Os descendentes e o segredo
32 Campo dos Whites
Notas iniciais
P.O.V. Cecília Mason
A sensação de ser puxada parou logo depois, Jannete pousando sobre mim e Dylan ao meu lado. Em comparação com a chegada nos Masons, essa foi tranquila. John se aproximou, tirando a irmã de cima de mim e, assim, eu pude me levantar.
Podíamos perceber as diferenças logo que chegamos. Enquanto a casa dos Masons era escura, a casa a nossa frente era da cor branca e azul clara, com uma varanda ampla na parte de trás, colunas brancas sustentavam o telhado sobre a varanda, da mesma cor, era a cerca em torno dela. Nesse local, não tínhamos uma cachoeira, mas um grande rio cruzava o terreno ainda na parte sem muitas árvores; chamávamos assim, pois era bem grande, porém podia ser, simplesmente, um enorme lago.
Elas se encontravam um pouco mais afastadas, lá ao longe, ao menos, o bastante para caminhar um pouco e manter os mais jovens seguros, porém não muito para os mais velhos não se cansarem. A casa, bem mais clean que a da minha outra família, possuía três andares também. Mas transmitia o jeito mais leve desse lado White. Isso podia ser visto pela mesa grande de madeira clara.
No terreno com a plantação mais baixa, estavam flores de vários tipos, trazendo um cheiro muito agradável para o local. Vale ressaltar que, mesmo a maior parte estando depois da água, tinham algumas antes, mais afastadas de onde nos encontrávamos. Elas seguiam mais ou menos a linha lateral da casa, trazendo a decoração da frente para a parte de trás da construção.
Caminhei adentrando pela porta da varanda, caindo na ampla cozinha com os móveis claros, incluindo uma ampla mesa que combinava com o ambiente, tendo uma toalha da cor da casa tradicional. Como nas três paredes exteriores tinham enormes janelas, permitindo que a luz natural adentrasse.
Do lado esquerdo, tinha uma parede que ocupava, aproximadamente, um quarto daquele lado, o restante, era aberto, permitindo uma vista quase completa da sala, a qual tinha portas de correr de vidro, dando acesso ao quintal no lado oposto. Embaixo da escada, tinha um lavabo e, na sala, mesmo com todas as janelas, várias estantes estavam posicionadas sem tampar a luminosidade ou a vista.
A escada ficava apoiada contra a parede, que separava os dois cômodos, dava para o segundo andar e, consequentemente, para os quartos. Ela também era clara. Sentia falta dos meus pais estarem aqui, mas sabia que era por algo urgente, isso trazia um ar ainda mais estranho, era quase como se eu estivesse festejando enquanto alguém da família morria, balancei a cabeça e, assim, subi pelas escadas até o segundo andar.
Ali, tinha mais uma diferença entre as duas famílias. Enquanto os andares dos Masons era apenas um corredor largo; aqui, pelas escadas estarem no meio dele, acaba sendo bem maior, porém não tão comprido. Ou seja, lá, o andar parecia um pouco mais com um retângulo, enquanto o dos Whites lembrava mais um quadrado, que só era dividido pelas escadas. Isso acontecia nos dois andares de cima, além de uma enorme biblioteca no último andar, ao fim do corredor ao lado esquerdo da escada.
Virando para a direita, caminhei para o final. Outra diferença é que, enquanto a casa sonserina tem toda uma estrutura de seleção dos quartos, aqui, não existe isso, eles são, realmente, escolhidos aleatoriamente e a própria casa se encarrega, de uma forma completamente mágica, ela seleciona de acordo com a decoração e gostos do recém-nascido.
Abrindo a porta, eu vi a parede cinza na minha frente, com duas janelas que ocupavam o canto esquerdo dela. Na verdade, elas continuavam no que seria a parede a esquerda, porém a vista daqui, não era possível de se ver, devido a uma parede menor entre a original e a cama; nessa parede, tinham três quadros em pretos e branco, emoldurados com a cor branca, dando um destaque contra a coloração arroxeada dela. Ainda contra o sólido falso, estava uma cama de casal grande, cuja cabeceira era branca, trazendo um retângulo bege um pouco menor nela, esse padrão se mantia nos criados-mudos, cuja a primeira gaveta de cada um trazia a mesma cor, contrastando com o branco da segunda, e do móvel. Os abajures seguiam a paleta de cores.
