Outono Enfumaçado

4 Recrutamento, parte 4


Notas iniciais
Continuando do capítulo anterior.

(cap anterior) Ela esticou a mão entregando o papel, mas Smoke não podia pegar por estar com as mãos ocupadas garantindo que Lótus não caísse, forçando Lótus a se inclinar para frente e pegar os papeis. Agradeceram à oficial e foram em direção ao dormitório. Smoke não reclamara de carregar Lótus nem um momento, e continuou assim até chegarem a porta da construção. (cap anterior)

— Senhoritas, está tudo bem? — Era uma voz forte e familiar a Lótus, ao olhar, perceberam que era o tenente que havia feito a inscrição de Lótus, Camark — querem ajuda?

— Não, não. Ela é bem levinha. — Lótus ficou um pouco envergonhada com a situação, mas não falou nada.

— Ah, claro. — Ele parecia decepcionado por não poder ajudar — posso ver os papeis? — Lótus o entregou, ainda um pouco envergonhada. Camark ficou surpreso e orgulhoso com o resultado das duas — Muito bem, o quarto de vocês é o J. O jantar é servido as 7 horas, estejam prontas. — Ele pegou dois sacos com uniformes limpos dentro de um armário sem portas — seus pertences serão entregues amanhã de manhã.

— Amanhã de manhã?! — Smoke claramente não espera por isso — eu tenho que tomar remédio a noite...

—Certo. — Ele anotou alguma coisa no papel — providenciarei que seus pertences sejam entregues antes do jantar. — Lótus não podia ver, mas Smoke sorria forçadamente — e senhorita Riverstyle, talvez seja melhor visitar o médico...

— Farei isso, obrigada.

Smoke já havia começado a andar para dentro do corredor. Deixando Camark as observando de longe. Procuravam o quarto J, dando voltas e voltas pelos corredores, seria muito mais fácil se estivesse em ordem alfabética ao invés de aleatória.

Depois de rodarem o alojamento inteiro, se encontraram em seu quarto. A porta estava fechada com a chave pendurada em um prego ao lado. Lótus teria pego, mas antes que pudesse, Smoke a fez, segurando Lótus com apenas uma das mãos,

O quarto era pequeno, com duas camas arrumadas e um armário com duas divisões. Smoke levou Lótus até uma das camas e a colocou deitada. Então se jogou na outra cama, como se estivesse cansada, mas não estava ofegante, apenas mole.

Estava virada para parede, Lótus não podia ver o rosto de Smoke. Queria saber mais sobre aquela misteriosa pessoa. Estava inquieta, mas em silencio, a falta de conversa a incomodava cada vez mais.

— O que foi? — Mesmo sem olhar, Smoke podia sentir a tensão no ar.

— Conversa comigo. — Queria fazer várias perguntas, mas não sabia por onde começar.

— Tudo bem... — Smoke virou o rosto e a encarou, com aquela iluminação fraca da luz que jazia da janela, seus olhos eram mais escuros, quase azuis — por que você entrou para a legião?

— Pelo meu futuro irmão, — ela deu uma pausa, um tanto orgulhosa de si — minha mãe está gravida, e quero que ele cresça sem a responsabilidade de “salvar o mundo”... — ela riu baixinho, Lótus pode sentir os olhos se encherem de lágrimas, mas se forçou a não chorar — E você?

— Eu também estou aqui pelo meu irmão. — O olhar dela era triste — ele foi sequestrado há um ano por.... monstros — ela falou com desprezo — mas eu vou salvá-lo, custe o que custar. — Um frio subiu a espinha de Lótus, algo na voz de Smoke era arrepiante, algo muito maior que determinação, provavelmente, vingança.

— Mas se já faz um ano... — Lótus falou sem pensar, quase chegou a sugerir que ele estava morto e destruir o objetivo de dela.

— Ele não está morto. — Ela olhava para Lótus, mas parecia ver algo muito além — eu sei que não está.

Smoke desviou o olhar para o teto. O silencio intrigante retornou. Lótus sentia suas bochechas queimares de vergonha. Claramente, Smoke estava determinada a encontrar seu irmão.

— Eu vou ajudar... — Lótus queria fazer algo bom e criar um verdadeiro laço de amizade com Smoke — A achar seu irmão.

— Obrigada, Lótus. — Ela deu uma pausa, com um leve sorriso — mas eu já sei onde ele está. — Lótus se sentiu inútil por um momento, queria muito fazer algo para ela — mas você pode me ajudar a salvá-lo, se você quiser...

Lótus pulava de felicidade dentro de si. Finalmente aquilo estava as levando para algum lugar. Antes que Lótus pudesse perguntar mais alguma coisa, alguém bateu na porta. Smoke rapidamente se levantou da cama, abriu a porta, era um homem trazendo as mochilas, tanto de Smoke quando as de Lótus.

Smoke a colou as suas mochilas na cama e começou a tirar algumas caixas de madeira de dentro dela.

— O que é tudo isso? — Lótus perguntou enquanto Smoke organizava as caixas no armário.

— Eu vim de uma família de curandeiros, então tenho remédio para quase tudo... — Smoke olhou para o tornozelo machucado de Lótus — tenho um remédio para dor. Você quer?

Lótus assentiu sorridente. Esperou Smoke encontrar entre tantos frascos o que procurava. Ela tirou um frasco de vidro preto, com um liquido escuro dentro. Smoke desatarraxou a tampa, um fedor podre se espalhou pelo quarto em segundos.

— Dose única. — Ela entregou o frasco a Lótus, que fazia uma careta — não pode cuspir.

Pegou o frasco com cuidado, ele estava quente e o líquido ali dentro borbulhava. Ela engoliu a seco e tomou coragem. Virou tudo na boca. Imediatamente sentiu o gosto amargo do liquido viscoso e quente, queria cuspir e vomitar tudo que não tinha no estômago. Mas antes que pudesse cuspir, Smoke tampou a boca de Lótus com a mão, a segurando com força.

— Engole que a sensação vai passar. — Ela já sabia que isso aconteceria. Lótus não teve outra escolha, e engoliu, o que fez Smoke soltar a boca dela.

— Que nojo! — Ela colocava a língua para fora, nunca sentiu tanta vontade de beber água na vida, Smoke ria dos ataques e tremedeiras exageradas — o que é isso?

— Uma mistura de raízes com sangue de sapo gigante. — Isso apenas fez Lótus se arrepender de ter perguntado — é o melhor para acabar com a dor.

Smoke pegou no tornozelo machucado e começou a mexer. Lótus esperava uma pontada de dor, mas não sentiu nada. Era inacreditável.

— Você não teria uma pomada que cicatriza em segundos? — Falou brincando, mas com um tanto de esperança.

— Serve em algumas horas? — Não percebeu que era uma brincadeira — mas tem que lavar antes.

Em um pulo, Lótus levantou da cama e pegou uma toalha vermelha dentro do armário.

— Para o banho!

Lótus correu, como se seu tornozelo nunca tivesse sido machucado, para fora do quarto em direção ao banheiro – o qual já sabiam onde era, aprenderam enquanto estavam perdidas no dormitório. Ficou surpresa com o tamanho daquele lugar, era enorme, com vários boxes para banho, e lá no final, os lavabos e as pias.

Com uma toalha em mãos, Smoke entrou no banheiro. Viu Lótus fazer sinal para que ficasse no box ao lado do dela. Sem pensar duas vezes, entraram no box e aproveitaram o banho quente e relaxante.

Notas finais
A próxima parada postada será um novo capítulo (ou seja, o capítulo 2). Espero que continuem gostando ^^