— CAPÍTULO III -

Coral

Mjla acordou imediatamente se tocando para checar se não lhe faltava nenhum pedaço, foi quando percebeu algo, um ardor em seu corpo que não era de costume, se levantou rapidamente e correu direto para o espelho do banheiro, foi quando percebeu que havia um arranhão em sua coxa direita. Como seria possível? Ela não tinha saído do quarto durante aquela noite, foi nessa onda de pensamentos e dúvidas que de repente bateram na porta:

— Serviço de quarto — disse uma voz masculina,

— Um momento — gritou Mjla pondo rapidamente o roupão por cima da camisola.

Ela abriu a porta e deu de cara com o um homem que ela não pode deixar de notar. Aparentava ter quase a mesma idade que a sua, tinha cabelos e olhos castanhos, media uns 1,82 e vestia uma espécie de uniforme para atender os hóspedes.

— Você é a camareira daqui? — brincou Mjla.

— Não e sim — respondeu ele retribuindo o humor também — estou fazendo o serviço da casa, sou Aron Gaïa.

— Prazer, Mjla — eles ergueram as mãos para se cumprimentarem — Gaïa? Então você é o dono do hotel?

— Tecnicamente sim, é da minha família a gerações — ele começou a mudar de assunto — tem algo que eu possa fazer? Toalhas, café?

— Am? Ah não desculpa... na verdade eu já estou de saída...

— Entendo — ele puxou um papel do bolso de sua camisa — então qualquer hora se precisar de qualquer coisa é só me chamar.

— Pode deixar ­— disse Mjla enquanto trocavam sorrisos. Ela percebeu que isso foi somente uma desculpa esfarrapada dele para lhe dar o número de celular.

Aron deu as costas e foi embora, enquanto Mjla fechava a porta e voltava para dentro. Aron foi um bom acontecimento para lhe distrair por um momento do acontecimento da noite anterior. Mjla olhou para o relógio:

— 11:00 horas? MERDA!!!

✩ ✩ ✩

Mjla acabara de chegar a M.F.A.B.N. (Marinbiologisk Forskningssenter ABB Narvik, em livre tradução é o centro de pesquisa de biologia marinha de Narvik), o laboratório que era sua promessa de um futuro promissor. A sua espera estava Astrid, que seria sua companheira de trabalho e atuava a algum tempo, seria uma ótima influência profissional para Mjla.

Mjla tinha entrado no prédio e passado pela recepção, recebeu um crachá com seu nome, estava a procura da sala em que iria fazer suas análises, sala 07, sala 07..... Achou! Era um laboratório enorme e quadrado, com uma parede somente de janelas que davam a visão do pequeno jardim que tinha em volta do prédio logo abaixo. Havia também diversas prateleiras com maquetes de animais aquáticos, aquários que hospedavam peixes, algas e até mesmo uma estrela do mar. Ela avistou uma mulher que caminhava em sua direção, ela pressupôs ser Astrid, ela era morena com olhos grandes e azuis, de nariz redondo e tinha uma altura mediana, estava a usar o jaleco branco da corporativa.

— Bom dia Mjla, é um prazer lhe conhecê-la, sou Astrid.

Elas se cumprimentaram.

— Muito prazer Astrid.

— Eu irei lhe passar passo a passo dos dados já coletados pela nossa equipe de mergulhadores e o que exatamente estamos em busca por meio dessa pesquisa.

— Estudar as propriedades dessa água?

­— Isso! — Astrid começou a explicar tudo desde o início — Meses atrás um dos nossos grupos de mergulhadores foram coletar dados de uma espécie de corais raros encontrados no fundo do mar ártico, e me trouxeram para analisar. A princípio era só uma coleta de dados comum para armazenar no nosso banco de dados, mas algo inusitado aconteceu ­­— com luvas ela pegou o aquário com o coral e mostrou a Mjla — o Coral apresentou uma mutação o rara jamais vista.

