CINCO ANOS ATRÁS

Magnum (Cujo verdadeiro nome não é esse) e seu pai, Chris, estavam esperando Peter no carro. Eles iriam passar o dia em um parque de diversões.

—Está calado hoje, meu filho. Aconteceu algo? Perguntou um já grisalho Chris para o seu filho.

—Sim. Hoje eu vi um colega da minha escola morrendo. Respondeu ele, cabisbaixo.

—Meu Deus, filho. Eu... Eu sinto muito. O que aconteceu?

—Ele foi assaltado. Daí o ladrão pediu algo de infância dele. Ele se recusou a dar. Então ele começou a lutar contra o ladrão e a arma do mesmo caiu um pouco longe. Caiu perto de mim que estava passando por ali, mas eu fui fraco. Fiquei assustado, tremendo.

Magnum se pegava olhando para o horizonte enquanto Chris o olhava atentamente.

—Eu podia ter salvado ele, pai. Eu podia, sei disso. Mas eu não fiz isso, eu saí correndo quando o ladrão veio na minha direção pegar a arma. Meu colega tentou fugir, mas ele o matou. E eu? Me escondi. Como um covarde.

—Não devia por tanta pressão em si mesmo. Você estava assustado. E se ele tivesse outra arma? Você mal sabe atirar. Eram muitas coisas para pensar, e eu tenho certeza que...

—Não, Pai! Eu estou cansado. Eu não consegui salvar a mamãe, não consegui salvar o meu colega. E se um dia for você? E se um dia for o Pete? Eu vou ter que ser covarde o suficiente para deixar pessoas morrerem apenas por que algo pode acontecer comigo?

—Talvez, filho. Disse Chris, com uma expressão bem séria. -Mas não se preocupe. Não vai acontecer nada comigo ou com o seu melhor amigo Peter. E se acontecer, eu confio em você. Só quero que prometa uma coisa, meu filho: Nunca deixe que nada acabe com sua vida. Não deixe que uma morte te defina. Por mais horrível e dolorosa que ela for, você não precisa lembrar dela todos os dias, você não precisa lembrar. Quando sua mãe morreu, uns dias depois do meu aniversário foi o meu fim. Por muitos anos eu não comemorava meu aniversário por que eu pensava: "Para que comemorar?" Só que um dia eu pensei "E daí se foi perto do meu aniversário?" E se fosse outro dia? Faria alguma diferença? Eu estou aqui. Eu estou vivo. Eu poderia ter morrido naquele dia mas eu sobrevivi. Isso é algo que vale a pena comemorar. Desabafou Chris.

—Eu prometo pai. Desculpe te estressar. Não vou mais por tanta pressão em mim mesmo.

—Ei, o que é isso? Eu estou bem, não precisa pedir desculpas, meu anjo. Eu amo você.

—Eu sei disso pai. Disse Magnum, de forma dura.

—Não era bem essas palavras que eu esperava ouvir, mas tudo bem. Eu vou descer do carro pra ver se o Peter já vem.

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Ironia dramática.

A ironia dramática é um artifício usado em roteiros, no qual consiste em uma informação que o público sabe, mas o personagem não. Para ilustrar melhor, imagine o seguinte:

Em um certo cenário de ficção, um assassino está escondido no quarto de alguém para matar uma pessoa que está no quarto.

Essa pessoa é o personagem. Ele não sabe que o assassino está lá, mas você sabe, por que eu, como narrador dessa história já te contei.

Isso é a ironia dramática. Começa com uma informação que você sabe e certo personagem não e termina no personagem descobrindo essa informação.

Então quando Chris, o pai de Magnum diz: "Não vai acontecer nada comigo ou com seu melhor amigo Peter" nós sabemos que não é verdade, pois Magnum ver Peter sendo assassinado na sua frente sem poder fazer nada quatro anos depois. Mas o pai de Magnum não sabia.

Ironia dramática.

E agora, lamento informar que houve uma dupla ironia dramática nas palavras de Chris, Pois aconteceu algo com Peter e infelizmente, com ele também.

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—Vamos jogar um jogo malvado. Sussurrou a entidade suprema.

Chris olhou para seu filho diante daquela ponte entre as duas torres de comando. Magnum parecia muito angustiado enquanto Chris estava totalmente devastado.

Ele estava amarrado em uma cadeira todo molhado.

