Narração de Cartman

– Ocarinas?- olho para uma loja de instrumentos musicais dos góticos. Não resisto e entro na loja.

– Eric, o que é uma ocarina? – pergunta Butters quando me seguiu na loja.

– Na minha época esses tipos de flautas eram muito populares. Todo menino tinha um – já compro de cor negra. Parece que os góticos só conhecem a cor preta para objetos. Irônico que criolos góticos não vi nenhum e que leva crer na cor de pele não é muito apreciada.

– Parece que as flautas tomaram seu lugar, já que tive uma quando era pequena – disse o paladino.

– Eu vi aquele bardo élfico usando uma flauta para usar suas magias. O som de uma ocarina é muito mais agradável que um som de uma simples flauta – saio da loja com Butters me seguindo – malditos elfos. Eu tinha uma ocarina de ouro e nem me deixaram ficar com ela. Estava até estranhando porque não tinha visto nenhum lugar uma ocarina.

– Nunca desconfiaria que o senhor era um amante por músicas.

– Eu não sou um bardo da vida, mas a musica era o único jeito de me conectar com minha irmã.

– O senhor teve irmã?

– Não era uma irmã de sangue.

Começo tocar e pouco a pouco as notas saem do instrumento. Os elfos pensam que os humanos não apreciam a floresta, mas pelo contrario os humanos gostam de florestas, mas não é tanto apegado que impede de extrair alguma coisa dela. Eu toco como se tivesse homenageando os espíritos da floresta. Sempre adorava caminhar com minha mãe tocando minha ocarina, enquanto minha irmã voava de cima de mim. Enquanto eu toco uma melodia suave tenho impressão que escuto o barulho de cininho.

– Eric. Uma fada está voando em cima de sua cabeça.

– Uma fada? – paro de tocar e olho pra cima.

Será que meus olhos estão me enganando? Parece que estou vendo minha irmã.

– Casey? – encaro a fadinha. Um ser de 20 centímetros, parece uma menina de 15 anos, com um vestido dourado, cabelos loiros curtos e uma pele amarela mais clara que o vestido e o cabelo, asas parecendo de borboleta transparentes, uma calda de salamandra amarela, um cachecol listado com duas tonalidades de roxo e um capuz preto.

– Hey Eric.

– Casey – sim, é ela, minha irmã. Minha única amiga que tive, a única que não me julgava pela meus... ossos grandes. A única que não preciso ser agressivo. A única que tenho afeto suficiente para considerá-la minha irmã.

Ela abraça meu rosto no lado esquerdo, enquanto uso minha mão esquerda para retribuir o abraço. Dizem que as fadas são imortais e não acreditava nisso até ver Casey de volta. É fantástico como ainda ta viva mesmo depois de 1000 anos.

– Por onde andou todos esses anos? – pergunto pra ela.

Ela abre a boca e sai uma bolha. Na minha época ela nunca aprendeu a falar, só soltava alguns sons aleatórios ou soltava essa típica bolha da boca como os lagartos fazem. Eu até tentei ensiná-la, mas só conseguir fazer ela falar a frase “hey Eric”.

– Parece que mesmo 1000 anos não conseguiu aprender a falar.

Ela voa em direção da minha barrica e cutuca.

– Ei. Eu nunca fui gordo, só tive ossos grandes.

Vejo Casey rindo.

– Uau. Eu nunca vi uma fada. É fantástico – disse Butters – meus pais diziam que foram as fadas que ensinavam os humanos a serem sábios que causou a inveja dos elfos.

– Só na questão da fala imagino que não, mas acho que em outras coisas posso acreditar. Aposto que se dependesse dos elfos os humanos seriam como animais – Casey aterrissa no meu ombro e balança a cabeça concordando – mas aqueles putos tem inveja que eles nunca tiveram contato com fadas diferentes dos humanos, apesar de ser bem raro. Quando se tem uma amizade forte com uma fada praticamente se transforma em um irmão para ele.

