Our Family | NamJin
8 VIII - Seokjin: Covinhas deveriam ser ilegais.
Notas iniciais
2007
Com dezoito anos, Jin se sentia bem resolvido. Ele tinha um apartamento bem localizado, um emprego como ajudante na biblioteca pública e começaria na faculdade em algumas semanas.
Mas como nada é perfeito, a vida amorosa do garoto ia de mal a pior. Inclusive, nesse exato momento, Jin estava sentado em um café lotado pelo frio lá fora, em um canto com um livro na mão. Fazia meia hora que estava esperando por quem quer que fosse que sua amiga tinha arranjado para ele, e já havia se contentado com o óbvio pé na bunda que levara. Agora se preocupava apenas em tentar ignorar o barulho inevitável no local e se concentrar na história que lia, mas sinceramente, sua mente estava tão embaraçada que pouco se importava com o enredo da história.
Suspirou, deixando o livro de lado e se concentrando no café a sua frente. Ele não gostava de café preto, na verdade, mas sua alma artística diria que aquele café amargo deveria ser tomado para complementar a amargura que sentia. Suspirou novamente. Jin era um romântico tentando achar outro, mas parecia ser tão difícil, principalmente quando o leque se estendia apenas para garotos. Realmente estava fazendo uma tempestade em copo de água, mas não se importava com aquilo.
Deixara de se importar com muita coisa depois de seus 16 anos.
Seu telefone tocava, e ele o atendeu impaciente, já imaginando quem seria:
—Lalisa, não é a melhor hora pra você me ligar – disse quando atendeu.
—O que é esse mau humor todo, Jin oppa? O seu encontro não deu certo?
—Nem encontro teve. Ele não apareceu.
E os próximos dez minutos a garota passou se desculpando e tentando convencer o rapaz a acompanha-lha em uma batalha de rap. Ele até tentou recusar, porém a garota sabia dos pontos fracos de Jin, um deles sendo “eu sou nova na cidade e você é meu único amigo!”, o que estava longe de ser verdade, mas nesse ponto o mais velho desistiu e aceitou de qualquer maneira.
Ele não sabia que iria agradecer aquela noite pelo resto da eternidade.
Eles chegaram atrasados, e a primeira batalha já tinha acontecido. Lalisa o puxou pela multidão, até que estivessem praticamente na frente do palco. Jin sempre dizia que para se apaixonar ele levava algum tempo, mas ali foi automático. Os dois rapazes em cima do palco eram impressionantes, porém tudo o que Jin via eram a boca cheinha e as covinhas que apareciam enfeitando um sorriso debochado, dois detalhes que seguiriam correndo pela mente do rapaz pela semana inteira, além dos pulmões que eram aparentemente feitos de ferro. Não era a toa que seu apelido era Rap Monster.
Uma semana inteira se passou, e o garoto não saia da mente de Jin. Ele não sabia mais nada do rapaz, apenas que ele era lindo, e que na primeira oportunidade que teria, voltaria para onde a batalha de rap acontecera, na esperança de encontrá-lo novamente. Estava no mesmo café, com o mesmo livro, mas agora com o café adoçado do jeito certo e realmente prestando atenção no enredo da história. Tanto que não viu o quanto o café lotou e que alguém queria falar com ele. Na verdade, era o dono do café, que vinha acompanhado de um rapaz alto.
—Me desculpe senhor, mas poderíamos ter este rapaz aqui sentando na mesma mesa que o senhor?
—Claro, sem problemas – Jin sorriu para os dois, e logo o dono do café se retirou enquanto o rapaz se ajeitou na frente de Jin, sorrindo nervoso para ele.
Droga, ele tinha covinhas também.
—Desculpe por isso – disse ainda sorrindo – Sou Namjoon, Kim Namjoon.
—Olha só que coincidência, meu sobrenome também é Kim. Kim Seokjin.
—Bonito. O seu nome, eu digo – ele foi rápido em se corrigir e Jin apenas riu.
—É já me disseram isso.
Namjoon riu também. Era difícil ele se sentir confortável perto de qualquer um, até mesmo seus melhores amigos, mas com o garoto, parecia fácil.
—E então, o que faz por aqui? – o garoto perguntou, abrindo a mochila que carregava e tirando de lá um caderno e caneta.
—Vim entregar uns papéis que precisava para a minha matrícula – Jin apontou para o prédio gigantesco perto do café – Konkun.
—Artes cênicas?
—É. Não exatamente o que eu queria, mas faz bem ter um diploma.
