Notas iniciais
Ow, aqui estamos nós novamente :D
Gente, quero pedir desculpas por não estar respondendo os reviews, mas minhas semanas estão tão...ARHG, que eu não tenho tempo nem de coçar minhas caspas. ¬¬
Mas, quando isso "ser" possivel, estarei eu respondo todos os pendentes.
Mas, como eu leio TODOS, vou responder algumas coisas que me perguntaram.
1 - O que a Alice tem vamos saber nesse cap. E não, não estao dando nada de ruim pra ela :)
2 - Não, não tem nada sobrenatural na fic skpaksa. Mas bem podia, né? skapsapks
3 - O que a Leah deu para Jazz na guerra não é algo importante. Era apenas um chá para ajudar a curar mais rapido.
4 - E, o que eu acho que 10 DE 9 leitoras querem saber: Sim, a primeira noite deles está proximo. Tipo, MUITO proxima. (PArticularmente, acho que voces vão gostar :)
Gente, quero agradecer a todas que comentaram, viu? AMO ler cada um!!!!
MAs.... tenho um agradecimento MAIS QUE ESPECIAL para a lindonaaa da kacomk! Ela deixou uma recomendação linda pra fic, ahhhhhh *_______*
Obrigada, coração, ela sim é que foi uma "abundância de beleza" skapskapkspaks.
Bem, aqui está o cap. Espero que gostem!!!
Boa leitura
:*

Cap. 19-Grandes males rondam

Biloxi, Mississippi

Dezembro, 1901

Alice sentiu o quanto seus músculos pareciam rígidos e doloridos. Sentia, também, como todos os seus pêlos estavam eriçados devido ao frio que parecia consumir seu corpo.

Ruídos baixos no quarto a fizeram abrir os olhos muito lentamente, já que nem isso ela parecia ter forças para fazer. Demorou um pouco para se situar. Estava em sua cama, em seu quarto. Pelas frestas escuras na janela, ainda era noite.

Depois de varrer o quarto repousado no silencio e na escuridão, ela o viu. Robusto e silencioso em seu sono, assim como o quarto. Ele mal havia jogado o lençol sobre o corpo e sua fina camisa branca do pijama evidenciava isso.

Alice sentiu o peito apertar ao vê-lo ali, daquele tamanho todo, espremido naquela pequena e pouco confortável colcha.

Não fosse sua apreensão em dividir a cama com ele desde o inicio de seu casamento, ela jamais teria feito-o ficar naquela colcha idiota.

Mas agora, era ele quem recusava-se em aceitar a oferta dela, a bandeira branca que ela erguera, e dividir aquela enorme cama com ela.

_ Teimoso – ela cortou o silencio com um sussurro fraco. Mesmo que sentisse as pálpebras pesadas e uma dor bem no fundo de seus ossos, ainda sentia necessidade de ofendê-lo e arranjar um defeito naquele homem. Naquele belo, charmoso e estúpido homem. Se irritou um pouco mais só por ele fazê-la perder seu tempo preocupando-se consigo.

Mas pensar nele não estava fazendo-a esquecer outras coisas, como acontecia usualmente. Estava sentindo uma incômoda moleza em todo o corpo, certamente estranhando o extremo frio que parecia que apenas ela estava sentindo.

E já não poderia mais ser produto de seu medo, pois já estava a salvo, e Jasper estava no quarto junto com ela, e o maldito ocorrido já vencia a primeira semana.

Então, quando uma onda frienta passou por toda sua espinha, ela tremeu. Até tentou se cobrir com os dois lençóis da cama, porém seu frio apenas aumentava.

Foi então que seu olhar pairou novamente em Jasper, que ainda dormia profundamente. Ali onde ele se encontrava parecia estar tão quente! E, de repente, se encostar em suas costas largas e se esquentar com o calor dele era o que ela mais queria. Poderia, bem silenciosamente, se juntar à ele na colcha do chão e ficar um pouco.

Movida pelo impulso e a desesperada busca para melhorar o terrível incômodo que estava sentindo, Alice levantou-se e viu suas vistas embaçarem e, por muito pouco, quase fora ao chão. Respirou profundamente e, só aí fora que notou que, o ruído que ouvira antes, vinha dela mesma.

Devagar, deitou-se na colcha ao lado de Jasper, encostando-se timidamente em suas costas, encolhendo-se. Tinha razão, era bom ali. Confortável. Melhor do que sua imensa e fria cama.

Aos poucos, sentiu a inconsciência chegar e a levar. Era uma espécie de alívio brando.

Perdia a consciência, e perdia também a dor...

~•~•#•~•~

Biloxi, Mississipi

Manhã de Dezembro

Jasper abriu os olhos de repente para acordar. Aqueles malditos sonhos estavam começando à assustá-lo. Como podia sonhar aquilo com ela? Aquilo podia ficar apenas nas brincadeiras, nas provocações que fazia com ela de beijá-la, o que já o perturbava o bastante. Sonhar que... que... que fazia amor com ela já era demais.

Jasper bufou quando notou o quanto aquele sonho havia causado seus problemas. Na calça de seu pijama havia um volume muito bem perceptível.

Praguejando, ele tentou se ajeitar, virando-se para o outro lado para tentar dormir o resto da manhã antes que a hora de ir trabalhar chegasse para atormentá-lo.

_ Ah... – Alice gemeu baixo quando ele quase a esmagou.

Jasper se sobressaltou na mesma hora.

_ Oh meu Deus! – ele exclamou sentando-se na colcha de imediato quando viu Alice estremecer e se encolher – O que diabos está fazendo aqui? – ele perguntou, irritando-se. Por que infernos ela sempre tomava conta de tudo?

_ Eu...des... – ela se enrolou nas palavras sem sequer abrir os olhos. Respirou de novo e um barulho estranho saiu do fundo de seu peito. Jasper franziu a testa, confuso, porém não quis se preocupar.

Era muito ridículo Alice ficar em um colchão no chão! Não parecia muito confortável. Quer dizer, não para alguém como ela, que sempre tivera muito conforto.

_ Alice, volte para a cama! – ele ordenou, incomodado em vê-la deitada no chão – Aqui não é lugar para você.

_ Ah não, eu... – ela sussurrou desorientada, puxando mais a parte do lençol em que ele estivera deitado a noite toda, buscando de todo o modo sentir algo quente.

_ Oras, Alice, pare disso – ele resmungou e tentou tirar seus braços do aperto do lençol e fazê-la voltar para a cama. Mas então parou ao notar o quanto sua pele estava gélida – Alice... o que você tem? – ele perguntou com uma voz esganiçada, preocupando-se quase que imediatamente. Parou para notar, também, que ela tremia levemente e em sua testa havia uma fina camada de suor. Um suor frio – Oh Deus!

Jasper puxou os lençóis rapidamente, tocando-a em sua pele dos braços e pescoço, comparando a frieza. Passou a mão em sua testa e percebeu que ela tinha uma estranha febre.

Não pensou em suas alternativas, passou um braço em seus joelhos e o outro por suas costas molhadas pelo estranho suor, a segurando firmemente no colo para colocá-la de volta na cama.

_ Não! – ela relutou fracamente, sentindo o frio em suas costas novamente – Me coloque de volta lá.

_ Fique calada e deixe de ser teimosa! – ele a repreendeu – Lilly! – ele chamou com pressa a criada que tinha mais intimidade com Alice, enquanto a acomodava nos travesseiros – Oh Deus, pare de tremer! – ele pediu para o nada, nunca se sentindo tão impotente e perdido em toda a sua vida. Não tinha a menor idéia do que fazer, de como cuidar de alguém.

E agora ela estava ali, doente e precisando de seus cuidados enferrujados.

A única coisa que aprendera com seu pai fora enfrentar a dor calado e esperar curar-se sozinho.

Mas jamais aplicaria aquilo com Alice.

E, Deus, ela não parava de tremer.

