Os Sobreviventes
3 Organização e Segurança
Notas iniciais
Quando ouvi aquele bater na porta eu fiquei muito preocupado, será que nos encontrou pois afinal de contas ele não se esqueceria de matar o homem que o criou pois sou a sua maior ameaça, eu é que o construí e sei como destruí-lo.
Eu chamei a Ana e fiz-lhe sinal para vir devagar e sem fazer barulho, ela claro embora revoltada veio ter comigo e perguntou-me o que se passava.
– Talvez seja ele, talvez me tenha descoberto, temos que ter cuidado, fazemos assim, tu vais abrir a porta, mal a abras salta para o chão do teu lado direito, que eu cá acabarei com aquele maldito, eu criei-o e eu acabarei com ele.
A Ana em vez de se chatear comigo e não obedecer ficou surpreendida, pois se eu o criei porque o iria destruir, e ela tinha vontade de fazer a pergunta que eu não queria ouvir, a minha sorte e que voltamos a ouvir o bater na porta e isso salvou-me
Então estávamos os dois preparados, eu fiz contagem decrescente, 3...2...1...e assim que a Ana abriu a porta eu estava pronto para esvaziar a minha arma naquele monstro, mas nesse momento entra um rapaz de 15 anos pela porta a dentro ferido, mas depois de olharmos um pouco para ele parecia mais que a única coisa partida nele era o seu coração e eu perguntei o que se passava, e então tanto eu e a Ana ouvimos uma resposta que nos deixou atormentados.
–A minha família, toda assassinada por aqueles bárbaros, malditos- dizia o rapaz aos soluços enquanto chorava.
–Por aqueles bárbaros, então não e só um robô ?- perguntei eu curioso.
– Qual robô, eram pessoas como eu e tu, a matarem outras enquanto roubavam o dinheiro delas, sem defesa malditos...
Enquanto eu estava pasmado por ouvir aquilo só vi a Ana a fechar o punho e a dizer:
– Malditos em vez de se unirem e ajudarem os outros, e tentar derrotar aquela máquina maldita não, preferem roubar e matar... tristeza.
Eu estava espantado como podia isto estar a acontecer, as coisas estavam cada vez a ficar piores em vez de melhorarem só pioravam, pois agora em vez de me preocupar só em arranjar a solução para derrotar a máquina ainda tinha de pensar em me defender contra estes malditos assassinos, pois se um adolescente encontrou isto como não encontrariam eles.
Depois de deitar-mos o rapaz e de lhe colocar um pouco de ligadura na sua ferida voltamos ao trabalho e aí a Ana perguntou-me:
–Afinal qual é o teu problema contra a máquina ? Se foste tu que a criaste porque a queres destruir, e só para te armares em forte e conquistar-me e redimir a tua pobre alma- dizia a Ana que parecia que a cada palavra que saia da boca dela ficava mais chateada.
Mas não era a única a ficar chateada eu não me consegui conter e então respondi-lhe furiosamente e aos berros.
–Tu achas que eu fiz aquilo porque quis, eu não sabia, eles mentiram, ou achas que eu simplesmente acordei um dia e pensei que queria criar um monstro que matasse a humanidade toda e a minha família, não és a única magoada no meio disto tudo sabes.
A Ana estava a olhar para mim com um a assustada, pois até ali eu tinha dado impressão de que era uma pessoa calma, que nunca me chateava. Mas eu simplesmente perdi controlo pois não precisava de ter alguém a dizer-me que errei e que fui estupido, pois eu propio já sabia, já tive a ideia de acabar com a minha vida simplesmente mas assim não ajudava ninguém nem a minha filha se estiver viva.
Mas por outro lado tinhamos outro problema, tinhamos de nos preocupar com os tais assassinos, que poderiam chegar a nossa base a qualquer momento e acabar com a nossa vida, então falei com a Ana depois de a deixar acalmar-se um pouco e eu tambem.
–Peço desculpa por aquilo á um bocado, mas temos outro problema.
–Qual é ?- perguntou a Ana.
–Temos que preparar algum tipo de defesa para nos defender-mos contra aquele grupo de assassinos, e sinceramente não tenho nenhuma ideia.
–E que tal brincarmos um pouco com a visão humana, pois eles são como nós afinal de contas.- dizia a Ana que parecia estar a ficar um pouco contente com isto tudo.
– O que queres dizer ?
–É assim como temos muitas árvores aqui á volta podiamos usar isso a nosso favor, primeiro colocavamos um fio a volta da base ligado entre as arvores, e isso assim avisava-nos e como temos muitas armas aqui podias fazer com que tu so clicasses num botão, apontavas para o sitio e bum... davas cabo deles.
A ideia não era muito má por acaso, até podia funcionar nem que seja por enquanto, só para nos proteger-mos por um certo periodo de tempo, e assim dava-me mais tempo a mim para arranjar um novo sitio para nos mudarmos e puder-mos estar em segurança.
–De facto, é uma boa ideia, poderia funcionar, vamos a isso ?
A Ana cada vez mais entusiasmada com esta situação foi logo trabalhar a arranjar o fio, como eu tinha fio de pesca usamos isso, interligamos aos cabos de alimentação e mais um pouco de tecnologia e já esta, temos a nossa segurança pronta.
–Agora só precisamos de repartir turnos por nós os dois enquanto o rapaz recupera.
Nesse momento lembrei-me de o ir ver, ele ja estava acordado sentado na cama com ar de quem ainda queria que aquilo fosse um pesadelo.
–Então estás melhor ?
–Sim.
–E já me podes dizer-me o teu nome.
–Sim, chamo-me Luis, e peço desculpa por ter entrado assim.
–Não faz mal, até fico contente por saber que há mais pessoas vivas para alem de nos. Como te sentes ?
–Sinto-me melhor, o braço já quase não doi.
Foi bom ter ouvido aquilo, pois um rapaz tão novo como ele não merece perder a vida assim, e melhor ainda teremos mais um aliado, mais uma pessoa disposta a lutar a nosso lado, pouco a pouco conseguiremos.
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