Notas iniciais
Holla!!
Ahhh, creio que as coisas vão esquentar aqui e pra frente, hein?
È, estava na hora, antes que muitos de vocês quisessem me matar O.o
MAsssss, enfim, espero que gostem do cap.!
Boa leitura
:*

Cap. 20 — Tentação

Biloxi, Mississipi

1901

Jasper ajudou Alice a descer da carruagem em silencio. Estava agindo de um modo estranho e Alice havia notado isso desde que ele voltara da conversa com o amigo banqueiro de seu pai.

Porem, fora quando eles já estavam em seu quarto, que Alice resolveu romper aquele silencio inoportuno.

_ Jasper, aconteceu alguma coisa? – ela indagou, bloqueando seu caminho quando se colocou frente a porta – Eu fiz algo?

Jasper parou e suspirou, vendo que mais cedo ou mais tarde, ele teria que encará-la, de qualquer forma. Achou completamente entendível a desconfiança dela.

Ele realmente dera muitos motivos.

Assim, ele largou sua toalha de qualquer modo no beiral da penteadeira dela e lhe encarou.

_ Sinto muito – disse ele com a voz morta. Ainda estava tentando entender o porquê ficara tão mal com a cena que presenciara na feira livre.

Porem, Alice continuou parada frente a porta, seus olhos castanhos vivos parecendo miseravelmente chateados com ele.

_ Você anda dizendo muito isso, ultimamente – ela lhe respondeu com uma voz levemente dura.

Jasper ficou encarando-a por um tempo, tentando buscar uma maneira de dizer a ela que seu ego masculino estava afetado e que estava com um ciúme tão irreal e ignorante dela com Alec Black, que ficara de mau humor para o resto do ano.

Porem, não havia sentido dizer aquilo. Não seria realmente bom ela saber o poder que suas ações tinham sobre ele.

E ele sentia-se... envergonhado.

Então, quando as palavras fugiram de sua boca e ele temeu mentir para ela, Jasper apenas calara o momento com algo que já começava a sentir falta.

Ele a beijara com sofreguidão.

Pressionando-a contra a madeira da porta, ele a invadiu com vagarosidade, como se tivesse muito tempo para marcá-la como dele.

Ao menos sua boca.

E era mesmo como se ela pertencesse a ele, pois a forma como ela se abraçava a ele toda a vez que ele lhe beijava, não era de uma mulher que não se sentisse minimamente envolvida.

E aquilo o satisfazia como poucas coisas.

O gemido contido dela lhe era como musica e a maneira como ela o aceitava, agora, o acalmava por dentro, pois sentia como se aos poucos ela já não fosse mais escapar de suas mãos.

Acontecesse o que acontecesse.

Jasper pressionou seu corpo contra o dela com cuidado, fazendo-a moldar-se a ele. E lembrar-se como ela tinha curvas sedutoras demais debaixo daquele vestido o fez apertar suas mãos em sua cintura, puxando-a, levantando-a, tocando ele próprio com seu corpo esguio.

Quando ele abandonou sua boca, Alice conseguiu respirar, mas tão logo desejava seus lábios sobre os seus novamente; sua língua dançando com a sua e esquentando todas as partes sensíveis de seu corpo.

Havia uma necessidade gritante no corpo de Alice que ela não entendia o que era.

Ela rodeou o pescoço dele com os braços, oferecendo seu pescoço para que ele continuasse seus beijos por ali. E quando sentiu os lábios dele exatamente ali, ela suspirou longamente, deleitada com todas aquelas sensações.

Mas Jasper não parou. Logo era sua língua que degustava do sabor da pele dela, e sua mão, antes em sua cintura, descera pela lateral de seu corpo, seguindo o caminho de sua coxa, que o vestido insistia em tampar.

_ Ah, Alice, se soubesse o que eu queria fazer com você – ele sussurrou em seu ouvido, parecendo quase sofrido.

Alice puxou o ar com força, encostando sua testa na dele, mantendo seus braços ao redor de seu pescoço.

_ E o que quer fazer comigo? – ela indagou de volta em um sussurro. Tinha alguma idéia do que poderia ser, mas não queria realmente parar para pensar naquilo, ou se assustaria e toda a magia daquele momento intimo acabaria como um relâmpago.

Jasper subiu suas mãos novamente pelo seu corpo, parando-as em suas bochechas.

_ Se soubesse, não faria mais isso que faz comigo – resmungou ele e Alice entendera que ele era cavalheiro demais para verbalizar o que suas mãos tentaram lhe mostrar.

Um calor subira pelas pernas de Alice.

Porem, como se quisesse a deixar pensando, ele soltou-a, lhe dirigindo um sorriso curto. A tirou da frente da porta como se ela tivesse o peso de um cisne de papel e saíra para seu banho.

~•~•#•~•~

Biloxi, Mississippi

Fazenda Witlock

Jasper empurrou a caixa de charutos em direção ao Sr. Denali. O escritório estava abafado devido ao dia quente, porem o vento que entrava pela janela aberta era o suficiente para deixar o ambiente habitável.

Girando um pouco sua poltrona para ficar frente ao homem, Jasper bebeu um pouco de seu Uísque com gelo enquanto, bem a sua frente, um dos homens que mais prezava enchia-se de bolachas de aveia, preparadas pela Sra. Webber.

_ Oh, meu rapaz, essa cidade é encantadora, é sim – comentava ele sempre que dava uma folga a sua boca – As moças são muito mais belas – dizia ele aos risos.

Jasper riu junto com ele, não deixando de notar sua animação excessiva como sendo resultado do fato de ele beber seu Uísque como se fosse água.

_ Sim, elas são – concordou Jasper imparcialmente.

_ Oh, inclusive quando eu estava conversando com o Sr. Volture, um grande amigo que fiz durante a feira livre e... – ele e seus olhos apertados pararam de falar para encarar Jasper – Você conhece o Sr. Volture, certamente?

Jasper sorriu, terminando de beber seu Uísque com paciência.

_ Bem, nos esbarramos algumas vezes – disse ele – È um bom homem.

O homem sorriu largamente, enrugando suas enormes bochechas rosadas. Assim, voltou-se para as suas bolachas e para sua bebida.

_ Bem, como eu ia dizendo, estive eu na guerra da Suméria e quase que fui acertado por 12 bombas! E...

_ E o Sr. Volture estava com o Sr., certamente – Jasper interveio no começo da historia do homem, lembrando-se da ultima conversa que haviam tido na feira, onde, ele com seus surtos de meia idade, fizera Jasper perder muitos minutos de sua vida.

