Os Vigilantes- Parte Dois
1 O mundo estava em chamas
—Oh, a vida é maior que isso, Maggie, ficar numa cama o dia inteiro não é vida. Eu não aguento isso. Sei que que planejou isso… Ou não, bem seu plano não era morrer mas não ficar desse jeito. Resmungava Iris, ao lado da cama de Magnum.
—Por que está aqui comigo então Iris? O que te prende a mim? Sério achei que ia sumir sabe, ir treinar num templo ou coisa assim. Respondeu Magnum, com um pouco de dificuldade por ainda estar meio machucado.
—Ah, eu tô aqui por que te adoro e sempre vou estar com você, amigo. E você tem que parar de achar que sou um estereótipo de oriental que é serena e busca conhecimento em tudo, eu sou uma pessoa normal. Desabafou Iris.
—Ai desculpa se pareci meio racista, fui babaca admito. Confessou Magnum, meio cabisbaixo.
—Relaxa, cara. Você não foi racista, não seja politicamente tão correto, calma, foi só uma brincadeira. Disse Iris, tranquilizando Magnum.
—Achei que ia falar que sou um “homem hétero branco privilegiado e que não tenho o direito de argumentar”... Comentou Magnum em tom de brincadeira.
—Você não é branco... Nem hétero. Soltou Iris.
—Que engraçada você hein, é a própria Rebeca, muito zuona você. Respondeu Magnum, um pouco incomodado com a insinuação de Iris, mesmo sendo brincadeira.
—Por que citou o nome da Rebeca? Já se passaram seis meses, cara. Seis meses. Tem que esquecer nossa cruzada idiota, tem que superar todo lance dos Vigilantes, Carol, Rebeca e tudo isso. Sei que é difícil esquecer da Carol e de tudo tanto quanto é difícil pra mim esquecer do Pete, mas não temos escolha. Reclamou Iris.
—A Rebeca tá presa agora, sem direito a nada. Eu não vou deixar ela na pior, se não fosse por ela não teríamos vencido, não é justo. Eu só estou esperando eu ficar melhor, daí eu vou atrás da Carol e vamos resgatar a Rebeca. Uma última vez, depois disso esqueçamos pra sempre a equipe. Respondeu Magnum.
—Não está fazendo isso pela Rebeca. Pelo menos não só por ela, eu sei disso. Afirmou Iris.
—Não importa. O importante é que se eu fizer isso Rebeca que foi presa injustamente vai estar livre. Concluiu Magnum.
—Nem você nem a Carol sou tão bons o suficientes pra conseguir libertar a Rebeca, estão pedindo para serem pegos. A não ser se tiverem muita sorte. Afirmou Iris.
—Não acredito em sorte, mas sim em indivíduos. Tem razão, eu e ela não somos o suficiente, mas com você podemos fazer isso. Disse Magnum.
—Não conte comigo. Avisou Iris, saindo do quarto de Magnum.
—Vai saber quando for a hora Iris, e sei que vai estar lá. Respondeu Magnum, dando um leve sorriso no final depois de Iris ter batido a porta.
Iris se despediu do pai de Magnum, pegou sua bicicleta e foi embora. Ela estava meio longe de sua casa, o velho apartamento que tinha antes de conhecer Peter, no centro urbano cinzento e vazio, mas ela quis andar pela cidade, pois se sentia meio enferrujada desde o que aconteceu no prédio de Lucius Lukin, seis meses atrás.
Alguns meses depois, Magnum já estava melhor, já andava e tudo, apesar das cicatrizes e de seu pai não o deixar cinco minutos sozinho.
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Carol tomava um último gole de café quando seu pai abriu a porta do quarto e perguntou o por que de ela estar o chamando. Ela tinha mudado muito desde o dia que fugiu daquela prédio, e o que mais a lhe intrigava era a suposta organização por trás de tudo aquilo, o chamado “O Olho”.
—Pai, algo me diz que sabe de algo que vou te perguntar, relutei em te perguntar por que não achei que fosse me responder, mas preciso saber agora, pai. O que é o Olho? O que você sabe sobre ele? Perguntou ela.
—Esquece isso, sério apaga tudo isso da sua mente, toda a investigação que deve ter feito, agora. Por favor filha. Se não eu faço isso por você. Respondeu ele, com a maior seriedade do mundo.
—Por favor pai, eu preciso saber, eu meio que sinto que nunca vou ser quem quero se eu não souber, sei que parece besteira mas--
—Foram eles Carol! Eles que levaram sua mãe! Eles que a mataram! Que destruíram ela pra sempre. Aquela miserável, a tal de “Entidade Suprema” tudo isso, por isso que sua mãe não está mais aqui. Desabafou ele.
Carol por alguns instantes ficou sem palavras. Ela não sabia bem o que sentir, o que dizer… Ela se lembrou do que Magnum havia dito, sobre ela só se tornar o que ela tem que ser depois de resolver tudo com a sua mãe, mas aquilo, aquilo tirou o último resquício de esperança que Carol ainda tinha.
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Rebeca estava sozinha na sua cela, ela sempre causou problemas com outras detentas então a isolaram, a chuva caia e ela não fazia nada, era entediante. Passou as mãos sobre seu cabelo vermelho, deu um leve suspiro e finalmente soltou pra si mesma:
—Sabe, às vezes, eu sinto falta de Lucius Lukin.
Ela pensava muito em Carol e Magnum, no que aconteceu com eles, com a Iris também. Ela sempre fora otimista sobre tudo, mas nessa situação ela começou a achar que tinham morrido, pois já havia perdido esperanças de alguém ir resgatá-la.
Também pensava no pai, que um dia a visitou apenas para dizer que ela era uma vergonha pra família e que nunca o Olho ou mesmo eles iam aceitá-la. Ela estava desapontada, mas conformada. Não entendia por que estava acontecendo tudo aquilo com ela, o que ela tinha feito para merecer aquilo.
Os dias dela eram preto e branco, sem qualquer emoção, no máximo algumas confusões e brigas na cadeia, mas isso só piorava o tempo de sua detenção, só a fazia ficar mais presa aquele lugar horrível.
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—Magnum lia alguns livros ao mesmo tempo que pesquisava algumas coisas em seu computador. Sua janela estava parcialmente aberta, até que ele ouviu uma voz.
—Eu preciso de sua ajuda Magnum, eu preciso de sua ajuda para derrubar aqueles que mataram a minha mãe.
FIM DO CAPÍTULO UM.
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