Há 3 anos...

Foi fácil descobrir quem o novato era, ele podia não se lembrar, mas quando Robert o trouxe para casa eu rapidamente sem ninguém perceber peguei a carteira com os documentos que estavam em seu bolso. Achei tudo pela internet, desde historico escolar a redes sociais. Ele havia perdido muita coisa, e o que mais me irritava era o fato dele não se lembrar. Ele tinha sorte por isso.

Minha memória como humano era muito embaçada, ainda assim eu lembrava de várias coisas. Meus amigos, e alguns passeios que tive com eles, dos meus familiares e de alguns outros momentos aleatórios. Eu não podia mais vê-los, esse era o preço da imortalidade, a luz do sol eu era totalmente diferente e Robert havia me alertado de que os humanos não poderiam nos ver e existiam formas de punição para quem quebrasse essas regras.

Eu possuo duas habilidades distintas, tenho uma influência sobre a mente, muito parecida com hipnose, posso manipular várias pessoas ao mesmo tempo. A segunda eu podia encontrar quem eu quisesse, em qualquer lugar, não sabia a dimensão desse poder, mas eu podia sentir onde Robert ou Rudá estavam, mesmo a centenas de quilômetros de distância.

Na primeira semana logo após eu ser transformado eu quase destruí uma vila inteira numa cidade esquecida pelo mundo, Robert muitas vezes me continha com o poder que ele possuía, o toque dele era como um veneno paralisante, percorria pelo corpo até seus movimentos tornarem-se mais duros. Ouvi dizer dos outros que ele podia transformar pessoas em pedras e vampiros em cristais.

Os primeiros meses foram difíceis.

Para todos os que eu amava eu estava morto, ambos os venenos de Robert me mantiveram inconsciente por quatro dias, tempo suficiente para que os meus amigos e familiares se despedissem de mim.

Os vampiros do clã eram Robert, o líder, tinha mais ou menos 630 anos, havia nascido na África, sua pele era de mogno, com olhos castanhos claros e com tranças caindo-lhe até as omoplatas. Apesar de muito velho ele nunca deixou de acompanhar a moda europeia, de modo que ele tinha as melhores roupas de todas.

Rudá foi o primeiro humano que ele criou, foi no Brasil em 1626, ele é um índio das tribos Tupi, seus cabelos são totalmente pretos, e os olhos vermelhos com sangue, sua pele morena avermelhada e seus ombros largos e fortes, apesar do meu temperamento difícil, ele era o mais gentil comigo, e não nego que me sentia várias vezes atraído por ele. Ele havia sido escravizado no tempo como humano, toda a sua tribo trabalhava para um senhor de fazenda, Robert odiava o Brasil e o mundo nessa época do ano. A escravidão era muito forte nesse tempo, em uma noite o senhor da fazenda chicoteou Rudá até quase a morte dele, e Robert o transformou, ambos eles tomaram a fazenda e os escravos, eles deram liberdade para todos, e compartilharam as terras que tomaram. Robert conta-me até histórias de Zumbi, muitas das batalhas ele o ajudou a vencer.

As meninas são mais jovens em comparação aos anfitriões do clã, Agatha tem seus 120 anos, nascida em São Paulo, ela não vinha de uma família muito estável pelo que ouvi de Robert, seu pai era alcoólatra e batia constantemente na mãe e nas filhas, em uma noite de descontrole e insanidade ele espancou a esposa até a morte e abusou dela e do irmão mais novo de 16 anos, que ele também espancou, Robert estava passando perto quando sentiu o cheiro de sangue, ele conseguiu impedir o pai de Agatha de matá-la, mas com os ferimentos pouco provável que ela sobreviveria, ele a mordeu e o irmão também, mas ele não sobreviveu ao veneno, seu coração desistiu antes de completar a transformação. Hoje os cabelos loiros dela são como finos fios de ouro que caem ondulados sobre os ombros, os olhos são amendoados, mas intensos, seus traços são provocantes, as curvas de seu corpo definidos, a pele branca como porcelana e os lábios cheios e rosados.

Bruna nasceu em 1970, na cidade do Rio de Janeiro, é alta e forte, os cabelos são negros e crespos, seus lábios carnudos, sua pele é um tom mais baixo do que a de Robert, seus bustos são cheios, e suas curvas também maiores do que em comparação a Agatha que sempre diz ter inveja do corpo dela, em questão de força física ela é a terceira mais forte, pelo menos até eu e o Novato não sermos mais recém criados. Pelo menos me contento com a expectativa de que continuarei sendo o mais rápido e ágil entre todos. Bruna havia sofrido um acidente na praia, envolvendo um grupo de vampiros, lugar errado, hora errada, mas eram vampiros criados pelos rivais de Robert, ele os matou e a transformou. Ela é grata a ele desde então.