O homem riu sonoramente, tossindo um pouco por conta das bolachas que ainda tinha na boca.

_ Sim, como sabe sobre o Sr. Volture?

Jasper riu discretamente, achando que seu amigo deveria parar de beber daquela maneira.

_ O Sr. comentou algo – explicou tentando impedir sua voz de soar tão gozada

- Agora continue.

O homem assentiu, risonho, antes de continuar.

_ E estive em sua propriedade, conheci sua Sra. e, bem, conheci sua encantadora filha, a Srta. Volture – ele dera um pequeno sorriso malicioso, remexendo-se no estofado da cadeira – È uma moça belíssima, você não acha?

Jasper parou com seu copo entre os lábios, sua mente formando automaticamente a imagem de Jane.

_ Sim – murmurou um pouco longe – Sim, é belíssima.

O homem parou de comer suas bolachas e sua expressão tornara-se séria. Suas enormes bochechas perderam a cor rosada por alguns minutos.

_ Jasper, filho, eu não sei se reparou, mas Jane Volture se pare...

_ Sim, Sr. Denali – Jasper o cortou brandamente, recolocando seu copo sobre a mesa, não querendo deixar sua cabeça cheia daquele assunto, que o remoera por muito tempo – Eu noto isso.

O homem assentiu silenciosamente, como se a seriedade abandonasse novamente seu semblante e ele recomeçara a comer suas bolachas com glória.

_ Certamente você pediu sua mão antes de se casar com sua atual Sra., estou errado? – o homem perguntou rindo.

Jasper se surpreendera com sua pergunta, porem lembrou-se que a conveniência não era o ponto forte do Sr. Denali.

Mas ele vira que não poderia fugir daquela pergunta. Tampouco poderia mentir.

_ Bem, eu me encantei pela Srta. Volture por... bem, por motivos óbvios – Jasper respondeu com a voz um pouco distante. Passou a encarar o abajur esquecido perto do armário de bebidas – Até pretendi tomá-la em casamento durante um tempo.

_ Ah sim, seu pai disse-me por cartas sobre como você ficou fissurado naquela Srta. – o homem rira alto, segurando a enorme e redonda barriga.

Jasper não queria ter que falar de quando estivera perto de pedir para seu pai esquecer a historia com a filha do Sr. Cullen para que ele pudesse se casar com Jane Volture.

Estivera perto, muito perto.

_ Sim, talvez eu tenha ficado um pouco – murmurou ele, enchendo seu copo com mais uma rodada generosa de Uísque.

O homem mirrou seus pequenos olhos outra vez, como se estivesse surpreso com a diminuição de Jasper. Porem, deu de ombros, preferindo não pensar muito.

E, enquanto o homem tomava mais goles sucessivos de Uísque branco, Jasper ficara remoendo a historia de Jane.

E o quase cancelamento de seu casamento com Alice.

_ Oras, papai, mas a Srta. Jane e eu... bem, temos muitas coisas em comum – disse ele tentando persuadir seu próprio pai, que era tão cabeça dura quanto ele próprio – E me agradaria casar com ela.

Porem, Felix parecia desejar muito mais o casamento dele com a Srta. Cullen e os motivos não lhe havia revelado, ainda.

_ Você é a única chance que... que essa garota tem, me filho – insistiu Félix – Você tem que se casar com ela, Jasper.

_ Oras, papai, eu nem ao menos a conheço! – Jasper retrucou, jogando as mãos impacientemente ao céu – E se ela for insuportável? Talvez feia e altamente frígida? Oh, meu pai, não faça isso comigo.

Mesmo com Jasper insistindo para que ele esquecesse aquela idéia absurda com a garota que ele nunca vira, Félix sorriu.

_ Você tampouco conhece a Srta. Volture, meu filho – pontuou ele pacientemente – E, além do mais, eu garanto-lhe que feia é algo inclassificável para a Srta. Cullen – Félix disse convictamente, vendo nos olhos de Jasper a vacilação.

Ele apenas sentiu-se no direito de ocultar dele o quão geniosa aquela moça era. Mas, talvez, fosse uma boa experiência de dominação, para Jasper.

E Jasper pareceu se martirizar por um tempo, enquanto bebia rum.

_ Preciso ficar casado com ela por muito tempo? – perguntou em um momento, quando a lacuna do silencio que eles deixaram tornou-se longa demais.

Felix sorriu as costas do filho, vendo que criara em Jasper um homem bom.

_ Não, não precisará – respondeu seu pai, andando pelo escritório de Carlisle em Michigan, pois Jasper ainda não havia saído oficialmente de seu posto no Exercito – Se desquitará quando já não querer mais, de forma alguma, permanecer casado com ela. Apenas... fique nisso.

Jasper suspirou longamente, bebendo seu rum em apenas uma golada. E sem olhar para seu pai, Jasper assentiu.

E ali estava ele, pensando naquilo novamente. Pensando em como as coisas haviam mudado e o quanto seu desejo de casar-se com Jane pela sua perfeição fora arremessado para longe desde que vira como ela não tinha sentimentos.

Fizera Alice chorar como uma garotinha.

Talvez fosse ate mesmo seu castigo por ter ficado tão irritado em ter que se casar com Alice, que ele nem ao menos conhecia ainda, a guinada que tudo dera.

Agora, sua apreensão era a de Alice sentir desejos reprimidos em estar ao lado de... Alec. O sorriso que vira na feira livre ainda estava atormentando-o.

Seria possível?

Alice seria realmente capaz de deixá-lo para se casar novamente, e dessa vez com Alec Black?

Ela... seria?

Jasper apertou seu copo de Uísque na mão enquanto lá fora, uma fina chuva molhava o vidro da janela.

Ele nem ao menos notara que havia começado a chover.

Algo trancou sua garganta e muitas palavras reprimidas ardiam ali. Ele precisava perguntar diretamente à ela, ou encontrar um modo de descobrir o que queria descobrir.

E Sr. Denali fora o primeiro que lhe veio à mente.

_ Sr. Denali? – ele se voltou na cadeira em direção ao homem – Poderia me responder uma pergunta?

O homem parou de fazer o que estava fazendo para dar atenção à Jasper.

_ Claro meu filho.

_ Depois que duas pessoas se casam – começou ele, sua voz infernalmente enigmática – Uma dessas partes pode... bem, pode pedir o desquite e, hãn, se envolver em outro casamento?

Balançando na cadeira, o homem rira maliciosamente, segurando seu copo de Uísque contra o peito.

