Os cavaleiros das sombras

1 Epilogo historias cruzadas


Notas iniciais
Espero que gostem deste texto ele já esta a um tempo no meu computador, merce ver a luz!Criticas e opiniões são bem vindas!

Phillip

O menininho arrancando as rosas do jardim era pequeno de mais para entender os gritos dos pais.

–Você nunca esta aqui! Não tem direito a dizer que é pai dele! -a mulher gritava.

Naquele momento ela não conseguia entender porque tinha se casado com aquele homem, ela achava que estava apaixonada quando disse o sim, mas deveria ter ouvido sua mãe e deixado o tempo mostrar se aquele homem era o homem certo. A dois meses ela tinha encontrado varias passagens vencidas nas coisas dele, passagens para lugares que ele deveria ter ido a trabalho, passagens que ele tinha pedido para ela comprar, passagens que ele nunca usou.

–Para onde você foge quando nos deixa aqui sozinhos? -a mulher gritava.

–Eu não posso explicar, mas confie em mim! -o homem respondia desesperado.

Ele sabia que amava a mulher, sabia que amava o filho mais que tudo, mas o dever falava mais alto, estava no sangue dele.

–Eu preciso ir agora, mas quando eu voltar vamos consertar tudo. -ele dizia.

–Não vá! Se você for nunca mais apareça na frente de nós! -a mulher respondia aos gritos e soluços.

–Você não entende! Eu preciso fazer isso! Eu tenho que fazer isso! -ele dizia.

Não sabia como explicar que não poderia deixar de seguir o chamado, mas isso não o fazia ama los menos.

–Se você sair por essa porta... não estaremos aqui quando voltar. -ela disse.

Ele sabia que não adiantava discutir com ela, nunca conseguiria explicar o chamado do sangue. Pôs a mochila no ombro e deu um beijo na cabeça do filho ao passar pelo jardim. Ele sabia que ela não estava falando serio, não podia estar.

Mas ele estava errado, assim que sumiu da vista dela, a mulher pegou seu filho e ligou para o pai.

–Papai? Sou eu, estamos voltando para casa. -ela disse.

Em seguida começou a arrumar as coisas dela e do filho.

Se o homem soubesse que ela estava falando serio... teria lhe dado um ultimo beijo.

***

Havanna

A mulher olhava enojada para a menininha enquanto a vestia e penteava. Sua patroa tinha ordenado que fizesse a criança parecer normal, tinha comprado fitas e vestidos caros para a menina. Mas não fizera isso porque amava a filha, fizera para usa la como arma.

A empregada copiou toda a imagem da menina de uma revista de moda infantil, fez tranças que escondiam as orelhas, amarrou as pontas com as fitas de luxo, a vestiu com o vestido mais caro já feito para uma criança e mesmo que a pequenina já estivesse bastante aterrorizada, fez caretas monstruosas para faze la chorar. Se conseguisse fazer a menina ficar doente de medo ate ganharia um bônus.

–Já terminou? -perguntou a patroa.

–Sim minha senhora, não há mais nada há fazer. -disse a empregada.

A mulher sentiu algo além do nojo e do desprezo quando olhou para a filha, ela sentiu um prazer doentio. A criança já não parecia uma mestiça nojenta, ela agora parecia um humano insignificante. Bem como ela queria.

–Venha aqui minha pequena. -a mulher disse pegando a filha no colo.

A voz da mulher era tão fria em sem emoção que mal parecia ter sido dita.

Na sala um homem esperava por elas e ao vê lo a mulher pôs a menina no chão, a probrezinha tinha acabado de aprender a andar e ainda não ficava firme nos seus passinhos, ao ver a criança cair e sozinha tentar ficar de pé a mulher sentiu asco. Queria que assim como os outros a menina fosse chorona e medrosa, que ficasse no chão e chorasse, que comovesse o homem na sala, mas não, mesmo sendo tão pequena ela tinha que ter aquela determinação toda.

–O que é isso? -perguntou o homem.

Ele já estava cansado dos jogos de tortura dela.

–Isso meu querido Jhonatan é a sua filha. -disse a mulher.

O homem riu sem humor olhando a menina com tristeza.

–Eu te disse Jhonatan. Eu esperava um filho seu. E olha só. -ela apontou para a menininha.

Ao ver a expressão torturada do homem a mulher sorriu, mas não tinha sentimento algum ali.

–O que vai fazer Jhonatan?

–Eu não tenho certeza sobre o que eu vou fazer, mas eu sei bem o que você quer Drinah e já que para você é tudo um jogo o meu próximo movimento vai parecer inusitado. Eu vou levar minha filha daqui. -ele disse.

A mulher não pode esconder sua surpresa quando as palavras foram proferidas e muito menos conseguiu ficar inexpressiva quando ele pegou a menina no colo.

–Alguma objeção? -ele perguntou.

–Nenhuma, só não tente devolve la mais tarde, não quero.

