Os ventos de inverno
3 Parte III
Notas iniciais
Ela era mãe dele em questão de dias. Ela era a mãe dele, mesmo que não tivesse saído dela. Cersei abraçou a responsabilidade porque no segundo dia ela já estava afeiçoada demais ao menino.
Ele era muito mais colérico que Joffrey. Chorava muito, mostrando a força de seus pulmões. Ele não era tímido em acorda-la de madrugada querendo seu peito ou então com as cólicas. Ele tinha muitas cólicas e a única coisa que o acalmava era o banho. Mas ele também era facilmente a criança mais linda e amável de toda Westeros.
Jon foi muito fácil de amar. Ela tinha certeza que o amava desde o primeiro momento, desde que o encontrou aos prantos em seu berço. Mas foi no dia seguinte que ela percebeu como Jon era frágil... ele era um bebê pequeno, magro e não parecia estar com a saúde em dia.
Eddard a explicou que ele não aceitava o leite da ama, não aceitava o leite das cabras e nem das vacas. Mas o pequeno parecia muito ávido pelo leite dela. Ele sugava seu seio e apertava seu dedo com força. Aquilo a fazia sorrir.
Duas luas depois e ele estava muito mais gordinho e saudável. Ele estava sempre com ela, nunca deixando seus braços. Ele não aceitava nem mesmo seu próprio pai. Jon dormia em seus aposentos e em sua cama, mas como ele havia começado a rolar, Cersei teve que providenciar que os serralheiros de Eddard fizessem uma grade que o impedisse de cair.
Seu senhor marido costumava dizer que ela havia salvado o bebê. Que ele provavelmente não teria conseguido sobreviver se não fosse por ela, sua dedicação e seu leite.
Cersei discordava. Jon havia a salvado de si mesma.
Ela tinha que admitir. Havia negligenciado seus deveres de rainha e esposa. Tudo que ela queria era estar com aquela linda criatura o tempo inteiro. Como naquele exato momento, ela estava na banheira com o bebê em seus braços e fazendo bolhas na água usando sua boca, apenas para o prazer de vê-lo rir.
A gargalhada gostosa de Jon a fez aperta-lo contra si. Ela beijou sua bochecha gordinha e repetiu baixinho o quanto o amava, o quanto ele era especial.
— Acho que estou interrompendo algo.
Ela olhou sobre o ombro e viu Eddard. Ele sorria e tinha as mãos juntas para trás.
— De forma alguma, Sua Graça, aproxime-se.
Cersei sabia que Eddard mal passava tempo com Jon e ela. Ele havia ficado fora por quase um ano e havia muita coisa que o Rei e Protetor do Norte precisava fazer. Ele precisava lidar com finanças, ele precisava lidar com a Muralha. Resumindo, ele precisava fazer aquilo Cersei não pôde em sua ausência.
Ela olhou de Jon para Eddard. O bebê não parecia muito à vontade, Cersei entendia que Jon achava a presença de seu pai intimidante. Eddard era barbudo, muito sério, não era o tipo de homem que distribuía sorrisos.
Ela via em seu senhor esposo o interesse em criar um vínculo com aquele bebê, o bebê que ela estava roubando só para si como seu primogênito. Porque diante do povo aquele era o pequeno príncipe.
E Jon era. Para todos os efeitos ele era.
— Oh Deuses... – Eddard murmurou chateado quando Jon começou a berrar incontrolavelmente.
Cersei riu. Ela estava acostumada aos acessos de Jon. Ele era uma criança nervosa, algo a dizia que a gestação de sua mãe biológica não havia sido uma tranquila. Seu estômago embrulhou ao pensar na mulher. Felizmente ele era tão parecido com seu pai que nenhum de seus traços a faria perder o sono indagando-se se aquilo havia sido herança de sua parte materna.
— Ele me odeia, Cersei. – lamentou o homem.
Era a primeira vez em tempos que ele se dirigia a ela tão informalmente.