Nicole é também do Rio, ela voltava pra casa logo depois de uma jornada de trabalho, ela foi assaltada e recebeu três tiros, Rudá a encontrou enquanto caçava, ele se apaixonou por ela no mesmo instante, ele descrevia o cheiro dela e do sangue como o mais puro vinho, eles hoje formam o único par amoroso dentro da casa. Os cabelos são castanho, os lábios rosados e finos, e tem o rosto redondo, ela não passa dos 1,60m, ela se torna um gnomo perto dos 1,93m de Rudá.

Eles estavam juntos há tempo demais, eram como uma família, haviam outros que Robert tinha criado, estavam todos espalhados pelo Brasil e pelo mundo, diante da nossa situação eles estavam voltando logo para casa. Aquilo me deixava com raiva, vê-los felizes. Eu não tinha isso, as pessoas que eu amava ainda eram humanas, pedi uma vez para Robert me acompanhar apenas por alguns minutos para vê-los. Eu tive vontade de matá-los, de tomar o sangue. Aquilo me destruiu. Robert disse que com o tempo eu ganharia controle e tolerância ao sangue.

— Você está bem? — A voz de Robert me seguiu até o lado de fora da casa.

— Do que importa? — Respondi ríspido com a face fechada.

— Importa muito. Você é um membro da nossa família agora, todos que estão lá dentro se importam com você.

Eu apenas bufei.

Ele ficou em silêncio por algum tempo.

— Não quero que se importem comigo, não fiz nada para que se importassem.

— Não, você não quer, mas eles importam-se do mesmo jeito, eles gostam de você. Ainda é cedo demais para desistir, você ainda é um recém criado como o Lucas, é normal sentir essa sede, principalmente com pessoas que você tinha mais apego quando humano. Mas as coisas vão melhorar. — Robert disse tentando me confortar, mas suas palavras também eram feitas de veneno, se eu ouvisse demais, acabaria entorpecido.

— Eu vou dar uma volta.

— Estaremos aqui esperando o seu regresso. Não vá muito longe.

A floresta era um lugar bom para correr e ser quem eu era. Eu tinha total liberdade aqui. Corri entre as árvores, saltando de galho em galho. Percorri quilômetros em minutos, até os animais eram atrativos para mim, a viagem até a amazônia me mostrou isso, a sensação de quase satisfeito conseguiu me segurar o suficiente para não causar uma matança. Me alimentei de seis ou sete moradores de rua e evitei usar os meus poderes para manter minha sede de sangue sob controle.

No norte conhecemos duas vampiras, Zena e Zafrina. Elas eram muito habilidosas e corriam como espíritos das florestas. Eu aprendi mais sobre como os povos indígenas viam-nos. Demônios em pele branca, bebedores de sangue e que caminhavam ao lado da morte. Aquilo era muita fantasia para mim e eu tinha gostado.

Eu comecei a caminhar muito lentamente quando escutei um som que me pegou de surpresa. Em menos de meio segundo fiquei alerta, poucas coisas me pegavam de surpresa, meus sentidos estavam a mil. Tinha alguma coisa na mata, não era animal ou humano, eu teria sentido o cheiro, mas o que tinha no ar era diferente.

Consegui virar a tempo e desviar daqueles braços tentando me agarrar.

Um outro vampiro.

Alto e forte, os cabelos loiros presos num rabo de cavalo de guerreiro, os olhos vermelhos ameaçadores, seu corpo estava apenas vestindo uma camisa regata branca, uma calça jeans rasgada e uma bota urbana de couro.

Eu coloquei-me em posição ofensiva, com base nos meus anos de basquete, que chama-se tríplice ameaça. No caso do jogo é uma posição onde o jogador com posse da bola toma uma alguma tática ofensiva onde ele pode arremessar, passar a bola ou driblar o adversário. No meu caso era atacar, defender ou correr. Eu não tinha nenhuma experiência em lutas contra outros vampiros, apenas sabia que a minha força e velocidade de recém criado me dava uma leve vantagem.

Seus lábios estavam sorrindo, de um modo que apesar de não ser o momento oportuno, sexy. O rosto jovial e brincalhão me hipnotizaram por um momento. Na minha distração ele avançou, levantei o braço em defesa e fui arremessado contra uma árvore a alguns metros de distância, minhas costas bateram com força e trincar da árvore ecoou pela floresta. Me recuperei sem nenhuma dificuldade e o vampiro ficou intrigado.

