Naquela dia, Paul estava animado. Mais animado que o comum. Não via a hora de chegar em casa. Ele estava perto. Próximo demais. Quase no final. Estava quase completando o que ficara por meses trabalhando.

Viu os amigos na saída e logo ia se despedindo, sem conversar muito. Mesmo à Katherine não deu atenção.

— Vão fazer algo hoje? — perguntava Joseph.

— Acho que não… Por que, quer sair? — disse Kat.

— Tô dentro! Vamos, Paul? — convidou Edward.

— Oi gente… Er, hoje não dá, tchau! Até mais!

— Tchau, Paul.

— El… Psy… Congroo! — disse Paul enfaticamente.

— Nossa, ele está com pressa mesmo, hein — disse Joseph.

— O que é isso que ele disse?

— Ah, deve ser algo de algum anime que só ele vê — respondeu Katherine.

Kat pensava no que poderia ter deixá-lo com tanta pressa.

— Será que… ele está… perto de acabar… aquilo?

— O quê?

— Ah, ele não contou para vocês?

— Não, o que é?

— Hihii, estão de segredinho? — Joseph perguntou.

— Não é nada disso!

— O que é então?

— O Paul está fazendo um jogo. Ah, ops!

“Que tipo de jogo é?”, “Hãaa? A quanto tempo?”, “Ele vai vender? Ele pode ficar rico!”, enquanto os ouvidos de Katherine se enchiam de perguntas dos amigos, ela se lembrava de uma conversa que teve com ele.

— Paul, por que está passando tanto tempo no computador? Você está viciado em algum jogo online? Estou preocupada… Nem sai mais com a gente direito.

— Não, não é isso… Eu tenho um projeto. Isso, um projeto novo. E quero deixá-lo com qualidade profissional, por isso preciso me esforçar.

— Que tipo?

— É um jogo.

— Ooh, que tipo?

— Não quero contar. E não queria que contasse pros outros também. Quero surpreendê-los.

— Como assim? Nem pra mim? Vamos, eu quero ver!

— Kat, você sabe que é especial para mim, mas não, isso é meu segredo master.

— Vamos, me deixe jogar a demo! Posso ser uma beta-tester?

— Eu estou usando pessoas que encontrei na internet para isso. Pessoas que entendem de beta-testing. Quero manter isso um segredo absoluto de todos próximos a mim. Para fazer uma revelação bombástica no dia do lançamento. Haha! — disse com um sorriso.

“Estou quase lá… A versão final ficou pronta semana passada, já corrigi todos os bugs encontrados, só falta cuidar das relações públicas. Só mais alguns arquivos… O trailer já bombou na internet! Você vai fazer sucesso, Paul…”

O celular de Paul começou a ser bombardeado por mensagens:

“Que tipo de jogo é, Paul?”
“Eu quero jogar!”
“Desculpa, Paul, eu contei pra eles… Acabou saindo sem querer.”

“Não tem mais problema, Katherine. Hoje é o dia do lançamento. Estão preparados?”

Como uma corrente, Paul lançou um e-mail no ar. Para todas as pessoas que conhecia. “Lançamento de Lightplay, hoje, nos melhores sites de venda de jogos online!”

Agora todos saberiam.

Curioso, Edward abria o link no e-mail. “Que tipo… de… jogo… é?!” Viu o trailer.

— Lightplay?! Estou esperando este jogo há meses! Nunca iria adivinhar que era seu, Paul!

Joseph assistia o trailer.

— É algo realmente inovador. Gostei!

Katherine lia sobre o jogo.

“Um jogo indie de plataforma em 2D, com mecânicas inovadoras de manipulação de luz e sombra para movimentar um mundo fisicamente realista.”

— Wow…

Edward abriu os lábios. Joseph começou a falar. Katherine abriu a boca. E então, mesmo distantes, suas falas se sincronizaram:

— Que demais!

— Você é meu novo ídolo! — falou Edward.

— Eu preciso muito jogar isso! — disse Joseph.

— Paul, parabéns! — disse Katherine, com uma lágrima ameaçando escorrer seu rosto.

Paul mandou uma mensagem para eles então.

— E é claro, aqui está uma chave pra vocês jogarem de graça.

Yuuka dormia na hora. Sentia sono por dormir depois da meia noite e comumente descansava a tarde. Os três acordados foram jogar imediamente. Cancelaram a ida ao shopping, aquilo era mais importante.

“Isso é mesmo divertido”.


Já Yuuka ia ter uma surpresa enorme quando acordasse. Provavelmente iria ficar jogando até as 2 da manhá, o que a faria perder aula no dia seguinte. Mas valeria a pena.