– Isso é muito bonito. O sol está se pondo, marquei com a senhorita Bebe de encontrar com ela.

– Tudo bem, Butters. Pode ir, já vou voltar para meu quarto – aponto com meus dois dedos em direção do quarto aonde estou. Vi que a Casey fez junto comigo.

Caminho de volta para o quarto encanto toco a ocarina, enquanto Casey responde com uma canção. Sempre gostei do instrumento porque o som se parece muito com a canção das fadas. De repente vejo Casey voando distante de mim como se tivesse visto algo que a assusta. Olho para frente e vejo Vriska encostada na parede.

– Como foi o encontro com seu namorado? – vejo ela perguntando, enquanto bate o cabelo.

– Namorado?

– Sim, o paladino, não é o seu namorado?

– Ele é só apenas alguém bom de conversar. Eu não tenho nenhum envolvimento físico com ele.

– Não me diga que você é outro ser que só hetero ou homo. Que decepção – não entendo essa decepção dela – não me diga que tem nojinho de ficar com outro homem.

– Sei lá. Nunca pensei na possibilidade, já to surpreso que recentemente to ficando com mulheres.

– Então quer dizer que não se importa em ficar com um homem?

– Nunca tive essa oportunidade, mas gozo é gozo qual é a diferença? – dou os ombros. Que eu não seja o passivo para mim buraco é buraco – e você não importa em ficar com uma mulher?

– Eu não tenho essa frescura desde que minha parceira esteja em um quadrante.

– Quadrante?

– Minha espécie existe quatro tipos diferentes de romances que nos fazem superiores a qualquer ser de Zaron. Matesprit, kismesis, moirail e auspistice – nossa, a raça dela tem um esquema de acasalamento de romance bem complicado.

– E qual é a diferença de um para outro? – fico curioso.

– Matesprit é um relacionamento de amor semelhante que vocês tem com seus parceiros. Kismesis é um relacionamento de ódio.

– Ódio? Isso é possível.

– Para um troll o sentimento de amor e ódio tem o mesmo valor – eu até acho engraçado isso, afinal se fosse assim comigo já teria me deitado com toda raça élfica.

– Moirail?

– Moirail é um relacionamento que um completa o outro.

– E qual é a diferença de moirail com matesprit?

– Moirail não envolve sexo?

– Acho que esse relacionamento parece um relacionamento de irmãos.

– Eu nunca entendi essa palavra, sinceramente.

– Nesse caso são filhos de um mesmo pai e uma mesma mãe.

– Isso são irmãos? Nossa que estranho. Se não me engano um ‘pai’ é alguém do sexo masculino e ‘mãe’ é do sexo feminino. Não é possível vocês gerarem ovos com dois ‘pais’ e duas ‘mães’?

Sério. Os trolls botam ovos. Acho que vou esconder, por enquanto, sobre gravidez. Isso pode chocá-la.

– De forma natural dois pais e duas mães não conseguem gerar uma criança, mas eles contornam isso adotando um filho – eu não tenho muita certeza que estou falando, porque no meu tempo não existia casamento homossexual, mas imagino que possa existir depois de 1000 anos.

– Nossa que decepção. Minha raça não tem esse problema, podemos ter filhotes independentes do sexo. Tanto com aquele troll mais jovem foi fruto da minha kismesis.

Eita. Aquele gótico chamado George tem duas mães? To chocado.

– Por isso que ele tem feição muito afeminada para meu gosto – digo brincando.

– Já que você tocou no assunto até que é mesmo. Parece que é uma fêmea, só esqueceram de avisar pra ele.

Nós dois rimos. Acho que agora eu entendo porque a raça dela se chama troll, não é por aparência, mas de espírito.

– E o auspistice? – eu pergunto.

– Esse quatro quadrante pode ser um matesprit ou um kismesis quando um casal tem um forte desejo de matar um ao outro, daí precisa de um mediador para colocar os dois na linha.

– Então auspistice é um relacionamento a três?

– Sim.

– Aqui esse relacionamento tem nome, se chama suruba – digo só de sacanagem.