Enquanto a cabeceira era clara, a base da cama era preta e o lençol debaixo, cinza com uma borda preta da largura dos três travesseiros de igual cor. O tapete ao lado era da combinação clássica de preto e branco sobre o piso cinza clarinho. Atrás dali, a parede era repleta de janelas do mesmo tamanho das visíveis, porém, nessas, tinham cortinas, uma vez que, ali, era uma espécie de closet.
Ao lado do vidro na parede cinza, tinha uma cômoda com o padrão da cama e das mesinhas de cabeceira, a diferença é que, como o móvel tinha 3 gavetas, as duas debaixo eram brancas. Sobre a superfície, duas decorações pretas na frente do espelho, mas o destaque ia para o grande vaso. Na sequência, tinha uma porta branca que era o banheiro.
Para terminar, no chão, tinha um puff escuro, ele ficava a uma distância da cama, mas ainda assim, entre ela e o tapete. Suspirei, jogando minha mochila sobre ele, atirando-me na cama. O teto branco me permitiu divagar por uns instantes antes de uma batida na porta me fazer voltar.
Dylan colocou a cabeça para dentro do quarto como que perguntando se podia entrar, o fato de eu ter me sentado foi a resposta que ele precisava. Entrando, o grifinório fechou a porta e se apoiou contra ela.
—Como você está? — Ele perguntou.
—Percebe que a maioria das vezes que conversa comigo, você começa assim?
— Eu me preocupo. — Ele deu de ombros.
Levantei da cama, pegando a mochila e caminhando para a parte de trás do cômodo.
—Estou, sim. — Tirei o malão da mochila, abrindo-os para guardar as roupas no closet. — Papai e mamãe sabem o que fazem, se eles dizem que é importante, é porque é.
Ele se apoiou contra a parede, os braços cruzados sobre o peito, observando-me guardar as roupas. Ouvi seu suspirou, olhando para além da janela.
— Tudo está se aproximando, né?
— Sim. — Respondi com uma levemente agitação. Não que eu gostasse de guerras, afinal guerra significa mortes, nesse caso, por minha causa. Mas quando se treina a vida inteira para algo é difícil ficar indiferente diante da proximidade do fato.
O próprio Dylan parecia inquieto com a situação. Passando os olhos por toda a extensão da parede iluminada. Eu sabia que ele gostava muito do campo, assim como eu; nunca fomos atacados ali, então era uma sensação de segurança que não tínhamos no normal.
Terminando de guardar tudo, eu peguei os dois objetos que transportavam os itens, levando-os para a outra parte do quarto. Nem tudo tinha sido retirado, os livros que eu carregava eram exemplos de objetos que continuavam ali.
Assim que coloquei eles no chão, minha porta se abriu com tudo e uma criança loira estava ali parada. Eu a olhei questionadora, percebi que Dylan tinha ficado em alerta para lançar um feitiço em quem quer que abrisse; mesmo com a proteção do local, nunca relaxávamos.
—Ceci. Não consegui falar com você direito. — A pessoinha caminhou tranquilamente e pulou na minha cama.
Meu irmão observava a cena como quem se divertia, Jannete no alto de seus quase 11 anos, o cabelo loiro claro caia em cachos nas suas costas e os olhos azuis estavam cintilantes. Ela observava tudo ali com curiosidade, não é exatamente como se nunca tivesse entrado no local, mas a garota era curiosa.
Jannete tinha um jeito fofo e encantador, desde de que me lembro, ela adora ficar perto de mim, ainda não sei a razão e desisti de procurar uma há um tempo, mas ela era assim.
—Ano que vem, eu vou para Hogwarts. — Ela disse sorrindo. — Sabia, Dylan? — Ela olhou para meu irmão, a animação da menina surtiu efeito nele. — Queria estudar com vocês, mas sei que vou para Corvinal — Ela deu ombros, fazendo com que seu cabelo se movimentasse e pulou da cama. — Vou poder ver vocês, mas não fiquem bravos por isso. — Ela me abraçou.
Eu olhei para o grifinório confusa, a pequena White tinha muita energia e dificilmente conseguia ficar sem gastá-la, seja de forma física ou mental.
— Ceci, Dylan. Vamos no rio algum dia, né? — Ela nos olhou ansiosa.
— Não vejo problema, Jan.
— Eba — Ela comemorou e saiu correndo.
Percebi o olhar espantado de Dylan, essa menina não parava. Um pequeno sorriso surgiu no rosto do garoto, enquanto se virava para me olhar.
Depois que arrumei tudo, meu irmão se despediu e seguiu para seu quarto, pronto para desfazer as malas. E uma batida na minha porta me deixou curiosa.
