Os espetáculos de uma vida nada normal
7 Finalmente 15
O dia estava incrível. O sol batia na janela, eu estava sozinha em casa e teria o dia todo livre para poder ler os livros que Leo havia me dado, mas próximo a hora do almoço, Leo me ligou perguntando se eu queria almoçar em sua casa, pois sua mãe havia preparado uma lasanha imensa e os dois estavam sozinhos em casa. Então me arrumei e peguei o habitual caminho para a casa de Clara, já que seu pai havia se casado com a mãe de Leo, agora eles moravam juntos.
Ao chegar lá, pude ouvir risadas e quase desisti de tocar a campainha, afinal, não queria atrapalha-los. Mas no exato instante em que eu ia toca-la, a mãe de Leo abriu a porta e me viu.
– Ah, você deve ser Camila! — disse ela.
Ela devia ter cerca de 48 anos, mas era realmente bonita. Ela tinha os mesmos cabelos loiros que Leo e o mesmo rosto rosado, o que os diferenciava eram apenas os olhos. Seus olhos eram verdes como esmeraldas, enquanto os de Leo eram castanhos, quase pretos.
– Sim, sou eu — respondi sorrindo.
– Entre, entre! — ela me guiou até a sala, onde Leo jogava video game.
– Oi — disse ele com um aceno rápido.
– Leo, você disse que ela era bonita, mas ela é um espetáculo!
Eu e Leo nos encaramos e ficamos vermelhos. Então eles falam de mim quando estão sozinhos?
– Mãe... — Leo pausou o jogo e olhpu para sua mãe implorando pra que ela parasse.
– Venham logo — disse ela, sorrindo.
Ela foi em direção a cozinha. Leo estava em pé ao meu lado, então nos encaramos e coramos outra vez.
Ele se sentou numa das pontas da mesa, eu me sentei a sua esquerda e sua mãe a sua direita.
– E então Camila, fale sobre você — pediu ela.
– Bem, dona... — tentei falar, mas ela me interrompeu.
– Por favor, me chame apenas de Lia, Amélia é muito careta.
Leo apertou a ponte do nariz com o polegar e o indicador e praguejou baixinho.
– Claro, Lia — assenti. — Ahn, eu gosto de ler, ouvir música, ver alguns filmes...
– Que livro está lendo agora? — ela perguntou, colocando um pedaço da lasanha na boca.
– Agora... — olhei para Leo, que sorriu e desviou o olhar para o prato. — Estou lendo divergente.
– Ah, sim. Leo já leu esse livro, aposto que você vai gostar.
Terminamos de almoçar e fomos para sala. Lia pediu desculpa por não poder ficar conosco e foi para o quarto terminar um trabalho.
– Eu comprei uma coisa pra você — disse Leo.
– Leo, você já comprou coisas demais para mim — sorri.
– É seu aniversário e eu... — ele hesitou.- sou seu amigo.
Ele foi até a cozinha e voltou com uma caixinha colorida. Dentro haviam dois cupcakes com cobertura de glacê azul. Ele colocou duas velas acima do cupcake, formando o número 15. Então ele as acendeu e disse:
– Faça um pedido.
– Sério? — eu ri, desajeitada.
– Eu sou um ano mais velho que você e faço isso, vai logo.
– É?
– Sim, eu repeti um ano... Que seja, agora vai logo!
Eu fechei os olhos, fiz um pedido e soprei as velas, tornando a abri-los.
– O quê você desejou? — perguntou ele.
– Segredo!
Então devoramos nossos cupcakes e Leo escolheu um filme para assistirmos. Quando ele finalmente o iniciou eu tive uma surpresa: ele não havia colocado nenhum filme de guerra ou terror, apenas "A fantástica fábrica de chocolate".
– Oh meu deus! — exclamei.
– O que foi? — ele perguntou, assustado.
– Eu amo esse filme!
– Sério? É meu favorito!
Quando percebemos nossa euforia, coramos um pouco e nos ajeitamos no sofá. Quando o filme acabou, já eram 17 horas, em cerca de uma hora e meia minha mãe e Melissa estariam de volta, era melhor ir para casa.
Leo fez questão de me acompanhar até minha casa. Não falamos muito durante o percurso, pois o som de uma cigarra era muito aconchegante. Eu me lembrava de quando era pequena e meus pais me levavam para uma casa que eles tinham em um estado vizinho. Tentei segurar as lágrimas, mas ao encarar o portão de casa, uma lágrima teimosa acabou escorrendo, tentei seca-la antes que Leo a visse, mas ele foi mais rápido.
– O que foi? — perguntou ele.
– Apenas uma nostalgia rápida — tentei sorrir.
– Bem, então você fica aqui...
Nenhum de nós sabia exatamente o quê fazer.
Ele deu um passo para frente e eu coloquei minha mão, esticada, entre nós. Ele retribuiu o aperto de mão com um sorriso torto no rosto.
Eu o observei enquanto caminhava pela rua. Não podia ver seu roto, mas sabia que escondia um largo sorriso.
Fale com o autor