— Você é intimidante, Eddard. Ele não te conhece e você chega com essa cara barbuda e séria, avaliando o pobrezinho. Ele é uma criança. Ele gosta de sons engraçados, caretas e bolhas. Veja!
Alegremente ela afundou a cabeça na banheira e fez o tanto de bolha que podia, apenas para se levantar e encontrar Jon se contorcendo de rir e Eddard se despindo.
— O que você está fazendo? – perguntou confusa.
— O que você acha? Vou conhecer meu filho. Tem espaço pra três?
Era a primeira vez que eles ficavam juntos tão intimamente. Eles haviam dividido a cama, mas nunca além disso. Eles não se beijavam, não tinham relações sexuais, então foi estranho para ela. Mas um estranho agradável.
Eddard se postou atrás dela e a puxou para se recostar em seu peito. E ele fez exatamente aquilo que disse que iria fazer. Foi a primeira vez que Cersei o viu perder a compostura e brincar com o menino, fazer caretas e sons engraçados. Rapidamente o pequeno Jon já estava estendo as mãozinhas para tocar o rosto de barbudo de seu papai e ele ria alegremente quando Eddard esfregava a mãozinha delicada nos pelos de seu rosto.
— Papai. – ele disse apontando para si mesmo. – Eu sou o papai. E esta, é sua mamãe.
Ouvir Eddard se referir a ela daquele jeito só fez toda aquela situação se tornar mais real. Ela era realmente mãe depois de tudo...
Eles ficaram horas na banheira. Ela estava completamente enrugada, temia até mesmo pegar um resfriado, mas não teve coragem de sair. Ela até mesmo amamentou Jon dentro da banheira.
— É muito bonito isso que vocês fazem... amamentar. – Eddard comentou brincando com seu cabelo e fazendo carinho no filho. – Vocês geram, colocam no mundo, cuidam e ainda alimentam. Um bebê não precisava de mais nada que senão sua mãe. Agora eu entendo o vínculo de vocês...
Cersei duvidou que ele entendesse. Haveria um eterno sentimento de gratidão dentro dela para com Jon. Sua inocência e doçura haviam a tirado da loucura, da perdição... ela estaria muito mal ainda se não fosse por aquela criaturinha que agora ressonava em seu ombro.
— Será que você poderia me ajudar a levantar para que eu o leve para a cama?
Eddard se levantou primeiro e colocou as mãos em seu quadril para ajuda-la a se erguer e equilibra-la.
Ela embalou Jon em seus cobertores quentinhos e o colocou sobre a cama, formando um cercado ao redor dele com seus travesseiros. Fazia caminho até onde um vestido a esperava quando Eddard simplesmente a jogou contra a parede gelada de seus aposentos.
— Eddard, você vai acorda-lo! – repreendeu-o.
— Pelos Deuses, Cersei! – ele encostou sua testa na dela. – Já faz mais de um ano. Deixe-me entrar em você antes que eu enlouqueça.
Eles tiveram que correr para os aposentos dele. Se alguém havia os visto não importava porque se Eddard precisava dela, nada se comparava ao tanto que ela precisava dele.
Foi a vez dela joga-lo contra uma parede. Beijou sua boca avidamente, desceu os beijos pelo pescoço e a clavícula e gemeu quando o sentiu agarrar seu traseiro.
— Você é uma mulher difícil, Cersei. – ele rosnou contra sua boca e agarrando seu traseiro com força. – Você desfila por aí com meu filho no colo, com seus vestidos decotados e... Deuses, eu senti sua falta.
Ele a deu o beijo dos Lordes. Ela se contorceu ao sentir a língua dele em seu lugar íntimo. Ela retornou o favor, mas antes que ele chegasse ao seu ápice, Eddard a colocou por cima dele e a fez cavalga-lo.
Ela podia não ser uma excepcional amazona, mas certamente Eddard não estaria fazendo todos aqueles sons se não estivesse se deleitando com a situação. Ela riu e puxou o cabelo dele com força. Ele bateu em seu traseiro fazendo-a rir mais.
