei fazer mais!

–Claro que pode. Afinal, você é filho de um Uzumaki.

Boruto sorriu bobamente, lembrando e muito o sorriso de Naruto, e esfregou os cabelos. Os dois guardaram as louças e foram para a sala de televisão. Os dois fitaram o relógio no alto da televisão ao mesmo tempo, pensando em sincronia que o Capitão do Presídio de Konoha chegaria em breve a casa, para alegria de uns e o desespero de outros. Outro grito fez Sasuke e Boruto fitarem o andar superior e então uma explosão.

Naquele instante a porta da casa fora aberta. Oh merda, pressinto garotas ensandecidas gritando com meu dobe, pensara ao se sentar no sofá. Boruto fora para a cozinha buscar um lanche. Lentamente, retirando seus óculos, Naruto entrou e foi recebido por um sorriso carinhoso de Sasuke e um estrondo suspeito do andar superior.

Ele foi até seu marido e o beijou com carinho, para então ir abraçar Boruto, que o fitava da mesa da cozinha. Num longo suspiro, retirou seu colete de proteção, pendurando-o perto do armário das mochilas. Esticou seus dedos no piso frio e alongou-se.

–Sasuke... – o moreno se levantou do sofá e foi até onde o outro estava – Por favor, peça para as meninas descerem... Eu quero ver que parte da casa foi destruída para definir o castigo delas enquanto tomo banho.

–Certo, dobe. – um rápido beijo na testa e sumiu diante dele.

Alguns segundos depois Sasuke empurrava suas duas filhas adolescentes escada a baixo, sem dizer uma única palavra de retorno à reclamação delas. Naruto subiu em seguida, sem fitá-las ou esboçar qualquer reação. Fora direto para seu quarto, e dentro dele, mergulhou no banheiro, tomando um merecido banho quente na banheira.

Enquanto isso, na sala de televisão, mais duas pessoas chegavam a casa. Primeiro fora o “vovô Uchiha”, andando imperiosamente, apesar de sua muita idade e de seu aspecto acabado. Todos os quatro cumprimentaram o ancião, que logo fora para seus aposentos. Por mais que Sasuke odiasse a ideia, ter Madara por perto fora uma sacada de gênio, pois, tal como Naruto previra, Sasuke despertaria novamente os poderes de seus olhos e agora teria alguém que já tivera poder semelhante e poderia auxiliá-lo no controle. E por mais incrível que pareça, Madara cooperava de bom grado, feliz por se sentir numa família em paz, como costuma dizer.

Depois chegara o segundo filho mais velho do casal, que sempre fazia Sasuke sorrir ao vê-lo. Era um misto curioso do seu irmão mais velho com ele próprio. Não poderia ter dado outro nome a ele que não fosse o de Itachi. Não porque queria que seu filho mais velho fosse como Itachi, ou porque achasse que aquela era uma reencarnação dele, mas porque aquela era uma boa forma de homenagear alguém que ele amara um dia.

–Bem-vindo. – Sasuke cruzou os braços e estreitou seu olhar – Pegou minha katana de novo? Qual das duas?

O rapaz estremeceu enquanto retirava suas sandálias ninja.

–É... a... Kusanagi, papai... – sentiu-se preocupado em responder.

Mesmo que sua mãe lhe disse que estaria tudo bem usar aquela espada enquanto estivesse em missões ao lado dela, Itachi sentia-se receoso por causa dos selos que o pai colocara em sua lâmina. Apesar de a Kusanagi lhe causar certo temor, nada lhe assombrava mais do que a espada que fica guardada na sala de estudos de sua mãe. Uma katana inexplicavelmente sombria, carregada de sentimentos negativos que só seu pai poderia manejá-la.

Mas todo esse raciocínio fora cortado quando a presença ameaçadora de Naruto ecoou pela casa, indicando que ele estava furioso. Sasuke entendeu que era para levar as crianças para o andar de cima e o fez, empurrando a fila com seu “chakra de pai”. Até Boruto e Itachi, que nem em casa estavam, foram impelidos a subir, os dois sentiam-se preocupados com o iria acontecer: sabiam que a mãe tinha temperamento agressivo e pavio curto, apesar de maioria das horas do dia, ele sorrir e agir como uma mãe boba.