O Coral que Astrid segura parecia comum, pensou Mjla. Foi quando Astrid explicou:

— Observe — ela pós o aquário em cima do balcão da frente— Isso que está no aquário é água trazida de outra costa longe de Narvik, pusemos o coral nesta outra água e ele voltou ao seu estágio natural, mas... — Foi quando ela pegou um frasco pequeno com um líquido e explicou — Isso é água do local que o coral veio, aqui de Narvik — Ela derramou a água dentro do aquário e em estantes o coral começou a mudar sua estrutura, e também a criar uma cor fluorescente amarelada, que as vezes também parecia verde. Mjla tinha a sensação de já ter visto algo do tipo, foi quando ela se lembrou dos olhos que a atormentou durante seu pesadelo na noite anterior.

— Qual seria o motivo para isso? — pensativa questionou Mjla em voz baixa.

— Não sei, posso imaginar que essas águas contém propriedades jamais estudas.

— Até agora! — declarou Mjla, claramente desposta a solucionar o caso.

Mjla e Astrid se posicionaram com todos os equipamentos para estudar e começaram. A princípio Mjla ficou perplexa pelo fato de não haver uma equipe maior no local com tantas pessoas trabalhando no prédio, só elas duas de biólogas marinha? Ela nunca teria parado para pensar que a ABB não se tratava somente de estudos científicos.

Horas depois de mais analises e estudos uma dupla (um homem e uma mulher) entraram no laboratório. O homem aparentava ter por volta de 35 anos, tinha uma pele negra e olhos castanhos, era alto e um pouco musculoso, enquanto isso, a mulher aparentava ter por volta da mesma idade de Mjla, tinha uma pele branca, cabelos loiros e olhos azuis escuro.

— Mjla — Astrid começou a falar — quero que conheça Ariah e Theodor, eles são a nossa dupla de mergulhadores que coletaram todas as amostras da pesquisa.

— Olá, é um prazer... Mjla? — perguntou Theodor.

— Sim, isso mesmo — respondeu Mjla com sorriso no rosto.

— A maré está brutal Trid, não vai dar para mergulhar na costa hoje! Olá Mjla — Ariah erguia a mão para cumprimentá-la.

Pelo visto todos ali já teriam sido avisados da junção da Mjla na equipe antes mesmo dela chegar a Narvik.

— É... — continuou Ariah — A sua viagem foi tudo tranquila?

— Sim sim, foi tudo tranquilo desde o desembarque até a hospedagem no hotel...

— Em qual hotel você está? — questionou Theodor.

— Hotel Gaïa, é o que fica mais próximo daqui — tornou Mjla.

— Ah sim, eu sei qual é — confirmou Theodor.

— Eu também sei — continuou Ariah — dizem que a dona do hotel é louca viu, quase ninguém se hospeda mais lá, e por isso o negócio está a falir!

Isso explicaria a falta de fluxo de pessoas no hotel pensou Mjla.

— Ham? Quem te falou isso, os peixes? — disse Astrid com tom de humor debochando da colega.

— Gente? As notícias simplesmente correm rápido por aqui — respondeu.

— Conseguiram achar alguma explicação para o coral? — Theodor indagou mudando de assunto enquanto fixava nos olhos de Mjla.

— De jeito nenhum, nada – disse Astrid com uma certa frustração — E eu acho melhor vocês irem saindo pois Mjla e eu temos que retornar as análises, beijos falou tchau — dessa vez ela voltou com seu bom humor.

— Que seja então, bom, nós vemos depois, foi uma prazer Mjla — Ariah deu um sorriso para Mjla, e foi a caminho da saída da sala — vamos Theodor.

— Ah...sim... até mais Trid e... — ele tava emburrado — Mjla.

— Tchau até mais — respondeu Mjla sorridente.

A dupla deixou a sala e elas retornaram a seus ofícios, mas os resultados foram os mesmos de mais cedo, nada, até que deu o horário de voltarem para suas casas (no caso Mjla voltaria para o hotel que acabara de ter ser informada que a dona é uma “maluca”). Porém, tirando isso e o pesadelo da noite passada seu segundo dia em Narvik teria sido ótimo, Astrid, Ariah e Theodor foram super gentis e divertidos com ela, e também tinha o Aron pensou. Até o momento estava tudo bem.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.