Outono Enfumaçado
10 Cap 4 - Subsolo, parte 1
Notas iniciais
Lótus e Smoke passaram no quarto para pegarem a roupa e a toalha. Ainda riam e comentavam sobre a brincadeira. Lótus esperou estarem completamente sozinhas no banheiro, e escolheu os boxes mais distantes, para poderem conversar em paz.
— Então... — Lótus lavava o cabelo com bastante espuma — Aconteceu alguma coisa entre você e meu primo? — Ficou em silencio, esperando a resposta do doutro lado do box.
— Eu não sei. — Smoke realmente não sabia, estava confusa e feliz ao mesmo tempo.
— Como assim você não sabe? — Lótus estava inquieta. Sentia que não podia conversar sem olhar para Smoke, ela era ótima em saber o que pensavam apenas de olhar, mas tinha uma parede entre elas — destranca sua porta. — Smoke não perguntou porque, apenas obedeceu. Lótus fechou o chuveiro e se enrolou na toalha, ainda com o cabelo cheio de shampoo, saiu rapidamente de seu box e entrou no de Smoke, deixando sua toalha pendurada na porta — O que aconteceu exatamente? — Olhava Smoke nos olhos, mas ela os evitava, um tanto embaraçada.
— A gente quase... — Falou baixo demais para Lótus ouvir.
— “Quase” o que? — Ela estava mais feliz e animada que Smoke, já imaginava o que acontecera, mas queria que ela falasse.
— Se beijou. — Smoke ficou vermelha e colocou as mãos no rosto para se esconder. Enquanto Lótus dava pequenos pulinhos e batia palma.
— É amor!
— Não tem como ser amor, — Smoke ainda estava vermelha — nos conhecemos a menos de dois dias! É impossível!
— Nada é impossível. — Ela entrou em baixo do chuveiro, obrigando Smoke chegar para o lado — é o famoso “amor à primeira vista”. — Lótus fechou os olhos por um instante para tirar o shampoo dos cabelos, e quando abriu de novo, Smoke não estava mais vermelha e com o sorriso no rosto, estava pálida e triste, quase em choque — amar não é uma coisa tão ruim assim... — sentiu que algo estava errado, mas não sabia dizer o que era.
— Você não entende, Lótus. Eu não posso amar. Não agora.
Lótus não sabia dizer se ela estava chorando, ou era apenas água do banho escorrendo em seu rosto. Não entendeu o que ela queria dizer, era algo muito mais profundo do que via.
— Smoke, — ela hesitou por um momento, até os olhos cinzentos se encontrarem com seus olhos claros — vai ficar tudo bem. — Sentia que não podia continuar com a conversa, a cada segundo Smoke parecia pior, precisava trocar de assunto o mais rápido possível, mesmo querendo saber mais sobre o que ela pensava. Desligou a água e começou a se secar — daqui a pouco vai começar a ida ao subsolo, não vamos nos atrasar, certo?
— Certo. — Smoke pegou sua toalha, mas ainda pensava sobre a conversa.
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