O andar de cima estava escuro, um pouco tenebroso. Sasuke estranhou aquilo, pois geralmente era bastante iluminado. Olhou para o fim do corredor. Lá estava Naruto, de perfil, olhando fixamente para o chão. Perto de seus pés havia cacos de alguma coisa que se quebrara, provavelmente a origem do som de estilhaços. Sasuke acendeu as luzes do corredor e viu Naruto fechar os olhos por causa da claridade.

Havia um porta-retratos no chão com os vidros espelhados por ali.

A porta atrás de Naruto estava chamuscada e o quarto parcialmente queimado.

Sasuke estremeceu quando viu Naruto cerrar os punhos e mudar seus olhos para os olhos da kyuubi, mas no segundo seguinte, depois de um longo suspiro, ele se abaixou retirando sua camisa de botões, ficando com só uma branca que estava por baixo e começou a limpar o local, juntando os cacos em sua própria camisa. De repente, clones de Naruto apareceram pela escada portando baldes e vassouras, além de panos e de produtos de limpeza. O chakra de Naruto estava calmo, tranquilo, o que fez Sasuke estranhar.

–Naruto? – chamou. O menor terminou de juntar os cacos de vidro, pegou o porta-retratos e desceu para a cozinha, sendo seguido pela sua comitiva familiar – Naruto?

–Diga Sasuke... – ele respondeu de modo impaciente, deixando os cacos dentro de uma sacola, para então jogá-la no lixo. A madeira do quadro estava queimada, de modo que também foi para o lixo, no entanto a foto escapara.

–Você está bem?

Naruto suspirou e olhou para seus quatro filhos. Uma enorme expectativa brotava dos olhos deles em querer saber o que ele faria. Olhou para fora, pela janela e viu um fio de fumaça se estender por ali. O mais velho chegara de sua missão, então.

–Estou. – falou inexpressivo. Ele fitou as duas meninas.

Sarada e Keiko. Suas filhas de 12 anos eram gêmeas e nada tinham puxado a si, exceto a cor dos olhos de Keiko. Eram plenas Uchihas de corpo, alma e poder, e brigavam constantemente por causa disso. As duas brigavam constantemente por motivos que Naruto não sabia definir quais eram. Itachi era da mesma forma, apesar de não ser tão orgulhoso com seus quase 15 anos. Já Boruto era um caso totalmente a parte, provavelmente a exceção da família, tal como o próprio Naruto era.

–Entre Menma. – a voz de Naruto saiu tão autoritária quanto à de Sasuke poderia ser. Geralmente era assim: Sasuke era quem dava a última ordem na casa, impondo toda a sua presença de Uchiha no recinto. – Agora! – a porta se abriu e por ela passou o último membro da família sorrindo como só Naruto conseguia fazer.

Menma era o mais velho, nascera precoce e era uma mistura entre Naruto e Sasuke. Ele possuía os olhos, os poderes e a essência de chakra do pai, mas sua aparência era completamente da mãe, até os riscos nas bochechas ele tinha e, semelhante à Keiko e a Boruto, tinha olhos azuis. Itachi sorriu para o irmão e foi abraçá-lo. Itachi não tinha cabelos longos como o finado tio, nem as linhas profundas abaixo dos olhos, mas tinha o mesmo olhar e a mesma inteligência. Na verdade, como costumavam dizer os vizinhos, Itachi era a foto cópia de Sasuke, tão parecido que até com parte a maldição do selo o garoto nascera. Era um rapaz admirável. Tanto ele quanto Menma já haviam despertado o sharingan ao nível de três tomoes e eram muito poderosos.

Os dois rapazes se soltaram e voltaram-se para a breve reunião que estava acontecendo. Com uma rápida vistoria, Menma percebeu a foto chamusca na mão da mãe. Alguma coisa acontecera que deixara Naruto com o semblante entristecido.

Sasuke cumprimentou o filho mais velho e franziu o cenho. O cheiro da nicotina impregnado em suas roupas o irritava, mas se o garoto não fumasse as consequências eram piores. Desde que Menma retornara de uma missão quase suicida há mais de um ano em companhia de Naruto que ele adquirira o hábito de fumar. Fumava pouco, apenas três cigarros por dia, mas já era motivo suficiente para deixar Sasuke enojado.

–Só me digam por que estavam brigando. – Naruto murmurou observando a foto em mão.

–Brigando? – Itachi comentou e fitou as irmãs – Estavam brigando de novo?! Mas por quê?