— Posso entrar? — A voz de Alice soou.
— Pode. — Assim que terminei de falar, a mulher entrou.
Alice com seus 20 anos caminhou, a sapatilha branca contra o piso tornava seus passos silenciosos e o vestido florido dava à garota um ar ainda mais jovem.
— Eu queria te agradecer novamente pela ajuda no parque, se vocês não tivessem aparecido, não sei se conseguiríamos vencer.
— Não precisa agradecer, Alice. — Ela apontou para a cama, pedindo permissão para se sentar e eu concordei.
— Preciso, sim. Sinto que não te agradeci o bastante por salvar nossas vidas. Encontrei com Dylan no corredor, então eu já falei com ele.
Faz sentido, uma vez que ele saiu há poucos minutos.
— Alice, nós só conseguimos, pois seus pais falaram, quando minha mãe fez o feitiço.
— Por falar nisso, a tia Jade é forte, como ela ainda não conseguiu?
— Não sei, você sabe que tem alguns agravantes nele, por exemplo, por ser à distância, não precisando ver o alvo; ser de longa duração, precisando se manter por um tempo; múltiplos alvos, afinal, ele capta rastros de magias das trevas. Isso acaba dificultando muito, mas, mesmo assim, ela devia conseguir manter por um tempo maior e não apenas flashes. — Alice suspirou, abaixando a cabeça por um momento.
— É... Vou tentar descobrir algo, apesar de que, se vocês não conseguiram, não tenho muitas esperanças, mas posso tentar algo com meus contatos. — Sabia que os "contatos" eram os conseguidos pelo emprego no Ministério da Magia.
A loira era bem séria e isso podia ser percebido sem nem conhecê-la, muitas vezes, isso a faz parecer mais velha. Se se considerar o fato de trabalhar na parte de Cooperação Internacional de Magia, esse fato realmente parece ainda mais visível.
O resto do dia passou muito rápido e, quando percebi, o Sol nascente batia contra minhas costas, dando uma sensação quente contra o lençol e meu pijama. Virei de modo a encarar o teto, lembrando-me da pequena Jannete animada.
Levantei da cama, caminhando descalça para o closet aberto do local, escolhi, dentre todas as roupas, a mesma calça branca que usei no dia após o jogo de quadribol e uma camiseta fininha azul, além de rasteirinha branca.
Com tudo em meus braços, segui para o banheiro pronta para me preparar para mais um dia. Assim que saí, uma pessoinha invadiu meu quarto, usando um vestido jeans.
— Jan. — Eu a cumprimentei, acenando com a cabeça.
— Você já vai tomar café da manhã??
— Sim — Respondi, amarrando meu cabelo em um rabo de cavalo.
— A tia Beatrice começou a prepará-lo. Você está bonita.
— Obrigada. — Agradeci, caminhando para a porta e ela correu para segurar minha mão. Quando eu a olhei, ela sorriu.
Enquanto percorríamos o corredor, Dylan saiu do quarto dele. No momento em que nos viu, ele nos cumprimentou, juntando-se a nós enquanto descíamos.
No andar debaixo, o cheiro de comida começava a se espalhar pelos cômodos, as portas estavam completamente abertas e as janelas possíveis também. Uma conversa ocorria no cômodo e reconheci as vozes das minhas tias.
— Mamãe. — Jannete gritou antes de soltar nossas mãos e correr para a mais baixa das mulheres.
— Oh, bom dia, Jannete. — Ela colocou o braço ao redor da pequena e nos viu. — Cecília, Dylan, bom dia também.
— Precisam de ajuda? — Eu respondi após cumprimentar as mais velhas.
— Não, precisa, Ceci. — A de cabelos mais escuros disse em um sorriso.
Eu concordei, virando para olhar para o Dylan, mas ele não estava no lugar de antes, procurando pelo garoto, eu o vi no quintal, entre a casa e o rio.
— Dylan. — Chamei baixinho, colocando minha mão esquerda em seu ombro direito. Ele me olhou assustado. — Você está bem? — Ele olhou para o chão por um momento antes de erguer o olhar novamente.
— Eu estava pensando... é estranho estar aqui sem eles. — Ele parou, fazendo uma feição pensativa e levemente frustrada antes de continuar. — Será que nós vamos voltar aqui? — Antes que eu pudesse sequer pensar no que ele disse, tia Alyssa veio nos chamar para comer.
