Os olhos azuis.
3 Capítulo 2.
Planos.
Já haviam se passado quatro semanas, dizendo especificamente, um mês desde o acontecido e eu continuava naquela mesma cama de hospital. O médico disse que o meu osso está calcificando muito bem e que não iria me dar alta por causa das minhas inúmeras tentativas de sair da cama. Sinceramente, eu não aguento mais ficar deitada apenas assistindo os filmes velhos que passam na televisão, acho que já assisti todos os filmes que existem no Planeta Terra durante esse um mês. Minha tia tinha basicamente ganho a empresa. Deixa eu explicar isso melhor; meu avô esperou meu pai completar 24 anos para passar a empresa multi nacional a ele, o que fez a minha tia se corroer por dentro, por mais que ela seja 3 anos mais nova que ele e relativamente “nova” para o meu avô. Seu Anthero deu a casa da praia para minha tia e a empresa ao meu pai, o que eu achei bem justo porém minha tia achava injusto meu pai ficar com um bem de família maior que o dela. Minha família por parte de pai sempre foi bem competitiva, egoísta e “donos da razão” e isso fazia com que as pessoas nem quisessem chegar perto deles mas graças a Deus o meu avô e meu pai melhoraram muito do que eram, já a minha tia nem alcançou o primeiro degrau dessa evolução. Confesso que tenho um pouco dos Verona.– É Senhorita Verona.. Pelo visto vai sair daqui bem antes do que imagino. — ele sorriu entrando na sala. — Seus ossos calcificaram perfeitamente. Olhe.. — ele colocou minha chapada na luz e aponto bem a onde estava quebrado. — Está como era antes. Incrível! — ele retirou a chapada e guardou no envelope gigante que tinha em mãos. – Então.. O que isso quer dizer? — queria saber logo a responta e eu sei que com certeza ele ia enrolar.– Isso quer dizer que só passará mais uma semana aqui e depois você terá alta. Isso só vai acontecer se você continuar se comportando igual ao mês passado. — ele disse em um tom de reprovação.– Vou me comportar sim, Doutor. — consegui escutar a sinceridade em minha voz, e era isso que eu queria escutar. — Só quero poder sair logo dessa cama e poder andar por aí. — respirei fundo ao imaginar em quanto falava. Eu precisava sair logo dali. – Eu sei que quer. Logo sairá dessa cama, só mais alguns dias. Temos um acordo? — ele me olhou sério e estico a sua mão direita. – Com certeza. — apertei a mão dele assim selando o nosso acordo. Ele sorriu e saiu da sala. Voltamos a estaca zero: estou sozinha no quarto, de novo. Eu odeio ficar sozinha, todos sabem disso e por que me deixam sozinha mesmo? Deveriam ter colocado isso quando abriram a minha ficha.. Exato! Eu ainda não sei quem me trouxe até aqui, que abriu a minha ficha. Tenho poucas pistas sobre ele, única coisa que parece ser bem chamativa nele são os olhos azuis. Peguei meu celular, que resolveram me dar dias depois do acontecimento, e abri no tão famoso facebook e o único que iria me ajudar a procurar quem era o rapaz bonito de olhos azuis que a enfermeira tanto elogiou. Nos amigos não tinha nenhum homem de olho azul que me ajudaria em um trágico acidente, até porque alguns são da época do colégio, outros conhecidos da baladas e uns não eram bonitos o suficiente para esse cargo que a enfermeira tinha criado, pelo menos para mim. Vi os meninos que tinha face da Mad mas nada também. Como irei te encontrar?, pensei comigo mesma olhando pro teto.Quatro horas já tinham se passado e minha princesa do inferno estava comigo desde então, falei com ela sobre os olhos azuis e ela também não fazia ideia de quem poderia ser. – Podemos chamar um policial e pago-lo para investigar isso. — Mad sugeriu. – Não, não. Magina, pagar um policial porque quero saber quem é o deus grego que a enfermeira elogiou tanto? — perguntei rindo.