_ Chamou, Sr.? – a Sra. entrou no quarto com uma tranqüilidade invejável.

_ Olhe para ela – ele apontou para Alice, respirando ruidosamente na cama – Acho que está doente! O que diabos é isso, Lilly?

A mulher se aproximou da cama, imitando o gesto de Jasper minutos atrás e tocando sua testa. Ela arqueou as sobrancelhas, pensativa.

_ Acho que a Sra. Witlock está com alguma constipação – ela respondeu tranquilamente.

Jasper a encarou esperando por mais.

_ Constipação? – ele indagou, ficando um tanto nervoso – E o que é isso? È sério? Temos que chamar um médico, Lilly!

A mulher riu, balançando a cabeça, como se conversasse mentalmente consigo mesma.

_ Acho que por hora um chá e um repouso – ela caminhou em direção à porta – Vou prepará-lo e... Sr.? — Jasper desviou o olhar de Alice e encarou a mulher- Talvez fosse melhor dar-lhe um banho quente. Entende? Para diminuir a frieza.

Jasper assentiu engolindo em seco.

_ Hãn... então, erk...dê o banho nela, sim? – ele passou três vezes as mãos pela camisa branca, ajeitando-a – Eu vou...vou...

_ Eu vou preparar o chá, Sr. – ela o interrompeu, achando engraçado que um homem grande, sério e importante como Jasper parecia não saber o que fazer com as mãos em um momento como aquele.

_ È, mas... – ele tentou argumentar, mas a mulher já havia saído do quarto – Inferno!

Ele parou para analisar a situação e viu que seria um covarde impiedoso e mal educado se saísse pela porta dos fundos e evitasse ter que fazer aquilo. “È muito difícil cuidar de gente doente” , ele pensou, considerando dizer exatamente aquilo à Lilly quando ela o encontrasse no vestíbulo dos cavalos.

Mas o fato era que, não era tão difícil cuidar de gente doente. O difícil era fazer aquilo quando a gente doente era sua esposa intocável da qual ele teria que tirar as vestes e dar-lhe banho quando nunca a vira desta maneira em uma situação mais íntima do que a fechadura da porta e seus usuais sonhos perturbadores.

Como ele poderia olhar para ela daquela maneira, com as mãos ao alcance de seu corpo macio e sem cobertura alguma? Como, depois de ter tido outro sonho daqueles?

Com um suspiro resignado e com uma muda frustração, ele decidiu colocá-la na banheira com a camisola e tudo mais. Isso fez muito sentido para ele por alguns minutos desesperados.

Ele a pegou no colo, a temperatura de sua pele novamente o preocupando, e fora para o banheiro.

Mas então se deu conta de que, para tomar banho de banheira, era necessário, no mínimo, da água. Voltou para o quarto, recolocou ela na cama e se dirigiu novamente para a banheira, achando-se mais idiota do que Mike, naquela noite.

Diante de Alice, ele não parecia o homem tão inteligente e astucioso que todos elogiavam.

Ele encheu a enorme banheira redonda com baldes de água sucessivos. Depois, pegou algumas das pedras que viviam queimando em brasa leve, para os dias de frio que se aproximavam, e colocou no fundo do lugar, para esquentar a água, só para voltar para o quarto e sentar-se ao lado dela, que mantinha os olhos fechados, como se estivesse em um sono.

A diferença era a palidez não usual e os lábios brancos como papel.

_ Hãn... – ele balbuciou baixo, não sabendo se ela o escutaria ou não. Ele queria dizer alguma coisa reconfortante. Não sabia se ela estava sentindo dor e isso o estava perturbando – Vai ficar tudo bem – disse, desejando que ela abrisse os olhos e o xingasse pela aproximação em que ele se permitiu ter com ela quando estava tão vulnerável. Mesmo doente, Alice não perdia seu cheiro bom — Tudo bem...

Ele não notou realmente quando passou as costas da mão pela bochecha dela, desejando poder fazer mais do que isso.

Depois de algum tempo, ele decidiu que já poderia colocá-la dentro da banheira sem congelá-la. Lilly, então, entrou no quarto com a bandeja e o chá, indo direto para a casa de banho.

Jasper estava prestes a colocar Alice dentro da banheira.

Vestida.

_ Sr.! — ela o chamou subitamente. Não sabia se poderia rir daquela situação. Mesmo querendo mortalmente – Deveria tirar suas vestimentas. Essas roupas estão frias demais.

Jasper assentiu mecanicamente.

_ Certo – disse, recolocando ela novamente a cama – Certo, claro.

Depois de dois minutos, ele estava parado, em pé, aos pés da cama, enquanto ela continuava com a respiração estranha, pálida e suando friamente.

Era apenas uma camisola.

Jasper respirou fundo, admitindo para ele mesmo que deveria dar mais atenção ao que ela estava sentindo.

E não em como ele iria se sentir.

Determinado e preocupado, pois Alice era forte demais, nunca havia dado sinais de doença e, para piorar sua preocupação, nunca tinha ficado de cama, ele se aproximou.

Porem, a calmaria de Lilly talvez devesse convencê-lo de que não era nada de muito grave.

Assim, Jasper sentou-se na beira da cama, encarando ela de longe.

Era tão... bonita.

Encrenqueira, teimosa e marrenta, mas seu pior defeito era mesmo a beleza que tinha.

_ Vou... vou tirar sua camisola, tudo bem? – murmurou para o silêncio do quarto. Ao menos ele poderia se defender mais tarde, dizendo que ao menos anunciara.

Com os dedos um pouco duros, ele tocou seu ombro. Escorregou vagarosamente o dedo até onde a alça de sua camisola pendia, querendo cair por seu braço.

Escorregava por sua pele como se ela fosse cetim.

Jasper engoliu em seco enquanto a olhava, sem força o bastante para manter seus olhos longe dela. Com a outra alça, ele fizera o mesmo, descobrindo seus ombros com paciência.

Enquanto o peito dela ia e vinha ruidosamente, ele tateou sua pele com cuidado, desde a base de seu pescoço até o vão de seus seios, tendo a delicadeza de arrastar vagarosamente o tecido que os cobria.

Aos poucos, mais e mais de sua pele ia sendo revelada. E, enquanto isso acontecia, Jasper ia sentindo o coração ir e vir em seu peito.

E quando o tecido delicado de sua camisola revelou seus tão belos e bem moldados seios, Jasper precisou fechar os olhos por alguns segundos para que conseguisse se controlar como um perfeito cavalheiro que aprendera a ser.

Tão perto... tão perfeita...

Seus dedos quiseram tocá-la ali, suavemente, apenas para sentir a textura. Sua mão quisera senti-los em sua palma, emoldurando-os.

Sua boca encheu-se de água.

Porem, Jasper segurou seus impulsos animais e continuou a tirar-lhe a camisola para colocá-la na banheira. Tirou suas alças dos braços e a ergueu as costas para passar o tecido da camisola por ali.

Agora, ele já passava o tecido por sua barriga plana, não permitindo mais que seus dedos roçassem qualquer centímetro de sua pele.

Ele não podia aproveitar-se dela enquanto ela estava quase inconsciente.

Jasper tentou ignorar as reações doloridas de seu corpo, que se desesperava para estar com ela, estar nela. Se algum dia a tomasse, isso seria com ela muito bem acordada. Ela estaria lá, com ele.

E, levando em conta como seu corpo estava tão instável, isso não demoraria muito a acontecer...

Nesse momento, ela respirou com força, como se estivesse lendo seus pensamentos. E aquilo o fizera acordar.

Ele havia parado com sua mão em sua barriga.

_ Seu grandioso idiota – ele resmungou consigo mesmo, tentando se concentrar mais no que se concentrava de menos.

Passou a camisola dela pelos quadris, que combinavam perfeitamente com o cumprimento de seus ombros.

E nesse exato segundo, Jasper ofegou.