Menma encarou o pai e viu ali frieza. Sasuke estava irritado, muito irritado, porém estava se contendo, por trás de seus braços cruzados. Não demoraria muito para ver os olhos vermelhos assustadores de seu pai dizer que alguém ali estava ferrado.

Keiko e Sarada cruzaram os braços, deram as costas para Naruto e subiram para o quarto de modo sincronizado com o momento em que os clones desciam. Foi a gota d’água, mas quem explodiu fora Sasuke, e não Naruto, como o esperado. Ele seguiu as filhas e fora seguido por Menma e Itachi. Já no quarto delas, ele trancou a porta e as fitou.

–Por que vocês estavam brigando? – perguntou calmamente.

–Eu não sou uma Uzumaki! – gritou Sarada de vez, assustando Itachi e Menma. – Keiko é que é uma Uzumaki!

–Eu não! – a outra quase rosnou – Não sou uma ninguém! Eu sou Uchiha!

As duas se encararam e ativaram seus olhos. Sasuke suspirou e saiu do quarto, deixando os quatro Uchihas ali, sozinhos. Foi para o seu próprio quarto. Então era isso. A maldição dos Uchihas que ele tanto evitara chegara às suas duas filhas. O maldito orgulho. Por isso que Naruto andava tão cabisbaixo. O povo nunca está plenamente satisfeito e a ideia de um monstro assassino de um clã chegara ao ouvido de suas filhas.

Alguns minutos depois Menma e Itachi entraram em seu quarto com alguma cerimônia. Sasuke terminava de amarrar o seu obi em seu kimono para dormir e viu os rapazes ficarem perto da porta. Menma coçava os cabelos e Itachi parecia preocupado.

–O que foi? – ele perguntou.

–Keiko me disse que o sensei dela conversou com a equipe sobre o massacre de dezesseis anos atrás... Ele falara sobre como era importante estar preparado para quando as bestas de caudas se descontrolarem e atacarem todo mundo, tudo isso por causa do extermínio daquelas pessoas que vivam aqui... – Menma sentia-se um pouco nervoso por estar falando aquilo para o pai. Conversar com o pai irritado sempre era perigoso, ainda mais sem sua mãe por perto para lhe proteger de eventuais ataques.

–O mesmo caso foi o de Sarada... Ela disse que uma senhora comentara isso com ela, que o Tio Konohamaru brigou com ela quando Sarada disse que não era um monstro e nem filha de um assassino, porque ela era uma Uchiha e os Uchihas são sempre os heróis da história. Ela disse que era filha de um herói, não de um assassino. – Itachi respirou fundo depois de falar e aliviou-se ao ver o pai sentar-se na cama e esfregar os cabelos.

Ele não faria uma loucura. Na verdade apenas pediu que chamassem Naruto e assim o fizeram, pois alguns instantes depois o loiro entrou no quarto, fechando a porta atrás de si. Os dois se fitaram e o moreno sorriu de maneira a consolar a tristeza que estava nos olhos do outro, parece que ele ouvira toda a conversa entre Sasuke e seus filhos.

–Desculpe por isso... – o maior se levantou e foi até Naruto, abraçou-o pela cintura e beijou sua testa – Eu não sabia que o mal da minha família poderia chegar até as nossas filhas.

–Tudo bem, Sasuke, não tem porque se desculpar. A culpa não é sua. São as pessoas dessa vila que sempre tratam meu clã com desrespeito e maldade. É natural que nenhum deles queira carregar o nome Uzumaki. – Naruto soltou-o e foi para o banheiro trocar de roupa. Saiu apenas usando uma camisa e um short – Eu já esperava por isso. – ele sorria.

Sasuke cruzou os braços e assistiu Naruto deitar-se em sua cama, no lado esquerdo, deixando o espaço para seu marido se deitar. De barriga para cima, como sempre ele fazia, Naruto ergueu sua mão e deixou a aliança em seu dedo brilhar. Sasuke sorriu e foi deitar-se, afagando sua própria aliança com os dedos. Os dois não haviam se casado como casais normais, apenas firmaram o compromisso de viverem juntos, como um casal. A aliança significava o tempo cíclico que o amor dos dois nutriam, que não tinha começo nem fim.