_ Sim, Jasper, certamente – disse ele. Não parecera notar como Jasper estava tenso diante de sua própria pergunta – Ah, meu filho, você ainda se perderá por causa da Srta. Jane Volture – riu, balançando a cabeça de um lado para o outro.

Porem, Jasper maneou a cabeça impacientemente. Inclinou-se sobre a mesa, seus olhos inquisitórios sobre o homem.

_ Não, eu digo... digo, uma mulher poderia fazer isso? Pedir o desquite e se casar com outro? – e na cabeça de Jasper, ele pensava que, se fosse possível, se de algum modo Alice pudesse saber.

E bem a sua frente, o homem parou de comer, de beber e de achar graça de tudo o que conversavam. Semicerrou os olhos para Jasper, estranhando o rumo da conversa deles até aquele momento.

_ Bem, sim, é possível – disse ele com um tom minuciosamente controlado. Agora, o clima tenso não pairava apenas sobre Jasper — Porem, a reputação da mulher ficaria terrivelmente manchada! – exclamou ele, suas bochechas ficando vermelhas. Era como se algo daquela magnitude fosse terrivelmente ultrajante – Sabe, filho, os boatos correm de região para região como pragas de gafanhotos! E, por conta disso, acho difícil isso acontecer. A família da moça jamais permitiria tal ultraje, tal escândalo!

Jasper assentiu silenciosamente quando Sr. Denali terminara seu mantra, parecendo um pouco alterado. Definitivamente, um ato como aquele seria mal visto por todas as pessoas de todas as sociedades.

Seria um escândalo imensurável, irremediável e irreversível.

Jasper parou seus olhos no vidro da janela, vendo as gotas que batiam contra ele, agora um pouco mais fortes, escorregarem até perderem-se no batente de madeira.

Agora, a cabeça de Jasper pesava 70 toneladas e a tranqüilidade que ele pensara que teria em saber da verdade, o incomodara muito mais. Pois, para sua insegurança e sua tensão crescerem um pouco mais, ele se lembrara de outro detalhe sobre Alice.

Que ela pouco se importava com escândalos...

~•~•#•~•~

Biloxi, Mississipi

1901

Dois dias haviam se passado. Os ânimos dentro da mansão Witlock pareciam ter voltado aos seus devidos lugares.

Ou seja, muito bem desajustados.

Jasper não quisera tocar no assunto desquite. Tampouco no assunto sorriso ao Alec Black. Também, tirou completamente o assunto Alice sem roupas deitada em sua colcha.

Não, agora ele havia decidido ocupar sua mente com o café e com as pragas que ameaçavam comê-los.

Nos dois dias que haviam passado, ele e Alice ainda conversavam toda manhã, todo o almoço e todos os minutos que tinham juntos.

E isso era uma questão que amenizava os ânimos de Jasper.

_ Irei até a casa de minha mãe, esta tarde – Alice comentou a fim de puxar assunto. Jasper estava tão distraído lendo uma papelada que ela achou necessário fazer aquilo – Não a vi na feira livre.

Jasper parou de ler para continuar a conversa, pois sabia que era muito fácil Alice se sentir ignorada.

_ Acha que talvez ela esteja doente? – perguntou ele, recostando-se na cadeira de balanço dela – Poderia levar minhas considerações.

Alice parou de ajeitar seus lençóis e suspirou.

_ Não acho que ela esteja doente – disse com um olhar um pouco caído. E aquele detalhe não passara despercebido por ele.

Jasper desencostou duas costas da cadeira para apoiar os cotovelos nos joelhos.

_ O que acha que seja, então?

Alice mordeu os lábios, hesitando. Ele sentiu quando a vivacidade dos olhos dela caíram levemente.

E ele já desconfiava daquilo.

_ Acho que foi meu pai – responde ela com sua voz baixa – Pois ele detesta essas festividades. E detesta mais ainda deixar minha mãe sair de casa sem a companhia dele.

Jasper abaixou o olhar diante do leve baixo astral que se instalara no quarto deles. Sua vontade era de ir até Alice e abraçá-la novamente.

Desde que descobrira sobre como acontecera o casamento deles, ela parecia estar mais frágil.

_ Bem, vá vê-la, então – ele incentivou com um sorriso. Até gostaria de acompanhá-la, mas, ao menos desta vez, ele tinha mesmo muito trabalho a fazer – Mande uma flor em meu nome.

Alice se escorou à beira de sua cama, sorrindo para ele.

Deus, como ele podia derreter suas entranhas apenas com frases como aquelas?

_ Sim — disse entre um suspiro e outro – Sim, eu mandarei.

Jasper assentiu, colocando seus papéis dentro de uma bolsa folgada. Por esse motivo, não viu o quanto Alice ficou encarando-o, seguindo seus movimentos com os olhos ágeis.

Cada movimento de Jasper continha uma masculinidade tão perfeita que ela não conseguia deixar de ficar fixada. Ele era realmente perfeito em todos os seus detalhes.

Talvez fosse por aquele motivo que a prendia e a ascendia toda a vez em que ele se encontrava no mesmo cômodo que ela.

Agora, ela já não conseguia sair do quarto quando ele estava trocando sua camisa para ir trabalhar. Agora, ela ficava, seguindo ele com os olhos desde o começo do desprendimento de botões, até eles estarem devidamente abotoados em outra.

E os músculos de seus braços, de suas costas e de sua barriga ascendiam em Alice um fogo invisível.

Ela corava toda a vez que ele a pegava encarando seu corpo. Porem, Jasper apenas sorria e voltava a fazer o estava fazendo, no momento.

Alice não sabia se aquilo o incomodava ou não.

Porem, a verdade era que incomodava sim. Toda a vez que ele pegava ela cobiçando seu corpo com algo novo ardendo em seus olhos, ele sentia uma necessidade exorbitante de atirá-la naquela cama e amá-la como sonhava todas as noites.

Mas já estava mais do que acostumado em manter aquilo apenas em seus desejos.

_ Bem, estou indo... estou indo para o trabalho – anunciou ele, levantando-se e enchendo os olhos dela. Por alguns segundos, ele ficou em seu lugar, olhando ela de longe, como se hesitasse em tomar uma atitude ou não.

_ Tenha um bom dia de trabalho – disse ela, olhando bem dentro de seus olhos verdes. Sua respiração se alterou minimamente quando ele se moveu em sua direção.

_ Sim, eu terei – disse ele quando parou frente a ela; frente a cama. Tocou seu queixo com a ponta dos dedos, dedilhando – Pois pensarei em você.

Assim que aquilo saira para fora de sua boca, ambos silenciaram-se quase que imediatamente.

