Os Sete Pecados Humanos

2 Ira - Kalmia - 2016


Notas iniciais
Na minha imaginação, Kalmia é representada como Amy Lee.

– Sua garota de merda! — Gritavam as garotas, fora da cabine do banheiro, empurrando a porta, isso era injusto. Havia apenas Kalmia do outro lado.

– Por favor, vão... vão embora! — Kalmia clamava, as lágrimas escorriam de seus olhos e o ar quente que saia de sua boca parecia transformar a cabine em uma sauna.

– Nós só vamos embora se você passar 100$ debaixo da porta. Queremos almoçar em um restaurante hoje, em vez de comer pão com pão na cantina, mas parece que a Eerin esqueceu a carteira em casa — Elas riram, mas Kalmia não achava nada engraçado. Ela tirou a carteira da pequena mochila de ursinhos amarelos e lhes passou 100$, hesitando. Se suas últimas palavras pudessem ser naquele instante, então seriam: ''Por que, em todas as instituições de educação no mundo, eu fui nascer para estudar justo na cobiçada Academia de WillCrest, localizada no centro desta maldita Austrália?''

E foi assim que Kalmia ficou, até o resto do horário, chorando no banheiro.

– Garota? — Disse uma funcionária, abrindo a porta do banheiro. — Ahh, Kalmia! Graças a Deus — Disse a senhora, puxando-a para seus braços e enxaguando seus olhos inchados e cheios de lágrimas. — Conte para a Camira aqui, aquelas garotas estúpidas te encheram o saco novamente?

Kalmia confirmou com a cabeça, logo pegando sua mochila e indo para a porta do banheiro.

– Hum, obrigada, ahm, Camira. Mas eu já vou indo, até logo. — Kalmira falou, calma, fungando discretamente o nariz. Desde que havia entrado naquela escola, no 6º ano, era vítima de bullyng, sempre pelas mesmas garotas. Eerin, Alinga, e, finalmente, pior de todas, que sempre era a porta-voz dos maus-tratos, Tiarni. Ela tinha cabelos negros e curtos, e seus olhos eram profundos e cinzas. Já havia ganhado diversos concursos de beleza, mas a certeza de Kalmira era que eles apenas refletiam o lado de fora daquela vassoura de dois metros.

A garota corria pelos corredores, não parecia fazer muito tempo que a escola havia dado o sinal da saída, mas quase todos já haviam ido embora. — quase.

Lowan, ele era o garoto mais lindo da escola. Kalmira só não havia saído da escola por causa dele. O garoto de seus sonhos, seu único suporte emocional. Estava sentado bem ali, debaixo do maior salgueiro da escola, nas raízes da árvore, lendo um livro. Sua camisa social estava fora da calça, ele parecia cansado. De repente, um pensamento realmente curioso tomou a moça:

E se eu declarar meus sentimentos a ele?

Seu coração pulsou mais forte. Ela não tinha nada a perder. Era dia 18 de Dezembro, ela poderia parar de ir a escola caso ele a rejeitasse, suas notas eram boas o suficiente pra isso. Sim, era exatamente essa ação que definiria seu dia, bom ou ruim.

Ela se aproximava, sorrindo, os cabelos ondulados e bagunçados ao vento. Kalmira permanecia doce, com um olhar gentil e com lábios preenchidos com batom cor-de-cereja. Chegava perto, quando...

Alguém sentou no colo de Lowan. O coração de Kalmira pulsou, mais forte, e finalmente, mais forte, quando ela beijou-o. Com certeza, não era uma qualquer. A roupa, um cropped azul de renda e um short curto e de cós-alto. O cabelo, cacheado artificialmente nas pontas, e preto. Não, negro. A única que tinha aquela coloração tão perfeita, ah, era ela. Era Tiarni.

– Vai se fuder! — Ela sussurrou, cerrando os punhos e os dentes, alguém se aproximava.

– Lindo casal, não? — Perguntou o professor de geografia, o único que exigia ser chamado pelo nome, Athan.

– Athan? Desculpe pelo palavreado, senhor! Foi sem... espere, lindo... casal?