A medida que descia, o cheiro floral que ela tinha se concentrava mais. E quando ela já estava praticamente toda despida, tudo em Jasper já fervia como uma brasa. E ao final daquele tormento, ele estava orgulhoso de si mesmo.

Mesmo miseravelmente duro, como se encontrava.

~•~•#•~•~

Biloxi, Mississippi

Dezembro de 1901

Uma semana havia se passado desde que Alice acordara daquele jeito naquela segunda feira. Havia melhorado quase inteiramente de sua constipação e eles haviam passado a semana toda em um tranqüilo bem estar.

Jasper jamais contara para Alice que cuidara mais dela do que Lilly.

E as coisas haviam voltado ao normal na mansão Witlock.

Jasper voltara para sua colcha no chão.

Alice voltara a bordar mimos para Nessie.

Eles sentavam-se juntos, toda a noite, no mesmo sofá.

Mas então, quando voltara a ser segunda novamente, Jasper a vira recostar-se nas pilares da sala, como se precisasse de um ponto de equilíbrio por alguns segundos.

Mas quando ele a indagava, ela dizia que estava tudo bem.

_ Alice, estou preocupado com você – ele disse uma noite, enquanto ela penteava os cabelos, que já começava a crescer.

Alice virou-se para ele, a testa franzida.

_ E por que a preocupação? – ela indagou, tentando fazer-se de confusa. Porem, ela sabia muito bem que seu marido não era um completo lesado, muito menos um lerdo.

Jasper era irritantemente astuto. Talvez, até um mal desenvolvido por soldados.

_ Você anda tendo tonturas novamente. E dores nas pernas – ele disse duramente – E insiste em comer mal.

Alice suspirou, querendo muito contrariar seus dizeres.

Mas ela passava a sentir cada vez menos fome.

_ Pois lhe digo, Sr., que não é necessária toda essa preocupação – ela colocou a mão em seu colarinho, ajeitando-o – Acalme-se – sorriu afetuosamente para ele, tentando persuadi-lo. Porem, Jasper permanecia serio demais. E Alice estava disposta a arrancar sua seriedade. Ao menos naquela noite – Acalme-se e eu lhe deixo me beijar.

Com suas palavras levemente maliciosas, Jasper sorrira, feliz por ser ela a pedir aquilo.

Mesmo que o fato de ela jamais ter iniciado um beijo deles o incomodasse.

_ Eu lhe beijo com permissão ou sem ela, minha cara – ele provocou, aproximando-se mais dela. Devagar, encostou sua boca na boca dela, puxando-a pela nuca, invadindo-a com possessão.

Lento e quente. Assim que ele sempre a beijava. Rápido e sôfrego. Assim que ela sempre correspondia. E o calor sempre subia por seus corpos toda a vez que se beijavam.

Alice soltou sua boca da dele para poder tomar ar.

E riu.

_ Você é muito bom nisso – ela admitiu, levemente corada – Onde foi que...

Sua boca sedenta a cortara.

Alice rodara seu pescoço com os braços, tão finos em contraste com ele próprio. Com precisão, ele enroscou seu lábio inferior entre os dentes, puxando-o levemente.

Aquilo realmente era quente.

_ Boa noite, meu bem – murmurou ele e Alice não soube se era para ela ter escutado ou não – E me acorde, caso precise de algo.

Alice assentiu mordendo o lábio que ele também mordera. Odiava, detestava e repugnava a idéia de adorar ser mimada por ele.

E ele sabia fazer aquilo ser algo grande.

_ Boa noite – ela murmurou de volta – E, sim, eu o cha...

Alice não terminou sua frase pois naquele mesmo momento, uma enxurrada de tosses agudas quisera sair por sua garganta, quase impedindo-a de respirar.

_ Alice? – Jasper indagou, preocupando-se automaticamente – Você está bem? – ele se inclinou sobre ela para tocá-la, porem Alice estendeu a mão, impedindo ele de se aproximar muito de si.

_ Não! – disse ela entre uma tosse e outra – Estou...es-estou bem – grasnou quando sua garganta começou a doer.

_ Oh, diabos, não parece nem um pouco bem – ele a contradisse impacientemente.

_ Ah...es-estou sim – ela limpou a garganta quando conseguira controlar-se com muita dificuldade – Apenas.... apenas é uma tosse, nada mais – ela sorriu amarelo, afastando-se dele e indo em direção à porta – Só preciso de um minuto no banheiro – abriu-a com rapidez, não conseguindo nenhum milésimo do que tentou passar com suas palavras – Durma... durma bem.

E saira batendo a porta atrás de si.

Com batidas acelerando-se quase que de repente, Jasper ainda fitou a porta por um tempo, com tanto medo de seus pensamentos que quase deixou de respirar.

~•~•#•~•~

Biloxi, Mississipi

Apenas dois dias depois.

_ Vamos, Alice, levante-se – Jasper pediu outra vez, porem Alice permanecia no mesmo lugar, sua pele suada, mais branca do que o normal. Agora, sua pele tinha apenas aquela tonalidade – Não pode ficar deitada aí o resto da vida.

Alice gemeu, afundando um pouco mais a cabeça no travesseiro. Todo seu corpo doía e ela tinha que usar toda sua força, todo o seu controle, para não desembestar uma tosse furiosa, pois apenas tossir já doía tanto que ela quase pedia para morrer.

Seu corpo jamais fora tão vulnerável. Suas articulações jamais doeram tanto.

Ela jamais precisara tanto de cuidados.

_ Não.... – sussurrou sofregamente, piscando pesadamente suas pálpebras, enxergando com muita pobreza o rosto de Jasper próximo ao seu – Desejo ficar aqui. Se levantar, fico tonta. Se andar, me dói os ossos!

Jasper estalou a língua, sentando-se ao lado do travesseiro dela.

_ Só fica tonta por que se recusa a tomar a sopa que Lilly lhe prepara – ela abrira um pouco mais o olhos, horrorizada em ver que não enganava Jasper quando fingia tomar a sopa – Não adianta negar, Alice, você não me engana.

Alice fechou os olhos, um pouco envergonhada. Quer dizer, todos sempre se preocupando com sua alimentação e ela nunca sentia fome.

Mostrava-se uma moça muito agradecida.

_ Sinto muito – sussurrou em um sopro fraco – Vou tomar a sopa, da próxima vez.

Jasper deu um sorriso de lado, passando a mão pelos cabelos molhados de suor dela.

_ Ótimo, pois é o que Lilly está fazendo nesse exato momento- disse e a viu soltar uma fraca lamúria – E quanto a você ficar aqui... não acho que seja bom. Quer dizer, não gostaria de ir lá fora por um momento?

Alice respirou profundamente e não conseguiu reprimir uma curta tosse. Moveu um pouco a cabeça de seu lugar, no travesseiro.

_ Não escutou eu lhe dizendo que... que cairei? – disse ela sobre arquejos, colocando a mão no peito, sentindo como ele batia descompassadamente.

Não abrira os olhos, porem sentira quando Jasper se aproximou de seu rosto, cobrindo sua mão com a dele.

_ Eu não lhe deixarei cair – murmurou perto de seu ouvido.

Alice sorriu com aquilo, porem maneou a cabeça. Não queria levantar, tampouco queria ser vista por alguém do modo como estava. Queria era ficar ali e exatamente ali, no colchão e sobre o travesseiro, esperando que seu mal estar passasse logo.

Porem, ele estava demorando mais do que um mal estar comum, pensava ela.

_ Tudo bem, então – o escutou falar e sentiu o momento em que ele se levantou de perto de seu travesseiro.

Quis reclamar em protesto, dizer que ela não queria sair, mas também não queria que ele saísse.

Porem, não tivera forças o suficiente para verbalizar aquilo.

Mas suas percepções estavam tão fracas e alteradas que ela não percebera que ele não saira. Jasper ficou naquele quarto por toda a tarde, esperando que ela melhorasse o mínimo que fosse.