Ele havia mesmo verbalizado aquilo. Algo que apenas perambulava em seus pensamentos, mas que era estranho demais para dizer a ela.

Porem, não tinha como voltar atrás e, bem, talvez, tenha sido bom falar para ela algo que pulsava dentro dele quase que a todo momento.

Pensava muito em Alice há algum tempo. Sua imagem atormentava-o quase que constantemente.

_ Então vá logo para começar a pensar – murmurou ela com um curto sorriso, tentando insinuar que fizera uma gozação. Mas a muito tempo Jasper tirara dela essa capacidade que ela tanto apreciava em si mesma.

Rindo, ele lhe beijou rapidamente os lábios e saira porta a fora. E assim que ficara sozinha, Alice bufou, sentindo uma pequena voz em seu peito lhe dizendo que, agora, havia algo faltando entre eles dois.

E que era ela quem deveria tratar disso.

_

Residência dos Cullen’s

Tarde de 1901

Alice terminou de beber seu chá junto com sua mãe, enquanto riam de assuntos bobos. Estava contado-lhe sobre a feira livre, pois Esme não havia ido.

_ Oh, mamãe, pois a Sra. deveria ter ido! – ela comentou, pegando as mãos calejadas de sua mãe entre as suas. Esme estava com uma expressão tão desanimada que Alice quis animá-la de todas as formas que pudesse. Seus olhos pareciam fundos e cansados e seus lábios não eram mais rosados como Alice se lembrava.

_ Irei na próxima, minha filha, certamente que irei – disse ela, sorrindo efusivamente.

E Alice sabia que aquele não era seu sorriso verdadeiro.

_ Mamãe, não deixe meu pai dizer-lhe o que não pode e o que pode fazer – Alice a repreendeu, indignada. Não era por estar balançada com relação ao seu pai, mas uma mulher que permitia aquilo lhe tirava as paciências.

Dava graças por Jasper nunca ter tentado mandar nela. Pois se o tivesse feito, se odiariam até o presente momento.

_ Oh minha querida, é tão espirituosa – Esme disse, agora seu sorriso tornando-se desanimado enquanto tocava a bochecha de Alice – Se parece tanto com seu pa... –mas parou abruptamente, engolindo suas palavras. Seus olhos estalaram por alguns segundos enquanto ela engolia em seco.

_ Me pareço tanto com quem, mamãe? – indagou Alice, aproximando-se inconscientemente de sua mãe.

Esme remexeu em se cabelo, ato que sempre fazia quando ficava nervosa, apreensiva e tensa.

E Alice pegara aquilo no ar, enquanto ainda permeava entre elas naquela sala de estar.

_ Ah, Alice, esquecemos isso – ela desconversou, pronta para se levantar e andar para longe da filha.

Porem, Alice fechou sua mão em seu braço antes que ela completasse seu movimento.

Esme a encarou assustada, seu coração acelerando-se a mil.

_ Não, mamãe, não esquecemos – disse ela em um tom autoritário – Diga-me de quem a Sra. estava prestes a falar.

Esme ofegou ao sentir-se encurralada. Fora automático ser invadida pelas imagens dele, imagens que estavam muito bem reprimidas em sua mente.

Imagens que a fizera viver por tantos dias.

_ Por favor, Alice – murmurou ela, implorando para ela, apenas com o olhar, que não tocassem naquele assunto em questão. Não quando isso lhe trazia tantas amarguras.

Tantas... saudades.

_ Um dia – Alice encarou sua mãe bem no fundo de seus olhos, sendo muito séria enquanto fazia aquilo – Um dia me dirá sobre ele – quando Esme ameaçou manear a cabeça, Alice fora mais rápida – Sim, eu sei que é ele. E lhe cobrarei isso, mamãe – continuou – Certo que cobrarei.

Esme soltou seu ar, tentando reprimir as lagrimas que arderam em seus olhos. Batera com as mãos levemente em suas bochechas, tentando reconquistar a compostura.

_ Bem, querida, você veio aqui para conversamos – disse ela, a fim de recomeçarem a conversa que estavam tendo antes – Conte-me como está sua vida com seu marido? – sorriu afetuosamente, lembrando a Alice seu dom se importar mais com os sentimentos dos outros do que com os seus próprios – As coisas estão melhores?

Alice corou quando o assunto passou a ser a relação com seu marido. Era um pouco constrangedor tratar de certos assuntos, mesmo que fosse com sua mãe.

_ Bem – murmurou – Estamos bem.

Mas Alice se esquecia que aquela à sua frente era Esme, sua mãe. Aquela que cuidara dela e aprendera sobre todas as suas maneiras de agir sob algo que a constrangia.

Por 18 anos.

_ Ah, Alice, diga-me o que há de errado.

Alice gemeu, seu peso todo caindo para as suas costas.

_ Tem algo.... tem algo faltando entre a gente, mamãe – disse ela, suas bochechas mais vermelhas do que os morangos do certo da mesa à sua frente – Sinto como se afetasse mais à Jasper do que a mim, mas... bem, eu não gosto de vê-lo daquela maneira.

Esme ficou olhando com os olhos confusos. Enquanto isso, sua cabeça lutava para desembaralhar suas palavras, decifrar do que Alice falava.

E quando isso se iluminou em sua cabeça, ela quase caira para trás.

_ Oh meu Deus! – ela exclamou, tapando a boca com as mãos – Vocês ainda não... ainda não...

_ Eu tenho medo, mamãe! – Alice a cortou mal humorada, vendo como aquilo surpreendera sua mãe drasticamente — ... medo...

Esme estalou a língua, sendo sua vez de segurar as delicadas mãos dela entre as suas mãos experientes de mãe.

_ Está tudo bem, querida – disse ela com amorosidade – Você não é obrigada a se entregar à ele – a alertou com sabedoria. Porem, quando Alice começava a se sentir mais cômoda, Esme acabara com seus ânimos – Mas do mesmo modo como você pode se guardar... Jasper também pode procurar abater suas necessidades... com outras. È o que acontece quando você não se sente ligada a ele o suficiente para permitir que você seja a única.

Alice sufocou um grito assustado. Não tinha parado para pensar nas coisas que Esme falava, talvez por que lhe incomodava como o inferno.

Jasper com outras mulheres... sendo seu marido.

_ Não, Jasper não é superficial deste modo! – ela exclamou firmemente, tentando pensar naquilo com o maior fervor que conseguia.

Esme a olhou como se esperasse aquela reação negativa. Assim, lhe sorriu quando Alice voltou a olhar para ela.

