Os Segredos dos Seus Braços

18 Uma visita à meia-noite


Notas iniciais
Olááá fofos e fofas :)
Bem, eu estou um pouquinho apurada, hj.
Entao nao vou enrolar aqui.
Espero que gostem do cap.!
Boa leitura!!!
:*

Cap. 18-Uma visita à meia-noite

Biloxi, Mississippi

1901

Alice descera para o café um pouco atrasada. Dormira demais e, para sua indignação, Jasper não havia acordado-a para tomarem café juntos. Enquanto descia as escadas, ela formulava em sua cabeça tudo que iria brigar com ele.

Porem, quando chegara à porta da sala de jantar, trombara com algo grande e duro, retrocedendo para trás e quase caindo de traseira no assoalho.

_ Oh, Deus! – ela exclamou quando perdera o equilíbrio. Massageou, mal-humorada, a cabeça que batera no peito de Jasper.

Sua sorte fora que ele havia a segurado pelos braços e era forte o suficiente para não permitir que fossem os dois ao chão.

_ Calma, mulher – ele riu, segurando o corpo dela até que ela estivesse suficientemente segura sob seus próprios pés – Por que toda a pressa?

Alice, respirando rapidamente, tirou os cabelos dos olhos e o encarou.

_ Por que não me acordou? – ela resmungou, cruzando os braços sobre o peito.

_ Oh, sinto muito, mas você parecia tão cansada – ele deu de ombros, observando a careta que ela fazia. Nenhum dos dois quisera fazer menção ao dia anterior – Vá tomar seu café.

Alice soltou um suspiro, perdendo a verdadeira vontade de comer.

Não que a tivesse usualmente.

Odiava sentar-se sozinha à mesa.

_ Vamos, Alice, não me odeie – Jasper voltou a falar, tentando não sorrir diante do bico que ela formara. Era realmente um dia milagroso quando ela não o fazia ao menos uma vez.

_ Tudo bem – ela deu de ombros – Vá para seu trabalho.

Sorrindo, Jasper lhe deu um rápido beijo de despedida nos lábios, pegando-a desprevenida outra vez.

Ele sempre tinha que fazer daquela maneira.

Alice se sobressaltou quando ele a beijara tão de repente e nem sequer teve tempo de reagir. Mas bufou, pois detestava quando ele a pegava de surpresa.

Ela ainda tinha dificuldades com a aproximação dele consigo.

_ Tem algo para você na mesa do café – ele murmurou ao pé do ouvido dela, enquanto ainda segurava-a pelos ombros. Então, colocou seu chapéu e saiu de seu caminho, a fim de deixá-la ver do que se tratava.

Alice franziu o cenho quando seus olhos baixaram sobre a mesa cheia de comidas. No centro da mesa, entre os pães-doces e a garrafa de café, tinha um pequeno vaso de flores roxas e rosas.

Certamente, elas haviam dado uma adorável cor em sua mesa, porem ela desconhecia seu significado.

Cautelosamente, ela se aproximou das flores, onde, em de pequeno vaso, pendia um cartão pequeno e rosado. Era de Jasper, pois ela reconhecia sua letra a léguas de distancia.

Comprei de um dos vendedores do festival;

São para você;

Espero que lhe alegre o dia.

De seu marido;

Sr. Witlock.”

Alice sorriu inconscientemente quando terminara de ler, levando as flores até o rosto para sentir seu perfume.

Eram perfeitas.

Assim, ela correra até sua sacada para ver se o alcançava ainda no portão para agradecê-lo da maneira correta. E ele estava lá, pronto para subir em Ramos e sumir no horizonte. Mas ele teve tempo de olhá-la rapidamente antes de fazer isso.

A viu com o bilhete e com o vaso nas mãos, mas o que gostara realmente de ver fora os olhos castanhos brilhando. E, mordendo os lábios, Alice sorriu discretamente, enquanto o fitava sem conseguir desviar-se.

Fora uma rápida, porem intensa troca de olhares entre ambos, até Jasper piscar para ela e subir em seu cavalo. E tão logo ele já galopava para longe de suas vistas.

_

Alice colocou um enorme chapéu branco para se proteger do sol. Colocou, também, suas velhas luvas amarelas e se encaminhara para seu canteiro, no gramado da frente de sua casa.

Seu pequeno vaso guardando suas flores pendendo seguramente em seus braços.

A pequena e velha cidade de Biloxi parecia cheirar muito melhor, naquela manhã. O vento estava fraco e os grilos cantarolavam sob os pés de Alice, no meio da floresta verde que era sua grama, para eles.

Sorrindo, Alice segurou seu enorme chapéu para que não voasse e aspirou o ar com vontade.

Não sabia ao certo a razão, porem encontrava-se tão tranqüila e animada que nem percebera quando começara a cantarolar.

Pegou uma pequena pá a fim de cavar um buraco para plantar suas flores.

Ficariam tão lindas no meio das outras...

_ Olá Sra. Witlock – Alice levantou-se quando escutou aquele cumprimento. Deveria ser sua vizinha, a Sra. Roberts, que sempre a cumprimentava quando encontravam-se na feira.

_ Ah, olá Sra.... Roberts? – Alice arregalou os olhos quando eles caíram sobre a recatada e culta mulher de cabelos ruivos.

Sob um delicado chapéu vinho, os cabelos da Sra. de meia idade caiam envolta dos ombros, um misturado ao outro, apontando para diversos lados distintos.

Exatamente como os cabelos de Alice.

_Passar bem, querida – a mulher, sorrindo ao vento, fora distanciando-se do quintal de Alice, passando obsessivamente seus dedos nos cabelos curtos e rebeldes.

_ Oh... Jesus! – ela exclamou chocada.

Então, do outro lado da ruela, outra mulher passara.

Os cabelos do mesmo modo que os de Alice e os da Sra. Roberts.

_ O que diabos... — Alice sussurrou, agora começando a ficar assustada.

Será que o sol forte estava afetando-a tanto assim?

Paralisada em seu lugar, Alice rolou os olhos astutamente para os dois lados. Viu, vindo do lado oposto da calçada, um grupo de mais três mulheres conversando animadamente sobre seus bordados.

Todas com os cabelos exatamente iguais aos de Alice, a Sra. Roberts e a moça do outro lado da ruela.

Alice dera três passos para trás, a pá caindo no chão e seu enorme chapéu sendo levado para longe com o vento preguiçoso.

O que havia acontecido com as pessoas daquela cidade?

_ Bom dia, vizinha! – Alice olhou automaticamente para o lado, onde outra mulher, a esposa do padeiro, a Sra. Vascondes Brás, acenava freneticamente, a pele do braço balançando com seus movimentos como se fosse feito de gelatina.

Com um sorriso trêmulo, Alice levantara rigidamente a mão, acenando com certo receio.

Pois os cabelos dela estavam curtos e espetados.

Exatamente como os de Alice, os da Sra. Roberts, o da moça do outro lado da ruela e os das três moças risonhas. Exatamente como todas que passavam no alto da avenida principal, da que limpava o vidro da janela de sua sacada, os da que passava batom enquanto caminhava para a loja de xales.

Enquanto muitas mulheres apareciam de todos os lados com os cabelos como os de Alice, os da Sra. Roberts, os da moça do outro lado da ruela, os do grupo risonho, os da Sra. Vascondes Brás, mulher do padeiro, ela fora se dando conta do que acontecia ali.

Por mais que parecesse absurdo demais, os cabelos curtos de Alice não haviam sido sinônimo de vergonha nem haviam sido recriminados por todos.