Eles fodiam. Eles fodiam alegremente o outro, sem tabus e nada. Eles eram Eddard e Cersei apenas. Nenhum decoro era permitido na cama, foi o acordo que fizeram na noite de núpcias quando estavam suados e ofegantes ao lado do outro.
Mas quando seu marido estava mais próximo do fim, ele a virou e deixou deitada contra o colchão e investiu contra ela. Ela chegou ao seu segundo ápice e quando Eddard fez menção de toca-la em seu cerne, ela o impediu.
— Muito sensível. Eddard, por favor, eu não posso mais... por favor....
Ele se derramou dentro dela, colocando seu membro o mais fundo que podia. Normalmente ela se preocuparia, mas há muito havia voltado a tomar seu chá da lua diariamente. Ela podia estar o ignorando, mas se ele decidisse reivindica-la, ela certamente teria que lhe abrir as pernas.
A parte que veio depois do sexo era a que ela mais gostava porque geralmente eles estavam sedentos demais para preliminares. Os carinhos vinham depois do sexo quando Eddard lhe beijava a boca, os seios, a barriga e ela mexia em seu cabelo e o abraçava.
— Eu acho que nunca vou poder agradecê-la o suficiente. – ele disse baixo com ela em seus braços. – Obrigado Cersei. Obrigado por cuidar tão bem dele, obrigado por não tê-lo mandado embora. Você é um anjo.
Ela estava longe de ser um anjo. Ela era uma mulher frágil, que havia perdido um filho. Ela duvidava muito que em outras circunstâncias permitiria que um bastardo fosse criado com seus filhos.
Mas Jon não era um bastardo. Ele não era. Ele era dela!
— Ninguém precisa saber que ele não é meu, Eddard. – disse baixo e o encarando com seriedade. – Por tudo que é mais sagrado, você precisa me prometer que ninguém jamais saberá sobre Jon. Ele é meu, Eddard. Para todos os efeitos ele é meu! Eu estou cuidando dele, eu estou dando a ele todo o amor que posso. Eu estou dando a ele tudo que tenho, então eu te imploro para que não o tire de mim. Por favor, não o tire de mim. Eu o amo, eu estou sendo uma boa mãe.
— Cersei, querida...
— Por favor, me prometa! – ela implorou. – Por favor, Eddard. Não tire mais isso de mim. Os deuses foram cruéis comigo e me tiraram todas as coisas boas. Tiraram minha mãe, tiraram meu filho, meu lar... Jon me devolveu duas coisas que os deuses tinham me tirado. Um filho e um lar. Ele é meu lar. Eu só vou existir enquanto Jon respirar, Eddard. Ele é tudo que tenho.
Ela nunca acreditou em sua tia Genna quando ela lhe disse que somente entenderia o significado do amor mais puro e sincero quando fosse mãe. Agora ela sabia que a mulher estava certa, porque Jon era a única coisa que a mantinha no Norte.
Ela odiava aquele povo. Odiava seus costumes, sua comida, odiava o frio especialmente! E ela sentia falta de sua família, ela sentia falta de Jaime. Ela sentia falta do poder no Sul. Ali ela não era ninguém, ali eles não a respeitavam, cochichavam por suas costas a chamando de louca e vadia.
— Cersei... e quanto a mãe dele? A mãe de barriga?
— Eu não quero saber dela. Quanto menos eu souber dela, mais ele será meu, Eddard. Eu não quero saber seu nome, eu não quero saber se era uma prostituta ou uma dama, eu não quero saber se ela está viva ou morta, eu não quero saber de nada sobre essa mulher! Eu não dou a mínima que você tenha se deitado com ela. Acho é bom que você tenha se mostrado mais parecido com a maioria dos homens... eu não dou a mínima que ele não seja do meu sangue. Porque eu vou cria-lo, porque eu vou dar a ele todo o amor que tenho dentro de mim. E Joffrey pode estar morto, mas o meu amor está aqui ainda Eddard e isso estava me matando. Meu leite não secava por nada, eu não parava de chorar, eu tinha pesadelos e visitava o quartinho dele, cheirava sua mantinha. Se você tirar Jon de mim eu não acho que vou aguentar... por favor, não diga nada sobre o parentesco verdadeiro de Jon. Nem pra ele e nem pra ninguém.
