Os Sete Pecados Humanos

1 Orgulho - Jean - 2020


Notas iniciais
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Jean. Jean, o homem mais orgulhoso da cidade. Jean sempre passou seus dias tentando humilhar os cidadães mais pobres. Sua vida não passava disso, e ninguém entendia, se aquele homem sempre fora assim. Como ele se tornou aquele pobre homem, se aquilo sempre havia afetado-lhe, aquele pecado corroia seus dias, seu tempo, sua alma. Esse é Jean Fields, o pobre homem que cometeu o pecado do orgulho.

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Jean caminhava pela rua, calmamente, vestindo seu terno quente, embora fosse um dia quente de verão. As crianças aproveitavam suas férias na rua, todas jogando juntas, como uma família, com uma única bola murcha, devido á situação precária da população. As crianças do local não eram lá as mais inteligentes; — Os professores faziam greves constantemente, tentando reivindicar seus direitos. Aquele pedaço do mundo era ignorada por todos, ninguém ligava para aquele local pequeno e pobre, localizado na Grécia.

– Hey, se escondam. — Cochichou um garoto para os outros, após notar Jean. — O monstro está se aproximando.

Os meninos — e, consequentemente, algumas meninas; esconderam-se no arbusto. A população inteira temia o grande e rico Jean.

– Podem parar de se esconder — Cantarolou Jean. Por algum motivo, o homem se incomodava de ser um monstro. Da visão que todos tinham dele. Jean se aproximou, sem respostas. — Agora! — Gritou, bem perto do arbusto. De repente, uma garotinha — bonita, loira, de olhos castanhos; saiu do arbusto, com uma flor em mãos. Suas bochechas eram grandes, arredondadas. Ela esticou a mão, hesitando, com um pouco de medo.

– Por favor senhor, não machuque meus amigos. Estávamos apenas brincando. — Jean olhou-a, perplexo, e pegou a flor. Seu vestido estava rasgado, sujo, assim como sua pele. Aquilo era comum, mas Jean havia notado apenas agora. Uma garota tão bonita quanto aquela não deveria estar naqueles trapos.

Os dois estavam cara a cara, frente a frente, sentiam suas respirações. Ambos notaram, e, aquilo era fato, que quase toda a cidade estava olhando-os, cochichando entre si. Jean, então, pegou a flor, virou-se para a multidão e perguntou, enfim:

– Quem são os pais dessa criança?

Um casal deixou cinco crianças, e andou até o homem.

– N-nós. — Disse o casal, olhando para baixo. O homem era loiro, tinha olhos muito escuros, já a mãe era morena, tinha os mesmos olhos de sua filha, singelos. — Por favor, senhor, não faça nada com Dafne. Pedimos desculpas. Nós pod... — Jean fez um sinal com a mão, olhando para a flor. A conversa dos dois cessou, eles o olhavam, em silêncio.

– Vocês tem seis crianças, seis belas crianças. Mas, com certeza, Dafne é a mais bonita de todas. O que acham de negociar algo? — Ele sorriu, já a mãe apertou os punhos, a expressão irritada.

– O que você quer?! — Perguntou ela, sendo contida pelo homem.

– Ooh, se acalme. Eu não quero nada que vocês não possam me dar. Eu lhes tornarei prefeitos da cidade. Lhes darei dinheiro e uma mansão, para seus filhos e para vocês, contanto que NUNCA ousem fazer algo contra mim ou levar Dafne de volta para casa. Exato, eu quero ela também.

– Nun... — Começou ela, com ódio nos olhos.

– Fechado! Vendido! — Gritou ele, apertando a mão de Jean, a força. Sua esposa lhe olhou nos olhos, desta vez com nojo. Ele apenas pegou-a pelo braço, levou a mesma até seus filhos, violentamente. Alguns estavam aterrorizados, outros felizes. Mas o pai estampava um lindo sorriso no rosto, estava contente.

– Podem encontrar o dinheiro na mansão do prefeito! — Disse Jean, jogando a chave para a família enquanto segurava Dafne com força pelo ombro.

E eles foram embora, entrando no carro do rico, tendo apenas uma pequena conversa:

– Por que, por que você me escolheu? Por que me tirou da minha família? — Perguntava ela, o vestido sujo de lágrimas, as mãos enxugando os olhos.

Jean lhe olhou, e, pela primeira vez, se sentia culpado — Arrependido.

– Eu... você me lembra minha irmã.

– E o que aconteceu com ela? Você é tão monstruoso que pode assustar até mesmo sua própria irmã?! — Gritou.

– Não, não! — Negou. — Ela apenas fugiu com um antigo amigo meu, um idiota. Eu não o aceitava, e não lhes dei minha bênção, então... ela fugiu, já que eu sou, e sempre serei sua única família.

E, a partir daí, o caminho parecia nunca mais acabar, pois o silêncio quebrava qualquer clima que poderia acontecer.

– Chegamos. — Disse ele, parando o carro em frente á enorme mansão que herdara de sua família.

Ela logo entrou, e subiu para cima. Parecia que havia adivinhado onde era seu quarto, pois trancou a porta. Jean bateu nela, e disse:

– Se quiser alguma roupa... há no armário, provavelmente vão servir em você, minha irmã era muito nova quando fugiu, deve ter o mesmo tamanho que ela.

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O tempo se passou. Um ano, exatamente. Dafne havia aceitado a rejeição de seus pais, e ela e Jean começavam a se falar melhor. Quase, que, se apaixonando. Mas isso era estranho, já que ele tinha 25, e ela, 14.