– Eu posso ver a raiva pulsando em suas veias, minha querida. Eu não deveria esperar menos. Ela está com Lowan apenas para provocar ciúmes no ex... dá pra acreditar?

– Você parece um viado fofoqueiro falando assim. — Disse, sem perceber seu palavreado rude.

– E você pode dar um jeito nisso, você sabe. Sabe como. Uma garota de 15 anos cometendo um assassinato... ninguém vai ligar, você sabe.

– ''Ninguém vai ligar?'' Me faz um favor, pega uma faca de manteiga e passa no pescoço. — E assim, ela ia saindo, quando o professor pegou em seu pulso.

– Eu te pago.

Silêncio.

– De quanto, exatamente, estamos falando?

– Isso só será revelado no final. — Disse ele, rindo e se retirando.

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– Cheguei mãe.

– Seja bem-vinda, querida. — Disse ela, contando o dinheiro. Kalmia e sua mãe moravam em uma pequena construção, que era do avô de Meghan, por isso elas se mudaram dos Estados Unidos para a Austrália, mesmo sabendo que a vida no local não seria nada fácil.

– Continua tirando boas notas? — Disse ela, agora com envelopes na mão, ela suspirava e lia oque havia escrito.

– Sim...

– Que bom, desse jeito você continua com sua bolsa, e o resto do pagamento depende do Ajuda-Família. — Mais suspiros, largou os envelopes no chão e colocou suas mãos no rosto, esfregando-as, enquanto sussurrava: — Contas, contas, contas...

– Mãe... tem certeza, tipo, absoluta de que você ainda quer isso?! Quer dizer, você TEM um emprego.

– Não, querida. Prostituição não é um emprego legalizado por aqui. Nunca foi. — Ela tirou as mãos do rosto, colocou de suporte no queixo e olhou-a de cima abaixo, a campainha tocou. — Vai querida, pro seu quarto. Eu cuido disso...

– Okay, até mais... — Kalmia entrou em uma porta, e logo desceu as escadas para seu quarto, localizado no porão. Sua cama estava velha e o ferro já enferrujado. Uma cômoda á direita e um criado-mudo á esquerda. Uma pia, suja, mas que ainda funcionava, se localizava abaixo da velha TV que pegava apenas o canal de desenhos infantis. Aquilo poderia até parecer uma prisão, se sua cama fosse transformada num velho colchão.

Que Meghan e Kalmia eram uma família com sérios problemas financeiros, era fato. Mas elas tinham, também, risco de perder a casa. Era por isso que a moça sempre ouvia sua mãe com novos ''clientes'', geralmente idosos ou homens com transtorno de meia-idade. Todos idiotas. Mas sua mãe trabalhava dia e noite, sempre estava exausta e usando uma lingerie velha e manchada. Ela merecia mais que isso, não era oque ela queria para sua vida. Disso Kalmia tinha certeza.

E ela estava disposta a fazer tudo, tudo para conseguir a felicidade de sua mãe. Até mesmo matar as piranhas que davam em cima de seu ''crush'', e, de fato, isso não parecia nada mal.

No dia seguinte, a querida Kalmia entrava pelos portões da escola com um belo sorriso no rosto, havia convidado Eerin, Alinga e Tiarni para uma festa idiota que disse que iria fazer, e pagou uma garota para armar uma pegadinha contra a garota. O plano não poderia ser mais perfeito, pois, quando elas chegassem lá, seriam empurradas para sua morte súbita. Primeiro, seriam trancadas no quarto de Kalmia por dois dias, enquanto sua mãe viaja, então, estarão mortas, ao inalarem dezenas de sementes de Kalmia.

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– Chegamos!! — Gritou Tiarni, em um vestido de festa bonito e apertado.

– Oh, muito obrigada por comparecerem... a sua morte.

Logo, elas se encontravam inconscientes no quarto de Kalmia. Os vestidos muito sujos de sangue, as cabeças com ferimentos graves, e os punhos de Kalmia, totalmente vermelhos.

– Durmam bem. — E, assim, uma pequena e inocente garota se transformava em um terrível monstro, levada pelas palavras que poderiam — ou não — serem mentiras.