Naquela tarde, ele nem mesmo saira para trabalhar.

Porem, Alice dormiu, mesmo com um sono tão perturbador, durante horas adentro.

Às vezes, ela acordava tossindo.

Durante toda a tarde, Jasper umedecera panos para colocar em sua testa, pois Alice começava a ter febre baixa. Acordava ela algumas vezes para lhe dar água e abria a janela para que ventasse o mínimo que poderia, ali dentro.

Porem, quando o sol já estava poente, ela começou a murmurar coisas desconexas, revirando-se como podia sobre o colchão. Seu peito passou a fazer barulhos estranhos enquanto ela reprimia uma nova onda de tosses.

Jasper vira seus dedos se fechando no lençol.

_ Oh diabos! – ele se praguejava por estar assistindo a tudo aquilo completamente impotente. Aquela situação já estava ficando fora de controle.

Aquilo já começava a assustar Jasper como nada no mundo fora capaz antes.

Aquilo não poderia ser uma reles constipação. Não mais.

Algo em sua cabeça dizia que aquele mal já começava a evoluir no corpo dela, maltratando- o como se fosse trapo.

Eles estavam perdendo o controle.

Com a respiração pesada e o coração apertado, Jasper levanto-se de sua cadeira, andando de um lado para o outro, não agüentando mais ver Alice definhando naquela cama.

Precisava fazer alguma coisa, saber do que realmente ela sofria.

Assim, seria mais fácil tratá-la corretamente. Talvez, ele ainda tivesse tempo.

Pois ele não deixaria Alice morrer.

Então, quando dera por si, Jasper já estava com o telefone na mão.

~•~•#•~•~

Já era quase as oito da noite.

Lá estava ele, o Dr. Billy Swan, examinando o corpo febril de Alice com as mãos calejadas, devido aos anos de serviços em campos de concentração.

Ele fazia aquilo em silencio, apenas movendo as sobrancelhas, sussurrando palavras inaudíveis e balançando a cabeça vez ou outra.

Jasper não estava gostando realmente daquilo.

_ E então? – ele perguntou quando não conseguira mais esperar em silencio.

Porem, a expressão do homem parecia perturbada. Parecia medo apenas em pronunciar-se.

_ Oh, diabos, fale logo, homem! – Jasper o pressionou, cada vez mais impaciente. Olhando nos olhos do homem, ele vacilou, temendo não gostar do que rondava a mente dele.

_ Alice é tão... é tão... frágil – disse o homem em palavras pausadas, um suor quente escorrendo dos dois lados de suas têmporas.

O calor daquela noite estava acima do normal.

A respiração de Jasper entrecortou-se enquanto de seus olhos podia se ver o pânico. Ele se afastou um pouco do médico, piscando rapidamente.

_ Sim, ela é – disse afetadamente – Mas o que isso tem a ver com seu estado, Dr. Swan? Diga-me antes que me mate.

_ A fragilidade de Alice, seu peso, sua alimentação... todos esses aspectos são facilitadores para... para essa... para essa doença.

Jasper dera outro passo afetadamente para trás ao escutar a palavra doença. Então ela estava realmente... doente.

Aquela realidade impactou em Jasper de uma maneira dolorosa. Parecia que não estava devidamente preparado para aquilo.

_ Doente? – disse em um murmúrio – Alice está... doente?

O homem respirou fundo, aproximando-se de Jasper com cautela. Mesmo que sua verificação em Alice o houvesse deixado inquieto e temeroso, ele devia estar mais estável do que Jasper para dizer-lhe com o que ele teria que lidar, dali para frente.

_ E aquela constipação que ela teve a algumas semanas... aquilo deixou seu corpo muito vulnerável. Aquilo... piorou seu estado físico, filho.

Jasper assentiu, mortalmente perturbado. Logo, ele precisaria se apoiar em algo, sentar e respirar fundo.

_ Continue...

O homem parecia temer olhar diretamente para Jasper, pois todos os sinais denominavam um homem prestes a ficar desolado, deduzira o médico.

Pois, se realmente amasse sua mulher, sentiria aquilo como se fosse nele próprio.

_ Sua Sra. necessita de sérios remédios. Remédios esses que o Sr. Não encontrará aqui.

Jasper olhou para o homem completamente horrorizado. Algo em seu interior imaginava que as coisas não fossem tão graves e descontroladas daquela maneira.

_ Remédios? – indagou como se não houvesse escutado direito. Talvez fosse apenas uma enganação de sua mente consigo mesmo, para que evitasse o iminente trauma – E como assim não tem aqui?

O homem balbuciou consigo mesmo, passando a mão no rosto. O mal de Alice o deixara abalado por ser algo que parecia distante.

Distante até aquele momento.

_ Os remédios certos estão apenas na capital, filho – disse como se lamentasse – Aqui, comigo, eu tenho apenas poucas amostras.

Jasper tapou o rosto com as mãos, tentando manter o controle. Mas, quando percebera que estava perdendo tempo afundado ao medo de saber do que estavam falando, ele se levantou, indo de encontro ao medico. Queria que falasse de um modo que os ouvidos de Alice, mesmo inconsciente, não pudesse escutar uma única grama.

_ Diga-me... diga-me de que mal minha esposa sofre – pediu com a voz falhada.

O homem o olhou por alguns segundos antes de murmurar.

_ Sinto muito, Jasper – disse o Dr. Swan pausadamente, acabando com os nervos de Jasper a cada segundo que mantinha aquela resposta para sí – A Sra. Witlock está... Alice está... bem, isso é o começo... é o começo de uma possível Tuberculose.

Jasper estremeceu e sentiu o coração dar um solavanco tão intenso que ele quase perdeu o ar. Seus olhos esbranquiçaram. Seus pés perderam o chão.

_ Tu... Tuberculose? – ele repetiu com uma tamanha dificuldade. Não estava realmente acreditando nas palavras que saiam de sua própria boca. Aquela doença maldita vinha assustando a alguns anos, mas nunca chegara tão perto dele.

Ele pouco sabia, ou sabia um nada sobre ela.

_ Eu não sei como você também não se infectou – disse ele, balançando as mãos para os lados, inquieto – Mas deve-se muito ao seu porte, robusto e forte. Você é resistente – fez uma pausa, diminuindo o tom de voz – Mas Alice... Alice é frágil, Jasper. E está ficando cada dia mais.

Jasper balançou a cabeça para todos os lados, sua mente pensando em tantas coisas ao mesmo tempo que ele não conseguia raciocinar.

_ Preciso de suas amostras! – disse agudamente – Preciso delas para hoje! E, a partir de amanhã, encomendarei remédios de onde tiverem.

_ Jasper, leve-a para a capital. È lá que estão todos os remédios, todos os tratamentos para as pessoas atingidas por esse mal – sugeriu o médico pacientemente.

Porem, Jasper maneou a cabeça.

_ Não, Alice jamais irá querer sair daqui. E se preocupará demais. Com sua mãe e com suas irmãs – ele colocou as mãos nas laterais da cabeça, completamente descontrolado e instável – Se preocupará comigo, também – sussurrou, porem dessa vez apenas para si – Vou cuidar dela aqui.

O médico estalou a língua, parecendo não concordar com Jasper.

_ E quando ela estiver pior?

Jasper movera-se tão rápido que nenhum dos dois previra. Encarou o homem com os olhos semicerrados e tensos.

_ Ela não irá piorar! – grunhiu baixo para que não acordasse ela – Cuidarei dela deste modo. E cuidarei bem.

Mesmo contrariado, o médico assentiu, vendo que não haveria jeito de contrariar o homem. Desejou que a doença dela realmente não avançasse e, bem, se dispusesse dos remédios diariamente, ela poderia mesmo não avançar.

