Entramos de mãos dadas por um corredor.

– Porque precisamos fingir que estamos juntos? — ele indaga.

– Somos as estrelas, meu bem — falo, puxando-o para o meu lado.

Andamos até o final do corredor e subimos por uma pequena escada. Ela balança e um degrau no final cai. March agarra no corrimão e eu seguro o seu braço com mais força.

Marco me liga quando estamos prestes a entrar na sala aonde está acontecendo a festa.

– Marco? — atendo.

– Calem a boca. É uma emboscada, e Baggie está lá dentro — e isso é tudo oque ele fala antes de desligar.

Solto a minha mão da de March e ando até o lado da porta. Ouço música quando coloco minha orelha na porta, mas não vozes, e alguns gemidos do quarto ao lado.

– Não acho que esses gemidos sejam do que está pensando — fala March. Ele ainda não sabe oque Marco me falou e não faço idéia do que pensa que estou fazendo. Fico quieta e pesso que ele também fique.

A porta do quarto dos gemidos é destrancada por dentro com um barulho seco. Puxo March para perto de mim e coloco suas mãos na minha cintura segurando sua cabeça como se estivéssemos namorando. Ele tenta me largar, mas forço-o à não fazer isso.

Um homem sai pela porta e olha para nós. Seguro March com mais força e mecho sua cabeça para parecer que ele me beija. O homem passa e olha-nos apenas de relance.

– Oque está acontecendo? — pergunta March.

Olho para os lados para ter certeza que não há ninguém no corredor.

– Isto é uma armadilha. Baggie foi pega e eu acho que ela está na sala dos gemidos — sussurro em seu ouvido. Estou tão perto dele que posso ouvir seus batimentos cardíacos.

Ele quebra um pedaço da parede sem fazer barulho e espera ao lado da porta. Eu toco a campainha. Ninguém atende.

Forçamos a maçaneta, ambos sem resultado. Ele chuta a porta, mas a força não é suficiente para abri-la. Tentamos tudo oque é possível e nada funciona.

– Acho que deveríamos entrar — fala March. Eu balanço a cabeça.

– Vamos acabar junto com ela, não dá.

– Você realmente acha que eles não sabem que estamos aqui? Tem câmeras em todos os lugares, dentro das paredes, e até em baixo dos lustres.

Coloco a mão na testa. March prepara-se para dar um soco na parede, mas para quando percebe um homem ao seu lado. Ele me olha pedindo socorro. Balanço a cabeça.

O homem pega March pela gola de sua camisa do mesmo jeito que fiz mais cedo. Só que ao invés de beijá-lo na bochecha, o soca. March cai de joelhos. O homem vira-se para mim e faz o mesmo comigo. Mas ele não me acerta. Eu desvio e dou um soco no seu queixo. Ele mal se meche.