_ Alice, querida, ele pode se deitar com milhares, por que seu corpo necessita disso... – disse ela sugestivamente. Não gostava que sua filha carregasse aquele olhar assustado, mas também era sua obrigação como sua mãe lhe contar a realidade do que via com seus olhos de espectador — ... mas coloque em sua cabeça que... que ele estará fazendo isso por que o que realmente deseja lhe é inalcançável...

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Biloxi, Mississipi

Mansão Witlock

“...ele estará fazendo isso por que o que realmente deseja lhe é inalcançável...”

Essa frase se repetiu na cabeça de Alice durante todo o resto daquele dia.

E no fim da tarde do dia seguinte, continuava a atormentá-la.

Deitada em sua cama, encarando o teto, Alice estava pensando naquilo por horas demais. Ela não podia nem sequer cogitar a possibilidade de Jasper estar se deitando com qualquer outra mulher.

Essa idéia lhe doía tanto o peito que parecia rasgá-lo.

Porem, seu coração também disparava com a idéia de estarem... de estarem os dois naquela cama e completamente nus.

_ Oh Jesus... – ela gemeu aterrorizada, virando-se de lado e afundando sua cabeça no travesseiro.

Enquanto seus olhos estavam fechados envoltos a escuridão do travesseiro, e o quarto tão silencioso que até mesmo assombrava, Alice se permitiu divagar em pensamentos sobre aquilo, pois não tinha a coragem o suficiente para verbalizar para quem quer que fosse.

Porem, enquanto pensava, algo lhe veio a cabeça, de repente. Lembrou-se do que desejava antes de toda sua historia com Jasper acontecer.

Ela sempre desejou... alguém que a amasse.

Talvez, aquele fosse o motivo. Sempre tivesse sido. Jasper não a amava e ela pensava que jamais amaria, pois ele nunca deixara escapar que pudesse se sentir daquela maneira com relação à ela.

Alice desencostou a cabeça do travesseiro e passou a encarar sua cortina, que balançava. Fora automático seu braço passar por seu outro travesseiro, trazendo-o para perto, abraçando-o como se se sentisse desamparada, de repente.

Não entendeu por que seus olhos arderam, por que sua garganta se fechou. Afinal, ela não deveria ficar sentida com aquilo, pois nem mesmo ela se sentia daquele modo com ele.

Nem mesmo ela...

Mas a fim de espantar as lágrimas, Alice piscou várias vezes, detestando a realidade que se mostrava cruamente bem à sua frente.

Ela havia se tornado uma tola sentimental, como todas as outras mulheres que ela tanto detestava.

Enfurecendo-se consigo mesma, Alice passou a pensar que deveria retomar seu antigo eu. Que os sentimentos que a deixava tão vulnerável deveriam ser deletados de sua mente e de seu coração estúpido, e dentro dela reviver o desapego que tinha antes.

Definitivamente, ela deveria.

_ E reviverei – murmurou ela com rispidez, cortando o silencio do quarto.

Sim, ela realmente deveria esquecer aquela historia de se entregar para alguém que amasse e que a amasse de volta. Talvez, ela pensou, estivesse realmente exagerando com relação àquela historia.

Por que simplesmente... não deixava acontecer?

_ Está acordada? – de repente, era a gutural voz de Jasper que cortava o sinuoso silencio, fazendo seu corpo mover-se quase que automaticamente, fazendo-a sentar na cama – Se não estiver eu ficarei bem zangado com você – disse ele com seu destruidor sorriso, ascendendo a luz principal do quarto.

Alice passou a mão tropegamente pelos cabelos desfeitos.

Onde morrera seu ultimo pensamento, onde dizia para ela deixar de ser tão tola e afetada?

_ Não há necessidade – disse ela, deixando suas pernas caírem ao lado da cama – Eu estive apenas pensamento durante toda a tarde – continuou casualmente, pouco se dando conta do que saia de sua boca.

Porem, suas aparentes palavras sem importância fizeram Jasper virar-se para ela quase que automaticamente.

_ Pensando? – indagou ele com o olhar irreconhecível para Alice – Pensando em quem?

Alice franziu a testa diante do tom dele, quase rindo de sua estranha expressão.

_ Eu não disse que era em alguém.

Jasper pareceu se dar conta de como a encarava estranhamente e desviou o olhar, desabotoando seu colete.

_ Bem, também não disse em que – ele deu de ombros, como se tentasse aliviar o repentino momento de ciúmes que tivera – Poderia me contar, ou sou indigno de saber? – sorriu, passando a desabotoar sua camisa, agora.

E Alice acelerou seus pensamentos, pois em alguns minutos aquilo já se tornaria impossível enquanto seus olhos escorregavam pelo magnífico corpo dele.

Então, um estalou fez-se na cabeça dela abruptamente.

“Estava pensando em seduzi-lo”, pensou ela audaciosamente. Sua libido parecendo no comando, naquele momento, ao invés dela.

Quase que de imediato, a mente de Alice turbilhou-se, tentando imaginar como seduzia-se um homem.

_ Estive pensando em.... – ela levantou-se da cama, mordendo os lábios a fim de demonstrar sedução. Porem, não conseguia olhar cara-a-cara para ele, pois lhe envergonhava até os fios de cabelo — ...em tomar um banho de espuma, hoje – deu de ombros, virando-se de costas para ele, tentando demonstrar que pouco se importava com o que estava dizendo – Faz tempo que não o tomo.

Jasper parou vagarosamente com os dedos em seus botões. Sua cabeça se virou em direção a Alice com a desconfiança ardendo em seus olhos.

O que diabos teria acontecido à ela?

_ Bem – ele pigarreou, imitando a forma despreocupada com que ela conversava – Faça isso.

Alice fez uma careta às costas dele antes de se virar. Pegou uma toalha branca e felpuda, dirigindo a ele um olhar inocente.

_ E como foi seu trabalho?

Jasper parecia tão confuso com o clima que ela estava tentando formar que Alice quase riu.

_ Bem, eu esti...

_ Vou para o meu banho de espuma – ela o cortou abruptamente, assustando-o. “Infernos, Alice, você não faz nada direito”, ela própria repreende-se, contendo o pé no assoalho.

_ Pensei que quisesse ouvir o que tinha perguntado – ele indagou com uma ruga entre a testa. Segurou-se muito bem em seu devido lugar para não ir até ela e sacudir-lhe os ombros para fazê-la voltar ao normal.

Alice sorriu docemente para ele, levantando sua toalha com a mão.

_ Posso fazer isso enquanto tomo meu banho.

_

Alice estava encarando o teto de sua casa de banho, seus nervos tão nervosos que quase pulavam dentro de seus músculos.

