Os quatro de Eden

2 Nós, os ratos do lixo.


Notas iniciais
Olá a todos, espero que gostem, um beijo e obrigada por lê.

No subterrâneo, não há distinção entre dia e noite.

De uma maneira ou de outra nos parecemos com os humanos, assim como eles, nós temos aqueles que são tratados como lixo humano, e no caso, esses somos nós.

Os esgotos de uma maneira ou de outra é o local mais seguro para pessoas como nós. Para os humanos as distinções sociais, normalmente se ressumem a quanto dinheiro você tem ou não. Para nós se trata mais se você é um desgarrado ou não.

Bruce Hells tem erguido contra as prateleiras de aço uma figura pequena e ossuda, apesar da escuridão eu reconheço Greg, um pequeno e encrenqueiro ladrãozinho de pão.

Solte ele Hells – digo quando estou próxima o bastante para que ele me escute.

Swan, você por aqui, é uma honra – Ele ainda tem essa pose arrogante, mas ele está com medo, posso vê pela maneira como as mãos dele tremem e pelo suor em seu rosto, mas principalmente, posso vê em seus olhos, o puro terror.

Ainda que contrariado ele solta o pequeno saco de ossos no chão,o garoto é esperto o bastante para não gritar, mas eu sei que ele está assustado até os dentes, ele treme e parece engasgado enquanto me encara, neste momento, ele deve pensar que levar uma surra de Bruce parece menos perigoso do que está perto de mim, todos pensam isso.

Deixe eu pegar você me roubando de novo e nem a Swan vai conseguir livrar a sua cara – então ele some, posso observa os contornos de seus grandes ombros enquanto ele escala uma tubulação e desaparece dentro de um buraco quase da minha altura.

Se você foi burro o bastante para ser pego por Bruce, então esse negocio não é para você – eu sorrio, ele treme.

Se você esta com fome, eu posso arrumar um ou dois pães para você, o que acha? – nada, mas ele está tentado, posso vê em seus olhos, ele deve está faminto, para considerar aceitar algo de mim.

Vinte minutos mais tarde ele está sentado em um dos bancos de plásticos que ficam perto da mesa improvisada, qualquer indecisão parece ter sumido a partir do momento que ele viu bolo e pães.

Onde você arranjou tanta comida? – Gred tenta dizer, mas as palavras saem meio enroladas.

É falta de educação falar com a boca cheia – eu digo.

O que é isso ? — uma borboleta amarela e verde se move entre nós, tão frágil, tão letal.

Você nunca viu uma borboleta? — pergunto mesmo já sabendo a resposta, a maioria desses meninos nasceram aqui e a maioria tem medo de se arriscar na superfície e acabar como cortesã de sangue, este é o único lar que eles conhecem.

Greg dar de ombros, ele parece em transe, não olhe demais, eu penso, ela não gosta.

Meus irmãos disseram para não chegar perto de você, que você não é como a gente, é encrenca. – eu ergo uma sobrancelha. ele não vê, ainda está hipnotizado demais com o bater das assas, as cores, a vida. suma, eu penso, ela vai, se movendo como o vento, um espiral de cores enquanto se move, suas assas batem em um ritmo mais lento, até pararem.

Na soleira da porta há uma borboleta morta, mais uma.

Eu tenho modos, lógico que não somos iguais. – replico, mas eu sei aonde ele quer chegar.

Jon disse que você e sua mãe não são desgarradas.– onde está o garoto medroso que entrou na minha toca? Talvez ele precise voltar.

— você não deve acreditar em tudo que as pessoas dizem.

— então é mentira?

— isso não importa, ninguém vai acreditar mesmo, além do mais, é bom, assim ninguém tenta nos roubar. Além disso, você tem que ir, minha mãe está chegando e ela não gosta de visitas, pode levar quanta comida quiser, tem mais nos armários. – seus olhos brilham, e ele corre de um lado para o outro carregando tantas coisas, que eu acho que equivalem ao seu próprio peso.

— Greg – eu chamo antes que ele vá – isso fica entre nós, se perguntarem, eu dei a comida e só, se você precisar de mais, bem, você sabe onde eu vivo.

Ele assente, posso vê a gratidão em sua face, para pessoas com a nossa vida, os ratos do lixo, a gratidão é a coisa mais rara e importante que temos, antes de ir, ele olha uma última vez para o corpo da pequena borboleta.

Não, não é mentira – eu digo baixinho depois que ele sai. Acontece que ser desgarrada não é a pior coisa que tem por aí.

Notas finais
Não esqueçam de comentar, por favor. A opinião de vocês é muito importante para mim.