Não poder ser! Não dever ser verdade... Daqui a pouco eu vou abrir os olhos e nada disso vai ter acontecido, pensei.

– Você está bem? — perguntou Leonardo.

Ai droga, não é um sonho.

– Claro- respondi.

– Não precisa ficar assim, eu sempre tenho uma camiseta extra na mala, nunca se sabe quando alguém vai te acertar com um sorvete — ele apontou para a camiseta suja.

Pude sentir todo o calor do meu corpo subindo até as bochechas, fazendo com que ficassem totalmente vermelhas.

– Ei — disse ele para o homem atrás do balcão-, vou querer um Mcchicken com batata grande e pra beber pode ser coca zero... Ah, e um top sundae.

Ele pagou o homem, que tratou de passar o pedido a outra mulher que trabalhava ali.

– Eu percebi o modo como me olhou hoje — disse ele.

– Que modo? — perguntei. Eu realmente não sabia.

– Você tem belos olhos verdes, e cabelos ruivos perfeitos, mas quando olha pra alguém com cara de nojo realmente fica horrível!

Tá, ele me chamou de linda e de horrível na mesma frase... Parabéns, Leonardo, você tem muito jeito com garotas!

– Vou fingir que foi um insulto e continuar a viver minha vida — eu revirei os olhos.

A mulher terminou de preparar a bandeja. Ele pegou o sundae antes de qualquer coisa e o estendeu em minha direção.

– Pra compensar pelo sorvete — ele sorriu.

Aaaaaaaaaaaaaaaaaah! Que ódio!

– Seu cabelo loiro e seus olhos pretos podem até ser legais, mas você é um idiota!

– Esse idiota aqui está esperando essa pessoa aí pegar esse sundae aí — seu sorriso agora parecia o de um psicopata.

Fomos para a mesa onde clara nos esperava. Ela estava de dieta novamente, portanto não ia comer nada. Ela riu para mim, que revirei os olhos em resposta. Enquanto Leonardo devorava seu lanche, ela saiu para ir ao banheiro e nos deixou ali. Era proposital, tenho certeza.

– Tem molho... — eu passei o dedo no meu queixo indicando a ele para que limpasse.

– Não tem não — ele examinou meu queixo.

– Não o meu, o seu — eu olhei para o teto esperando que algum avião caísse ali e me privasse de tudo aquilo.

Ele limpou seu queixo e voltou a comer. Clara voltou para a mesa. Depois de uns 10 minutos ele terminou o lanche e saímos do lugar. A casa de Clara era algumas ruas antes da minha, ali nos separamos e seguimos para nossas casas, apenas dizendo um simples "até amanhã".

No dia seguinte eles estavam me esperando na frente da escola

– Oi Clara — disse eu.

Ele limpou a garganta.

– E Leonardo — completei.

O sinal tocou e fomos para sala. Lá a professora de biologia nos esperava com vários pedaços de papel identicos, todos eles anunciando a mesma coisa:

Chacára da vida

Saída: 8 de fevereiro às 7:50

Volta: 10 de fevereiro às 18

Valor: R$150,00

Direito a todas as refeições. Levar material para higiene pessoal, roupas para a ocasião e roupas de banho (maiô para garotas e bermuda para garotos)

– Lembra que você me devia um favor? — sussurrou Clara assim que a professora entregou os papéis — seu favor vai ser ir nesse passeio!

Notas finais
O que vai acontecer nesse passeio? Boa sorte, Cami!!!