Pensando assim, Billy ainda permanecera em seu lugar, encarando um Jasper desmoronado e aturdido. Logo, voltou-se para Alice, que suava febrilmente e mantinha-se constantemente com os olhos fechados.

E então, sem dizer nada mais, ele colocou a mão no ombro do homem silencioso na cadeira, como se quisesse dar-lhe forças com aquele aperto.

Ele já não podia fazer nada que já não tivesse feito.

_ Sinto muito – disse apenas.

Assim, ele saiu do quarto, deixando para trás a angustia e o revoltos sentimentos perturbadores de agonia, dor e medo, deixando-os sofrer o quanto achassem necessário sem que estivesse ali, como platéia, para apreciar.

E quando fechou a porta, tivera o cuidado de não fazer ruído.

Porem, mesmo que o fizesse, não seria estrondoso o suficiente para tirar a atenção dos pensamentos angustiados de Jasper. A todo momento formulava em sua cabeça o que faria dali para frente e como não permitiria que a doença dela avançasse para algo intratável.

E a julgar pelo conhecimento pobre que todos tinham sobre aquele mal, ele teria muito trabalho.

Mas o que mais lhe apertou o coração foi pensar em como Alice ficaria arrasada, perturbada e miseravelmente amedrontada se soubesse o quão grave era sua doença. Talvez até piorasse sua situação.

Tinha absoluta certeza de que ela pensaria apenas no pior, como todos pensavam.

Mas não ele. Não Jasper. E, definitivamente, não com Alice. Iria cuidar dela o máximo que pudesse ir e talvez mais.

E manteria isso no mais absoluto segredo. Alice não sofreria junto com ele.

_ Jas... Jasper?

Jasper levantou a cabeça no mesmo momento em que escutara seu nome sair sussurrado da boca de Alice. Seus olhos continuavam fechados, porem ela se remexia entre os lençóis brancos e levemente molhados.

Ele fora ate ela, incapaz de ser menos prestativo do que sempre pretendeu ser. Ajoelhou-se ao lado de sua cama, não deixando de rolar seus olhos pela figura miúda dela entre todos aqueles lençóis.

_ Fale, Alice – ele murmurou perto de seu rosto, afagando sua cabeça, puxando seus cabeços grudados na testa, para trás.

Deus, definitivamente, ele não agüentaria vê-la pior.

Por alguns segundos, ela abrira os olhos, apenas para vê-lo muito perto de si.

E os fechou novamente, um pouco mais bem consigo mesma.

_ Fique comigo aqui – sussurrou tropegamente, querendo muito se entregar ao sono outra vez. Seu corpo não parecia seu corpo.

Jasper passou vagarosamente a mão em seus cabelos novamente, porem dessa vez beijou sua testa, assim, com tanto cuidado que Alice quase não sentira.

_ Eu já estou aqui – murmurou – Bem do lado, vê? – ele se aproximou um pouco mais.

Mas ela maneou a cabeça franzindo a testa, assim como fazia sempre que a impaciência chegava até ela.

Exatamente do mesmo modo.

Porem, agora, ela estava fraca, e o quarto afundado em um clima mórbido e deprimido e os corações ali dentro batiam em ritmos completamente diferentes.

_ Deite-se comigo aqui, Jazz – ela pediu com sua voz fraca, buscando seu rosto com as pontas dos dedos gélidos. Apenas a menção daquele apelido o fizera suspirar – Está meio frio – ela estremeceu, encolhendo-se um pouco no travesseiro fundo.

Incapaz de negar qualquer coisa a ela pela primeira vez, ele levantou-se e deu a volta na enorme cama situada bem ao centro do quarto, bem abaixo de um quadro pintado a óleo.

Com lentidão, ele se acomodou no colchão, que estava mais quente do que qualquer outro lugar que ele já deitara. Recostou seu corpo no de Alice, recostando sua cabeça no mesmo travesseiro que ela. Era a primeira vez que se deitavam juntos.

Porem, Jasper desejou que jamais houvesse acontecido, naquelas condições.

~•~•#•~•~

Uma semana depois

Biloxi, Mississippi

Manhã de 1901

Alice olhou para a bandeja forrada de tudo que ela nunca comia. Quis bufar por ser contrariada, pois pedira apenas um chá, mas Jasper estava sentado na poltrona bem ao lado da cama e desde uns dias Alice vinha notando sua expressão diferente; cansada e abatida.

Talvez, seu consciente lhe sussurrou, fosse melhor não contrariá-lo.

Porem, quando ela olhou novamente para a bandeja, que tinha um mamão, um pão doce, uma torrada com geléia, uma torrada sem geléia, uma torrada com queijo, um suco de laranja, um chá de ervas, um café com açúcar, sem açúcar e com mel, um pedaço enorme de bolo de milho, um bolo de limão e uma broinha de chocolate, um pedaço de goiabada e uma xícara de doce de leite, também tinha uma maçã raspada com pedaços torrados de flocos de milho, um pouco de leite com bolachas de forno, uma panqueca com bananas amassadas, uma panqueca com creme de amora, uma panqueca com amêndoas açucaradas e uma fatia de manteiga, ela viu que eles deveriam conversar.

_ Jasper...

_ Não adianta, Alice, você comerá tudo que está ai e não reclame – ele a cortou com o tom de voz imparcial. Naqueles dias de tensão, ele não se deixara mais ser persuadido por Alice e suas reclamações.

Era no meio de todas aquelas comidas que Jasper colocava o remédio dela.

Havia uma semana que estava fazendo isso, não falhando nenhum dia sequer. Estava usando toda a amostra que gentilmente o Dr. Swan lhe fornecera.

Porem, Jasper já começava a planejar como conseguiria mais, pois aqueles não durariam para toda a eternidade. Logo, ele teria que ir para a capital.

E, naquele exato momento, o fato de ter que deixar Alice sozinha, estando doente como estava, estava matando-o.

_ Tudo bem, eu comerei se você desfazer essa cara amarrada – ela resmungou, começando a picar o pão doce. Não gostava muito daquele comportamento estranho de Jasper.

Sabia que não deveria ser por causa da semana em que estivera doente, pois já fazia bons dias que ela já não sentia-se tão mal.

E, enquanto ela comia como uma rolinha, Jasper estalou a língua, levantando-se de sua poltrona.

_ Desculpe, estou sendo irritante, não? – ele dera um sorriso fraco, colocando as mãos nos bolsos.

Alice parou de comer seu pão doce e o encarou.

_ Talvez – deu de ombros, bebericando seu chá apenas para esconder-se atrás da xícara – O que há de errado?

Jasper afastou-se um pouco, andando inquietamente pelo quarto.

Nem mesmo ajeitara sua colcha, que ainda repousava completamente bagunçada no assoalho.

_ Preocupações, apenas isso – disse ele sendo evasivo.

Porem, era Alice ali, e haviam muitas coisas que não passavam despercebidas por ela.

_ Com o trabalho? – perguntou sem muita fé nessa hipótese – Ou... tem algo mais preocupando você?

Jasper ainda ficou olhando um pouco pela janela, evitando ter que encarar aqueles grandes olhos castanhos vivos. Porem, teria que fazer isso, algum dia.

Assim, ele se virou para ela, sorrindo de uma maneira que não fazia a um tempo.

Ao menos o ato de olhar para ela tinha suas vantagens.

_ Sim, tem algo- disse – E é o fato de você estar me enrolando com esse café da manhã – riu enquanto ela fazia uma careta emburrada e voltava a comer seus pequenos pedaços de pão doce.

_ Você é...

_ Irritante – cortou-a ele, seu sorriso ainda em seu semblante – Sim, estou ciente disso. Mas não me importo. Não se você estiver bem alimentada.

Alice revirou os olhos e vira que não haveria jeito, ela teria que lidar com toda a atenção repentina que Jasper insistia em lhe dar, mesmo ela sabendo que não estava mais doente a esse ponto.