– O jantar está servido senhor. — Disse a serviçal, Ruessá. Ela começou a falar apenas depois da chegada de Dafne, ela animava a cara. Conseguia animar até mesmo a Jean.

– Obrigada. — Disse Dafne, e, depois da serviçal ir embora, começou: — Jean, por que você me trouxe aqui? Além de me parecer com sua irmã.

– ''Imprinting''... é assim que se fala naquele filme, Crepúsculo?

Os dois riram juntos, quando a campainha tocou.

– Droga, pra que fui dispensar aquela idiota? — Ele limpou a boca com um pano, abotoou direito o terno e abriu a porta. Tomou um susto, fez a cara mais temível que alguém poderia tirar-lhe. — Você... — Disse, rosnando.

– Olá, meu querido Jan. Eu te chamava assim no tempo da escola, não? — Disse, rindo. Suas roupas eram comuns, nem simples nem chiques demais. Seu nome, Ábydos, estampava uma camisa social. Ele era mecânico.

– Já volto, Dafne. Fique aí, por favor. — Jean falou, e fechou a porta, agarrando o pescoço de Ábydos e colocando sua cabeça na fonte. — VAMOS, SEU VIADO, FALE TUDO QUE FEZ COM MINHA IRMÃ! FALE, OU EU ENFIO SEU MALDITO NARIZ NESSA FONTE, E VOCÊ VAI VER SUA MORTE, OLHANDO A ÁGUA COM SEUS PRÓPRIOS OLHOS!

– Calma cara, calma. Sua irmã está em casa. Me peça desculpas e admita que está errado, e então eu entrego ela.

– Eu, fazer negócio com você? — Disse ele, segurando para não rir, mas, no final, soltando uma risada tão má que poderia entrar para a história. — Por favor, meu querido. Eu nunca me desculpo com ninguém. Eu não preciso. Eu sou superior.

– É mesmo? — Perguntou ele, rindo. — Você é só um merda covarde que se esconde na sombra do dinheiro. Você não é nada além disso. Nada.

– Idiota. Você quer morrer, não é?

– Pf, você não tem nem coragem de jogar a lapiseira que eu te dei de presente fora, como acha que vou te dar a localização da Jessie, assim?

– Como sabe? — Peguntou, incrédulo.

– Ela está no bolso do seu paletó, seu filho da mãe.

Jean lhe soltou, abaixando a cabeça.

– Se eu sou um covarde, você é...

– Quer saber? Você deve me provar. Prove-me que você não é um covarde, ou então eu conto para a cidade inteira que você teve medo da sua irmã fugir comigo, pois ela poderia ter filhos, e eles tomariam seu lugar, ficariam com a mansão. Você quisesse ou não. Você nunca amou ela, como contou para a cidade a um ano atrás. Eles te expulsariam da cidade, eles são prefeitos agora, e querem a filha deles novamente. Qualquer um pode quebrar um trato.

– O que você quer?

– Quero que você me prove que tem coragem o suficiente, então, te dou a localização da Jessie e não conto a verdadeira história. E como você prova isso? É simples. Matando a garota. — Ele apontou para Dafne, que olhava para eles, na porta. Logo, notando seus olhos nela, fechou-a com um susto.

– Nunca.

– Qual o motivo de você amar tanto essa garota?

– Ela é doce, gentil, agra...

– Mentira! Ela é um prêmio de um rato imundo como você.

– Isso... isso... mentiroso! — Rosnou.

– Mate-a, ou eu matarei. Afinal, tenho direito. Fui eu quem mandei ela pra cá, fui eu quem deixei-a confortável para viver com um sujo como você.

– O qu...

– Você leva a menina a arena 00:00, te espero lá. Até. — Disse ele, logo gritando, de longe: — A garota, ou a sua vida virando um inferno para sempre!

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– Vamos, Dafne. Temos de nos apressar. — Disse Jean, quase chorando, entrando na antiga arena da cidade, puxando a pobre garota para sua morte.

Seus pés levantavam poeira, enquanto Dafne tossia com ela. Largada violentamente no chão, a garota apenas olhou para Jean. Seus olhos, em lágrimas. Uma adaga afiada na mão, ele parecia machucado, mas um sorriso estampou seu rosto.

– Eu te amo.

– Fique longe de mim! Seu... — Não deu tempo de terminar.

Em segundos, a adaga enfiada em seu pescoço. Seu corpo, caído no chão. A cidade inteira, que fora forçada a assistir o cruel assassinato, gritava pela plateia. O coração de Jean batia forte, e Ábydos aproximou-se, por trás.

– Considere isso um presente. Pela sua vitória. Por provar que é tão orgulhoso... a ponto de matar alguém, assim, tão precioso para você. — O homem lhe deu uma bebida, vinho, mais especificamente.

E, então, Jean tomou a bebida. Com um sorriso no roto. Talvez, por provar que não era um covarde. Talvez, por realmente não gostar da garota. Ou, talvez por ser realmente louco.

E, assim, se encerra mais uma história. O corpo de um pecador caído no chão, vítima do veneno que alguém havia posto em sua bebida.

E ele morreu, porque um coração corrompido pelo orgulho não pode bater em um peito humano.

Notas finais
Espero que seja do agrado de vocês. Até o próximo capítulo, onde falaremos sobre a Ira :3 ( Link no Social Spirit: https://socialspirit.com.br/fanfics/historia/fanfiction-originais-os-sete-pecados-humanos-4686830 )