Milagrosamente, Alice havia feito moda entre as requintadas, recatadas e absurdamente moralistas Sra’s de Biloxi.

Quando se dera conta daquilo, Alice parou em seu lugar, olhando atentamente para todas que passavam com o mesmo penteado que ela. Pela primeira vez, ninguém estava julgando-a por sua aparência desleixada.

Estavam imitando-a em seu ato de maior loucura.

Alice riu, de repente, sentindo-se bem. Lá dentro de sua casa, aquela invenção esquisita que chamavam de telefone começara a tocar freneticamente, e Alice teve a certeza que Bella, Rose e sua mãe também tinham saído em seus quintais, naquela manhã.

~•~•#•~•~

Biloxi, Mississippi

Fim daquela tarde

Mais um dia ia embora pelo horizonte. Saindo a passos astutos, Jasper descera as escadarias da casa da monstruosa fazenda de café. Sempre naquele mesmo horário ele se punha de volta para sua casa, o momento exato que metade do enorme sol já havia sido engolido pelas montanhas no alto da colina.

Apenas com aquilo ele se orientava, largando os requintados relógios de bolso, sinônimos de dinheiro e sofisticação entre os Sr.’s.

Sempre com a mesma ânsia em chegar em sua casa, ele subira em Ramos com a agilidade que nascera com ele. Tomou a estrada em alta velocidade, notando apenas os flashes verdes que passavam em suas laterais.

Com o fim do dia e o começo da noite se aproximando, era natural aquela estrada, que era cercada de altas árvores dos dois lados, parecer mais escura e fria do que o resto de seu caminho.

Porem, o vento que batia contra Jasper parecia mais friorento, mas cortante do que o habitual. Os ruídos dos animais noturnos começava a ecoar fracamente em algum lugar dentro daquela mata e, diante da solidão da corrida de Jasper, aquilo lhe dava até certo incômodo.

Como se houvessem olhos sobre ele que ele jamais iria ver.

Então, assim que terminara de pensar aquilo, Jasper pensou ter escutado um outro trotar que não era necessariamente o dele em Ramos, logo atrás de suas costas. Parou abruptamente seu cavalo, virando-se para trás com os olhos cerrados.

Mas o que seus olhos viram fora o inicio da noite, apenas o breu seguindo rente em suas costas.

Não havia nada atrás de si.

Balançando a cabeça, ele virou-se novamente para frente e pôs-se a correr ainda mais, tendo a consciência dos limites de seu cavalo. Tão logo já estava na estrada da cidade, nas ruas movimentadas naquela hora do dia, as luzes começando a ascender no horizonte. Agora, poderia ter um exercito inteiro atrás dele, que ele não se importaria.

Pois já avistava sua enorme casa no fim da rua.

Dessa vez, Alice não estava no banco do gramado, esperando-o. Tirando seu enorme casaco de couro, Jasper desceu de seu cavalo e o levou até o estábulo junto com seus outros animais. O caminho até lá era um breu terrível, pois o cercado de sua propriedade era ao lado da floresta.

E enquanto levava Ramos até lá, pensou que poderia colocar mais luzes naquele caminho, pois Ernest, o cocheiro, morava ainda mais afastado do que seus cavalos.

Porem, deixaria para pensar sobre isso outro momento, pois o que mais queria era descobrir onde Alice estaria, pois a casa estava silenciosa demais para ser a casa em que ela morava.

Rindo, Jasper entrara pelos fundos, tendo o cuidado de limpar seus solados para não acabar com o assoalho limpo.

_ Boa noite, Sr. Witlock – Consoelo, que estava lustrando algumas pratarias na sala de estar, cumprimentou-o com seu usual timbre baixo.

_ Boa noite – Jasper sorriu para ela, colocando seu casaco e seu chapéu no cabide – E Alice? – perguntou, incapaz de não transparecer sua preocupação. Desde que haviam entrado em sua residência na ausência dele, ele tomara uma providencia, pois do contrario não conseguiria trabalhar em paz sabendo que Alice e suas serviçais corriam perigo.

Jasper havia colocado um homem de vigília em cada lado de sua enorme propriedade, ao menos durante o dia.

Alice não sabia que sua casa estava sob constante vigilância dos empregados da fazenda, pois Jasper não quis preocupá-la, uma vez que ela acharia que a situação estava mais terrível do que aparentava.

_ Está lá em cima, Sr. – a mulher lhe respondeu calmamente – Esteve perguntando pelo Sr. agora pouco – ela não o olhou enquanto preocupava-se com a limpeza daquela delicada prataria, então não vira o sorriso que ele dera, uma satisfação estampada.

Jasper subiu as escadas terminando de tirar seu colete e seu primeiro conjunto de camisas. Precisava tanto de um banho quanto queria. Pensar na enorme banheira ja relaxava o corpo.

Ele poderia até dormir nela.

Pensou, por um segundo, que poderia chamar Alice para dividi-la com ele.

Deus, como ele repensava naquela possibilidade inúmeras vezes.

Mas sempre ficava apenas em seu imaginário, afinal ela nunca entraria ali dentro junto com ele.

Ainda mais sem vestimentas alguma entre seus corpos.

_ Ah, Alice... – Jasper suspirou, guardando seus desejos e suas lamurias apenas para ele. Apenas pensar em Alice daquela maneira deixava seu corpo em um alerta automático.

Era tão ruim brincar assim com seu imaginário.

Com os pensamentos ainda repensando em milhares de coisas ao mesmo tempo, Jasper andou vagarosamente pelo corredor de madeira até porta da suíte deles. Internamente, estava sentindo-se um pouco... estranho.

Faltava alguma coisa.

E ele bem sabia de que se tratava. Era única e simplesmente por conta de uma certa abstinência que estava passando a algum tempo e que, a cada dia mais, incomodava-o a ponta de ser físico.

Ainda que estivesse muito satisfeito com a relação íntima que ele e Alice estavam tendo, ele não podia deixar de pensar em querer avançar mais um nível nessa intimidade.

Porem, esse ele não podia roubar-lhe, como fizera com seus beijos.

Esse nível de intimidade teria que ser concedido por Alice e era exatamente nessa parte que tudo se complicava e tomava proporções maiores e mais inalcançáveis. Isso por que ele jamais conseguiria estar com Alice daquela forma e, mais do que um simples desejo e uma insistência luxuriosa em querer deitar-se com ela por pura satisfação sexual masculina, aquilo já começava a afetar outros aspectos de sua vida.

Sua concentração no trabalho estava digna de matar.

Ele não podia negar aquilo a ele mesmo. Seu corpo ainda era acostumado a sua antiga rotina, cada noite com uma mulher diferente da anterior, e a privação tinha seus efeitos impactantes.

Quando chegara frente ao quarto deles, Jasper convenceu-se de que era um infeliz sofrendo um pré-colapso por abstinência, ardendo até os ossos o tempo todo para poder chegara tomar sua própria esposa.

Era uma dura e difícil realidade da qual ele sofria por não viver.

Com um suspiro, que fora quase uma lufada de ar, ele fechou os longos dedos na maçaneta.

Mas não a abriu.

Não sabia realmente se queria entrar ou não. Pois, se o fizesse, sabia que deveria manter seus desobedientes olhos longe do corpo encurvado dela, a situação em que encontrava seu corpo também deveria ser mantida em sigilo.

E era sempre muito difícil.