– Suruba heim? Que interessante – disse ela pensativa.

– Alias você fica falando que acha frescura o povo de zaron ter preferências sexuais distintas, mas você mesmo parece que não tem nenhum quadrante aqui.

– O povo daqui é fraco, não vale a pena.

– Eu lutei com você e não fui derrotado isso me faz digno? – eu até estranho eu ter feito essa pergunta.

– Você tem a força, mas seu espírito é inseguro. Eu consigo saber que uma pessoa está pensando. Eu vejo sua angustia, um ser que finge ser forte, mas é um gatinho assustado. Alguém que usa a magia para esconder os verdadeiros temores – disse como se ela olhasse no fundo da minha alma.

– Você está certa. Tenho minhas inseguranças, mas o que não me mata me deixa mais forte.

– Interessante – ela começa andar – tenha uma boa noite mago lendário.

Vriska, rainha dos góticos e um ser curioso. Posso ter conseguido uma aliança com ela, mas mesmo assim ela não deixa de expor seu veneno. Preciso conhecer mais sobre a raça dela, talvez eu fortaleça minha aliança com ela.

Quando entro no quarto encontro Jenny dentro.

– Mestre. Bem vindo de volta – disse ela.

– Obrigado Jenny, tem alguma duvida sobre algum ensinamento de magia? – eu pergunto.

– Não Eric, só vim trazer um chá quente – pega uma xícara que estava na mesa e estende para mim.

– Obrigado – disse pegando a xícara, me sentando em uma cadeira e dando alguns goles no chá. A bebida é doce.

– Mestre. Existe mais alguma coisa que preciso me preocupar com a magia de anulação mágica?

– Do jeito que ensinei. Precisa criar uma área mágica por uns 30 minutos. É uma técnica que serve para fazer armadilhas contra qualquer usuário de magia.

– Existe a possibilidade de alguém escapar disso?

– Da forma que te passei nem eu mesmo conseguiria sair – começo ter sono de repente – Jenny pode tirar seu chapéu por uns instantes.

– Sim mestre – ela tira e olho sua testa e não encontro nada – tem uma coisa errada comigo?

– Não, por um momento tive a impressão Vriska estava manipulando sua mente e tinha colocado sonífero nesse chá.

– Ela não fez isso – por um momento pensei que esse sono repentino era de um sonífero no chá – eu fiz por contra própria.

– O que? – meus olhos estão ficando mais pesados.

– Desculpe Eric, mas tudo isso é necessário – foi a ultima coisa que escutei antes de desmaiar.

CONTINUA

Notas finais
Esse é um capitulo curto, mas foi um tamanho exato que encontrei para dividi-lo, porque as próximas cenas são hentais. Sobre a personagem Casey não foi criação minha, mas ela saiu de Homestuck. Claro que se procurar com a descrição que fiz não vão achá-la já que sua aparência na serie é totalmente diferente no original. Tenho alguns motivos de fazer a personagem ter um físico diferente, isso vai ser revelado nos capítulos finais (que está um pouco distante de acontecer), mas particularmente para trazer um pouco de ar de Link e Navi. E ainda aproveitei para dar um pouco mais destaque na Vriska com pequenas conversas com Cartman. Eu escrevi uma oneshot sobre ela, quem tiver interesse pode procurar a fic “Ponto Fraco”. Para quem gosta de Kyman vai gostar muito da oneshot de homestuck. Ainda tem a fic “Entre o Equilibrio e a Realeza” que também é de homestuck está passando paralelo a esta fic. Mesmo não conhecendo nada da série pode ler porque ela é totalmente auto-explicativa. O próximo capitulo vai ser hentai e terá algo inédito da minha escrita: Orange. Para quem não sabe o que é Orange é basicamente um hentai de yuri. Claro que vou deixar um aviso para essa cena, caso a pessoa só queira ler o hentai. Para quem não gosta ambos os estilos recomendo não lêem a próxima atualização que vai ser em breve (próxima semana). Até a próxima.