Esta é uma história normal, como qualquer outra. Talvez o final seja bom e ela faça sucesso. Talvez o final seja um lixo e ela seja esquecida. É uma escolha sua, sim, de você, leitor, que está aqui, agora lendo estas palavras. Um dia ela pode fazer sucesso graças a você, assim como ela pode sumir, também graças a você. Só o quê me resta é agradecer desde já e esperar pelos resultados.

Todo começou há um ano atrás.

– Cami, eu e seu pai estamos nos separando.

Essa foi a primeira frase que eu ouvi em um domingo chuvoso de um outono silencioso. Minha mãe estava em pé ao lado da minha cama e seus olhos estavam vermelhos e úmidos. Ela havia chorado.

Antes de qualquer coisa, eu olhei para o lado, olhei para o relógio digital rosa que havia ganho de minha tia, ainda eram 8:35 da manhã e várias coisas, que eu ainda não sabia o que eram, haviam acontecido.

Eu me levantei e pedi explicações, assim como qualquer um faria. Mas tudo que recebi foi:

– é para o bem de todos nós.

Ah claro, terminar com a nossa família é uma coisa a ser feita para o bem de todos nós. Meu pai arrumou as malas e saiu de casa. Passamos o ano inteiro meio mal, mas melhoramos depois. Agora eu frequento uma escola mais perto de casa, portanto vou a pé todos os dias. Meu pai costumava me levar, no caminho parávamos em uma padaria e comprávamos dois croissants, um para ele e um para mim. Certas coisas nós nunca abandonamos, então continuo parando na mesma padaria todos os dias e comprando o mesmo croissant, eu acho que isso é o quê nos mantêm ligados de algum modo, assim eu o tenho comigo sempre.

Esse é meu primeiro dia de aula no ensino médio, meu aniversário é daqui a duas semanas, mais especificamente, dia 10 de fevereiro. Basicamente, todos sabem disso e fazem questão de lembrar. Eu não acho meu aniversário uma data importante, mas se é o quê querem... Por que não?

A professora começa a chamada

– Ana Beatriz Lacerda?

– Aqui – responde a garota. Ela é alta, loira e de olhos azuis. Chegou esse ano, aposto que vai passar o rodo.

Mais alguns nomes e a professora chega no meu.

– Camila Freitas?

– Faltei – respondo.

A professora me olha por cima dos óculos.

– Camila sendo apenas Camila... Você é a mesma desde que eu te conheço.

Ela me conhece há realmente muito tempo. Sabe que nos primeiros dias eu sou totalmente elétrica, e não paro um segundo.

Ela continuou a chamada. Um nome me chamou atenção: Leonardo Lourenço.

Parecia um garoto comum, cabelos loiros, olhos pretos, pele branca... mas algo me chamou a atenção; o modo como minha amiga olhava para ele era como se eles se conhecessem de longa data. E eu achava o conhecer também, de algum modo, eu já tinha ouvido esse nome antes.

Depois de 45 minutos veio a aula de Educação Física. Uma vez por semana teríamos essa aula, e nos veríamos da maneira mais estranha possível: fazendo alongamento e esticando nossos corpos o Maximo possível.

Eu nunca me senti a vontade com isso, os garotos olhavam para as garotas como se elas fossem um grande pedaço de filé, e elas retribuíam os olhares como se eles fossem o prato em que devessem ser colocados. Todos faziam isso, menos eu. Eu olhava para todos aqueles idiotas com desprezo. Mas agora algo estava errado, eu estava me alongando e fazendo as mesmas coisas de sempre, enquanto Leonardo olhava para Clara, minha amiga. Eles trocavam olhares engraçados, ele ria dela e ela ria dele.

Ao fim do dia, eu finalmente consegui falar com Clara.

– De onde vocês se conhecem? – perguntei.

– Vocês quem? – ela ergueu uma sobrancelha em sinal de duvida.

– Você e esse tal Leonardo... Ficam se entreolhando e dando risinhos... Isso me irrita – desabafei.

Ela riu.

– É meu primo – respondeu.

– Eu já vi muitas fotos da sua família e ele não estava lá.

– Isso porque é apenas de consideração. Ele é filho da minha madrasta, agora moramos todos juntos e a mãe resolveu o colocar aqui.

– Sei...

– Ele vai voltar comigo pra casa e a sua é caminho... Vamos juntos?

– Hoje minha mãe não vai estar em casa, então eu ia no McDonald’s e... – ela deu um gritinho de alegria e me interrompeu.

– Mas isso só melhora as coisas! Te vejo no Mc.

Nos despedimos e eu fui para o McDonald’s perto da escola. Comprei um lanche e o comi a espera de Clara e Leonardo. Eles estavam demorando e eu já havia acabado meu lanche, então fui até o balcão e comprei uma casquinha de baunilha para comer enquanto os esperava. O homem do balcão me entregou o sorvete, mas assim que eu virei, vi Leonardo. Foi tudo muito rápido, quando eu percebi já havia dado um grito rouco e ele ria enquanto seu rosto ficava vermelho. O sorvete escorria por sua camiseta. Eu olhei para minha mão e depois para sua blusa novamente.

– Oh meu deus! – disse – eu sinto muito! Se quiser eu lavo pra você lá no banheiro, ou então você vem comigo até lá e eu lavo ela, mas seria estranho nos virem entrar juntos em um dos banheiros, se bem que também seria estranho um cara sem camisa no meio desse lugar...

– Tudo bem – ele me interrompeu. – eu coloco o blusão e lavo em casa.

Eu tagarelava. Ele ria. Dua coisas diferentes, unidas por uma única sensação em comum: a vergonha!

Notas finais
eu espero que gostem, já que não tenho muita experiencia com isso ^^