O café da manhã foi tranquilo, todos estavam na mesa se alimentando da comida que as mais velhas prepararam, o sabor de comida caseira era bem mais visível nessa.
— Mamãe, vamos para o rio hoje? — Jannete perguntou para a loira sentada ao seu lado, um sorriso em seu rosto mostrava a felicidade da garota.
— Podemos ir, Jan. — Dito isso, a caçula dali comeu muito rapidamente, rendendo uma bronca por parte dos pais. John deu um leve sorriso pela cena.
Não foi surpresa ela ter pedido para ir na água logo após comentar sobre no meu quarto um dia antes, a loirinha era assim, super agitada e levemente impaciente.
Como Jannete comeu mais rapidamente, ela foi a primeira a acabar com seus ovos mexidos com torta salgada. Assim que terminou o copo de água na sua frente, a futura aluna de Hogwarts pediu licença e saiu. Dessa forma, todos começamos a seguir, aos poucos e individualmente.
Não demorou muito para que o desejo de Jannete fosse realizado e todos estivessem no rio, aproveitando a água fresca daquele lugar. Alice resolveu sair um pouco, sentando-se na beirada, de forma que apenas uma parte de suas pernas ficavam sob as águas, ela ria de John brincando com a irmãzinha. Elizabeth nadava pelas águas enquanto os pais conversavam um pouco mais afastados. Dylan estava um pouco mais afastado, ligeiramente mais próximo de tia Beatrice e tio Mike. Meus pensamentos disparavam, então decidi aproveitar o local e, assim, me distrair um pouco. Era férias, afinal de contas.
Nadei por um tempo até trombar em alguém, soltando o ar aos poucos, endireitei meu corpo, saindo da água e encontrando Dylan que me olhava.
— Oi. — Disse.
— Aproveitando a água?
— Tentando me distrair mesmo.
— Entendo. — Ele suspirou. — Estou com a estranha sensação de que não tínhamos que estar relaxando, pode ser a tensão ou só por não estar acostumado mesmo, mas sinto que, para sermos úteis, era para estarmos lá dentro. — Ele apontou para a construção.
— Vocês precisam relaxar também. — A voz do tio Luke veio detrás de mim.
— Ninguém cansado consegue erguer uma pedra, imagina mover montanhas. — Tia Alyssa comentou, recebendo um olhar curioso do marido. — Eu aprendi umas coisas com os Whites. — Ele riu, de fato, quem tem o costume de falar as coisas indiretamente é a família do companheiro. — Cecília, Dylan, vocês não estão sozinhos.
— Todos nós vamos ajudar vocês, minha irmã e Érick — Tio Luke comentou. — Então, relaxem um pouco, se soubermos de algo, nós vamos falar.
— É, Ceci, aproveita a água, nada comigo. — A pequena Jannete chegou batendo as perninhas, enquanto atravessava a superfície, seu sorriso era muito largo.
As horas foram passando lentamente, enquanto aproveitávamos cada minuto da luz e a temperatura agradável, até o vovô e a vovó se juntaram a nós.
Tão logo a tarde chegava ao fim, todos entraram na casa, indo para os respectivos quartos, tomar um banho e trocar de roupa. Em alguns minutos, eu troquei o biquíni azul escuro por uma calça jeans clara e uma regata preta simples.
Assim que acabei, desci as escadas rapidamente para oferecer minha ajuda para o preparo da janta, minha mãe me ensinou o básico e eu não era tão ruim assim, sabia me virar bem, então daria para auxiliar caso precisassem.
Dessa vez, as mulheres aceitaram a ajuda minha e de tio Luke, enquanto vovô arrumava a mesa com todo o necessário e tio Mike tentava manter Jannete entretetida, enquanto acompanhava uma quase excursão pela biblioteca, Dylan estava lá, depois de recusarem sua ajuda com a comida. Na verdade, não precisava mesmo de tantas pessoas ali, mas não podia negar que tudo ali era muito reunião de família, daquelas que almoçam todos os Domingos juntos ou viajam juntos.
Vovó pediu para que eu preparasse purê de batata e abóbora, tia Alyssa ficou com o arroz primavera; o filho, com carne assada e ela resolveu fazer frango recheado.
Demorou um pouco, mas tudo ficou pronto e minha tia mais velha foi chamar o marido e todos da biblioteca.