Deitou-se e abraçou as costas de Naruto, beijando-lhe o pescoço. Ele inspirou bem o cheiro do seu dobe e enfiou as mãos para dentro da camisa dele, beliscando de leve os mamilos de Naruto, causando arrepios no loiro e risos em Sasuke. A mão desceu pela linha do tronco, provocando um longo suspiro nele, e chegou ao short de Naruto, entrando por trás.

–Sasuke... – o loiro murmurou – As crianças estão acordadas... – Naruto se retorceu sentindo um dedo de Sasuke entrar lentamente em si.

O moreno sorriu e abaixou com a outra mão a camisa dele, chupando com vontade a pele e deixando marcas vermelhas ali. Começou a movimentar lentamente seu dedo ali, provocando gemidos baixos no loiro, que imediatamente cobriu os dois com o edredom da cama. Sasuke empurrou outro dedo e sorriu ao sentir-se engolido por Naruto.

–Você diz isso, mas já está pronto para mim. Adoro isso em você... – Sasuke baixou o short de Naruto e desamarrou o seu obi, libertando seu pênis, enquanto Naruto tapava sua boca para não gemer – Vou devagar, nem que eu passe a noite toda metendo em você para a gente gozar junto. – Naruto assentiu com as mãos na boca.

Devagar Sasuke se colocou dentro, mordendo o ombro do menor para não gemer rouco de prazer por causa da pressão interna de Naruto. Começou a se mover com precisão e força, porém sem velocidade, garantindo que os ruídos não ecoassem alto demais. Naruto se moveu, deitando-se de bruços e permitindo que Sasuke ficasse por cima, movendo-se com maior profundidade dentro dele e praticamente comendo o pescoço de Naruto.

–Empina um pouco, Naruto... Vai ficar mais gostoso... – ele sussurrou e assim o menor o fez, porém se contorceu quando Sasuke beliscou-o novamente em seus mamilos.

–Droga, Sasuke... Belisca não... – ele sussurrou abafando seus gemidos no travesseiro. Sasuke assentiu e começou massagear o peitoral dele.

Os dois assim ficaram até o momento que ambos gozaram. Sasuke arfou e fitou a pele bronzeada de Naruto, completamente mordida e vermelha. Era sempre assim. Pelo menos depois que os dois assumiram cargos especiais na nova Konoha, como os ninjas poderosos que eram. Apesar de ambos serem capitães, Naruto capitão do presídio, enquanto Sasuke era capitão da polícia, os dois só tinham momentos a sós quando saiam em missões de longa duração e podiam se amar do jeito que gostavam.

Sasuke acordou só pela manhã quando sentiu a cama se mover. Abriu os olhos e sorriu com a visão de Naruto desativando suas argolas. Ele arregalou os olhos ao ver Naruto descer com dificuldade da cama e retirar de seus tornozelos e de seus pulsos pesos que amassaram o piso e fez uma nuvem de poeira subir.

–O que... – ele piscou e reconheceu imediatamente aqueles pesos. Eram os pesos de treinamento de Rock Lee. – O que você...

Redemoinho que nos leva

–Eu jurei a mim mesmo que evitaria ao máximo usar minhas técnicas, já que Kakashi-sensei disse que o “Estilo Uzumaki” é proibido aos olhos mortais. – o sorriso dele era tão bobo que Sasuke estranhou – Então eu estou treinando com o Lee, com a Tenten e a Hinata. Estou me aperfeiçoando para o cargo que me deram.

Sasuke saiu da cama e viu a faixa do seu kimono cair no chão. Ajeitou-se como pode e fitou Naruto. Ele estava mais magro, porém seus movimentos estavam mais graciosos, como a raposa que era, movendo-se com tranquilidade. Os dois sorriram e Naruto abriu os braços para que Sasuke lhe desse um abraço e o recebeu, beijando-lhe com carinho. Sasuke empurrou Naruto para o banheiro e os dois tomaram um divertido banho.

Algum tempo depois foram para a cozinha. Era tão cedo quanto o costume de antigamente, de modo que nenhum de seus filhos se acordara ainda. O sol ainda estava nascendo quando Naruto começou a preparar o café de Sasuke. O loiro percebeu alguma movimentação no andar de cima e sorriu sem que Sasuke percebesse, pois ele ouvia os passos de Boruto em seu quarto. Era sempre a mesma coisa todos os dias, quando Boruto tinha que ir para a Academia Ninja: o garoto ficava inquieto em seu quarto quando ouvia os pais conversando na cozinha.

