Outono Enfumaçado
14 Decisões, parte 2
Notas iniciais
Aki almoçou com seus amigos, mas estava preocupado com Lótus e Smoke, não as via a um tempo. E ainda não teve oportunidade de perguntar o que acontecera no subsolo. Já estava quase na hora dos deveres, então foi até o armazém de armas. Pensou que seria o momento perfeito para ficar sozinho com Smoke, mas ela ainda não havia aparecido. Começou a varrer, um tanto frustrado. Olhou em volta, procurando uma pá.
Foi então que percebeu que não estava sozinho, Smoke estava bem ali, segurando uma pá azul. Uma felicidade incontável nasceu dentro de Aki.
— Oi. — Não conseguia esconder seu sorriso.
— Oi. — Smoke olhava em volta, sem prestar muita atenção em Aki. Percebia as espadas embrulhadas, e vários caixotes marcados como “pólvora” — então é aqui que guardam essas coisas...
— É sim, aqui tem de tudo! — ele andou em volta, levando Smoke mais para dentro, mostrando cada canto — esses aqui são armas de fogo, mas só são usadas para fora da Chapada — apontou para uma caixa aberta — e aqui são os dinamites, se acendessem essa caixa poderiam explodir o dormitório inteiro... — falava animado, esperando que Smoke se impressionasse com todo seu conhecimento, mas ela parecia distante, olhando em volta sem prestar atenção em que falava — Smoke... — o olhar de Smoke o fez perder o folego e deu um passo para trás, como se fosse instinto, algo nela era assustador.
— O que? — Ela espera que ele continuasse a falar, mas ele a encarava fascinado.
— Hum, é.... — Sentiu seu rosto queimar de vergonha, desviou o olhar e continuou a limpar — aconteceu alguma coisa hoje mais cedo?
— Aconteceu. – Aki na verdade esperava que ela negasse, então ficou um tanto surpreso – você entrou na Força só por que era obrigado? – Ela mudou completamente de assunto, mas continuava séria.
— Na verdade não... – Ele queria saber mais sobre o que tinha acontecido, mas preferiu responder primeiro – Entrei para vingar meus pais, – o rosto de Aki havia mudado – Eles foram mortos em uma viagem de uma chapada a outra.... Então para o mundo ser um lugar bom, pretendo exterminar todos aqueles monstros.
— Se não fossem monstros que tivessem matado seus pais, o que você faria? – Smoke o encarava, mas ele não tinha resposta para o que ela perguntara – Você mataria todos os humanos ruins e suas famílias também?
— O que? É diferente! – Ele não conseguia entender onde ela queria chegar.
— É?
— Claro que é! – Ele começou a se irritar – as pessoas sentem, nem todo mundo é ruim!
— Então os monstros não sentem? – Ela não havia perdido a calma – quantos você já conheceu para dizer que todos são ruins? – Smoke sentou em uma caixa de pólvora.
— Como eles podem ser bons?! – Aki gritava, e chegava mais perto – Alias, por que você está defendendo eles?
— Por nada. – Ela abaixou a cabeça e sentiu seus olhos encherem de lágrimas, então olhou diretamente para Aki, ele estava surpreso por vê-la chorar – Eu só pensei que você fosse melhor que isso....
— Mas.... Eu... – não sabia o que dizer, e muito menos por que ela estava chorando – Eu não entendo...
— Exatamente. Você não entende, nada. – Smoke não estava mais chorando, e sim com o rosto sério – você não precisa entender, Aki. Pode voltar para seu mundinho.
Antes que Aki pudesse responder, ou perguntar qualquer coisa, Smoke levantou e foi embora. Aki pretendia segui-la, mas um oficial apareceu para garantir que estavam limpando direito. Acelerou o mais rápido possível para que acabasse e pudesse encontrar com Smoke para conversarem direito.
Fale com o autor