Porem, ela não poderia deixar de... apreciar. Ele preocupado consigo era tão... Oh, Deus, era tão deliciosamente reconfortante.

Rindo dela mesma e de seus pensamentos, Alice lambuzou o dedo em seu doce de leite para comer como se tivesse seus cinco anos de idade novamente.

_ Você fica tão irresistível quando faz isso – ele disse de repente, cortando o leve silencio que havia se formado.

Alice parou em seu lugar, gelando a espinha e os dedos. Quando arriscou olhar para ele, ele a encarava e seus olhos tinham algo novo, mais caloroso e mais febril do que o olhar angustiado que estava apresentando.

_ Perdão, como?

Jasper riu um pouco, dando as poucas passadas que tinha para chegar aos pés da cama dela.

E ele tinha razão, ela lambuzada de doce de leite podia matá-lo.

_ Disse que quando fez isso com as mãos e esse doce, eu controlei-me para não cair sobre você – ele disse com uma naturalidade espantosa. Agora, ele estava decidido a não ter mais papas, nem reservas e muito menos pudores em seu modo de falar com ela – E, sim, estou me controlando exatamente agora.

Alice corou tão violentamente que esquecera que seu dedo ainda pendia lambuzado, inerte no ar. Um estremecimento viera desde suas pernas até seu peito.

Não queria admitir, mas quase verbalizou o que pensara em sua cabeça. Que ele deveria parar de ser tão controlado...

Porem, no momento em que ela iria realmente dizer aquilo, ele andou novamente, agora para perto do espelho.

_ Se você comer ao menos a metade de tudo que está aí, levarei você à feira livre – ele disse casualmente.

Alice parou um pouco, sua mente desembaralhando as palavras que ele dissera. E então o olhou espantada.

E confusa.

Nem sequer sabia que estava tendo outra feira livre em Biloxi. Bem, certamente pelo fato de ter ficado trancada em casa durante mais de uma semana.

Porem, nem quis pensar muito naquilo, pois a leve menção dele de que a levaria fez seu sangue todo circular com tanto entusiasmo que ela quase pulara em seu pescoço.

_ Seriamente? – perguntou com um largo sorriso em sua face. Automaticamente suas pernas caíram para o lado da cama, pronta para sair com a camisola de seu corpo.

Por milésimos de segundos, Jasper até se esquecera de suas condições, pois o entusiasmo de Alice frente a coisas tão banais como as feiras livres o encantava demais para deixar margem para a preocupação.

_ Sim, estou falando sério – lhe garantiu, estendendo a mão para ajudá-la a se levantar – Você precisa de um pouco de sol.

_

Praça Principal de Biloxi

Dezembro de 1901

_ Tem mais pessoas do que a feira livre passada – Alice comentou enquanto desviava do vendedor de algodão doce. Atrás dela, Jasper olhava entre a multidão, tentando se animar um pouco.

Quer dizer, Alice estava animada, então ele poderia tentar.

_ Sim – ele comentou sem realmente prestar atenção no que ela dizia aos pulos.

Porem, depois que passaram por quase 14 barracas coloridas, recheadas de guloseimas e musicas alegres, Alice parou em sua frente, seu olhar um tanto zangado.

_ Se for para você continuar com essa expressão, eu prefiro que me leve de volta para casa – ralhou ela, segurando suas luvas rendadas entre as mãos com força. Deus do céu, como sentia falta de seu antigo Jasper.

Jasper fechou os olhos, respirando profundamente. Definitivamente, ele estava sendo uma companhia deprimente.

_ Ah, pequena – disse ele com lamentação. Ele estava falhando consigo mesmo na tentativa de agradar à ela – Não, ficaremos aqui – lhe garantiu, direcionando a ela um sorriso quase convincente – Podemos procurar suas irmãs para que você tenha a companhia delas – a pegou pelo pulso, pronto para procurar Bella e Rose.

Porem, Alice não se mexera. Apenas o impediu de se afastar dela. E quando ele e virou para ver o que havia de errado, viu seu olhar um pouco triste.

_ Eu quero a sua companhia – disse com um tom baixo, persuasivo. Teria seu marido espirituoso outra vez, nem que tivesse que chantageá-lo para isso.

E Jasper se sentira culpado. Estava estragando o dia dela com seu baixo astral.

Deus, um homem preocupado era mesmo insuportavelmente irritante, assim?

Talvez fosse, mesmo. Mas ele decidiu que não seria.

E decidiu de verdade, dessa vez.

Puxou o pulso dela, trazendo-a mais para perto. Somente naquele instante, queria sumir com todas aquelas pessoas para que pudesse beijá-la até não sentirem mais os lábios.

Mas talvez tivesse que esperar um pouco para isso.

_ Venha – ele sorriu para ela, conseguindo um fácil sorriso de volta – Vou comprar uma maçã caramelizada para você.

Andando entre as diversas pessoas que se encontravam ali, ele a conduziu pelas barracas mais coloridas, comprando-lhe um chocolate toda a vez que ela lhe pedia. Paravam vez ou outra para ver os desfiles de xales novos e os dos soldados do Texas, dessa vez.

Jasper conseguira cumprir o prometido e Alice estava se divertindo como queria desde o começo.

E aquele era um sentimento bom de se ter por perto.

Porem, foi nas barracas de tiro ao alvo que Alice se entusiasmou como a muito não o fazia. Isso por que se lembrava nitidamente da ultima feira livre que haviam tido em Biloxi.

Na época em que ela ainda queria matar Jasper.

Riu automaticamente ao ver, mesmo de longe, a barraca de lamparinas e tiroletas.

As bonecas de porcelana ainda estavam tão belas como o quanto ela se lembrava.

Porem, quando ela abrira a boca para dizer aquilo para Jasper, alguém chamara seu nome dentre a multidão.

_ Alice! – ela olhou para todos os lados, onde muitos rostos apareciam ao mesmo tempo. Porem, podia reconhecer a voz de Rose.

E era exatamente ela, vindo em sua direção com um enorme sorriso no rosto e serpentinas por todo o cabelo.

E atrás dela, Emmett, seu marido, as jogava pelo ar.

_ Rose! – ela exclamou, sentindo o peito reclamar pela saudade que sentia de suas irmãs – Ah, Rose, quantas saudades.

Rose a abraçara sob os ofegos, pois estava correndo pela feira com seu marido a horas.

_ Oh minha irma, sinto muito não tê-la visitado – disse, tirando os cabelos suados de sua testa – Eu estava muitíssimo ocupada ajeitando meus chapéus de doação para a obra de caridade do Pe. Charlie lá em... – ela parou de repente. Estalou os dedos, tentando se lembrar de alguma coisa – Onde que é mesmo, meu bem? – ela perguntou para o Sr. McCarty, que atirava serpentinas coloridas nas cabeças de quem passava.

_ Florence, querida – disse ele, porem mostrava-se mais preocupado com as serpentinas e as cabeças, do que com a conversa.

_ Oh, sim, claro que é Florence – ela bateu teatralmente a mão na testa, rindo alto – Pois então, como eu estava dizendo, eu... – ela parou novamente antes de fazer uma careta, estalando os dedos novamente – O que eu estava dizendo mesmo, meu bem? – voltou-se para Emmett outra vez.

_ De chapéu, querida – respondeu ele sorrindo largamente para os homens pintados que passavam com as crianças em seus encalços.

_ Ah, sim, claro que era de chapéus – Rose riu um pouco mais alto, dando a certeza para Alice e Jasper, quer talvez o sol estivera forte demais sobre sua pequena cabeça – Pois então, eu doarei – continuou, finalizando seu pensamento – E você, doará alguns de seus chapéus?

Alice deu um curto sorriso desanimado, não querendo mesmo ter que falar sobre a separação de seus chapéus.

Adorava-os tanto.