Eu avancei dessa vez, tentando acertar algum golpe de artes marciais que fiz enquanto ainda era humano, ele desviou com destreza. Eu só precisava acertar um golpe. no intervalo em que eu disparava os socos ele agarrou meu ombro, seu joelho levantou para atingir meu estômago, bloqueei com as minhas mãos, segurei seu braço e dei um giro com seu pescoço em minhas pernas, ambos caímos e eu apliquei uma chave de braço. Ele era forte, mas eu não tive problemas para manter o golpe e puxar mais o seu braço. Quanto mais eu aplicava o golpe, mais alto ficava o som de porcelana sendo partida, então veio o primeiro estalo, e em seguida o braço quebrado se desprendeu do corpo. O vampiro uivou, imagino que nem mesmo nós estaríamos livres de dor.

— Seu bastardo! — Ele gritou. — Eu vou arrancar a sua cabeça.

— Com uma mão só? Nem com as duas conseguiu lidar comigo, bonitão.

Ele correu até mim, usei o pedaço do seu braço que estava segurando como arma e acertei seu rosto, ele virou e rapidamente acertei um chute na dobra do joelho, ele caiu e com um giro apliquei outro chute, dessa vez pegando no rosto, e novamente ouvi o estalo de porcelana. Ele se ergueu cambaleante com a faça rachada.

— Você não ia arrancar a minha cabeça? — Zombei dele com uma gargalhada.

Eu corri para acertá-lo com o golpe final, eu não de onde veio, mas ele me acertou, derrubou-me no chão e pressionou seu joelho contra a minha garganta enquanto sua única mão empurrava minha cabeça com a intenção de arrancá-la. Eu tentava revidar, mas nada funcionava e eu podia sentir meu pescoço sendo rasgado e o mesmo som de porcelana quebrando saindo de mim, minhas forças estavam quase acabando quando ouvi aquela voz familiar gritar.

— Parem! Parem já! — Robert gritou. — Ele é um dos meus, Abraham!

Então esse era o nome dele?

Imediatamente senti meu pescoço e peito deixarem de ser pressionados, e a sensação foi de que meu pulmão estava recebendo ar novamente, apesar de eu não precisar mais respirar. Robert veio até mim e colocou-me sentado, seu toque foi tranquilizante. Ele olhou nos meus olhos que estavam confusos.

— Você está bem? — Perguntou ele com a voz tênue.

— Sim. Estou bem. — Ele me estendeu a mão e fiquei de pé, senti todas as minhas forças de volta. Olhei para o outro vampiro... Abraham. — Quer um segundo round?

— Não. — Robert respondeu por cima. — Houve uma mal entendido aqui. Abraham, esse é Vinícius, um recém criado. Ele está comigo. E, esse é Abraham, um grande amigo que veio num tempo de necessidade.

— Você não treinou ele bem, não é? Ele luta como uma menininha. — Abraham disse tentando me provocar.

— Obrigado, lutar como uma menininha é uma honra. Já você luta como um pedaço de bosta. — Abraham resmungou algo inaudível, mas sua expressão mostrou bem que o ofendi.

Ele me fuzilou e avançou o corpo a alguns centímetros.

Robert empurrou meu peito quando percebeu que fiz o mesmo.

— Vai uma mãozinha? — Provoquei mais.

— Chega! — Robert disse com autoridade e não consegui manter o riso no rosto. — O que houve aqui? Por que essa provocação toda?

— Ele me atacou, a culpa é dele! — Eu acusei. — Eu tava parado na floresta e ele apareceu todo ameaçador e me atacou.

No mesmo instante Abraham se recompôs, caminhou até o braço que ainda estava no chão o pegou e colocou onde era o lugar dele. No mesmo instante o membro se uniu ao corpo, como se ele nunca tivesse sido arrancado dali.

— Perdão Robert, não sabia que a criança era sua. Pensei que era um dos Hill. — Ele se desculpou.

E quem ele havia chamado de criança?

— Os Hills estão por perto, mas não viriam tão longe. De qualquer forma parece que tudo já foi esclarecido. — Ele disse para ambos e depois voltou a olhar para mim. — Peço que volte e encontre com seus irmãos.

Eu fiquei irritado, um cara do nada surge e ganha toda a atenção de Robert, um amigo de longa data?!

