Os suspeitos - Interativa

2 Detetive Sofia Hernandez


Notas iniciais
Primeira personagem!!

Eram 4:32 da manhã quando o celular de Sofia tocou pela primeira vez na madrugada de sábado. Mesmo com o toque de celular no máximo e a musica que anunciava as ligações sendo "Psychosocial", do Slipknot, a moça nem mesmo se mexeu durante o primeiro toque. O telefone tocou mais uma, duas, três vezes até que Sofia resmungasse algum palavrão em voz baixa e atendeu ao telefone, com os olhos mareados de sono.

– Alô... — disse a jovem, com a voz do sono — Olha, eu não sei o que é, mas é sábado e eu tô de folga esse sábado, ok?

– É sobre o caso dos 10 mortos — disse a recepcionista da NYPD — Estão pedindo que você dê uma passada aqui, parece que descobriram alguma coisa, não sei bem o que...

Sofia, de repente, sentiu todo o sono saindo de seu corpo em um segundo. Deu um pulo na cama e pôs-se de pé com o celular ainda na mão.

– Ah... Sim, sim, chego aí em 15 minutos, tudo bem?

– Tudo. Obrigada pela resposta, Detetive Hernandez.

Sofia ligou as luzes do pequeno apartamento e começou a se preparar para um possível resto de madrugada trabalhando. Ligou a cafeteira e deixou-a preparando um café preto duplo e botou dois pães na torradeira. Saiu correndo de volta para o seu quarto e tirou a blusa masculina gigante do Bubba Gump que chamava de pijama para entrar no banho. Ficou cinco minutos no máximo lavando seu corpo e, ao sair, passou desodorante, perfume e escovou os dentes.

Abriu o seu armário e pegou uma calça social preta e uma blusa social feminina azul clara e jogou na cama enquanto vestia uma calcinha e um sutiã que não combinavam entre si. "Eu estou indo trabalhar, ninguém ta pouco se fodendo pra minha roupa debaixo", pensou ela enquanto vestia o resto da roupa e calçava uma bota preta, bico fino e cano curto.

Deu mais uma corrida para o banheiro e se olhou no espelho. Não estava tão ruim, mas parando pra pensar, era bem dificil ficar ruim para Sofia. Decidiu passar um pouco de maquiagem mesmo assim, só pra esconder um pouco as olheiras. Houve um tempo que Sofia usava maquiagem para tentar esconder seus traços hispânicos, mas agora, com 29 anos, tudo em seu corpo gritava "México!".

Desde a pele naturalmente bronzeada, até os lábios cheios e vermelhos, chegando nos olhos grandes e escuros. Tinha cabelos escuros, bem lisos e um corpo de dar inveja em muita gente. Pensou em prender os cabelos quando se olhou no espelho, mas desistiu. Apenas penteou-os e deixou estar.

Novamente, correu até a cozinha e buscou seu café já pronto e suas torradas, embrulhou tudo em uma sacola, pegou sua bolsa, seu celular, as chaves de sua casa e saiu pela porta.

Andou pelas ruas de Nova York num trote lindo de se ver. Recebeu alguns elogios educados, aos quais ela agradeceu, apressada, e recebeu algumas cantadas grosseiras, as quais respondeu com um comentário sarcastico bem colocado.

Ao chegar no Departamento de Polícia de Nova York, Sofia tirou um tempo para descansar e comer suas torradas acompanhadas de um café morno bem preparado. Olhou as pessoas andando apressadas pelo departamento e pensou que, se não fosse o caso dos 10 mortos, passaria o final de semana inteiro na cama, comendo batata frita e tentando engordar, pra variar um pouco.

Tomou mais um gole de café, sentindo o efeito da bebida em seus sentidos e percebeu a aproximação feminina a sua direita. Levantou o olhar e, ao perceber que era a recepcionista, sorriu amistosamente.

– Detetive Hernandez, olá.

– Olá Sra. Erikson — respondeu Sofia, sem saber se dizia "Bom dia" ou "Boa noite".

– Descobri por que foi chamada aqui — disse a recepcionista, com um olhar satisfeito — Encontraram outro suspeito no caso dos 10 mortos.

Sofia deixou cair o ultimo pedaço de torrada.

– Puta que pariu...