_ Meus... chapéus? – perguntou com sofreguidão, escorando-se ao braço de seu marido – Hãn... eu não poderia doar meus casacos? Quem sabe algumas sapatilhas e alguns cachecóis? – sugeriu, um pouco mais animada, agora, por ver Rose pensativa.

_ Bem, não seria problema – disse ela finalmente, sorrindo tanto que esticara a pele – Poderíamos chamar a...

_ Bella! – Alice exclamou, quicando em seu lugar.

_ Ah, exatamente minha irma, poderíamos chamar Bella!

_ Não, Rose – Alice riu, balançando a cabeça como se Rose não estivesse fazendo muito sentido, naquele dia – Bella está vindo! – ela apontou para o outro lado, perto das barracas de tiro ao alvo, onde Bella rebocava seu marido pelos meios das crianças, que corriam apressadas.

Então, enquanto as irmãs Cullen conversavam como se não se vissem a anos a fio, Jasper ficou em seu lugar, conversando com seus cunhados sobre qualquer outra coisa diferente de sapatos e véus. Às vezes, seus olhos variavam de lado a lado, olhando por todo o colorido e por toda a animação da feira, admirando-a.

Porem, a tranqüilidade da feira livre perdera momentaneamente o brilho quando Jasper vira algo fora da normalidade.

A algumas cabeças, no canto mais afastado da animação e da festividade, estava Fortunato Black, no alto de seu enorme casaco de couro preto e sua expressão sempre brutal. Era automático sempre que via aquele Sr., uma repugnância subir por sua garganta.

Porem, o que o intrigou fora com quem Fortunato Black conversava suspeitamente. Em sua frente, um pouco encurvado, como se tentasse escutar, pois a musica ecoava alta por toda a cidade, estava Thomás, um dos homens que Jasper contratara para cuidar de sua propriedade e das mulheres da casa enquanto ele não estivesse.

O mesmo que havia assustado Alice como o inferno no episodio do estábulo.

Aquilo mexera tanto com os sentidos de Jasper que ele quase se soltara de Alice e fora lá, indagar o motivo de tamanha intimidade.

Aquilo estava esquisito demais.

Preso em uma teia de pensamentos intrigantes, com os sentidos aguçados e hábeis, Jasper não desviou o olhar da imagem dos dois conversando afastadamente. Nem mesmo prestara mais atenção nas conversas ao seu redor.

Então, de repente, Fortunato virou a cabeça em sua direção, como se farejasse os olhos de Jasper mortalmente desconfiados sobre si. Por segundos que pareceram durar décadas, os dois se encararam duramente, como se deixassem nítidas as inimizades carregadas por ambos.

Thomás também o olhara, porem o espanto em seu rosto era bem mais evidente.

Ele não parecia esperar ser pego por Jasper conversando com aquele homem.

Porem, Jasper pouco se importou com aquele homem, pois no segundo seguinte em que o vira ali, naquela estranha conversa aparentemente cochichada, ele já havia decidido que ele não voltaria a chegar 500 m perto de sua casa novamente, muito menos de Alice.

Alice...

Assim que pensara nela, sentiu o frio olhar de Fortunato cortar todas as pessoas e pairar em Alice, à frente de Jasper, conversando com suas irmas. Parecia que agora ele não fazia mais questão de ser falsamente respeitoso com a esposa de Jasper. Pelo contrario, seu olhar era de cobiça, desejo e uma raiva latente que Jasper não entendia, mas aceitava de bom grado.

Desde que a raiva fosse dirigida a ele, e que Alice passasse a raios de distancia daquela guerra silenciosa.

Automaticamente, ele a puxou discretamente pela cintura, até sentir firmemente suas costas contra seu peito, mantendo-a ali com possessão e preocupação.

Apenas Alice daquela roda de conversas notara aquele ato.

E depois de presenciar aquilo, Fortunato parou de encarar a Jasper e as pessoas ao redor dele, principalmente Alice, e dera as costas largas e brutas, sumindo entre as pessoas que brincavam, com uma rapidez quase exorbitante.

_ Não acha, Jasper? – Jasper se voltou para a roda de sua família, os olhos um pouco fora de foco. Quando viu, era Alice quem o chamava para perguntar-lhe algo. Porem, ele notou a testa franzida dela ao ver a distancia dele – Algo errado? – ela perguntou, esquecendo-se de qualquer futilidade para encarar seu marido.

Jasper a segurou pelos ombros descobertos pelo vestido, não querendo preocupá-la mais. Ao menos não naquele dia, pois ela o tinha para distrair-se e divertir-se.

_ Ah, não minha cara, está tudo bem – disse com um sorriso. Porem, quando viu que a expressão dela não se suavilizaria com uma desculpa tão vaga, ele aproximou-se de seus ouvidos, a fim de sugerir algo para distraí-la – Gostaria de tentar acertar as lamparinas? Eu poderia ajudá-la e você ganharia aquela boneca estranha.

Alice riu com aquilo, esquecendo, ao menos naquele momento, de sua preocupação.

_ O que o Sr. quer insinuar com isso? – perguntou divertida.

Satisfeito em ter conseguido o que queria, Jasper entrou na brincadeira, dando sua atenção à Alice, esquecendo-se de Fortunato, Thomás e de todo o mundo.

_ Que sua mira é tão precisa quanto um tufão – ele zombou, puxando-a pelo pulso por entre as pessoas em direção à barraca.

Lhe trazia boas lembranças, ela.

. Ainda mais quando chegaram à barraca em questão. Ela ainda tinha os mesmos enfeites, os mesmos mimos e o mesmo vendedor.

E ele se lembrava deles dois.

_ Vocês... ? – ele vacilou, franzindo a testa em uma surpresa muda.

_ Oras, e qual é o problema? – Alice riu, achando o homem um tanto engraçado.

_ Juntos? – indagou ele novamente, um pouco descrente. Em sua memória, se lembrava de Alice querendo atirar com a espingarda nas costas de Jasper, enquanto ele se afastava com sua boneca.

Alice deu um sorriso amarelo, entendendo a curiosidade do homem. Ela mesma se espantaria se fosse ele.

_ Bem, eu fiquei com pena, entende? – disse Jasper entre o silencio que se formou. Presunçoso até a alma.

_ Jasper! – ela ralhou, acertando-lhe o ombro.

Os dois homens riram da situação, mesmo que Alice os fuzilasse, outrora. Então, Jasper pegou a espingarda e deu a ela, se posicionando logo atrás de si.

_ Olhe reto – disse ao pé de seu ouvido, ajudando-a a ajustar a espingarda na mão.

Ela parecia quase maior do que Alice.

_ Assim? – ela perguntou em tom baixo, não querendo tirar sua própria concentração.

_ Apenas abaixe um pouco mais... Perfeito – ele sorriu – O segredo é não mirar diretamente. Agora, você pe...

E antes que ele terminasse de falar, Alice atirou.

Tanto Jasper quanto o vendedor abaixaram-se um pouco, como uma reação reflexa. E então, quando o estrondo do tiro calou-se, os três pararam para encarar o estrago que certamente se tornara a mira de Alice. Mas quando viram, no lugar da lamparina que ela havia mirado, restava apenas um monte de estilhaços de vidros decorados.

Alice acertara exatamente em seu centro.

_ Oh... meu... Deus, eu consegui! – ela exclamou exultada, largando a espingarda de qualquer jeito na barraca e agarrando-se ao pescoço de Jasper com tanta força que ele quase não respirou – Eu consegui! Você viu? Eu consegui! Consegui na primeira! Consegui, olhe só!

Mesmo que ela apertasse sua garganta com uma força que ele jamais pensou que ela tivesse, Jasper ainda conseguiu rir com muita vontade, retribuindo o abraço apertado dela, erguendo-a um pouco do chão.

_ Sim, você conseguiu – ele a elogiou apenas com a timbre de sua voz. Estava satisfeito, pois tudo o que queria era ver Alice animada – Agora acho que eu posso devolver as vinte munições reserva que eu pedi...