Voltei furiosos para casa sob a lua e as estrelas. O céu era diferente aos meus olhos agora, mesmo com as lembranças humanas não serem tão limpas. A lua tinha mais detalhes do que eu podia me lembrar, e as estrelas eram mais brilhantes, talvez fosse por causa de não ter a interferência das luzes da cidade, e nesse momento eu reparei que eu estava tão obcecado pelo sangue humano e pela caçada que nunca havia reparado no céu quando ia para São Paulo. Nunca consegui ver as luzes mais brilhantes.

Com a minha raiva eu sobrei a velocidade com que corri e cheguei em um intervalo de tempo menor do que na ida. O Novato, ou Lucas como ele agora se identificava estava na porta e assim que me viu acenou. Revirei os olhos mentalmente, soquei meus punhos nos bolsos da calça e fui ao seu encontro. Fiquei encarando ele por algum tempo.

— O que foi? — Eu disse erguendo a sobrancelha incomodado com o silêncio que ficou entre nós.

— Eu queria pedir um favor para você. — Ele começou dizendo. — Agatha disse que você é um rastreador, que pode encontrar qualquer pessoa em qualquer lugar.

— A Agatha fala demais. E, sim, eu posso encontrar. Deixa eu adivinhar. — Eu disse tirando as mãos dos bolsos e cruzando-os em seguida. — Você quer que eu encontre alguém.

— Sim. — Ele disse tímido, olhando para os lados. — Eu não mostrei isso aqui pra ninguém, e eu gostaria que ficasse em segredo...

Do bolso da calça ele tirou uma foto, era de um garoto, cabelos loiro puxado para o cobre, olhos amendoados e claros, a foto estava desgastada demais para perceber qualquer outro detalhe, havia uma capela ao fundo. Um cenário de qualquer cidadezinha do interior.

— Eu não posso simplesmente procurar por essa pessoa, eu tenho que ao menos saber quem é, ter visto e criado algum tipo de conexão, sentir o cheiro ajuda, mas é mais sobre a mente da pessoa. Eu vou ver o que eu faço por você. Mas eu quero algo em troca, é claro. — Lucas claramente ficou desanimado com a minha explicação do meu dom, suas feições perfeitas murcharam.

— Tudo bem. Eu acho que esse é o outro menino, o da outra inicial.

— E por que acha isso? — Eu indaguei.

— É só olhar atrás da foto, está muito apagado, mas é claramente um nome, e começa com W.

— Interessante. — Eu olhei atrás, as letras estavam desgastadas, com apenas Wil aparecendo. — William, Wilson... uma infinidade, mas eu vou ver o que eu posso fazer.

— Obrigado, Vini.

Levantei os olhos quando ele me chamou por Vini, a muito tempo ninguém me chamava assim, os vampiros daqui eram velhos demais para me chamarem assim. Uma pequena parte de mim ficou mais alegre por ter alguém que talvez eu quisesse me aproximar.

Algumas horas depois Robert retornou, e não apenas com Abraham, outro vampiro e um casal o acompanhava.

Eu estava em cima do galho de uma árvore quando ele me avistou e pediu que eu desce as boas vindas aos recém chegados.

— Venha, esses são seus outros e novos amigos, fazem parte da família.

O casal era alto, a pele pálida, a mulher tinha cabelos ruivos e lisos, num corte chanel, usava uma jaqueta de couro marrom com uma camisa branca por baixo, uma calça preta e uma bota de cano alto de couro com fivelas. O homem era maior, do mesmo porte de que Robert, sua pele era castanha e estava com o peito nu. usava uma calça rasgada e eu estava odiando os vampiros aderirem a moda destroyer, seu cabelo era preto e com corte curto.

O outro era um garoto, não tinha a aparência de ter mais do que 16 ou 17 anos quando foi transformado, ele tinha a minha altura, magro, mas com músculos bem trabalhados, seu rosto era quadrado, e seus olhos castanhos claros, caídos e doces. Sua pele era clara e as bochechas rosadas, o cabelo era preto, cacheado e volumoso. Os lábios eram finos, com curvas sinuosas nos cantos dos lábios. Além de seu cheiro natural, eu sentia um perfume amadeirado vindo dele, o seu olhar era intenso, mas delicado, como se ele conhecesse todas as regras e barreiras que eu impunha sobre mim, ficando a distância certa. A sua roupa era a melhor entre todos, uma calça de sarja bege, uma camiseta vinho e uma jaqueta jeans, ele tinha pulseiras e um colar de sol ornado a ouro. Eu fiquei estático quando o observei e todos os outros começaram a rir.