Ele já estava cansado de ficar apenas imaginando. Pois, sempre que ela mandava-o sair do quarto para trocar-se, ele ficava escorado na porta, como um fracassado, imaginando-a trocando seus vestidos.

Ao menos naqueles meses de casamento, ele desenvolvera uma criatividade exorbitante.

Então, ainda parado frente a porta e com a mão na maçaneta, ele desejou não imaginar mais.

Estava disposto a ver, ao vivo e a cores.

Olhou para o buraco da fechadura, bem abaixo de seus dedos, que seguravam a maçaneta.

Deus, que tentação demoníaca.

A respiração de Jasper se alterou ao cogitar a possibilidade de vê-la por ali.

Mas era muito errado...

Mas, talvez, ela nem mesmo estivesse trocando de vestes, ele pensou. Talvez, ela estivesse apenas ajeitando as fronhas de seus travesseiros, ou ajeitando suas sapatilhas por tamanho de tarraxas.

Ou, quem sabe, dançando sapateado.

Jasper umedeceu os lábios, levando em consideração aquelas hipóteses.

Pois, assim, não seria mais tão errado assim, certo?

Esquecendo seus modos, seu cavalheirismo e seus conceitos, Jasper dobrara os joelhos vagarosamente, cada vez mais encurvado.

Estava ajoelhando-se no assoalho para conseguir olhar rente ao mínimo buraco da fechadura.

Era como reviver seus tempos de garoto nos campos de treinamento, enquanto ele e seus companheiros espionavam as enfermeiras. Assim, aproximando-se perigosamente do pequenino buraco da fechadura, Jasper engoliu em seco, o sinal de nervosismo em pensar em ser pego em flagrante.

O interior do quarto deles aparecera no buraco, suas paredes beges iluminadas pela luz do lustre. Jasper rolou o olho verde-envelhecido pelo limite que o buraco da fechadura permitia.

Naquele momento, sua dignidade morria esganiçada bem ao seu lado.

Era a enorme cama de Alice, disposta bem ao centro do aposento, que era o que Jasper conseguia ver melhor, pois estava rente à fechadura.

Mas, aparentemente, Alice não estava nela.

Jasper bufou, indignado pela sua falta de êxito. Quer dizer, já fora difícil o suficiente convencer a si mesmo de fazer aquilo.

Não dar certo, ainda por cima, era muito frustrante.

Porem, no segundo em que ele pensara em sair dali e esquecer que havia feito mesmo aquilo, vira uma sombra ao pé da cama.

Seu coração dera uma forte batida, acordando-o novamente. Esperou alguns segundo até que ela aparecera em seu campo de visão, caminhando distraidamente pelo quarto.

Usava um penhoar de seda, seu tecido preferido, seus cabelos negros gotejavam e Jasper deduzira que ela havia acabado de sair do banho. A respiração dele começara a sair do habitual e passara a ser quase ruidosa enquanto a observava ir em direção à cama com um frasco na mão.

Todo o corredor era testemunha dele espiando-a, como se fosse um criminoso. O silencio era assombroso, porem oportuno. Pois, todo o esforço de Jasper de ficar o mais silenciosamente que conseguia, seria perdido se Alice sequer desconfiasse de sua presença ali.

Com uma vagarosidade quase cruel, ela começou a deslizar seu delicado penhoar da cor bege pelos ombros alvos. Do lado de fora, Jasper escorou-se um pouco mais sobre a porta, como se quisesse estender a mão.

Alice despejou um pouco do óleo perfumado que tinha nas mãos e as esfregou uma a outra. Aquele ato, Jasper previa. Ela começou a passá-las, delicadas e reluzentes por conta do óleo, nos ombros, tendo o cuidado de espalhar por toda a pele.

O calor subira pelas pernas de Jasper enquanto seu olhar acompanhava o lento e sensual movimento. Porem, fora o que aconteceu depois que matou o controle daquele pobre homem.

Alice soltara as amarras de seu penhoar de sua cintura e a brilhosa fita caira para o lado. Ela levantou-se em um movimento deliciosamente lento e deixou o tecido escorrer por todas as curvas de seu corpo, displicente e frio sobre o assoalho.

Um fraco gemido saíra da garganta de Jasper quando o pano tocou o chão, pois ele revelara a falta da camisola por baixo dele.

Alice ficou toda a completamente nua.

_ Oh... Deus – ele sussurrou tropegamente, descendo seu olhar por todo o corpo dela. Alice era mais do que sua incompetente imaginação formara dela daquela maneira.

Ela era mais, muito mais.

A pele era mais lisa, suas curvas eram discretas, porem incrivelmente acentuadas e... Deus, seus seios eram belos. Eram belos e chamavam a ele de uma forma quase hipnótica.

Ele precisava senti-los!

O sangue de Jasper passara a fervilhar em suas veias e uma fina linha de suor escorrega rapidamente por sua têmpora. Cada polegada de seu corpo já estava rigidamente à posto, seu estado completamente preparado para entrar naquele aposento e matar quem se intrometesse no caminho dele e do interior do corpo dela.

Jasper descobrira nela a graciosidade e a perfeição.

E, enquanto ela deslizava as mãos pelas coxas despidas, ele puxava o ar com sofreguidão, mordendo tanto os lábios que eles quase sangraram.

O corpo dela começara a brilhar timidamente por conta do óleo.

E o cheiro, ah o cheiro, esse Jasper podia sentir entrando por suas narinas e rasgando-o. Doce e penetrante.

Fora inconsciente o momento em que a mão dele começou a deslizar pesadamente por sua camisa entreaberta. A mão dela descia por sua perna, e a de Jasper descia por seu umbigo.

Até que ele próprio sentiu-o.

E se assombrou, pois jamais ficara daquele jeito. Talvez, por que era a primeira vez que ele desejava tanto e não podia ter.

E sabia exatamente como fazer, pois já fizera aquilo várias vezes enquanto ficava por muito tempo sob constante treinamento.

Mas era algo seco, vazio, insatisfatório.

O que queria, de verdade, era que as mãos dela o conduzissem para onde ele deveria ir.

_ Ah, Alice... – ele gemeu baixo, tocando a si mesmo enquanto pensava ter as mãos dela sobre si – Hmm....hm...

Mas de repente, o assoalho rangera suavemente e Jasper deu um salto em seu lugar e perdera o equilíbrio. Caiu para o lado e bateu sua cabeça em uma mesinha de madeira escura que tinha ali ao lado.

_ Sr. Whitlock? – Consoelo o surpreendera, vindo em sua direção no corredor. Sua testa franzida mostrava sua confusão ao ver seu patrão sentado ao chão, escorado em uma mesa, alisando sua testa vermelha – O Sr. está bem? O que faz no chão?

Jasper estalou a língua enquanto o coração, que antes batia acelerado por outro motivo, batia agora por conta do susto infernal que levara. Em sua cabeça, a vergonha de pensar o que Consoelo tinha visto.

Quase corou pensando naquilo.

_ Hãm... – ele balbuciou, parando de esfregar sua testa para olhar para a mulher – Eu estava... bem, estava matando uma aranha – mentiu, se sentindo mais cara de pau do que o próprio Alec Black.

Mas, por mais que Consoelo fosse a mais distraída e confusa de suas serviçais, Jasper notara como ela parou, de repente, como se analisasse aquilo. Mas antes que ela verbalizasse qualquer coisa, a porta do aposento deles se abrira e Alice apareceu ali terminando de amarrar seu penhoar bege seda.

E fora um momento bem difícil para Jasper.