A espuma impedia que a transparência da água revelasse qualquer coisa, porem ela dobrou seus joelhos dentro da água, mesmo que a dúvida ardesse em sua cabeça.

Estaria... fazendo aquilo direito?

_ Oh, maldita hora em que fui inventar isso – ela gemeu, afundando-se um pouco dentro da água.

Estava esperando Jasper, pois ele havia dito que iria logo em seguida. Mas Alice imaginou que ele estivesse deixando-a a vontade para estar devidamente escondida quando ele chegasse ali dentro.

Alice começava a pensar que ele já a conhecia bem até demais.

Porem, agradecera mentalmente por aquela atitude, pois sua tentativa grotesca de ser minimamente sensual não estava tendo o êxito que ela esperava ter.

No momento em que ela iria levantar-se para sair dali e tentar se atirar pela janela, a porta do banheiro fora aberta. Seu coração disparou automaticamente, sua espinha ficou gelada.

Era ele, ainda com a camisa branca semi desabotoada e os cabelos revoltos. Parecia infernalmente inseguro se entrava ou não.

Se estava delirando ou realmente entrando no banheiro enquanto ela tomava seu banho.

_ Olá – murmurou, a voz grasnada. Limpando a garganta, ele se aproximou um passo – Estive pensando se entrava ou não.

Alice não ousou se mover de lugar. Apenas o encarou, ainda perto da porta, enquanto a luz das velas iluminavam seu rosto anguloso.

Ela quase podia ver o constrangimento em seus olhos.

_ Não deveria pensar – respondeu ela, milagrosamente conseguindo manter sua voz instável – Disse que queria escutar como foi seu dia – continuou com um sorriso encorajador. Porem, a real coragem morria seca dentro dela – E ainda o quero. Aproxime-se, Jasper. Sente-se aqui e me conte.

A hesitação ainda rondava a cabeça de Jasper e seus passos acompanhavam. Aproximou-se devagar, encarando Alice a todo momento, tentando entender algo através de seu olhar.

E, também, tentando não olhar para a espuma.

_ E então? – ela perguntou casualmente, tamborilando seus dedos na superfície branca da espuma.

Jasper pigarreou antes de chegar até ela na banheira e sentar-se em sua beirada.

_ Revisei papéis – disse mecanicamente, enquanto seus olhos acompanhavam os dedos dela em sua distraída brincadeira – Falei com Sr’s da região – continuou, sua testa começando a levantar uma leve camada de suor – Tomei café...

Alice riu, de repente, achando engraçada a expressão mortalmente controlada congelada em suas feições.

_ Certamente foi animado – comentou ela, começando a se divertir ao invés de tentar criar um possível clima entre eles – Tenho certeza que se divertiu muito mais do que eu, aqui.

Jasper não respondeu, pois seus olhos se fixaram instintivamente nas bolhas da espuma, enquanto algumas delas abriam tímidos espaços.

Com o olhar atento, ele praticamente podia ver um centímetro de sua pele, imersa sob aquela água quente.

— Oh, Deus, Alice, eu vou... – ele levantou-se bruscamente, andando para longe dela. Passou os dedos levemente trêmulos pela testa suada, dando as costas para ela e tentando ignorar seus impulsos.

De qual parte de seu corpo deveria ser aquele centímetro?, seu pensamento insano começou a perturbá-lo, como se quisesse provocá-lo até ele voltar àquela banheira e fazer uma besteira.

_ Jasper? – Alice se desencostou do beiral, agora sentindo seu coração acelerar pela tensão. O que teria feito ao homem, Santo Deus? – Você... você está bem?

_ Fique onde está, mulher, e não diga nada – ainda de costa para ela, ele a parou com suas palavras apressadas, enquanto esfregava os olhos com os dedos rígidos.

Ah, extraordinariamente magnífico, ralhou ele em pensamento com uma certa amargura, Sou um homem destroçado, certamente sou.

Alice fizera o que ele pedira e manteve-se em seu devido lugar, sua boca também devidamente calada.

Ele ainda ficara parado, de costas, ainda por um tempo que não fora realmente contado por nenhum dos dois. Então, quando se pensou não se seguir outras palavras, ele cortou o silencio sufocante, encarando um par de velas de um candelabro bem à sua frente.

_ Acho que... bem, acho que irei esperar-lhe lá fora – grasnou ele, arriscando olhá-la por sobre o ombro – Talvez na sacada, ou... – as espumas... – Ou no portão.

Alice não conseguiu acompanhar suas palavras e muito menos seus movimentos rápidos e angustiados, quando ele se pôs para fora daquele aposento.

Teria ela o incomodado demais?

Sem duvidas, pensou ela, sua audácia não havia sido apreciada por ele, a julgar por seu comportamento repentino e sua saída brusca.

Alice sentiu um nó na garganta ao ver que não era agradável e que tampouco era sensual aos olhos de Jasper, pois ele preferia ficar do lado de fora, quando ela estava ali, nua sob um monte de espuma.

Por mais que Alice sentisse o coração saltar pela boca e seu estomago embrulhar-se, mal humorado, só de pensar em uma possível atitude dele sobre si, ela não podia deixar de ficar chateada em ver como ele pouco se atraia por ela.

_ Sua grande estúpida! – rosnou ela com os olhos tristes, batendo com a mão espaçada na superfície da água, revoltando-a por todos os lados.

Com o peito apertado, Alice perdera o estado de espírito para tomar banho, encerrando-o alguns minutos depois da partida de Jasper.

E quando estava do lado de fora daquele banheiro, ela evitou olhar para ele.

~•~•#•~•~

Biloxi, Mississippi

Um dia depois

Alice tapou a boca com força quando começara a tossir descontroladamente. Fora atacada por aquela agonia repentinamente, onde lhe tirara todas as poucas forças que ela estava dispondo, naquela manha fria.

Sentiu sua garganta arranhar quando forçou-se a parar de tossir, apertando seu pescoço fino com a mão gélida.

Estava com uma estranha sensação em seu interior, como se houvessem esmagado todos seus poucos órgãos e recolocados dentro de si.

Porem, ela tentou reprimir o insidioso mal estar, ignorando a tentação de se deitar novamente em sua cama e tentar morrer. Em suas bochechas, que haviam amanhecido malditamente mais brancas do que sempre amanheciam, ela colocou uma leve cor, e em seus lábios um rosado batom, muito bem discreto para uma manhã. Parecia estar arrumando-se inconscientemente para algo.

Ou para alguém.