Peguei um pouquinho de tudo, os sabores estavam bons. Eu já sabia que mamãe aprendeu a preparar as coisas com vovó, mesmo não aproveitando muito o que sabia durante um tempo razoável, ela sabia preparar bons pratos com os ingredientes disponíveis. Papai não teve a mesma sorte e só aprendeu algo, quando a esposa ensinou.
O fim da noite foi bem tranquilo, acabamos de comer, arrumamos tudo, é verdade que, na casa, tinha alguns elfos, mas eles não faziam serviço como nos Masons — mesmo vovó Gianne não deixando alguns — aqui, eles cuidavam da biblioteca e um pouco das plantações na floresta, às vezes, arrumavam umas camas, nada muito pesado; por fim, nós nos despedimos uns dos outros e fomos para os quartos.
Ao menos, essa era a intenção, uma vez que, no meio do corredor, Dylan segurou o meu braço, indicando a biblioteca no andar superior com a cabeça. Eu apenas concordei, afastando-me do caminho original.
Com passos firmes, seguimos para a escadaria do próximo andar e, assim, para o nosso destino.
— Aqui, está muito bom. — O garoto tinha razão, o clima ali era mais ameno, ele ficava fresco no calor, porém quente no inverno.
Passamos horas consideráveis naquele local, lendo livros. Já devia passar das 3 da manhã, quando encostamos as portas do cômodo e caminhamos silenciosamente até nossos quartos.
Os dias se passaram sem grandes novidades, eu e Dylan passamos muitas tardes na biblioteca lendo, Jannete querendo brincar, novas brincadeiras inventadas. Tudo estava estranhamente tranquilo e, ao mesmo tempo, sem notícias de mamãe ou papai.
O Sol batia no meu olho conforme nascia, ele batia nas flores, trazendo uma coloração muito bonita. Observei a paisagem por um tempo antes de me levantar. Os dias passavam rápido, então não sabia dizer de forma tão ligeira qual era.
Depois de um tempo, eu me levantei, os pés tocando o chão dali, no closet, escolhi uma saia branca com uma camiseta regata azul clara e uma sapatilha. Seguindo para o banheiro, eu tomei um rápido banho morno, escovei os dentes e coloquei a roupa nova.
O dia prometia ser bem quente, então imagino que a maior parte das pessoas vão estar com roupas bem frescas. Desci as escadas e não encontrei ninguém nem no caminho nem na cozinha. Não sabia quanto tempo ia demorar, mas tentei adiantar algumas coisas para o café da manhã; como separar ovos para fritar, tentar fazer um lanche que envolvia colocar pães de forma em uma bandeja, adicionar recheios, no caso, eu misturei presunto, mussarela, peito de peru, salame, tomate e azeitonas, pães de forma por cima e molho antes de colocar no forno. Eu me lembro da minha vó fazendo algo bem semelhante, quando eu era pequena. Peguei dois pães de forma e os deixei na torradeira que mamãe trouxe para cá, enquanto enchia um copo com suco de laranja; deu tempo de beber um gole antes das torradas ficarem prontas. Em seguida, peguei um prato pequeno, onde coloquei uma delas antes de começar a comer a outra apoiada na pia.
Levei tempo o bastante para o lanche no ficar pronto, então desliguei o forno, mas não tirei a bandeja de lá para manter quente. Quando acabei de me alimentar, limpei o que usei e fui para perto do rio, sentando-me para observar a paisagem.
— Cecília, vejo que já acordou.
Tia Alyssa estava próxima, parada ali com o vestido amarelo, simples e soltinho que caía até a altura de seu joelho. Daquele jeito, ela se parecia muito com a caçula, tinha mesmo um ar jovial a cercando. Na aparência, as meninas se pareciam com a mãe, tanto Elizabeth quanto Jannete possuíam o cabelo loiro claro cacheado, os cachos eram menores que os de Alice, e bem delicados. As três de cabelos mais claros eram mais baixas também, mesmo Elizabeth, que era a mais alta, tinha centímetros de diferença da prima. John tinha uma altura bem próxima da mais velha e, dado esse fato, ele provavelmente a ultrapassaria e ambos possivelmente mais baixos que o pai.
Tia Beatrice era até que bem alta, sua altura e a do irmão eram bem semelhantes. Mamãe era mais baixa um pouco.
— Já. Adiantei um pouco o café. — Ela sorriu, sentando-se ao meu lado.
— Beatrice dormiu na biblioteca, Luke foi tentar acordar. — Percebi um movimento quase imperceptível de seus dedos ao tocar a aliança, esse gesto era bem natural, quase mecânico como se fizesse isso sempre que mencionava o nome do marido, era algo bem sentimental.