_ O que está acontecendo aqui? – ela perguntou, olhando de Consoelo para seu marido, no chão – Jasper? O que aconteceu? Eu escutei um barulho.

Ainda um tanto desnorteado, Jasper tentou lhe responder.

_ Eu bati minha cabeça, apenas isso.

Alice assentiu, compreendendo, mas Consoelo franzira a testa mais uma vez, parecendo querer acabar com a mentira de seu patrão e constrangê-lo.

Mesmo que ela fosse inocente demais para pensar daquela maneira.

_ Mas o Sr. não estava matando aranhas?

_ È, devo ter matado com a minha cabeça – ele resmungou, pondo-se de pé quando fora seguro fazer aquilo. Sem dizer mais nada, entrou no quarto, deixando as duas mulheres confusas em frente a porta.

_

Já era logo após o banho de Jasper e ele terminava de secar seus cabelos com sua enorme toalha branca; ambos já estavam devidamente vestidos para dormir

E Alice com a maldita camisola de seda bege, que certamente não tinha nada por baixo.

Chateado, frustrado, aborrecido e ainda mortalmente excitado, Jasper jogou sua toalha de qualquer jeito na cadeira da penteadeira dela e se encaminhara para sua colcha em um silencio significativo.

_ Jasper? – Alice o chamou, parada frente a sua cama. Jasper se virou para ela com receio, pois tudo o que queria naquela noite era distancia daquela mulher.

_ Sim?

_ Bem... – ela começou a dizer e Jasper notara suas bochechas mais rosadas do que nunca – Bem, eu estava pensando que... bem, você poderia... poderia dormir na cama, ao menos essa noite – ela manteve seu olhar no chão o tempo todo, sua voz falhando como uma gralha – Pois... bem, tem aranhas por aí, não?

Jasper arregalou levemente os olhos quando ela sugerira aquilo. Ela estava disposta a abandonar, momentaneamente, seu narcisismo e dividir com ele sua cama. Tudo por conta de sua mentira.

E ele pouco se sentiu culpado por isso.

Porem, aquilo era tão novo e impactante que ele manteve-se parado, em seu exato lugar, com sua exata expressão e com o mesmo ar trancado em suas narinas. Olhou-a por muito tempo, enquanto analisava sua tentadora proposta.

E ele assentiu.

Então, em silencio, ambos se encaminharam para seus lados na cama. Jasper acomodou-se naquele macio colchão, naquele macio travesseiro e sob aquele macio lençol. Ao seu oposto, Alice se deitara o mais afastado que conseguia.

E ele fazia o mesmo.

Ele nem sequer estava virado para o lado dela. Ainda estava excitado demais para ficar encarando suas costas.

Engolindo em seco, ele fechou os olhos com força, rezando para todos os seus santos para que conseguisse dormir rapidamente.

Antes que perdesse de vez seu controle.

Com o corpo inteiro rigidamente posicionado, ele se remexeu ao seu lado, completamente desconfortável. E sentiu Alice fazer o mesmo.

Com um movimento suave no colchão, ele sentiu quando ela aparentemente havia se virado para o lado dele, bem às suas costas. A espinha de Jasper esquentou quando começou a sentir a presença dela um pouco mais perto.

Sua pele estava sensível demais à ela.

Então, como em um sonho, em um delírio ou uma alucinação, ele sentiu uma leve pressão em seu ombro. Com uma rajada de calor intensa, ele se enrijecera outra vez, uma adrenalina estrondosa passando pelo corpo dele.

E a tensão no quarto explodira quando ele sentira novamente a pressão em sua pele, reconhecendo ser os lábios dela acariciando-o. E tudo acontecera com a rapidez de uma piscada.

Jasper se virou para trás como um raio, deparando-se com ela a milímetros dele. Com grunhido que ecoou por todo o quarto, ele a puxou pela lombar, sentindo o quadril dela se moldar ao dele.

E a fez senti-lo duramente contra seu abdômen.

Com a voz sempre suave demais para ele, ela gemeu fracamente, agarrando-se aos seus cabelos. Assim, ele procurou sua boca com demasiado desespero, puxando sua perna até sua cintura, perdendo sua mão por dentro da camisola de seda bege que ela usava.

Sua mão queimava a medida em que ele apertava sua pele. Os ofegos de dentro do escuro quarto eram muitos e ficaram ainda piores quando ele a puxou contra si novamente, fazendo-a senti-lo, agora, bem na delicada peça que ela tinha entre as pernas.

Com um gemido ainda mais alto, Alice se elevou contra ele e Jasper perdera de vez os sentidos. Puxou um pouco a calça de seu pijama, fazendo-a senti-lo novamente, porem sem que houvesse tecido algum entre suas intimidades.

_ Jasper... Oh, Jasper – ela gemeu, implorando para que ele acalmasse sua dor no baixo ventre. Cravou suas unhas nas costas dele, esperando o momento em que ele deslizaria sem restrições para dentro dela.

Com a respiração faltando, Jasper guiou-se para seu caminho, pronto para torná-la dele sem muita delicadeza, quando...

_ Jasper!

Jasper se sobressaltou em seu lugar quando o chamado alto de Alice o despertou. Ela estava a sua frente, olhando-o como se estivesse preocupada com seu estado catatônico.

_ Alice? – ele grasnou, reconhecendo a situação em que se encontravam antes de tudo aquilo acontecer.

_ Sim, sou eu – ela riu – Você está bem?

Ele a olhou por mais alguns segundos, sua cabeça gritando furiosamente por tudo aquilo ter sido um deliro.

_ Sim, estou – ele murmurou, ajeitando os cabelos desgrenhados.

Alice riu novamente, balançando a cabeça vagarosamente.

_ Bem, e então?

_ E então o que?

_ Você irá dormir na cama? Sabe... por causa das aranhas..?

O coração de Jasper dera um solavanco audível quando ele cogitou a possibilidade de dormir ao lado dela naquela cama.

Mas, se ela não o quisesse daquela maneira, ele sofreria por toda uma noite com seu corpo a mil, com ela bem ao seu lado, sem que pudesse fazer nada!

_ Hãn... bem, você sempre fez tanta questão da cama – ela resmungou grosseiramente, mantendo ela e sua tentação longe dele – Ficarei em minha... em minha colcha – ainda sob resmungos, ele se deitou em sua colcha, cobrindo-se até os ombros com seu lençol.

Alice ficara parada em seu lugar, confusa. Mas quando ele não lhe dirigiu mais nada, fosse um olhar ou uma palavra, ela deu de ombros, indo para sua cama tão em silencio quanto ele.

Naquela noite desastrosa, Jasper não se voltou para ela outra vez.

~•~•#•~•~

Biloxi, Mississippi

Manhã seguinte

1901

Jasper acordou naquela fria manhã com Alice tossindo discretamente em sua cama. Suspirou, esfregando os olhos e sentindo o frio da manhã inundar o quarto. Espreguiçou-se com lentidão, querendo muito voltar para o sonho que estava tendo, pois seu corpo parecia eletrizado já pela manhã.

Sentou-se em sua colcha, olhando ao redor até parar na cama de Alice, apenas para saber se teria a companhia dela para o café ou não.

E vira que teria, pois ela estava ali, serena como uma flor de cacto.

Porem, estranhou o modo inquieto com que ela dormia. Estranhou, também, os lençóis dela revirados aos seus pés, enquanto a brisa estava tão fria do modo como estava.

Ainda mais para alguém friorenta como sua esposa.