—Então você é meu hyung – Namjoon sanou suas dúvidas. – Eu tenho dezesseis.
—Você é alto para sua idade, garoto! – o mais velho riu – Tenho dezoito.
—Eu imaginei – Namjoon abriu um sorriso de covinhas – Gosto de conversar com você, hyung.
—Eu também, e olha que isso não é fácil – Jin sorriu doce – Deveríamos manter contato.
Um silêncio confortável reinou sobre a mesa, mas foi logo quebrado por um ofego surpreso de Jin. Ele olhou de relance para o caderno em que Namjoon escrevia, e viu ali o nome que rodava sua mente por toda a semana.
—Você é o Rap Monster? – indagou, fazendo o outro olhar para ele surpreso.
—Você conhece o Rap Monster? Desculpe-me, mas não me parece alguém que eu veria em uma batalha de rap.
—É por que não sou. Eu fui apenas uma vez, semana passada e, bom, você é impressionante.
Namjoon riu, ficando envergonhado. Ele olhou para a folha em que escrevia, com a palavra Cypher perto de seu nome artístico. Sabia que tinha visto Jin antes, mas não achou que, em todos os lugares possíveis, seria na batalha da semana passada. Ele tinha acabado de se recuperar de uma virose, não fora sua melhor noite.
—Eu me lembro de você. Estava com uma garota, não é? – perguntou curioso. Ele estava obviamente interessado, mas sabia que as chances daquele garoto ser gay, ou ao menos bi, como Namjoon mesmo era, eram pequenas. – Sua namorada é linda.
—Lalisa? Não, Namjoon-ssi, ela é minha melhor amiga! – Jin riu da expressão do outro, que se via corar – Lisa é com uma irmã pra mim, e nem se eu quisesse poderia sentir alguma coisa por ela, porque eu... – ele se interrompeu. Mal conhecera o garoto e já iria sair do armário para ele, era algo inaceitável.
—Bom, sendo assim – Namjoon tomou coragem, olhando para seu hyung, que o olhava de volta curioso – Aquela não foi minha melhor noite, Jin-ssi. Por que você não vem comigo hoje à noite, ver o que eu posso fazer?
—Claro... Mas isso é um encontro? – Jin se viu obrigado a perguntar.
—É um se você quiser que seja.
~~*~~
—Jin oppa, por que essa ligação do nada? – Lisa pediu assim que atendeu.
—Yah, não posso simplesmente ligar para a minha melhor amiga?
—Poder pode, mas você nunca liga. O que quer?
—Não sou assim, Manoban! – Jin revirou os olhos – Mas eu preciso de ajuda pra escolher uma roupa.
—Eu sabia! Espera, você tem um encontro e não me disse? Com quem?
—Você conhece o Rap Monster?
~~*~~
O local estava definitivamente mais barulhento que da outra vez. Namjoon tinha conseguido um lugar para os dois perto do palco, onde, já que ninguém estava batalhando nesse momento, músicas tocavam num volume praticamente ensurdecedor. Jin estava esperando ali pelo mais novo, que tinha ido buscar algo para ambos beberem.
—Espero que você não esteja se alcoolizando, Kim Namjoon – ele exclamou em tom brincalhão quando o mais novo se aproximou. Jin se considerava um amante da cor rosa, mas definitivamente estava começando a gostar do preto, principalmente se Namjoon estivesse o usando. O garoto trajava calças skinny pretas, combinadas com botas da mesma tonalidade e uma espécie de blusa de moletom, preta também, com as mangas erguidas na altura dos cotovelos. – Você fica muito bonito de preto.
—Obrigado, hyung – abriu um sorriso com as covinhas que Jin adorava. – Não posso dizer outra coisa sobre você.
Lisa definitivamente estava em uma fase escura, já que a garota tinha vestido seu oppa em calças também skinny rasgadas, um moletom preto e sobretudo, além de óculos escuros e botas para combinar. Era esquisito estar todo de preto, já que Jin sempre dava um jeito de incrementar o rosa nas suas roupas, mas ele se sentia bem.
—Não vá me deixar sem graça, saeng!
—Não é essa minha intenção, eu juro.
E eles continuaram nessa conversa tranquila, que fluía com facilidade, até que alguém chamou Namjoon para o backstage, o que aumentou a ansiedade de Jin para ver Rap Monster novamente em ação. E com certeza não se arrependeu.