No fundo, no fundo, ela fazia isso apenas por vontade própria. Como se nós não soubéssemos disso.

–

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No dia seguinte, Kalmia apenas tacou o foda-se e resolveu beijar Lowan. E, a reação dele não foi das melhores. Ele afastou seus corpos, fazendo-a cair no chão.

– Calma, calma! Nós nem nos conhecemos direito, e, além de tudo... tenho que ir, até mais, hum... hum... estranha.

E é assim que se destrói o coração de uma doce garota e transforma-o em pedra.

Eles estavam na aula de geografia, o professor anunciava as duplas para o último trabalho do ano. Oh, sim, e adivinha com quem Kalmia ficou?

Exatamente, Lowan. Logo, ela sussurrou em seu ouvido: — Hoje, na minha casa. Quero fazer um jantar para pedir desculpas.

–

–

A campainha tocou. A mesa de jantar estava arrumada, Meghan havia saído. Como fazia todas as noites.

Kalmia abriu a porta, deu um abraço em Lowan e logo lhe serviu a comida, sentando-se na mesa. Ele começou a comer, fazendo elogios envergonhados.

– A comida está boa. Foi você quem fez?

– Sim. Obrigada. Você é muito gentil.

Silêncio.

– Hey, você... sabe de onde veio o meu nome? — Perguntou ela, olhando para Lowan comendo, enquanto seu próprio prato estava intacto.

– Não, conta aí. — E ele continuava a comer.

– A Kalmia latifolia, mais comumente conhecida como Louro-da-Montanha, produz delicadas flores brancas e rosadas no final da primavera, sendo nativa dos Estados Unidos. Ela é belíssima, mas por baixo daquele exterior delicado bate o coração de um... assassino.

Em segundos, Lowan estava caído no chão, salivando e parecendo pedir por socorro, mas se afogando na própria baba.

– Sabe, Lowan. Provavelmente ainda me escuta, os efeitos não são tão rápidos assim. No fim, você sabe o motivo de ninguém ser meu amigo? De ninguém querer? É exatamente por causa das vadias mortas do ano. Ninguém, NINGUÉM gosta de ter seu nome escrito no espelho da parede com o link de um vídeo pornô com uma desgraçada que não quis mostrar o rosto! E eu, que pensei que você era o único... o único que não iria me culpar. Eu vou te jogar na droga do meu quarto para que você sofra até a morte sem o auxílio de remédios. Você vai ver.

E, em poucos segundos, Kalmia estava de volta a vazia sala de jantar. Puxou a toalha da mesa, quebrando os pratos. Estava pulsando de raiva, quando alguém desceu as escadas, com duas taças de champanhe, sorrindo. Era Athan.

– Tome, pegue uma. — Ele ofereceu, e Kalmia tomou metade em apenas um gole.

– Bom, acho que agora é hora de...

– Decidi que não quero seu dinheiro. — Disse ela, olhando a bebida. — Eu gostei da minha decisão, e fiz por vontade própria, sem pensar no seu dinheiro em nem mesmo um instante. — Continuou, bebendo o resto do vinho branco, e logo capotando no chão, e em sua visão via-se apenas o professor, sorrindo.

– O que você... colocou...

– Na bebida? É simples, minha querida Kalmira. — Ele ajoelhou-se, ficando mais perto dela. — Sementes de Kalmira.

– Quantas? — Tentou gritar, mas saiu apenas uma voz falha.

– Umas... cento e cinquenta? Duzentas? Por aí. Bem mais do que você colocou na comida daquele imbecil, não? Você vai morrer rápido, mas... resolvi poupar seu sofrimento. — Falou, tirando uma adaga pequena e curva do bolso.

– Desgraçado...

E, assim, morreu a pecadora. Com um corte horroroso no pescoço e com a arma do crime em suas mãos,

Porque um coração corrompido pela ira não pode bater em um peito humano.

Notas finais
Espero que seja do agrado de vocês. Até o próximo capítulo, onde falaremos sobre a preguiça :3 (Deus me leva :v ) ( Link no Social Spirit: https://socialspirit.com.br/fanfics/historia/fanfiction-originais-os-sete-pecados-humanos-4686830 )