Ele levantou-se, não querendo intrometer-se em seu sono. Se arrumara para seu trabalho sem fazer muito barulho, enquanto, a todo momento, pensava consigo mesmo.

E, depois de muito tempo, ele não pôde mais esperá-la acordar. Com um leve beijo no canto de sua boca, ele se despedira em silencio, não querendo realmente achar aquela manhã estranha.

_

3 horas mais tarde...

Alice acordara o mais tarde que já havia acordado. Parecia que sua cabeça pesava e seu pulmão diminuira de tamanho.

Mas, depois de tomar um pouco de chá, voltara ao normal, podendo até mesmo ajeitar seu quarto, como era de seu intuito desde a ultima semana.

E a julgar pelo seu estado, ela admirou-se que não sentira a necessidade de fazer aquilo antes.

Pelo assoalho, diversas camisas de Jasper perdiam-se umas entre as outras, tornando-as um emaranhado de botões e linho.

Aquilo era tão coisa de... homem.

Rindo, Alice começou a juntar tudo para colocar no cesto de roupas sujas, gostando de ter encontrado outro defeito em seu marido perfeito...

Epa.

_ Oh Jesus! – ela parou em seu lugar ao analisar seu ultimo pensamento.

Definitivamente, ela acordara muito mal naquela manhã.

Mas fazia uma ponte entre seus pensamentos, pois ele era fascinante... mas incrivelmente desorganizado.

Ainda rindo consigo mesma, Alice fora até a janela de vidro para amarrar suas cortinas, que voavam desorganizadas com o vento que fazia, naquela manha de Dezembro. Porem, fora parando, suas mãos perdendo força enquanto pendiam no ar.

Aquela janela, aquela cortina e aquele vento lhe davam lembranças amargas.

Lembrava-se do dia em que estava ali, sozinha na escuridão e no silencio, quando vira a primeira forma humana se mexer, logo ali atrás.

Um arrepio involuntário ultrapassou o corpo de Alice, fazendo-a fechar os olhos e tentar apagar as imagens de sua mente.

E ela temeu que aquele acontecimento tivesse sucessões, e temeu não estar suficientemente preparada para eles.

Pois sentia que estava começando a ganhar uma coisa em sua vida... mas que poderia perder a qualquer momento.

~•~•#•~•~

Biloxi, Mississippi

Ao cair do dia

1901

O dia fora parado. Passara como uma tartaruga de três patas, dando tempo suficiente para Alice bordar tecidos até seus dedos quase caírem.

Mas, o final dele havia chegado, finalmente, e agora Jasper já se encontrava em casa novamente e isso a alegrava, de certo modo.

_ Explique de certo modo – Jasper perguntou para ela com bom humor. Estavam fazendo novamente. Conversando distraidamente sobre coisas bobas.

Era bom.

_ Bem, eu jamais vou admitir que gosto quando está em casa – ela fizera charme com suas palavras, descobrindo com entusiasmo que a intrínseca intimidade que já tinham lhe dava essa liberdade – De nossas conversas...

Jasper riu, concordando com a cabeça. Se fosse para Alice admitir aquele tipo de coisa, ele deixaria ela zombar de si o quanto vivesse.

_ Você gosta mesmo é quando eu lhe beijo, adimita isso – zombou ele antes de dar uma maliciosa piscadela para ela.

Ela acabou não contrariando-o, pois já estava cansada de procurar desculpas. Ficou em silencio, corando consigo mesma e fazendo seu marido mortalmente lindo rir.

Porem, não se seguiram mais palavras dela, mesmo quando as reações das provocações dele já haviam sumido. Alice se calara, como fizera vez ou outra desde que ele chegara.

E aquilo estava começando a preocupá-lo.

_ O que há de errado, Alice? – Jasper perguntou, franzindo o cenho. Jogou seu casaco no encosto da cadeira de balanço dela – Ainda é por causa de seu pai? – arriscou seu palpito, vendo-a quieta.

Alice não era quieta.

Ela apenas o seguiu, juntando as peças que ele deixava pelo assoalho, distraído.

_ Não – disse ela, tirando o casaco empoeirado dele de cima de sua cadeira favorita – Bem, um pouco – deu de ombros, sentindo-se muito estranha naquele dia. Talvez fosse a mistura de todos aqueles acontecimentos juntos que pareciam ter fadigado seu peito – Mas acho que deve ser apenas o trauma daquela invasão, entende?

À sua frente, ela escutou Jasper ocultar um palavrão realmente inculto.

_ Isso foi um absurdo sem medidas!- resmungou ele enquanto tirava seu cinto, Porem, antes que ele jogasse em qualquer canto que não seria necessariamente o canto dele, Alice estendeu a mão – Além de absurdamente perigoso!

Alice concordou com a cabeça antes de estalar a língua e sentar na beira e sua cama, remexendo o cinto dele entre os dedos.

_ E.... bem, ainda não temos a menor idéia de quem foi que fez isso – murmurou ela, lamentosa.

_ Ou quem os mandou fazerem aquilo, não? – Jasper emendou sugestivamente, mostrando para Alice que ele tinha suas suspeitas.

Alice detestou aquele clima de tensão e mistério. Parou de olhar para Jasper e fitou ela própria no espelho.

_ E você ainda pretendia manter isso sem segredo de mim – Jasper resmungou antes de olhar para ela repreensoramente.

Alice até abrira a boca para se defender, mas parou, engolindo suas palavras, sem jeito, por ver que ele tinha razão.

Mas ela pensava nele quando pretendera fazer aquilo.

_ Eu não queria perturbá-lo, Jasper – murmurou ela defensivamente.

_ Me perturbar? – Jasper se virou com as sobrancelhas arqueadas, revivendo aquele assunto que estivera tentando engolir. Alice pôde sentir a voz dele ficando dura com aquele assunto – Oras, onde estava com a cabeça quando deduziu isso? – perguntou retoricamente – Eu deveria ter sido o primeiro a saber. Viria de onde eu estivesse para proteger vocês – o punho dele bateu na porta talhada do armário, assustando Alice.

_ Jasper... – ela afundou-se no colchão, pensando se falava ou não para ele, que mesmo sendo forte, astuto e bem treinado, ele era apenas um. Um contra muitos – Eu não acho que devemos discutir isso agora.

_ E quem disse que não devemos? – ele a interpolou, a linha dura de sua testa, que Alice se lembrava ser de quando a paciência dele se fervia em chamas – Devemos sim, para que fique claro que não quero que você esconda algo assim de mim.

_ Mas era para não perturbá-lo, Jasper! – ela voltou a se defender, utilizando daqueles argumentos incessantemente a fim de impedir aquela iminente discussão – Eu preciso decidir o que é melhor para dizer ou não em momentos como aquele e...

_ Não sozinha! – ele a interrompeu, um tanto irritado – Sou seu marido e devemos decidir as coisas juntos. Você não pode ocultar as coisas de mim, Alice – disse, fitando diretamente os olhos dela, como se lhe avisasse de algo mortalmente sério – Absolutamente nada.

_ Mas você escondeu de mim – ela retrucou rispidamente, levantando-se do colchão para o encarar mais facilmente – Escondeu sobre os negócios feitos pelo meu pai com tantos homens para vender a minha mão o mais caro que conseguisse! – ela voltou automaticamente ao assunto anterior, cuspindo as palavras amargas, pois ainda ardiam em sua garganta.

_ Não, Alice, pare de dizer que foi vendida – Jasper pediu, olhando para ela duramente – E isso é diferente, pois não valia a sua vida!