Alice se encarou no espelho, onde seu vestido amarelo, que já saia a cor de tanto que ela o desfrutava, caia leve e solto em seu corpo. Devagar, Alice franziu a testa, levando sua mão até sua cintura.

Parecia tão malditamente... comum.

Amarelo... leve... solto. Recordava tanto à Alice de sua mãe! Não uma mulher devidamente casada, que tentava atrair os olhos de seu próprio marido.

Podia até entender o motivo de Jasper não atrair-se nela.

Cansada de sua imagem tão casual e insossa, Alice começou a desabotoar seu vestido amarelo com rispidez, odiando a sua forma pouco atrativa.

Quando estivera apenas com suas peças intimas, ela encarou a imagem no espelho com mais precisão, procurando suas curvas. Não entendia o que atraia os homens em uma mulher, mas pensou que era algo que não se podia encontrar nela de forma alguma.

_ Que curvas exuberantes, Alice – resmungou ela zombeteiramente, passando os dedos pelo tecido intimo.

Estalando a língua, Alice saiu de frente ao espelho e foi certeiramente em direção ao armário, disposta a encontrar outra coisa para se vestir.

Que não fosse necessariamente amarelo.

_

Jasper olhou para o enorme relógio do alto da parede. Alice estava demorando mais do que usualmente demorava para descer.

Pensou ele em ir atrás dela, apenas para saber se ela estava nos conformes, e isso lhe pareceu mesmo viável.

Com um suspiro, ele colocou seu chapéu no canto da mesa e terminou seu amargo café em duas goladas. Levantou-se arrastando ruidosamente sua cadeira, detestando toda a preocupação com relação ao bem estar físico dela.

Ele voltava a se preocupar.

Estalando a língua, Jasper se encaminhou em direção ao corredor que levava a sala de estar. Tentando deixar sua mente mais tranqüila, ficar mais despreocupado, ele nem vira que Alice já estava no fim das escadas, seus sapatos pouco faziam o usual barulho contra a madeira do piso.

Alice sempre tivera um andar leve, quando queria o ter.

Porem, demorou alguns segundos sua primeira impressão. Assim que seus olhos pararam sobre ela, ele parou rigidamente em seu lugar.

Jamais havia vislumbrado ela daquela maneira e seu choque estava claramente evidente. Porem, por mais que parecesse inconveniente e até pouco educado, seu olhar varreu cada centímetro de seu corpo coberto por um belo vestido rosa de cetim, que esvoaçava levemente conforme ela terminava de descer os degraus da escadaria.

Mais o maior destaque que ela apresentava era o ajuste de seu vestido, que colava-se ao esguio corpo dela, atiçando propositalmente os olhos dele, fazendo-o desenhar todas as curvas evidenciadas naquele vestido.

A boca de Jasper salivou quando seu olhar chegou ao busto jamais tratado daquela forma... sensual. Ela usava um decote decentemente evidente. Seu vestido justo evidenciava aquela parte dela que ele já vira, porem que jamais se permitira tocar.

Fosse com as mãos ou com a boca.

_ Que diabo de vestido é esse? – ele perguntou em um sussurro afetado, seus olhos não conseguindo controle e indo e vindo entre seu corpo.

Alice o olhou confuso, temendo que aquele vestido a deixasse desinibida demais... ou até mesmo deixando-a uma devassa.

_ Há algo errado com o vestido? – indagou ela, automaticamente olhando para baixo, para si mesma.

Jasper não disse nada por alguns instantes, até conseguir rir. Deu um passo em sua direção, apreciando com um infernal desejo, sua esposa. Pegou-a pelos quadris com apenas um braço e a aproximou contra si com um leve impacto.

_ Não, não há nada de errado com esse vestido – disse ele antes de enroscar sua mão entre os cabelos de sua nuca, aproximando seu rosto do dele – È ao contrario, minha cara. Gosto dele em você – revelou, e sentiu o exato momento em que Alice ofegou, sua boca calorosa a poucos centímetros da agoniada dele. Ele a puxara outra vez contra si, apertando-a um pouco mais – Gosto de tudo isso que vejo.

Sem deixar que ela respondesse qualquer coisa, ele a beijou, fazendo seu corpo florescer para ele automaticamente.

Alice não podia negar que chegava aos céus quando ele a beijava. Não mentia mais para si mesma nem se enganava com desculpas tolas.

Apreciava infinitamente o beijo dele.

Tanto, que sempre correspondia com uma necessidade e um desespero quase gritante. Abraçava-se ao seu pescoço como se fosse perder aquilo se não o fizesse.

Estremeceu quando as mãos dele subiram pelas laterais de seu corpo, o tecido tão justo em sua pele que era como se pudesse senti-lo realmente. Sentira seus longos dedos roçarem a lateral de seus seios firmes, e dentro de sua cabeça nada mais tinha coerência.

Ele... estava sucumbindo.

Ela encheu-se de glória por dentro ao notar o desejo que ele demonstrou por si. Talvez, pensou ela, as coisas não estivessem tão perdidas.

Acalorada e incrivelmente extasiada, Alice interrompeu seu beijo com dificuldade, pois desejava a mais. Porem, sentira-se na necessidade de respirar. Propositalmente, ela inflou o peito, fazendo-o apertar-se contra o peitoral impenetrável de seu marido.

Jasper grunhiu muito baixo para ser algo preocupante para ela. Enquanto ela sorria, ele tentava entender o que estava acontecendo ali. Se estava vendo as coisas erroneamente ou se Alice estivera tentando... seduzi-lo.

Seria possível?

Santo Deus, que mulher cruel!, pensou ele com desespero. Piorou quando seus olhos não paravam de degustar seu busto.

Porem, fora tão repentinamente que Alice sentira-se levemente tonta, que ela quase caíra sem que nenhum dos dois previsse.

_ Santa miséria! Alice? – ele a chamou perto de seu ouvido, levando-a em direção ao sofá. Fora automático a excitação do momento anterior ser bruscamente revertido para algo preocupante e mortalmente tenso.

Alice se apoiou nos braços do sofá, esperando pacientemente que o assoalho parasse de rodar. Quando aconteceu, ela riu, colocando a mão na testa.

_ Desculpe, acho que fiquei um pouco tonta – disse ela, tocando sua bochecha com a outra mão – Você me roubou o ar, não vejo essa tontura como algo diferente disso – riu outra vez, como se quisesse se convencer, ou convencê-lo, a todo custo, daquela verdade.

Mas não conseguira, realmente. Jasper ainda parecia insuficientemente convencido, de modo que substituiu a mão dela pela sua, em sua testa.