– Isso mesmo! — ela respondeu como se fosse algo bem obvio. – Foi uma pergunta retórica. Loira. — ri dela que fez cara de espanto. — Claro que não vou fazer isso, Mad. Tenho prioridades quando sair daqui. – Tipo? — ela questionou curiosa. Sempre que estava curiosa ela pousava os olhos em mim, apoiava sua cabeça em suas mãos sustentadas pelos cotovelos que estavam situados no braço da poltrona que ela estava sentada. – Tipo aqueles que você não precisa saber agora. Não leve para o lado pessoal, ok? Só quero deixar as coisas entre eu e meu pensamento por enquanto. — olhei-a que já se encontrava com os braços cruzados. — Desculpa Mad. – Tudo bem, desde que eu seja a primeira a saber está tudo bem. — ela sorriu descruzando os braços e me abraçando de lado. — Te amo minha maloqueira. – Também te amo minha patricinha. — rimos. — Agora chega dessa melosidade. Não sou desse tipo. – Por isso que eu faço essas coisas. — ela me apertou mais. — Você sabe.. Eu amo fazer com as pessoas o que elas não gostam. — ela riu vitoriosa.– Depois te chamo de princesa do inferno e não entende o por que. — rimos e eu consegui me afastar dela.Se você andar de carro até o leste de Chicago iria encontrar dois homens e uma mulher sentados em volta de uma mesa redonda dentro de hotel. A sala onde estava tinha alguns imoveis de uma tonalidade marrom escuro, bem no canto direito no fundo da sala tinha um barzinho repleto de taças na parte encima e na parte de baixo tinha uma espécia de armário, se você abrisse as portas encontraria o que alguns chamaria de paraíso, tinha de tudo; whisky, vodka, martíni até a famosa cachaça do Brasil. Um dos homens pegou uma garrafa de whisky e três copos para servi-los. Ele é alto e moreno, o charme esbanjava quando andava com o seu terno perfeitamente liso junto da sua grava azul bebê, seus cabelos penteados cuidadosamente para trás e levemente ajeitado com gel, formava um leve ondulação na parte da frente um espécie de tope estilo Elvis Presley mas nenhuma mecha caia em sua testa ou algo do tipo, apenas um tope bem feito com pente.
– Ela ainda continua no hospital mas logo sairá. É isso o que irmã da mãe dela me falou. — a mulher disse colocando o seu celular na mesa. — Eu quero poder ajudar a menina, me coloque nesse plano.– Eu não sei se devo Senhorita Petrovick. — o rapaz da gravata azul bebê disse. — Preciso protege-la, mesmo de longe. Esse é o meu legado. Eu prometi ao Senhor Verona que iria protege-la não importasse o que acontecesse e ele sabia que isso ia acontecer, você sabe do que estou falando. Você era a amiga mais chegada da esposa do meu chefe antes deles se casarem, você deve saber de tudo.– Sim, eu sei. Assim como você jurou proteger a menina ao Augusto, eu também jurei e devo isso a Alessandra. — a mulher se levantou dando movimento ao seus cabelos loiros bem cuidados. — Eu posso ajudar ela, posso me mostrar presente já você não, você a abandonou. Fez sua escolha. Se eu não aparecer, ela não vai conseguir se virar direito ainda mais se aquele velho teimoso vir a morrer. — ela fez o sinal da cruz assim que disse. — O que não vai acontecer. Enfim, pense bem sobre isso Senhor Mayer. — ela completou e saiu da sala. – Por que o argumento dela é sempre que a abandonei? Eu não tive escolha! — o rapaz disse atirando o copo de whisky na parede, respirou fundo e bufou. – Ela só disse a verdade, senhor. — disse o rapaz que também estava se pronunciou pela primeira vez. Seus cabelos ralos e loiros, ele é alto e musculoso o que dobrava o seu tamanho. — Mas pense bem. Ela vai poder deixar a menina por perto dela e consequentemente de você. Logo você não terá dificuldade de proteger ela. – Eu não poderei ficar perto para proteger ela. Eu não vou conseguir ficar por perto dela.. — os olhos azuis de ambos se encontram, e a frase não precisa ser completa. O rosto do rapaz de terno se esplandeceu e um sorriso tomou seus lábios, formando um sorriso torto. — É isso, Fielzen! — ele colocou as mãos no ombro do loiro. — Você vai no meu lugar. — deu um leve tapa no ombro do mesmo e saiu da sala sorrindo vitorioso.– Não era esse o meu ponto.. — ele disse baixo, negou com a cabeça bufando e seguiu o amigo.
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