_ Oras, vá para o inferno, Jasper, vá diretamente para ele! – ela perdeu o controle, começando a querer a chorar – Odeio que escondam as coisas relacionadas à mim, de mim! – seus olhos se encheram de água e Alice se praguejou por estar se tornando tão fraca – E foi o que você fez!

A expressão de Jasper tornara-se uma rocha fria e impenetrável e, enquanto olhava aborrecido para ela, Alice sentiu sua raiva se solidificando.

E ela desestabilizou.

_ Pare de olhar para mim assim, mas que porcaria! – ela se exaltou com o silencio dele. Bateu o pé no assoalho, como sempre fazia quando ficava nervosa – Diga alguma coisa!

Jasper pareceu se retrair, ofendido. Depois de olhar demoradamente para ela, ele quebrou aquele perturbador contato visual cortante que lhe dirigia, indo para o armário em silencio, pegando uma roupa, pegando uma toalha.

E Alice ficou estática em seu lugar, absorvendo a discussão boba e sem muito fundamente que haviam acabado de ter.

Onde ela o havia mandado para o inferno.

Odiava aquelas situações, odiava aquelas sensações que aquilo lhe resultava.

Oh Deus, fazia tanto tempo que não brigava com ele...

_ Não irei para o inferno – murmurou ele amargamente, indo em direção à porta – Pois já estou nele...

Mesmo querendo mesmo dizer aquilo, ele quase se arrependera.

Pensou que Alice poderia pensar ser ela a culpa de seu inferno.

Mesmo não deixando totalmente de ser, pois desejar o corpo de Alice não por tocá-la eram mesmo como degustar de um inferno.

Mas, na realidade, ele se referia ao inferno de estarem sendo mirados por pessoas que ele não sabiam quem eram.

Estavam completamente vulneráveis e isso irritava a Jasper mais do que qualquer outra coisa no mundo.

E apenas para não pesar mais o clima que pairou no ambiente, carregando os dois ali dentro, Jasper saiu porta a fora antes que se voltasse a ela e lhe pedisse desculpas.

_

Alice esperou Jasper sair do banho para que conversassem. A discussão que haviam tido havia deixando-a sentindo-se mal e, por isso, estava disposta a dar o braço a torcer para que se resolvessem.

Porem, sua perna balançava tanto devido a impaciência, que ela temeu deslocar seu osso. Sua inquietação só piorava durante os minutos que ele não entrava naquele quarto.

Com um suspiro, Alice levantou-se de sua cama e se dirigiu a enorme janela que tinha no aposento deles. A lua estava enorme, maior e mais brilhante que sempre estivera.

A brisa fria causou um arrepio tão intenso nela que Alice se sentiu incômoda. Sua enorme camisola era branca, porem não era de seda.

Não dessa vez.

Ao lado da propriedade existia uma floresta pouca explorada. Nas sombras da noite, ela parecia ainda mais sombria, mais perigosa , mais... intocada. Ali, de pé em sua varanda, Alice fechou um pouco mais seu penhoar fino em volta de si, como se se sentisse sendo observada, como se houvesse olhares sobre si, olhando-a do meio daquelas árvores escuras.

Certo mesmo era o que sua mãe sempre lhe falara quando ela pedia para pular amarelinha à meia-noite: os males que todos reprimem durante o dia, saem para caçar durante a noite.

Estremecendo, Alice desviou os olhos das arvores tenebrosas e encarou outro lugar. Avistou um tanto distante, o estábulo que Jasper mandara fazer para seus preciosos cavalos.

E, pensando neles, ela se deu conta de que jamais havia ido até lá.

“Deveria ir até lá, alguma vez”, pensou.

Alice olhou novamente para o interior de seu quarto com a ultima gota de esperança de que Jasper aparecesse ali, se esgotando. Então, voltou-se para os estábulos, decidida a fazer algo diferente, naquele momento.

Ela descera as escadas, indo ate os fundos. Enchera dois baldes de água limpa e fresca para levar até dos animais.

Aprenderia a apreciar os cavalos, afinal de contas.

Dali até o estábulo era um caminho pobremente iluminado apenas pela luz da lua.

Mas Alice não ligou muito para aquele detalhe. Pegou dois baldes e pôs-se a ir em direção ao enorme estábulo, no qual uma luz saia de todas as janelas.

Seus pés davam passadas vagarosas sobre a grama molhada pelo sereno que caía. O único barulho audível eram os da água, ricocheteando dentro dos baldes, e os pios dos animais noturnos.

E a sensação de não estar completamente sozinha jamais deixando-a.

Então, após sua serena e calma caminhada, ela chegara até o estábulo vazio de pessoas, onde os enormes cavalos ainda permaneciam acordados e Alice pensou ser por causa da luz, que ainda permanecia ligada.

Sorrindo para os animais que a encaravam, ela despejou a água dentro dos recipientes deles.

_ Beba tudo, está bem? – ela disse para um dos cavalos malhados que estava mastigando um pedaço de alface. Ela começou a acariciar a pelugem do animal, que reluzia até mesmo a noite. E Alice entendeu por que Jasper era tão fascinado naqueles animais.

Eles eram realmente belos e graciosos.

Distraidamente, ela passou a acariciar um por um dos cavalos que colocavam suas enormes cabeças coloridas para fora de seu quadrado, como se pedissem para que ela os acariciasse, também.

_ Gosta disso? – ela perguntou baixo para Ramos, lembrando-se que aquele era o cavalo favorito de Jasper. E bem que ele falara que aquele cavalo era inteligente, pois ele remexeu sua crina bruscamente e abaixou ainda mais a cabeça em direção a sua mão – Ah, quer que eu lhe acaricie as orelhas? – ela riu, admirando toda a pelugem dele.

De tão negro, Ramos chegava a parecer quase azul!

Ali, ela ficara tão distraída, interagindo com os animais, que não notara o momento exato em que alguém adentrara o estábulo, vindo astuta e vagarosamente das portas do fim do corredor oposto ao que Alice entrara, até ela.

Onde a escuridão imperava, pois aquelas portas davam exatamente na beirada da floresta.

A presença silenciosa a observou por alguns momentos, como se verificasse se ela estava sozinha ou não. Deu um passo para luz, tomando o cuidado de não ser visto por ela.

Porem, como se seus sentidos sentissem a eminente aproximação, Alice virou-se subitamente para trás.

_ Oh céus! – ela sufocou um grito, arregalando os olhos e empalidecendo como um giz – Q-Quem é você? – ela grasnou, dando um passo para trás. Bateu as costas com força contra a madeira do cubículo de Ramos.

O coração de Alice começou a acelerar desumanamente enquanto os olhos negros a encaravam com um enigma. Suas vestes eram um tanto folgadas e empoeiradas, alem de doentiamente marrons. A barba para fazer e os cabelos embaraçados diziam que ele saíra mesmo do meio da floresta, do meio do...mato.

“Os... os vingancistas do mato...?”

Porem, não fora exatamente aqueles pensamentos que fizera o sangue de Alice gelar e suas mãos tremerem, e sim a arma que ele carregava, enorme e pesada, aparentemente carregada, pendurada frente ao seu peito.

Sua expressão de predador.

_ Não importa quem eu sou – a voz dele era grossa e tenebrosa de uma maneira que a assustou ainda mais – Não precisa ter medo, mulher — disse ele antes de dar um meio sorriso que fizera Alice ofegar, o pânico começando a assolar em seu corpo.

_ Vá.... vá embora – grasnou ela segurando com força a madeira.

