— CAPÍTULO II -

NÓWYNGARKARIN

Narvik, era uma região de montanhas, onde camadas de neve começavam a se formar em seus topos nessa época do ano. As montanhas eram responsáveis por separar o território Norueguês com o território Sueco. Mjla, passaria sua temporada de treinamento pesquisando e analisando minérios raros encontradas nas águas do oceano ártico e como isso poderia afetar no desenvolvimento de criaturas marinhas. Ninguém da corporativa a explicou o motivo ou causa desse estudo, somente a informaram que ao chegar tudo seria lhe passado por seus novos superiores.

Era o fim da tarde de uma quinta feira quando Mjla chegou a Narvik, e quando acabara de descer do trem percebeu que caía uma névoa que cobria todo o céu no local.

Ela ficaria hospedada no Hotel Gaïa, esse era o mais próximo do laboratório que ela trabalharia, a ABB pagaria toda sua estadia pelo local. Sendo assim, ela chamou um táxi para prosseguir seu percurso. Chegando ao Gaïa ela rapidamente percebeu que o estabelecimento era de um certo estilo arte-deco anos 30's, e não estava errada. O Hotel Gaïa tinha sido inaugurado por volta de 1939 por uma família de dinamarqueses ricos que tinham se mudado para região durante a segunda guerra, e foi um dos primeiros que se teve pela região durante um bom tempo. Possuía 17 andares, 500 quartos, onde a maioria estavam trancados e inutilizáveis por décadas.

Ao chegar, ela ficou deslumbrada com o salão de entrada. Era enorme com grande iluminarias e lustres, que graças ao teto que era tão alto davam a sensação de intocáveis. Havia também um relógio enorme de pêndulo localizado no interior do lado esquerdo do salão, que por sua vez chamava bastante atenção. O que fez Mjla levantar a questão, por qual motivo um hotel deslumbrante estaria com nenhum movimento além do dela?

Ela se deslocou até o balcão da recepção e tocou no sino de mesa. Ninguém veio. Tocou novamente duas vezes seguidas. Dessa vez, saindo por uma porta que ficava ao fundo da área do atendente da recepção aparecia para atendar Mjla uma senhora de altura mediana, um pouco gordinha, que usava sapatos com saltos rasos de 3cm e óculos meia lua, tinha o cabelo amarrado em um coque, onde por sua vez já dava para notar os cabelos brancos que surgiam aos montes.

— Desculpa a demora minha filha, estamos lotados hoje, qual a sua reserva?

"Me poupe" pensou Mjla, um hotel vazio daquele lotado? Onde tava as pessoas, ninguém frequentava se quer nem o bar do hotel.

— Quarto 89 — respondeu Mjla — deve está no nome da empresa que eu vim a trabalho, a Archi.Biø.Bald Enterprise.

A senhora por um certo momento pareceu absorta, mas rapidamente se atentou novamente a sua função.

— Sim, está aqui, por favor me siga.

Mjla seguiu ela até o elevador, a porta era de um tom dourado, espelhado, e de um modelo retrô também, assim como todo o restante do hotel. A senhora a deixou somente até a entrada do elevador e a informou que seu quarto ficava no andar 13, entregou-lhe a chave do quarto e desejou uma boa noite.

Ao chegar no andar ela observou que um enorme carpete cobria todo o chão do corredor. Era de uma coloração escarlate bem escuro, parecia vinho, e tinha estampas lindas desenhadas em prata. Ela foi observando os desenhos até chegar em seu quarto para se distrair do silêncio que havia no local, pareciam pequenos navios em ondas do mar, ela não sabia ao certo mas era de se esperar, já que essa região sempre foi conhecida pelo porto, viagens de cruzeiro e a pesca local. A sua história sempre estivera conectada as águas do ártico.

Mjla puxou a chave e destrancou a porta. A cama era grande e ficava na parte central do quarto, onde ao lado esquerdo havia uma luminária que ficava em cima de criado mudo, que ela ascendeu assim que entrou. O piso era de madeira de carvalho, e também havia um banheiro com tamanho convincente. Mjla também reparou a vista da sacada de seu quarto. Tinha uma vista linha do luar, e também se ela observasse com mais atenção daria para se ver as águas do mar que se formavam por trás de outros prédios.

Era a noite e Mjla já estava exausta da viagem que fez, então decidiu tomar banho para ir dormir.

A noite seria singular.

✩ ✩ ✩

Uma voz suave ecoava pela escuridão de um ambiente que parecia ser um cais, Mjla estava encharcada e sentia um frio avassalador. Não havia resquícios que haveria mais alguém ali, mas algo dentro dela fazia sentir-se observada. A neblina cobria o céu e lugares distantes onde simples olhos humanos não alcançaria, a voz no entanto não tinha espírito de espera, se aproximava cada vez mais aos ouvidos.

Foi quando a voz de repente cessou. Mjla começou a ouvir algo na madeira do píer, não eram passos ao certo, foi quando ela olhou atentamente e viu uma figura que se formava de costas à sua frente, vestia capa de lã preta com capuz. Ela nunca foi uma pessoa de tamanha "bravura", mas ela sentiu que precisava acabar com isso. Ela se direcionou até aquilo, que ao primeiro ver, achou que fosse uma pessoa. Mjla ergueu sua mão para tocar naquilo e de repente o píer quebrou e ambas caíram dentro d'água.

A água estava congelando como já era de pressupor, e por mais que Mjla não soubesse nadar e já estivesse entrando em desespero, tentou abrir os olhos para nadar, e foi assim que ela viu quando a figura que até o momento irei chamar de "aquilo" passou nadando perto dela lhe arranhando. "Aquilo" se locomovia tão rapidamente como se voasse dentro d'água, Mjla tentou gritar, como tentou, porém de nada adiantava, estava se afogando. "Aquilo" pousou em sua frente, foi quando ela teve o ultimo fleche que conseguiu se lembrar. "Aquilo" possuía olhos amarelos brilhantes como semáforos de transito, e antes mesmo de Mjla acordar desse terrível pesadelo ela conseguiu ouvir algo parecido com:

— Nòwyngarkarin, é tudo por você.

Mjla despertou assustada de seu terrível pesadelo, a noite foi longa. Mas já era de manhã, estava na hora de ir trabalhar.