—Existe um momento, acho que em Retorno de Jedi. Não é tão bom quanto Império Contra Ataca, mas tem seus momentos. E no final, Luke queima o seu pai, o corpo dele na verdade. Acho que já sabe onde quero chegar. Revelou a Entidade Suprema, com um jeito sério e rígido.

—Não. Eu não vou queimar meu pai. Você falhou dessa vez. Disse Magnum, com firmeza.

—Tudo bem, entendo que deve ser muito difícil. Mas vamos adicionar um problema a mais. Vamos primeiro pelo fato de que seu pai vai morrer hoje. Aceite isso. Mas você tem duas opções: Ou você mata o seu pai e posso salvar você e Carol e até Rebeca e Iris, ou você decide não matar e Carol, Iris, Rebeca, seu pai e você são mortos pelo Olho. Eu não queria ter que tomar uma decisão dessas, com certeza. Soltou a Entidade Suprema.

—Adeus, meu filho amado. Espero que realize todas as esperanças e sonhos que planejei para você. Sussurrou Chris, atrás de Magnum, que estava em choque.

—Tem que haver outro jeito... Disse Magnum, baixinho.

—Não tem outro jeito. Vou agilizar sua escolha. Disse a Entidade, entregando um isqueiro e apontando uma arma para a cabeça de Magnum.

Ela começou uma contagem de dez até um, então Magnum acendeu o isqueiro e jogou no poço de gasolina ao redor de seu pai. Magnum virava o rosto e fechava os olhos, quase desabando em lágrimas.

—Olhe. Disse a Entidade, destravando a arma. Magnum não queria escutar.

—Olhe! Gritou ela, fazendo Magnum abrir seus olhos e ver seu pai se debatendo de forma mais torturadora possível,

Aquele era o fim de Magnum. Ele deixou de ser um garoto puro e inocente que acreditava na bondade das pessoas. Magnum havia matado seu próprio pai, por causa de uma atitude maligna, Magnum não acreditava nem mais nele mesmo.

Seu pai ainda tentou se mover um pouco, ainda tentou se mexer quando aquela torturante cena acabou, mas nada ele pode fazer. Chris estava morto, assim como Karen antes dele.

Magnum se virou com uma expressão de dor indescritível no rosto, aonde a Entidade continuava com uma arma apontada para seu rosto. Magnum, ainda sim, continuava contido. Ele, quase sem voz, disse:

—Agora, por favor, não me mate. Jamais faria isso se não tivesse apontado uma arma para minha cabeça.

A Entidade Suprema se preparou para puxar o gatilho, Magnum fechou seus olhos e sentiu mais ainda a dor, quando de repente, em vez de um grande vazio, Magnum ouviu apenas os cliques de um gatilho. A arma estava descarregada.

A Entidade soltou uma gargalhada bem fora do normal para seu padrão sério e sereno.

—Desculpe, faz tempo que eu não solto uma risada desse jeito!

—POR QUÊ ME FEZ FAZER ISSO?! Gritou Magnum, levantando ela contra parede.

As armas -Dessa vez reais- dos homens do Olho rapidamente se voltaram contra Magnum.

—Por que você tem que ver que quem está no comando sou eu e que agora, você faz o que eu quero. Agora me largue, peça desculpas e fale que eu sou a melhor pessoa desse mundo e que você me venera.

Magnum segurou forte a Entidade, querendo matar ela, mas ela o pressionou mais uma vez e ele a soltou.

—Espectral, minha senhora. Você é a melhor pessoa desse mundo, eu a venero. Desculpe pela minha indelicadeza a lidar com sua pessoa. Disse Magnum, do modo mais doído possível.

Carol saltou por cima de alguns soldados, entregou a faca para Magnum e começou a atirar com uma arma que havia roubado, ela dava cobertura enquanto Magnum arranjava um jeito de sair.

A Entidade não permitiu que ninguém atirasse em Carol, então ela se aproveitou disso. Eles conseguiram usando como base isso, um jeito de conseguir fugir dali e roubar um helicóptero.

Eles conseguiram fugir, mas logo tiveram que sair do helicóptero e estavam escondidos em uma gruta perto da praia, pelo menos por algum tempo.

Agora, Carol e Magnum eram os últimos Vigilantes vivos e estavam sozinhos. Eles não podiam parar até destruírem O Olho. Só assim, podendo finalmente viver suas vidas.

FIM DO CAPÍTULO SEIS.