Naruto sentiu o peso de Sasuke sobre seu corpo, abraçando-o e deitando seu rosto em seu ombro, numa posição de conforto. O loiro afagou o cabelo de Sasuke. Tinham algum tempo antes que a Grande Guerra do Café da Manhã começasse, então os dois aproveitaram para conversar sobre amenidades e trocar carinhos.

Uma vez alimentados, os dois foram para o jardim sentar-se embaixo de uma árvore frondosa.

–Naruto. – Sasuke chamou de olhos fechados e em posição de lótus. Era assim que ele meditava ao lado de Naruto desde quando eram crianças. Ao contrário de Naruto que parecia ter levado uma surra, com a ponta dos pés tocando os dedos das mãos e a bunda virada para a copa da árvore – Eles acordaram.

–Hm. – ele resmungou – Deixa eles se matarem, são nossos filhos, não?

Ficaram sérios, depois desatinaram a rir tão alto que já não podiam meditar. Ergueram-se dali e foram para dentro de casa. Naruto chegou a tempo de salvar algumas das louças de serem lançadas entre seus filhos. Sasuke arregalou os olhos e quase enfartou quando viu seus quatro filhos Uchihas com os Sharingans ativados e discutindo a plenos pulmões. Até mesmo Itachi e Menma, que eram os mais tranquilos, gritavam com as meninas.

Sasuke fitou Naruto. Calmo e inexpressivo. Naruto levou todas as louças para o pia e suspirou cansado daquilo, se perguntando por quanto tempo teria que lidar com Uchihas prepotentes, seu desejo era surrar a cara de cada um, mas sabia que não era assim que bons e amáveis pais criavam os filhos. Ele se virou para tentar entender o que estava acontecendo e se surpreendeu com Sasuke apertando os punhos e quase rosnando de raiva.

O moreno cruzou os braços e soltou o ar lentamente, fazendo seu sharingan mudar e com ele surgir à forma esquelética de seu Susano’o. Naruto piscou com firmeza e se assombrou. Não era natural, tampouco fácil tirar Sasuke do sério e geralmente ele só invocava seu Susano’o quando tinha que se defender de algo terrivelmente poderoso. Será que...?

Era isso, Sasuke ensinaria uma lição valiosa aos seus filhos que só um Uchiha poderia dar.

Seus filhos se aquietaram, assistindo aquela demonstração de poder gratuita, se aproximando uns dos outros e fitando o pai enfurecido.

–Eu não sei que tipo de merda se passa na cabeça de vocês para estarem dando ouvidos a pessoas que não conhecem o passado dessa vila maldita. – Sasuke fitou suas filhas – Por que vocês discutiam tanto dessa vez?!

Menma deu um passo à frente e suspirou.

–Nós sabemos da verdade, pai. – ele proferiu apertando os punhos – Sabemos que somos filhos de um assassino e de um herói. Nós sabemos que você se casou com alguém como ele para proteger a vila dos monstros que vivem dentro da mamãe e para evitar os poderes Uzumakis, por isso papai é o maior herói de todos!

Sasuke desfez o seu Susano’o e fitou as meninas.

–Diga-nos pai, nós somos ou não somos Uzumakis? As pessoas nos olham com desprezo e raiva... Eu não quero ser uma Uzumaki... – Keiko murmurava.

–Por isso discutíamos. – Sarada ajustou seus óculos no rosto e cruzou os braços, semelhante à pose de Sasuke – Ter um Uzumaki na família é humilhante.

–Não, isso não está certo! – Itachi tomou a frente dos quatro – Não é humilhante, mas um símbolo de honra por termos um Uzumaki submetido ao poder de nosso pai.

Eles começaram a discutir de novo em voz alta, um tentando sobressair o outro.

Sasuke não conseguia acreditar nas palavras de seus filhos. Humilhante? Submetido? Então era isso. A superioridade, a arrogância, a prepotência, o orgulho, a falta total do senso de realidade e o ego amaciado por palavras doces e falsas. Verdadeiros Uchihas. Não. Antigos Uchihas. Aquilo precisava ser erradicado ou algo de ruim poderia acontecer. Sasuke não poderia prever até quando Naruto iria conter sua fúria, porque bem no fundo de sua alma, ele ainda odiava os Uchihas mais do que qualquer um que já tenha andado pela Terra.

