Outono Enfumaçado

11 Subsolo, parte 2


Notas iniciais
Aee, mais um capítulo - porque o anterior era pequininin né

Lótus tentava puxar conversa com Smoke, mas não conseguia manter nenhuma. Então de poucos em poucos minutos o silencio aterrorizante voltava e incomodava Lótus de uma maneira única. Depois de se trocarem e saírem do dormitório, Lótus seguia Smoke com alguns metros de distância, não podia ver sua expressão, mas sua aura era triste e depressiva.

Smoke começou a andar mais devagar até parar em frente à entrada do subsolo. Olhou em volta, mas ninguém havia chegado ainda, nem mesmo os oficias. Lótus olhou para a entrada escura, e um frio lhe subiu a espinha.

— Como será lá dentro? — Lótus apenas pensava alto.

— Vamos descobrir. — Smoke segurou a mão de Lótus e a puxou gentilmente para dentro da escuridão, pensou em dizer não, mas algo no rosto de Smoke a assustava, provavelmente o sorriso, que era muito mais que felicidade, talvez determinação.

Desceram as escadas rapidamente, os olhos de Lótus demoram para se acostumar com a diferença de claridade. A umidade incomodava o nariz de Lótus, a fazendo espirrar algumas vezes.

— Shiii. — Smoke repreendeu Lótus, mesmo que de brincadeira.

— Desculpa. — Falou baixinho — talvez devêssemos esperar os outros... — mas pareceu que Smoke não a escutou.

Pensou em repetir o que disse, mas Smoke parou de andar quando chegaram a uma bifurcação. Para esquerda as lamparinas estavam todas acesas, iluminando o caminho constantemente, já para a direita, apenas uma lamparina brilhava fracamente ao longe. Smoke respirou fundo, aquilo parecia uma decisão muito difícil. Virou de frente para Lótus, como se tivesse lembrado que não estava sozinha, segurou Lótus pelo ombro e olhou em seus olhos.

— Lótus, aqui vamos ver a verdade, você entendeu? — Lótus não fazia ideia do que ela estava falando — se você quiser continuar como está agora, é melhor voltar. Você decide o que pensar...

Smoke a soltou e começou a andar de costas para dentro do corredor da direita. Lótus não entendia, pensou em voltar para a superfície. Mas queria saber sobre do que ela falava. Antes que percebesse estava correndo para alcançar Smoke. Viu os cabelos brancos brilharem com a pouco iluminação, ela estava parada olhando para dentro de uma sala, que parecia uma cela, por um vidro escuro.

Se aproximou devagar, um pouco ofegante e olhou para a sala. Perdeu o folego completamente, sentiu seu estômago embrulhar e começou a suar a frio. A sala tinha uma cadeira no centro, e nas paredes haviam pendurados facas, alicates e martelos, de vários tamanhos, e todos eles sujos de sangue, assim como o chão, com poças frescas.

— O que... — Lótus não tinha voz para perguntar. Smoke segurou sua mão, mas não falou nada.

Andaram mais um pouco e se depararam com outra sala, muito mais iluminada e completamente branca. Um homem com avental estava lá dentro, ao lado de uma cama, onde uma criança estava deitada. Lótus percebeu que a criança era um Hibrido Felino, com orelhas felpudas marrons, e o corpo todo enfaixado. A criança chorava e implorava para parar, mas o homem a ignorava e segurava um bisturi, estava prestes a abrir sua barriga.

Lótus começava a entrar em pânico, não aguentava ver, e não queria ficar parada sem fazer nada. A final, era apenas uma criança. Ouviu alguém conversar vindo de além do corredor.

— É melhor voltarmos. — Smoke continuava séria e não parecia surpresa com nada daquilo.

— Mas... — ela não queria deixar aquilo acontecer.

— Não podemos fazer nada Lótus... — ficou decepcionada com Smoke, não imaginava isso vindo dela — não agora. — Lótus então percebeu que ela tinha algo em mente e resolveu aceitar.

Voltaram por onde vieram, Lótus queria continuar em frente e ver as outras salas, mesmo que doesse cada vez mais o coração a cada passo que dava. Saíram do corredor e chegaram perto da entrada, onde um oficial estava parado. Não tinha como se esconder, e elas sabiam que não deveriam estar ali. Smoke foi na frente, de encontro com o oficial que se preparava para repreender as duas.

— O que as duas estão fazendo aqui? — Ele tinha uma voz grossa e assustadora, combinava com aquele lugar.

— Pensamos que estávamos atrasadas para a visita, então corremos para encontrar o grupo, mas não achamos ninguém — Smoke mentia com um sorriso no rosto, mas o oficial não parecia muito convencido.

— Esperem aqui. Vou chamar meu superior. — Ele virou de costas e foi falar com uma mulher ruiva que acabara de entrar no subsolo.

— Lótus, — Smoke falava baixinho — não fale com ninguém sobre o que vimos.

— Certo... — ainda estava um pouco chocada com tudo que vira. Percebeu que a mulher andava furiosa em sua direção — você fala com ela também... — a sua voz falhava e sentia que podia chorar a qualquer momento.

— Pode deixar. — Smoke tinha um sorriso escondido no rosto.

— O que vocês pensam que estão fazendo aqui? — A mulher ruiva gritava com as duas, Lótus olhou para baixo para evitar contato visual, mas Smoke a encarava diretamente — não sabem que é uma área restrita?

— Calma moça. — Smoke falava quase rindo — nós só chegamos até uma bifurcação e voltamos.

— É “Doutora”! — Ela parou e respirou fundo — então vocês não viram... — ela se confortava baixinho. Olhou por cima do ombro, e percebeu que todos os outros recrutas já estavam ali a esperando, então preferiu deixar aquilo para depois. Mandou as duas voltarem para o grupo e tentou prosseguir com a visita.

Notas finais
Espero q estejam gostando o/ até o próximo capítulo