Os mortos-vivos
1 Capítulo 1 - O início do fim
Em um dia tão normal quanto o fim do mundo, eu tinha um grupo de oito pessoas: Meu pai Cristian, meu irmão mais velho Luke, minhas duas primas mais novas Nanda e Jesie, meus tios Alexandre e Luciana. E um homem que encontramos e acolhemos já que ele tinha perdido todo o seu grupo. Na verdade isso é tudo que eu sei sobre ele. Quieto e misterioso, ele não nos contou muito da sua história, somente seu nome: Miguel.
Eu me chamo Emilly. Praticamente cresci nesse mundo, sempre ando com uma faca e uma arma, meu pai não gosta muito da ideia por eu ser ainda muito nova, mas depois que essa merda toda começou isso é mais que necessário.
Era sempre a mesma coisa, íamos de casa em casa. Quando a comida de uma casa acabava passávamos para a casa vizinha. Era sempre bem tranquilo. Mas isso é a porra do fim do mundo e era óbvio que não ia ser pra sempre assim, o que eles achavam? Que íamos de casa em casa eternamente até que toda a comida do mundo acabasse?
Um dia quando acabou a comida de uma casa amarela de dois andares fomos até a vizinha pra “limpa-lá”. Fui eu, meu pai, Luke, meu tio, Miguel. Naquela casa morava uma família, absolutamente morta e naquele dia Alexandre foi mordido e minha tia Luciana simplesmente enlouqueceu. Quando ela soube começou a chorar e gritar como se fosse resolver algo. Tudo que eu sei é que nesse mundo você tem que estar preparado pra isso. Perder pessoas. Meio mundo está morto, talvez até mais, essa é a nossa realidade agora e temos que ser forte. Ou vamos todos morrer.
Os restos dos dias minha tia passava chorando, e eu até pensei em falar tudo que eu penso pra ela, mas não achei que seria relevante ao momento, talvez ela até levasse como uma falta de educação. Eu e Luke cuidamos de Nanda e Jesie enquanto ela chorava.
Alguns dias passaram e nós já havíamos saqueado toda a rua. E todo mundo estava cansado de ficar esperando a comida acabar pra ir pra outro lugar, como seria bom ter um lugar fixo e seguro. De qualquer maneira, teríamos que arrumar um lugar pra ficar antes de escurecer.
Andamos durante horas até que encontramos um carro que funcionasse. Ainda bem, meus pés não estavam aguentando. Meia hora se passou e nada. As crianças começaram a reclamar de fome. E pra melhorar a gasolina acabou, tivemos que percorrer por mais um tempo andando. O dia estava escurecendo. Tivemos a sorte de não encontrar muitos mortos-vivos pela estrada, era sempre um ou dois. Bem, isso até agora.
Eu já estava tonta, todo mundo estava com fome e cansado. Minha vista estava ficando meio borrada, eu não sabia dizer ao certo o que eu estava vendo. Distante, lenta e cambaleante algo se aproximava. Fechei os olhos por um segundo e eles estavam mais perto, ainda não conseguia ver bem, mas eu consegui ouvir meu pai gritando “ATIREM”. Só assim eu consegui ver. Eram centenas deles. Luke olhou pra mim e disse “Fique atrás de mim, eu vou te proteger.”. E eu o fiz. Comecei a atirar quando percebi que Miguel estava andando na direção dos mortos, e atirando.
"QUE MERDA VOCÊ ESTÁ FAZENDO?" Tentei gritar, mas minha voz saiu fraca.
Luke era ótimo em mira, o deixei afastando aquelas coisas de nós dois sozinho e de longe tentei proteger Miguel. Mas ele estava cada vez mais perto da morte. Até que não consegui mais vê-ló. De qualquer maneira foquei no que estava a minha frente. Até que ouvi um grito, parecia a minha tia e quando olhei tive certeza que era. Ela tinha simplesmente se jogado para a morte, já era de se esperar que a estadia dela nesse mundo fosse precária. Continuei atirando, estava cada vez mais tonta e parecia que o ar estava cada vez mais limitado. Seria o fim? Naquele momento o fim era inevitável.
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