–Chega!!! – ele gritou – Vou acabar com isso agora mesmo! – Sasuke tocou o chão e um selo gigante apareceu no meio da sala – Vou lhes ensinar a serem Uchihas de verdade!!!

O selo brilhou intensamente num tom azul e as crianças se assustaram.

Naruto suspirou e num piscar de olhos Sasuke havia desaparecido juntamente com Keiko, Sarada, Itachi e Menma. Ainda bem que ele foi embora antes que eu socasse a cara de cada um, pensava Naruto limpando as louças enquanto um clone seu trazia uma vassoura. Naruto ouviu passos pela casa e estranhou, afinal não deveria ter mais ninguém além de si, então usou seus sentidos para saber quem ainda estava por ali.

Boruto ainda estava em casa, escondido em seu quarto e pelos sons que fazia parecia que ele estava chorando. Naruto sorriu e terminou rapidamente a limpeza da cozinha para poder saber o que acontecia com seu filho mais novo. Chegou com calma ao quarto e abriu a porta, percebendo que o interior estava completamente escuro.

–Se algum fantasma chamado Boruto estiver por aí, que ele se manifeste, por favor. – falou brincando e viu um montinho de roupa se mexer. Ali estava ele – Achei o fantasma. É hora de exorcizar com um pouco de luz e vento!

Naruto abriu as janelas deixando a luz de o sol entrar e iluminar o ambiente. O menino sentiu quando os lençóis foram puxados e ele caiu toscamente no chão. Naruto fingia que estava limpando o quarto, dobrando as roupas, ajeitando o lugar com a vassoura e com alguma habilidade que fez Boruto baixar o rosto.

–Algum problema? – Naruto indagou dobrando os lençóis.

–Não quero ir para a escola hoje. – ele resmungou – Não gosto de lá.

–Eu imagino que não goste. Eu também não gostava quando tinha a sua idade, na verdade eu simplesmente odiava a ideia de ver aquelas pessoas que me olhavam com desprezo. – Boruto piscou com admiração – Mas mesmo assim eu ia todos os dias...

Naruto saiu do quarto carregando o cesto com os lençóis sujos.

Boruto se levantou as pressas e seguiu a mãe.

–Sério?! Por que você ia se todos te odiavam, mãe?

Ele ouviu o homem suspirar cansadamente.

–Eu tinha alguns motivos... – ele começou a lavar os lençóis – Primeiro, eu precisava aprender coisas que sozinho eu jamais saberia. – ele sorriu corando um pouco — Ainda tinha seu pai. Naquela época ele era o meu único amigo e eu gostava muito da companhia dele. Ainda posso mencionar o fato de que eu queria ser o mais forte de todos e era muito divertido fazer isso.

–Como podia se divertir com pessoas fazendo pouco de você, mamãe?! – Boruto ajudou Naruto a pendurar os lençóis – Quero dizer, qual a graça em sofrer?

O loiro fitou o filho e sorriu.

–Não seja tolo, Boruto, até parece que não é meu filho! – o menino arregalou os olhos – A graça não está em sofrer, mas em superar esse sofrimento e se tornar superior! – Naruto sorriu – Por isso os Uzumakis são tão temidos.

–Não consigo entender.

Naruto riu e foi sentar-se.

–Quando essa roupa toda secar, eu vou te ensinar os motivos que me fazem tão feliz por ser quem eu sou e por jamais desistir de continuar seguindo meu caminho. – ele piscou um olho – Além de ser uma das razões por seu pai ter se apaixonado por mim. – Boruto corou.

Alguns minutos depois Boruto esperava ansiosamente a mãe na porta da casa. Não sabia bem o que iria acontecer, mas sua mãe lhe dissera que ele não precisaria ir à Academia naquele dia, pois os dois iriam num passeio especial. Ele ouviu as portas sendo trancadas e então Naruto saiu. Os olhos de Boruto se alumiaram quando viram Naruto usando roupas diferentes.

–Mãe... – ele estava boquiaberto.

–Que foi? – Naruto usava apenas uma calça negra que cobria seus calcanhares e uma camisa de mangas longas de botões aberta. Havia argolas douradas nos tornozelos e nos pulsos.

–Eu nunca tinha visto você desse jeito.

–É porque eu só saio assim quando é noite, quando tenho que fazer algumas missões. – Naruto sorriu e começou a caminhar – Não se preocupe. Sasuke sabe se virar sem mim, então podemos ir e nos demorar um pouco.

