Otaku Party
5 Capítulo 5
Na saída da escola, Katherine convidava os meninos para ir ver um filme.
— E aí, garotos, querem ir assistir um filme de anime lá em casa?
— Mas eu to desanime… — disse Joseph.
Katherine não sabia que expressão fazer, nem o que falar.
— Olha, eu até iria, mas seus pais provavelmente iriam falar “Oh, Katherine, esse namorado que você arrumou é muito lindo! Quando será o casamento de vocês?” Enfim, não quero arrumar confusões. Eu sou comprometido. Com a Laura.
“Ele ainda está pensando nela?”, Katherine pensou, mas o que ela falou foi:
— Como você é convencido, Paul. Então, Edward?
— Eu vou sim. Que filme vamos ver?
— Summer Wars. Faz tempo que eu quero ver esse.
— Ooh, esse filme é muito bom! — disse Paul — vocês vão gostar!
— Outro dia eu vejo sozinho, então — disse Joseph.
— Chame a Yuuka. Ou aquela sua amiga, a Giulia.
— A Giulia tem namorado, e não acho que a Yuuka vai querer ver meu irmão tão cedo.
— Vamos então, Ed? — Katherine pegou nas mãos dele.
— Então tchau, pombinhos apaixonados! — Paul disse em tom de brincadeira, mas na verdade estava com uma sensação horrível na barriga de deixar os dois irem sozinhos.
Na confortável casa de Kat, vendo as cenas intrigantes do filme, Ed se lembrava daquele momento. Por alguma razão, é o que tinha ficado em sua mente. O momento em que Katherine pegou em suas mãos e correu dos outros otakus. Por alguma razão, ela foi o caminho inteiro até sua casa — que era perto, iam a pé — de mãos dadas. Edward não sabia se aquilo significava alguma coisa. Era difícil entender os sentimentos de Katherine. Não dava para descobrir facilmente se ela tinha alguma segunda intenção.
Edward olhou para a amiga, ao que ela também olhou, logo ele olhou de volta para a TV numa tentativa de disfarçar. Ed nunca havia tido uma namorada. Ele é do tipo que nunca se declararia ou pediria alguém em namoro, mas provavelmente aceitaria se fosse pedido. Ele aparentava não ligar muito para sentimentalismos, mas na verdade, era uma pessoa frágil por dentro — lado esse que provavelmente ninguém além dele mesmo conhecia. Teria medo de se apaixonar e se frustrar com o resultado se não desse certo. Então tentava evitar se apegar muito a alguém.
Katherine comia pipoca, sentada com as pernas no sofá, e Ed comia de uma bacia menor, sentado no chão. Ed tentava lembrar da última vez que ele segurara nas mãos de uma garota, mas a memória falhava. Ousou por um momento pensar num possível romance com Katherine. A primeira conclusão que chegou era que Paul não gostaria daquilo. Nem um pouco. Era melhor descartar a possibilidade.
Katherine era o maior mistério do grupo. Ninguém sabia se ela já tinha namorado alguma vez ou não. Paul já tentou perguntar, várias vezes, mas ela se recusa a responder. É claro que ele perguntaria, ele necessita saber se seu amor impossível é puro e inocente como a imagina.
Assim, o filme ia chegando ao fim. Katherine assistia com um ingênuo sorriso, enquanto Edward pensava se ela tinha ou não algum intento escondido em assistir filme com ele. Mas não é fácil saber os sentimentos de Katherine. Ela é o mistério do grupo.
— E aí, gostou do filme? — perguntava Katherine, como quem não queria nada.
— Sim, ainda mais com sua companhia — respondeu Ed, logo se arrependendo de ter o falado.
— Haha, não me diga que você também é apaixonado por mim, Ed. Vocês garotos, viu… Nunca vou entendê-los...
E então, não foi naquele dia que um novo casal se formou, entre os Alquimistas.
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