— Com esse eu não precisei de muito. — Ele se aproximou de mim e segurou o meu rosto. Ele colocou o dele em paralelo ao meu e cochichou em meu ouvido. — Você é uma pequena ovelha. — Seu toque me tirou as forças, seu hálito em minha orelha e pescoço me congelaram, e sua voz doce me cortou em pedaços, ela tinha um tom seguro, assustador e tentador, por um momento eu pensei ter perdido a consciência e vacilei. Ele me segurou com os dois braços e me ergueu.

— Deixe o menino em paz. Dan. — O homem alto se apresentou — Prazer, Lucan. — Ele fez uma pequena mesura levando a mão ao peito. — Essa é Nina e o rapaz segurando você chama-se Daniel. Abraham você já conheceu...

Eu não conseguia falar, e engasguei com as minhas palavras.

— Eu me chamo Vinícius.

Daniel deu um sorriso discreto com os lábios, mas encantador.

— Prazer, Vinícius.

— O prazer é nosso por conhecer você. Vamos entrar? — Ele me soltou e o encanto que ele tinha sobre mim desapareceu, de repente ele não era mais um anjo perfeito. Ele era apenas mais um vampiro perfeitamente esculpido.

Nós entramos e a ruiva se aproximou de mim enquanto os outros iam até Lucas, e o Robert fazia as apresentações.

— Você não precisa ficar assim, como se seu coração estivesse despedaçado. O Dan tem um poder sobre a mente, como se fosse um feromônio. Ele se torna atrativo para quem ele quiser. O cheiro muda, o toque, o olhar, tudo pra atrair a pessoa ou... a presa. Ele pode jogar esse poder em alguém e a intensidade aumenta exponencialmente. — Ele tocou meu ombro com complacência.

E então entramos.

Incrivelmente todos estavam presentes, e Robert parecia fazer um pronunciamento.

— Vocês devem estar se perguntando por que os reuni aqui. Principalmente os mais novos. — Robert olhou para mim e Lucas. — Acontece que não somos o único clã próximo a cidade, e recentemente uma extensa série de assassinatos e desaparecimentos estão acontecendo. — Eu, Lucas, Nicole e Bruna nos entre olhamos.

— Mas como isso é possível? Não há nada nos noticiários. — Nicole disse surpresa.

— Eu estou abafando o caso junto com o conselho. Os Hill estão criando um exército de vampiros recém criados. Uma tática antiga de conquista de territórios entre os clãs de vampiros.

— Nós temos que dar um jeito nisso antes que as informações vazem e a Itália fiquem sabendo sobre o caso. Não queremos a intervenção deles. — Lucan disse cuspindo as palavras.

— Itália? — Lucas indagou.

— Existe um clã de vampiros que fiscalizam as nossas leis a fim de proteger e esconder a nossa raça do conhecimento humano. Os Volturi. Eles mantém a ordem e punem quem quebrar essas leis, nós não temos uma relação muito boa com eles e...

— Você não tem. — Eu cortei a fala. — E você quer que lutemos contra esses Hill.

— Sim. — Robert afirmou. — Eles estão em maior número, mas temos mais dons do que eles e pretendo usar isso para acabar com essa matança e terminar de uma vez por todas com eles.

— Eu e o Lucas não sabemos lutar contra vampiros.

— É, sabemos bem. — Abraham disse debochando com um sorriso.

— Eu só sei arrancar braços e usar como esporro pra bater em babaca. — Disse fuzilando-o com os olhos e vendo usa expressão de raiva tomar conta da sua face cristalina.

Os outros riram.

— Abraham irá ensinar-lhes. — Robert disse e antes que eu pudesse protestar ele continuou. — Se vocês tem alguma desavença que resolvam logo, temos uma guerra para lutar e precisamos estar unidos. Nicole e Bruna também iram ter treinamentos, enquanto isso os outros irão procurar e obstruir qualquer recém criado que encontrarmos pela frente.

Todos pareciam concordar com o que Robert dizia. Todos se comportavam da mesma força com relação a Robert, todos pareciam seguir suas ordens. Não, era mais do que isso, todos pareciam demonstrar algum tipo de gratidão e lealdade por ele. Por um vislumbre de momento vi Robert de uma maneira diferente. Senti um calor irradiar dele, mesmo sabendo que estávamos mortos.

Notas finais
Espero que estejam gostando, comentem o que vocês acharam do capítulo, o feedback de vocês me incentiva muito em continuar a escrever.