— Cersei! Você não pode realmente esperar que eu esconda isso de Jon pelo resto de sua vida!
— Sim, Eddard! Você vai! Ou os Deuses me ajudem, vou lhe caçar com um machado até os sete infernos e decepar sua cabeça. Se Jon por qualquer motivo vier a descobrir que eu não sou sua mãe de barriga, eu juro que quem tiver lhe dito irá pagar.
Ela nunca soou mais Lannister, imaginou. Mas Cersei havia redescoberto dentro de si uma força que há muito estava adormecida. A leoa estava acordada novamente e ela estava preparada para afugentar qualquer um que ousasse em se meter no seu caminho da busca pela felicidade.
— Cersei... alguns criados sabem da verdade e eles comentam. – começou Eddard, mas ela não deu tempo que ele prosseguisse.
— Corte suas línguas, então. Corte suas línguas, mande-os para a Muralha... melhor! Para o Norte da Muralha, assim nos certificaremos de que nunca mais irão voltar para repetir mentiras.
O choro de Jon a fez se soltar do abraço de Eddard e se enrolar no roupão. Ela estava a caminho da porta, até que se virou para seu senhor marido.
— Eu falo sério, Eddard. Você tomará providências ou eu irei fazê-lo, e acredite, você não vai gostar.
E a forma que Cersei se assegurou de garantir que Eddard iria fazer aquilo que ela estava mandando era usando seu presente mais precioso. O que estava no meio das pernas. Ela não o permitiu em sua cama enquanto aqueles servos fofoqueiros não estivessem muito longe dali e Eddard, felizmente, era honrado demais para toma-la a força.
Em menos de uma lua eles estavam partindo. A ama de leite de Jon e dois de seus homens. A primeira iria para Volantis e os homens para a Muralha.
Logo Eddard estava em sua cama novamente e eles começaram a passar as noites juntos. Quem não havia gostado daquilo havia sido Jon, porque se Eddard estava lá, isso significava que Jon estaria em seu próprio quarto. E conforme Jon crescia, a presença de Eddard começava a se fazer cada vez mais constante e ele se impunha cada vez mais sobre a educação de seu filho e herdeiro.
— Você não pode mima-lo, Cersei. Ele vai ser Rei, ele vai ser Guardião do Norte.
— Ele ainda não é Rei e tampouco Guardião. Você é. Ele será mimado enquanto for possível.
Quando Jon começou a dar seus primeiros passos foi a época que Cersei acreditou que seus cabelos começariam a ficar grisalhos. Ela tinha que segui-lo para todo lado, porque ele não aceitava mais seu colo. Mas ele parou de ser um bebê chorão e começou a se tornar uma criança ativa e inteligente, logo não se importava mais com machucados e tampouco se caía. Ele também adorava a neve, vivia rolando no meio dela para seu completo desespero.
— Você é a coisa mais linda que eu já vi. – disse o puxando para seus braços e enchendo de beijos seu rosto gordinho. – Eu te amo tanto, mas tanto.
— Não. Não.
Ela riu. Ele havia começado com aquela mania graças a Eddard que insistia que ele já era grandinho para andar, que não precisava mais de colo.
Bem, ela não podia discordar mais. Se dependesse de Cersei seu menininho nunca iria crescer. Ele seria para sempre aquela coisinha linda e rechonchuda, que berrava para cortar os cabelos e a fazia correr atrás dele pelos corredores de Winterfell com uma tesoura na mão.
Olhando para trás, lembrando-se de quando havia chegado em Winterfell, torcido o nariz para a visão completamente rural e rústica, ela percebeu que nunca pensou que seria tão feliz quanto era agora. E tudo isso que ela tinha agora era graças a Jon e Eddard.
— A vida é boa, docinho. – beijou sua bochecha vermelha. – Venha, vamos pra casa. A mamãe vai pedir para preparar sopinha.
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