–Aonde vamos?

–Só me siga.

Naruto e Boruto caminharam para além das muralhas de defesa de Konoha, subindo algumas colinas até chegar numa floresta enorme e frondosa. Os dois só pararam quando chegaram a uma clareira. Por ali havia os restos de uma antiga cabana de madeira completamente coberta por trepadeiras e musgo.

–Que lugar é esse, mãe?

–Aqui? – Naruto sorriu – Aqui foi onde eu nasci, há muitos anos... Onde a minha mãe e o meu pai deram a vida por mim... Foi aqui que o legado dos Uzumakis findou em uma única pessoa, que sou eu. – o loiro ativou suas argolas, transformando-as em suas luvas e suas botas que emanavam puro chakra – Talvez eu possa passar esse legado para você Boruto, se desejar ser um Uzumaki como eu sou.

O menino ficou aturdido, sem saber o que responder.

–Não diga nada ainda. – Naruto continuou – Deixe eu te contar uma coisa antes. – o menino assentiu e engoliu em seco – Durante toda a minha vida, eu achei que ser um Uzumaki era uma maldição porque eu não conhecia mais ninguém que fosse igual a mim. Mas eu conheci a minha mãe, depois minha família inteira. – ele afagou a barriga.

–Fala de nós?! – Boruto sorriu.

Naruto negou.

–Falo de... – ele suspirou e olhou para cima. Boruto viu nove selos surgirem ao redor da mãe e deles nove criaturas surgiram através deles. Boruto sentiu medo, mas viu o olhar tranquilo da mãe e manteve-se quieto – Dessa família. Boruto, Kurama. Kurama, Boruto.

A enorme raposa se curvou e sorriu para o menino. Boruto mal conseguia piscar com a imensidão daquelas enormes criaturas, eram seres diferentes e cada uma possuía uma quantidade diferente de caudas, sendo que aquela que sua mãe chamara de Kurama tinha a maior quantidade de caudas. Boruto ainda sentia os fortes chakras, como ondas do mar que não lhe deixavam escapar ou se mover corretamente. Ele se aferrou ao braço da mãe e fechou os olhos, imaginando que era daqueles monstros que as pessoas falavam.

–Então esse é um dos seus filhos, Naruto. – comentou Kurama – Ele se parece com você. Acho que é o único que se parece com você.

–Obrigado! – Naruto riu – Boruto. – o menino fitou a mãe – Fique tranquilo. Eles não te farão mal! Deixa eu te apresentar. – um a um ele foi apontando – Meu tio Shukaku, minha tia Matatabi, meu tio Isobu, meu tio Son Goku, minha tia Kokuou, meu tio Saiken, meu tio Choumei, meu tio Gyuuki e minha mãe Kurama!

O menino fez uma breve reverência.

–É um prazer conhecer vocês. Por favor, cuidem de mim.

Todos assentiram.

–Mãe, por que eles vivem dentro de você?

–Porque se eles vivessem sozinhos por aí, pessoas ruins poderiam usar os poderes deles para o mal, como já aconteceu em outros tempos... – Naruto colocou as mãos nos quartos e sorriu, as bijuus retornaram ao seu corpo – Elas são as Bijuus, tesouros da natureza, pura energia!

Boruto arregalou os olhos e a boca, sua mãe era incrível.

–Então eu entendi que não estava só e que por ser um Uzumaki, havia coisas que só eu e somente eu no mundo todo poderia fazer! – ele se sentou no ar e começou a flutuar. Boruto gritou de admiração – Ser um Uzumaki é ser uma força livre da natureza, como as Bijuus! – ele se deitou e saiu flutuando ao redor de Boruto – O chakra de um Uzumaki permite que nosso clã use técnicas do vento e de selamento muito poderosas!

Naruto deu um mortal e com o impulso das mãos, ele subiu alto rodopiando e parando no ar, quase na altura das copas das árvores. Naruto estava de costas e sentia o vento correr por suas roupas. Boruto viu um símbolo na camisa de sua mãe: era o símbolo da amizade e da união que todos os ninjas de Konoha. Mas aquele era o símbolo do clã da sua mãe.

–Ser um Uzumaki é viver no Redemoinho da vida!

Notas finais
Quem entendeu o trocadilho final é fã de verdade!!! o/ Agora... Tretas everewhere! ever!!! Vejo vcs o quanto antes!