De alguma forma, conhecer Namjoon fora dos palcos e saber como ele realmente é, sem todo aquele personagem que interpretava nos palcos fez com que o mais velho admirasse ainda mais seu dongsaeng.
—E então? – Namjoon perguntou quando voltou da apresentação – Melhor do que semana passada, claramente!
—Você é impressionante, Namjoon, de verdade! – Jin riu, tentando ignorar o fato que a voz do rapaz estava rouca, e isso era uma de suas maiores fraquezas.
—Que tal nós irmos comer alguma coisa fora daqui? – o mais novo sugeriu, mas não teve oportunidade de receber uma resposta, já que sentiu alguém o cutucando rudemente, e ele sabia exatamente quem era. Virou-se lentamente – Zico.
Seokjin reconheceu o rosto bonito, mas nada feliz. Era o garoto com quem Namjoon tinha batalhado.
—E então, de novo o k-idol me ganhou – disse claramente debochando. – Quem você acha que é, hein?
—Eu não sei, você que me diga. Eu estou bem quieto aqui, cara – Namjoon disse na defensiva. Sabia o quanto Zico poderia ficar alterado, e os dois já tiveram desavenças antes, principalmente por algumas opiniões divergentes.
—Olha o jeito que você fala comigo – o outro praticamente cuspiu – você pode ser o protegido do Bang, mas ele não pode te ajudar sempre, não é?
—Zico, cara, você não tá no seu normal e eu tô ocupado, a gente pode resolver isso outra hora? Em cima do palco, por exemplo? – Namjoon tentou negociar, e Jin se viu surpreso novamente. Ao que parece aquilo era comum.
—Tá ocupado é? Por acaso as duas bixinhas estão em um encontro?
Essa palavra fez Seokjin tremer. Mais que uma vez, o xingamento veio junto à punição física para ele, e apenas ouvir aquela palavra o fazia se encolher.
—E se estivermos? Qual é o problema? – o mais novo ainda os defendia, o que era incrível.
—E você se considera rapper. Rappers de verdade não são doentes como você, k-idol.
—Escuta, eu não tenho paciência pra você hoje, Zico, nem um pouco. Quem sabe ao invés de vir tentar me ofender, você não vai melhorar suas rimas e ai pode ser que você me ganhe. Que tal?
Com isso, Namjoon puxou Jin delicada, mas rapidamente para a saída. A noite estava fria, fazendo os dois ajustarem suas roupas para os protegerem. Sem saber exatamente para onde, começaram a caminhar.
—Desculpe por isso, hyung – o mais novo pediu tristonho, e Jin acenou negativamente.
—Você não fez nada a não ser dar uma lição para aquele cara. Não tem o que se desculpar Joonie.
—Ele estragou nossa noite – um biquinho involuntário se formou nos lábios de Namjoon, o que fez o mais velho rir.
—Não acho. Olha, meu apartamento é perto daqui, o que acha de irmos pra lá e pedirmos aquela pizza, hein?
O destino trabalha em formas estranhas, eu diria. No momento em que Namjoon aceitou aquela proposta, não sabia que estaria criando uma tradição com o rapaz, e também não imaginaria que, quatro anos depois, pediria Jin em casamento naquele mesmo apartamento.
Em formas estranhas, de fato.
10 anos depois
—Hobi, leva os copos pra gente, por favor? – Jin comandava – Yoongi, amor, você se importaria de dar uma olhada nos gêmeos? Jungkook-ah, coloca a camiseta direito, filho!
Ele se agachou na frente do menino de seis anos, o ajudando a colocar os braços no lugar certo. Depois disso, o garotinho saiu correndo para a sala, deixando Jin e Namjoon sozinhos na cozinha, com as duas caixas de pizza que tinham comprado.
—Isso me lembra de algo, você também lembra? – Namjoon pediu, acenando para a pizza, e o mais velho sorriu.
—Claro que sim. Como eu ia esquecer a noite em que conheci o amor da minha vida?
Isso fez Namjoon abrir um sorriso, mostrando as covinhas de Jin tanto amava.
—É tão bom ouvir você dizendo isso. – ele se aproximou de seu hyung e o abraçou pela cintura. Jin deitou a cabeça no peito do mais novo e suspirou contente. – Eu te amo muito, Jinnie.
—Eu te amo também, Joonie. Você e essas covinhas irresistíveis.
“Você foi um engano que um anjo deixou para trás? Ou foi um beijo profundo? Essas covinhas são ilegais, mas eu as quero do mesmo jeito.”
Dimple – BTS
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