Então, o homem aumentara seu sorriso e, para o coração de Alice ir parar na garganta, ele deu um passo a frente, rangendo a velha madeira do piso e tateando vagarosamente as amarras de sustentação de sua arma.

_ Ir embora? – disse, não parando seus passos – Por que não conversamos sobre um assunto serio? –sugeriu com um ar misterioso que a assustou mais.

Alice desgrudou seus dedos trêmulos da madeira e começara a dar passos mortos e duros para trás a medida que ele também dava em sua direção. Porem, ela sabia que não adiantaria correr.

Ele a alcançaria com uma respiração. Atiraria nela antes que ela pudesse dar duas passadas.

_ Não necessito falar com o Sr. – ela murmurou desnorteada. O suor em sua testa escorria friamente e ela começou a ter uma leve vertigem, certamente em decorrência do medo – Necessito que não se aproxime de mim! – ela lhe ordenou.

Mas o homem continuou a andar cautelosamente em direção à ela, seu olhar cortando Alice e assustando-a até a alma.

_ E o que fará? – perguntou com um franzido na testa. Pareceu não se importar realmente com a ação dela, como se estivesse certo que ela era presa fácil.

_ Eu... eu... eu irei gritar! – exclamou ela, buscando desesperadamente o resto de coragem e braveza que tinha – Chamarei meu marido!

O homem pareceu analisar aquilo por alguns segundos, parando por esse tempo em seu lugar. Mas Alice temia que ele deduzisse o óbvio: que não adiantaria ela gritar, pois Jasper não escutá-la-ia jamais.

E então, como se lesse os pensamentos dela, ele recomeçou a andar em sua direção outra vez, como um felino pronto para o golpe.

_ Por que o medo, mulher? – disse ele, tentando transparecer uma voz amena – Quase sinto o cheiro de seu medo. E eu gosto desse cheiro, só para avisá-la.

Alice ofegou audivamente e os pelos de sua nuca arrepiaram-se, denunciando seu pânico. Tinha quase que absoluta certeza de que não escaparia daquele homem estranho.

Não sozinha ali.

_ Já o mandei parar! – ela exclamou outra vez, porem sua voz parecera uma suplica.

Seus olhos se encheram de lagrimas e sua tontura estava esbranquiçando sua mente – Não... me faça mal.... – ela balbuciou, lembrando-se muito daquela terrível noite — ... por favor.

_ Não suplique, mulher, pois não tenho paciência com as que suplicam! – murmurou ele ameaçadoramente em um rouco grunhido – Agora aproxime-se para que eu lhe diga algo. Pois haverá outros que se aproveitaram se a Sra. não saber.

Mas o que Alice fizera foi se afastar mais e mais, balançando a cabeça, as lágrimas ardendo em seus olhos.

O homem grunhiu de frustração e começara a dar passadas mais pesadas pelo corredor iluminado do estábulo, olhando-a com aquele mesmo olhar fixo e quase mortal.

Agora, Alice soluçava, praticamente sentindo que as madeiras do assoalho estavam terminando. Seu coração batia tão freneticamente que ela quase sentira ânsia de vômito, como uma comum reação dela ao medo.

E até mesmo os cavalos começavam a se agitar em seus cubículos.

Ramos movera-se bruscamente nas cordas, batendo os castos com força na madeira. Ao seu lado, os outros cavalos, assustados com a atitude do enorme cavalo negro, também começaram a se remexer em suas cordas, como se puxassem para sair.

O homem não pareceu se importar com a agitação dos animais dentro do estábulo, pois continuou com seus passos brutos.

O ar pesava entre os dois e Alice se desesperou quando se dera conta de que teria que correr a qualquer momento para a noite sem que conseguisse salvar a si mesma com aquilo.

E no mesmo segundo, a porta de um quarto fora aberta.

Jasper entrou em seu aposento muito bem preparado para os olhares ríspidos e mais discussões.

Talvez Alice até lhe tacasse algo contra a cabeça.

Porem, quando ele passou rapidamente os olhos pelo quarto, o vira vazio.

Só e frio.

Jasper parou no mesmo segundo, estranhando tanto aquilo quanto o ensurdecedor silencio.

Onde diabo estaria Alice?

Automaticamente, ele pensou que ela havia saído de casa por conta da briga e se hospedado, por aquela noite, na casa de suas irmãs.

Ele já pensava em qual das duas iria primeiro para buscar sua mulher.

Porem, ele se deu conta de que o quarto estava exatamente como estivera antes, nenhuma das camisolas ou dos casacos dela fora do lugar.

E atento e desconfiado como ele estava desde que voltara de Michigan, logo tratou de pensar no pior.

Assim, com um rosnado baixo, ele se encaminhou até a porta a fim de caçá-la nos outros locais da casa, não gostando realmente de seu pressentimento. Porem, assim que sua mão se fechara na maçaneta, o silencio ao qual ele estava envolto lhe permitiu escutar muito de longe, relinchos.

Seus olhos se apertaram repentinamente e sua cabeça fora virando-se para a janela aberta, onde o vento e a escuridão da noite adentravam. Com um ofego temeroso, Jasper fora até lá sem parar para pensar. Dali ele podia ver perfeitamente seu estábulo, bem distante em sua propriedade.

Lá, as luzes jaziam acesas e ele podia escutar os animais aparentemente assustados, os relinchos altos e as correntes das janelas dos cúbicos se esticando pela agitação em que eles estavam.

E apenas uma coisa passara pela cabeça de Jasper.

_ Ah, não! – ele rosnou e, antes que conseguisse acompanhar seus próprios pensamentos, ele já corria escadas abaixo até suas portas de fundos – Alice! – ele sussurrou sem fôlego por conta de sua intensa corrida.

Atravessara toda a casa correndo com toda a velocidade que seus músculos permitiam. Abrira a porta dos fundos em um rompante, caindo sobre os calcanhares diretamente em seu gramado úmido.

Seus sentimentos turbilharam-se, um misto de apreensão, medo, angustia e impaciência.

Suas emoções nunca o enganavam.

Os pés de Jasper jamais haviam corrido daquela maneira. Sua sola esmagava a grama com brutalidade enquanto ele tentava cada vez mais aumentar sua corrida mortal. Lá longe, seu estábulo brilhava no meio da escura noite.

O vento zumbiu nos ouvidos de Jasper e seus cabelos molhavam-se fracamente por conta do sereno. Seu coração dentro de seu peito batia rapidamente e sua pressa aumentava ainda mais sua apreensão.

Estava temendo o pior.

Então, como se houvessem sido quilômetros, seu estábulo chegara e ele viu a enorme porta de madeira aberta.

— JASPER! – Alice gritou e ele reconheceu seu timbre falhado, sua voz altamente desesperada, chorosa.

Ela não parecia realmente crer que ele escutaria.

Então, como uma daquelas flechas de fogo que tinha aos montes na guerra, ele chegara como um vulto atrás das costas de Alice, seus pés pesados e descalços encontrando-se com a madeira.

Abruptamente, Jasper puxou o braço dela para trás e se pôs em sua frente, o peito despido indo e vindo com sua respiração errônea.

Seus músculos ainda reagiam como se ainda estivessem correndo.

_Jazz! – atrás de si, ele escutou Alice respirando quase aliviada, enquanto se apertava contra suas costas, amedrontada.

Jasper encarou o homem de uma maneira intimidadora, ambos batendo peito a peito.