_

A feira livre já ganhava quase seu meio dia, porem a animação, as cantarolas e os desfiles continuavam, grandiosos e coloridos como no começo.

Rose e Emmett estavam em algum canto e Bella e Edward em algum outro. Agora, as coisas eram daquela maneira. Cada uma passeava com a companhia de seu marido, harmoniosos e tranqüilos.

Alice jamais pensou que andaria, também.

Porem, Jasper caminhando ao seu lado, seu braço cruzado no dele, enquanto ele carregava a boneca pesada de porcelana para ela, lhe dava essa sensação pela primeira vez na vida.

E ela já conseguia admitir que não era ruim.

_ Como você está se sentindo? – Jasper perguntou pela 15º vez, enquanto caminhavam em um silencio agradável.

Alice quase revirou os olhos, pois já estava ficando cansada de responder a mesma coisa.

_ Jasper, por que insiste em perguntar isso? – ela indagou rindo, olhando de baixo para seu marido, sempre mais alto e belo do que qualquer outro – Estou ótima. Perfeita.

Jasper a olhou de soslaio, querendo muito se convencer daquilo. Porem, ela realmente parecia ótima. Ao menos naquele momento.

Mas por que ele tinha a sensação que havia algo errado?

Bem, talvez fosse apenas suas alucinações e sua paranóia rondando outra vez. Talvez ele devesse mesmo se convencer de que Alice se curara. Que Dr. Swan estivera equivocado quanto a piora dela e que Alice já não precisava mais de tantos remédios.

E olhando para ela naquele momento, onde suas bochechas estavam levemente coradas, seus olhos brilhantes e sua pele tão reluzente, ele realmente acreditou naquilo.

Deus, ele fora tão ridículo!

As horas de sono que perdera e toda a tensão desgostosa que sentira, fora apenas para deixá-lo alerta.

_ Você tem razão – disse ele, tocando sua bochecha. Era bom ter tantos festejos e distrações ao redor deles – Está tão perfeita...

Alice abaixou os olhos, ainda pouco acostumada com os elogios diretos que ele lhe dirigia.

Mas queimava-lhe o peito muito mais que fogo.

_ Sr. Denali? –Jasper indagou repentinamente com a testa franzida. Ao longe, viu o Sr. encurvado e bochechudo, que comia três churros enormes enquanto ria alto com outros homens.

Alice seguiu seu olhar, um pouco perdida.

_ Quem é ele?

Sorrindo enquanto não tirava os olhos do homem, Jasper ajeitou seu chapéu sobre a cabeça.

_ Aquele é o primo de meu pai e seu melhor amigo – disse — È o banqueiro de Florence e um bom homem, ajudou meu pai a cuidar de mim e de minha mãe quando ela adoeceu.

Alice assentiu, sorrindo afetuosamente para o homem que ainda comia. Ele parecia mesmo um Sr. muito simpático.

Sua barba branca e suas bochechas proeminentes lembravam muito o papai-noel.

_ Alice, se importaria se eu fosse até lá convidá-lo para visitar-nos na fazenda? – Jasper se voltou para ela com a empolgação que ela ainda não tinha visto nele – Meu pai ficaria muito satisfeito. E, bem, você pode vir também, mas penso eu que você se entediará com a primeira palavra que sairá de nossas bocas – disse ele com um leve sorriso.

Alice queria pedir para que eles fossem para casa, pois seus pés já começavam a doer. Porem, Jasper parecia muito empolgado em fazer aquilo e ela se sentiu muito egoísta em negá-lo.

_ Bem, vá apenas você e faça o que quer – disse ela transparecendo sua naturalidade. Estendeu a mão para pegar sua boneca, que ainda estava nas mãos dele – Vá e o convide. O esperarei aqui.

Jasper sorriu para ela, dando-lhe um rápido beijo na testa.

_ Não demorarei – disse antes de sair de sua frente e ir em direção à roda de homens.

Alice prendeu sua bela e delicada boneca de porcelana nos braços e ficou quieta ali, disposta bem ao centro da feira, sob o sol fraco das nove horas.

Assim, os minutos foram se passando e os pés de Alice pediam socorro dentro de suas sapatilhas. E enquanto ela estava parada perto do desfile, esperando Jasper voltar de sua conversa, ficou observando todas as pessoas, felizes e animadas, se divertindo entre toda a animação que a feira proporcionava.

A conversa de Jasper parecia muito empolgada e ela se viu esperando mais do que pensou que esperaria. Por um tempo, ela sentiu como se ele tivesse esquecido-se dela ali, parada, esperando-o.

O cheiro de bolo de chocolate ardia em suas narinas, seu delicioso aroma doce flutuava sobre o ar, misturando-se com outros e outros, mexendo com os sentidos de quem perambulava por perto.

Mas os belos desfiles e as coloridas fitas não foram o suficiente para deixá-la muito a vontade. Com os minutos que se passavam enquanto ela ficava ali, sozinha, as pessoas começaram a reparar.

As mulheres passavam e olhavam para ela, como se perguntassem sem dizer nada, como se desconfiassem do por que ela estava parada e sozinha, como uma estátua.

Como uma planta, plantada e esquecida.

De repente, ao longe, ela vira alguém que não via a algum tempo. Era Alec, passeando por entre as crianças com seu inseparável chapéu marrom. Ele parecia sereno, seu sorriso carmim estampado em seus lábios finos e seu olhar de garoto.

Alec nunca perdera aquele sorriso, ela pensou consigo mesma.

Por um milésimo de segundo, Alice se lembrara das manhãs de feira livre quando ambos tinham seus poucos 7 anos.

Eram eles duas das muitas crianças que zig-zagueavam entre as pessoas que ali festavam.

Lembrando-se daqueles tempos, Alice via como era tudo tão mais fácil e natural. Porem, tudo havia mudado e os destinos dos dois haviam tomado rumos completamente distintos, suas vidas separadas.

Ela... sentia falta de sua amizade, às vezes.

Mas ela sabia que nada voltaria mais ao que era, principalmente depois que ele havia beijado-a, que havia declarado seus sentimentos reprimidos por ela.

E Alice se pegou imaginando, outra vez, o que teria acontecido se tivesse casado-se com ele. Certamente, haveriam tido menos brigas, menos desentendimentos e menos problemas de convivência, no inicio.

Porem, ela já não podia deixar de adicionar, teria sido bem menos divertido.

Com seu pensamento ela sorriu, enquanto ainda encarava Alec de longe.

De longe, também, alguém notara seu sorriso.

Jasper parou seu olhar em Alice no mesmo segundo em que vira seus olhos fixos em algo. Quando os seguiu, vira Alec Black.

Seu sangue pareceu esquentar-se quase que automaticamente. Algo em seu corpo estremeceu apenas em ver a atenção de Alice direcionada àquele homem, cujos lábios já estiveram sobre os seus.

Ele não queria acreditar que Alice sorria para a imagem de Alec. Não depois de tanto tempo e de tudo que vinha acontecendo entre eles dois. Não depois dos beijos que já haviam trocado, beijos esses que abatiam qualquer outro que Alec a tivesse dado.

Não depois do que acontecera na pia e das reações intensas que ela vinha tendo com ele.

Incapaz de prestar mais qualquer atenção em tudo que o Sr. Denali insistia em dizer, prendendo Jasper ali por tanto tempo, ele se afastara um pouco de todos que estavam ao seu redor, não tendo mais estado de espírito para contribuir em qualquer conversa que fosse.

A energia do medo rondou Jasper e a apreensão tomou sua mente e seu peito. E a todo tempo, ele pensava o que aconteceria a ele se tudo o que estava presenciando, fosse realmente verdade.

Notas finais
E então??????
ahhh, eu gosto muito desse cap. Acho tão... sei lá; skapskpaks
Bem, espero que tenham gostado tbm!!!!!!!!!
Bjssssssss lindonass
:*