Ela ficou ali sentada em silêncio, observando a paisagem ao meu lado, fiquei agradecida por não ter puxado assunto. Pensando melhor sobre o último comentário, além de mamãe, a outra White com maior tendência a tal feito era a mulher loira adormecida.
— Vocês estão aí. — Não precisei olhar para descobrir quem falou e, em seguida, se atirou contra nós.
— Jan. Bom dia.
— Bom dia, mamãe, o papai está chamando vocês.
— Obrigada. — A mais novinha se levantou, aguardando paciente a mãe, quando ela se levantou, a criança pegou a mão da outra que olhou para mim. — Vem, Ceci. — A tia me ofereceu ajuda para voltar.
As loiras percorreram o caminho na minha frente. A cozinha estava bem cheia, então caminhei até o forno onde tirei a bandeja, conforme planejado, o queijo derretido parecia ter ficado pronto naquele momento. Assim que coloquei o objeto na mesa, tio Mike me acompanhou com os ovos e vovô com os sucos.
Eu me sentei na cabeceira mais próxima do quintal, Dylan, sentado do meu lado esquerdo, enquanto a cadeira à minha direita foi ocupada pela minha prima caçula.
Como já tinha me alimentado, peguei um pedaço pequeno da comida e um copo de suco de limão. O lanche não tinha ficado dos melhores, mas era comível, então aproveitei.
— Vão. Nós cuidamos disso. — Vovó disse com um sorriso, seus olhos verdes brilhavam intensamente como sempre, mesmo seus cabelos loiros arruivados tendo perdido a linda cor.
Sem esperar por mais tempo, meu irmão segurou firme meu braço e quase me arrastou pelas escadas, ele gritou um "obrigado" no momento em que subíamos as escadas.
Muitas estantes daquela biblioteca já tinham sido completamente lidas e as que não teve os exemplares revirados eram por serem adquiridos recentemente. Dentro da enorme biblioteca, tinha uma seção unicamente de livros em latim, por causa de mamãe, eu segui para lá, pegando uma pilha de livros e voltando para a frente do cômodo, Dylan me esperava. Passamos um bom tempo ali, perdidos nas páginas, tentando encontrar detalhes novos. Uma batida na porta nos chamou atenção.
— Cecília. Dylan. O almoço. — John tinha os braços cruzados, o corpo estava um pouco inclinado de forma a deixar o ombro apoiado contra o batente da porta. Os cabelos loiros caiam um pouco nos olhos azuis brilhantes.
Com um suspiro, eu deixei os objetos ainda em cima da mesa redonda e desci. Tudo ocorreu tranquilamente, após o fim da refeição, nossos primos nos convenceram a ficar um pouco no quintal sob o Sol; tão logo aceitamos, nós voltamos para dentro e só saímos na hora da janta. Refazendo os mesmos passos que anteriormente, fomos rumo ao térreo, mas o que encontramos foi uma cena bem diferente, na ampla sala, todos estavam sentados, os rostos tensos dos Whites nos dizia que algo não saiu como o planejado.
— O que aconteceu? — Dylan passou na minha frente.
Foi vovó que tomou a frente, caminhando até nós, uma carta em suas mãos. Ela nos entregou.
"Não sei quem vai ler essa carta primeiro, mas olá para quem for.
Continuamos nossa missão, porém algo mudou, os desafios estão maiores e não conseguiremos ultrapassá-los sozinhos. Precisamos de ajuda. Ajuda de todos vocês.
Por isso escrevo, mandem Cecília e Dylan para um lugar seguro, eles não podem correr um risco tão grande como o que estou pedindo; por mais insensível e dolorido que seja eu dizer algo assim para meus irmãos, cunhados, pais e sobrinhos, os dois são muito valiosos nessa fase.
Peço também para que deixem Jannete segura, eu tenho um lugar em mente e sei que Luke sabe qual é.
Espero vocês logo,
J.M.W.M."
Isso me surpreendeu, o plano não era exatamente de ataque, então o que poderia ter de tão complicado assim? A verdade é que eu não precisava de uma resposta já conhecida, a cada dia, a guerra se aproximava, os inimigos aumentavam e tudo se complicava. Além disso, claro, mamãe tentaria nos poupar em certas situações. Talvez, essa fosse a última, eu não sei. Olhei para Dylan e vi algo em sua mão, uma pena de coruja azulada, era mamãe se identificando.
— Preparem-se partiremos amanhã de manhã.
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