Porem, assim que o estranho homem reconhecera a Jasper, ele dera um passo retesado atrás, os olhos abaixando-se vagarosamente.

_ Quem é você? – Jasper exigiu duramente, tentando reconhecer o rosto daquele homem que, na verdade, não lhe era estranho.

_ Thomás, Sr. Witlock – respondera o homem, sua voz parecendo lutar para ser cordial. Alice o encarou, ainda semi-escondida atrás do braço de Jasper – Estava fazendo a ronda e encontrei a Sra. Witlock aqui. Estava dizendo para ela que não havia a necessidade de assustar-se.

Alice franziu o cenho com aquela resposta, uma confusão tomando conta de sua cabeça.

Os olhos de Jasper se estreitaram em direção ao homem, que dera outro passo para trás.

E para o desespero de Alice, Jasper não levantara a mao para ele.

_ Já terminou o seu horário desde as cinco da tarde – disse em vez disso – Você já está dispensado, homem – continuou duramente.

O homem assentiu aparentemente incomodado e deu meia volta em silencio.

_ Espere, Jasper– Alice indagou a seu marido nervosamente – Por que age como se o conhecesse?

Porem, ele não a respondera. Apenas maneou a cabeça para ela, demonstrando que conversariam em outro momento.

_ Espere, Thomás – ao invés disso, ele o chamou, aproximando-se do homem com vagarosidade. Quando Alice ficara atrás, longe o suficiente para que não o escutasse murmurar, Jasper se inclinou ao homem – Seus serviços não incluem se aproximar de nenhuma das mulheres dessa casa – disse duramente para ele – Especialmente da minha – fez uma pausa quando o homem assentiu, calado demais – Então, vá embora quando lhe é ordenado ir, quando ainda tiver sol para que você possa achar o rumo de sua casa, pois não quero vê-lo aqui a uma hora dessas, principalmente assustando a Sra. Witlock – Jasper o repreendeu a fim de deixar aquele detalhe claro e evidente, mesmo que soubesse que não estava havendo conversas, ali — Agora vá e esquecemos isso.

“Ou não”, Jasper emendara em pensamento, tendo o cuidado de guardar o rosto daquele homem.

Assim, o homem se afastou de Jasper, refazendo seu caminho pelo final do estábulo. Quando estava à sombra da escuridão da entrada da floresta, ele os olhou sobre o ombro.

_ Passar bem, Sr. e Sra. Witlock – acenou com a cabeça e seu olhar se cruzou com o de Alice por fugazes segundos.

E então ele sumira entre as árvores escuras.

E assim que não escutaram mais barulhos vindos das arvores, Jasper fora até os fundos do estábulo e fechou as enormes portas de madeira, passando uma corrente e um cadeado prata, assegurando-se de que estivesse bem trancada.

E nesse momento, Alice despertara-se de seu choque, soltando abruptamente o ar de seu corpo. Seus olhos ficaram turvos e sua mente embaralhou-se.

Novamente a vertigem a cegava e a fazia sentir as pernas fraquejarem.

Para que não caísse ao chão, Alice fora rapidamente até a madeira de um dos cubículos, apoiando ambas as mãos para se concentrar apenas em sua respiração e nas batidas errôneas de seu coração.

Tudo rodava, tudo ia e vinha desesperadamente.

_ Alice? – a voz de Jasper soara mais perto, agora, pegando Alice de surpresa, pois ela não havia se dado conta da aproximação dele – Deus, você está branca! – ele parara frente a ela, cercando o corpo mirrado dela com os braços. Parecia preocupado e tenso como a muito não ficava – Não se preocupe, irei lhe segurar caso você caia – disse afetuosamente.

Alice o olhou com os olhos ainda turvos, tocando seu queixo com os dedos trêmulos, apenas para certificar de que ele estava parado. Certamente, ele vira o quanto ela estava apavorada, pois espalmou suas mãos em suas costas, como se quisesse puxá-la mais para si.

_ Você... você conhece aquele...aquele homem? – ela perguntou com certa dificuldade, pois seu coração ainda estava um turbilhão.

Jasper respirou fundo frente a ela.

_ Sim e preciso lhe contar algo – disse, como se lembrasse de que queria contar aquilo muito antes.

E que ela detestava que lhe escondessem as coisas...

_ Diga.

Ele hesitou um pouco, temendo a reação dela. Se ele chegasse a falar que contratara homens para fazer guarda durante o dia em volta de sua casa, ela ficaria apavorada, achando que a situação está mais fora de controle e que eles necessitavam de mais cuidados do que ela fazia idéia.

_ Bem... – fez uma pausa, tirando os cabelos grudados por conta do suor, da testa dela – Eu contratei alguns homens para ficarem de vigília durante o tempo em que eu não estou aqui. Era para me deixar mais tranqüilo, Alice. Para proteger você – disse mais firmemente, agora, olhando-a diretamente nos olhos – Para proteger você, Lilly e Consoelo.

Alice pareceu ficar desnorteada e Jasper temeu que a palidez dela não parasse, como estava parecendo.

_ Por... por que nó precisamos... de proteção? – ela murmurou, a voz fraca.

_ Oras, Alice, não me faça ficar irritado por esse assunto outra vez – ele a repreendeu ameaçadoramente. Ficara claro que ele não havia esquecido a discussão que haviam tido – Precisam de proteção para que aqueles homens, cuja identidade, intenções e nem mandante nós temos idéia, voltem aqui! – seus ânimos quiseram se exaltar outra vez. Porem, Alice pendia para um lado e outro, como se o chão em seus olhos rodasse.

E ele se preocupou como um inferno.

_ Deveria ter me contado – foi o que ela murmurou, abaixando a cabeça.

E foi tudo.

Jasper assentiu, um pouco mais aliviado em saber que ela não ficara chateada por ele ter escondido aquele detalhe dela.

Quer dizer, ainda era a intenção dele contar à ela.

_ Sim, eu deveria.

Então, o silencio incrustado de tensão pairou entre eles, enquanto apenas as goladas dos cavalos podiam ser ouvidas.

_ Estou um pouco embrulhada – Alice o cortou, colocando a mao na testa quente e suada – E meu peito dói – reclamou, desejando muito estar em sua cama, naquele momento.

Jasper acenou com a cabeça, desencostando ela da madeira com cuidado.

Alice estava mais do que estranha.

_ Isso é entendível – disse ele, acompanhando as piscadas pesadas dela. Certamente, havia sido uma noite muito difícil para sua pequena e frágil esposa – Deve-se ao medo pelo qual você passou – ele levantou o rosto dela, que havia abaixado, e encostou seus lábios docemente nos dela. Mesmo que não fizesse parte do contexto, ele sentia necessidade de sempre encostar seus lábios em seu corpo.

Em qualquer parte que alcançasse.

E então, eles saíram do estábulo, apagando as luzes e saindo para a noite, que parecia estar mais fria do que antes. Protegida pelo corpo dele, Alice não tivera mais medo ou receio do longo caminho escuro que faziam em silencio.

Porem, quando seus pés descalços pisaram na madeira do degrau da área, ela voltou-se para trás, varrendo o breu da floresta com os olhos.

E mesmo não vendo nada, Alice podia ver diversos pares de olhos sobre eles.

Notas finais
E entããão???
Alguem além de mim reparou que está vindo um dramão aii com a Alice? Hmmm? Hein??
skapska,bem espero que tenham gostado o/
E já sabem, vou responder os reviews do cap. passado hj, ainda.
Entao, bjsss&queijos&broinhasdechocolate!
:*