–Eu não vou. -ele respondeu.

–Adeus pequena Havanna, boa sorte. -disse a mulher a filha.

***

Sebastian

O menino sabia que só haviam dois motivos para a irmã estar aos berros e lagrimas.

Dinheiro ou bebida.

A garota já tinha quase dezesseis anos, mas as vezes fazia pirraça como se tivesse um oi dois anos. Ela xingava e chorava esbofeteando as portas do armário da cozinha.

O pai chegou em casa fedendo a bebida e com vários machucados no rosto, ignorou ambos os filhos e ficou apenas olhando a bagunça que a mais velha tinha feito.

–Espero que você não tenha esquecido que é você que limpa isso. -ele disse.

–Seu idiota! Você foi convocado! -ela gritou, quando o pai a ignorou ela falou mais alto. -ELES TE CONVOCARAM PARA TE EXILAR! DESERTOR! -ela gritou.

A manina puxou o irmão pelo caminho ate o Quartel General na colina, atras dela o pai berrava e a insultava.

–Você não pode ir! Eu não vou a lugar algum! Não podem me obrigar! Voltem aqui! Me obedeçam! -ele gritava enquanto os filhos corriam na frente.

O homem estava tão bêbado que mal notava para onde as crianças o estavam levando. Assim que chegaram o lorde e a guarda já o aguardavam e antes que ele chegasse mais próximo do lugar alguém gritou seus crimes e suas ofensas.

–...Eu declaro perante a todos aqui presentes que Richard Whichthills é a partir deste momento um desertor, que não pertence mais a ordem, que não mais tem amigos ou família aqui, que não tem mais um lugar aqui. Esta banido!

O homem bufou e murmurou algumas pragas obscenas. Ele não queria nada daquilo que estavam tirando dele, mas seu orgulho doía ao ver na filha o olhar da esposa o reprovando e nos cachos negros que o filho herdou dela, seu erro e falha. Naquele momento ele se sentiu menos que um homem, e não gostou da sensação.

–Threena! Sebastian! Vamos embora. -ele chamou os filhos.

O menino olhou para a irmã, ele só tinha cinco anos e não sabia o peso daquelas palavras que disseram ao seu pai, mas ele sabia que não eram coisa boa, seu pai tinha feito algo errado e ele não queria ir embora se estivesse certo.

–Nós vamos ficar. -disse a irmã mais velha.

–Não vão não. Andem.

A menina não poderia ficar no QG porque não tinha treinamento e nem poderia ter por causa de um defeito na perna esquerda que a deixava em grande desvantagem, ela não poderia voltar para a casa dos Wichthills, só sabia ser dona de casa e ninguém iria querer se casar com a filha de um desertor, agora ela e o irmão tinham tanto quanto o pai. Mas a menina não poderia ir com ele, ela tinha seu irmão e mesmo sendo muito peso para uma criança ela resolveu fazer dele seu herói.

–Já que eu não tenho mais um pai e somos os últimos Wichthills meu... meu irmão vai limpar a nossa casa, ele vai ser um cavaleiro sombrio com honra o bastante para apagar essa mancha. -disse a menina para o lorde.

Ele tinha uma filha meio elfo, entendia de vergonha e desonra.

–Por favor senhor.

–Deixe me ver. -começou o lorde.

–Você só pode estar brincando. Não pode deixar isso acontecer-

–Taylor, Mellory precisa de uma dama de companhia e essa criança não vai ser criança para sempre. -ele disse e se aproximou do garoto. -O que você quer fazer?

A irmã mais velha queria poder responder por ele, mas não podia.

–Eu quero limpar as sombras em nome do rei! -disse o menino com convicção.

Não era algo que se ouvia sempre, mas era uma frase de peso.

–Oh! Vamos dar um jeito nisso então. -disse o amigo do lorde.

–Eu quero meus filhos! -gritou o pai das crianças.

–Você não tem mais filhos! -a menina gritou de volta.

O homem ainda praguejava quando as crianças foram levadas para dentro. Uma mulher ruiva acompanhada de duas menininhas, uma ruiva e uma loirinha veio correndo na direção deles.

–Senhor Jhonatan, eu me responsabilizo pelos dois. -disse a mulher.

As crianças ficaram sozinhas e a irmã mais velha notou que o irmão olhava para a menina loira.

–Escuta aqui, a quela coisa é filha do lorde Jhonatan que salvou a nossa família, ela tem que ser respeitada não importa o que seja, então pare de olhar! -disse a menina.

Ela tinha um nó na garganta ao pedir para o irmão respeitar a menina, mas ela não tinha notado que o garoto olhava para a pequena com admiração e não nojo.

Notas finais
O universo dos cavaleiros das sombras foi inspirado em muitos livros que eu li, mas não usei referencias para poder ter mais liberdade de criação. Então se no decorrer da historia alguns detalhes parecerem diferentes é por isso.