_ Sinceramente, Jasper – disse ela, tirando delicadamente a mão dele de onde se encontrava – Foi apenas uma leve tontura por falta de ar. Estou perfeitamente bem, agora.

Jasper ainda encarou sua expressão minuciosamente antes de se levantar. Se o cuco da parede não tivesse soado alto, ele não teria se dado conta de quanto tempo ficara ali, olhando para ela.

E sua mente pensava a todo momento, que seu pesadelo reascendia outra vez.

~•~•#•~•~

Biloxi, Mississipi

Dia seguinte

1901

_ Tem certeza de que não necessita de nada, Sra. Witlock? – Consoelo perguntou novamente, inclinando-se um pouco em direção à ela, que encontrava-se escorada, a cabeça apontada ao teto e os olhos devidamente fechados.

_ Sim, Consoelo, apenas me dói um pouco o corpo – disse ela antes de se formar em uma careta. Sua cabeça estava latejando e todo seu corpo doía como uma carne moída.

Lilly e Consoelo se entreolharam, seus olhos tão preocupados que ambas se abaixaram um pouco mais em direção à patroa.

_ Será que não seria mais apropriado ligar para o Sr. Witlock? – sugeriu Lilly, lembrando-se de um comentário dele sobre Alice passar mal.

Alice abrira os olhos no mesmo segundo, desencostando sua cabeça da poltrona para encarar duramente suas serviçais.

_ Não façam isso – disse – Não liguem para ele de forma alguma. Apenas o preocuparão por algo banal e tolo – advertiu ela e, então, fechou os olhos novamente, esperando que as pontadas de dor em seu peito e garganta, por conta da tosse que tentava segurar, cessassem.

As serviçais, principalmente Lilly, pareceram desaprovar a idéia, porem não quisera questionar.

_ Bem, eu.... – Alice voltou a falar em outro momento, começando a ficar de pé sobre os próprios pés – Irei me deitar um pouco – anunciou, parando por alguns minutos em sua posição, pois seu movimento a fizera ficar tonta novamente.

Era a sensação mais desconfortável do mundo.

_ Mas a Sra. acabou de levantar-se! – Lilly exclamou assombrada, nem se dando conta de que deveria refrear sua boca e seu assombro.

Alice fizera uma careta, indo em direção às escadas.

_ Sim, estou ciente – murmurou, começando a ficar de mal humor. Tudo aquilo junto estava acabando com seus ânimos – Mas é necessário, nesse momento.

Mesmo que tivesse deixado claro que não deviam chamar a seu marido, ela desejava sua companhia naquele momento como jamais desejara antes.

Lilly e Consoelo ficaram consternadas ali, paradas e impotentes, enquanto encaravam Alice subir as escadas apoiando firmemente a mão no corrimão.

_ Lilly? Consoelo? – ela lhes chamou quando já estava quase no topo. Quando chegara, virou-se para encarar seriamente suas serviçais de frente – Quero adverti-las que, de forma alguma, contem à Jasper sobre meu estado essa tarde. Ouviram bem? Não contem nada à ele.

_

_ E ficou tonta e mal conseguia manter-se pé, pois lhe doía as pernas e o peito – Lilly murmurou com certo desespero para Jasper, que escutava tudo com a expressão severa esculpida em sua face – Está no quarto, dormindo desde o inicio da tarde.

Lilly lamentava tanto que encheram-se seus olhos de água.

Definitivamente, era uma clássica imagem de mãe.

_ Talvez fosse melhor chamar aquele médico, não acha, Sr.? – perguntou Consoelo com sua usual voz gasta e arrastada.

Jasper as encarou com os olhos temerosos, voltando-se para o alto da escada para averiguar se ela não aparecera ali repentinamente. Quando se assegurou de que era seguro, voltou-se novamente para as serviçais.

_ Não contara a ela sobre o Sr. Swan, contara? – perguntou ele com a voz dura. Aquele era um segredo que ele se dispunha a esconder, sabendo dos devidos riscos que corria.

_ Não, Sr.! – Lilly exclamou em um murmúrio tenso, pois toda aquela situação de segredos a incomodava como uma miséria – Como o Sr. havia pedido.

Jasper assentiu silenciosamente antes de passar as mãos pelo queixo encoberto de uma fina barba. Por fora, parecia centrado e frio, porem por dentro, uma apreensão tão devastadora se instalara que ele quase não podia mais controlar.

_ Ótimo – disse depois de um tempo – Irei subir para ver como ela está.

Dito isso, ele subira com passadas rápidas, a angústia ameaçando destroçar seu peito.

A possibilidade de Alice estar com... Tuberculose, matava ele.

Era automático se lembrar de sua mãe, adoecendo e morrendo sobre uma cama, sua vivacidade e sua beleza sendo consumidas pouco a pouco, enquanto a sombra da morte se abatia sobre seu corpo cansado.

Jasper vivenciara sua partida com o coração pesado. E, desde então, não se importara com nenhuma outra mulher.

Mas... mas era Alice. Ele nunca soubera, exatamente, quando fora o momento em que ela passara de uma missão sua, de uma inimiga declarada, de uma esposa da qual ele pouco se importava, de uma amiga... até aquele momento.

Ele não sabia definir ao certo qual o adjetivo de Alice muito menos sua real importância em sua vida. Porem, era importante o suficiente para ele se sentir arrasado quando entrara no quarto deles e a vira deitada, envolta aos lençóis brancos, com o suor empapando seus flancos delicados.

De longe, ela parecia voltar a ter a cor esbranquiçada da palidez. Seus lábios brilhavam ressecados, dando a ela um aspecto muito pior do que realmente estava.

Definitivamente, ele iria adverti-la por ficar deitada, isolada do sol e da brisa, naquele quarto sufocante.

_Alice? – ele chamou seu nome com um tom de voz morto – Está acordada? – aproximou-se de seu corpo sobre a cama, lembrando-se de checar sua febre.

_ Jasper? – resmungou ela em um gemido. Suas pupilas abriram-se com dificuldade, pois estavam fechadas a tanto tempo que lhe era incômodo a luz fraca das velas.

Ele sentou-se no colchão, criando um leve declive. Alice soube, por conta disso, o lugar em que ele estava e tateou às cegas até seu braço.

_ Sim, sou eu – disse ele, colocando uma das mãos em sua testa. Febre baixa. Alice voltara a ter febre baixa – Ah, Alice, está com febre outra vez! – ele murmurou em pânico, descendo sua mão até seu pescoço friamente quente.

_ Que sorte bastarda! – ela sussurrou zombeteiramente, forçando um leve sorriso – Estou sofrendo com outra constipação em menos de uma estação.

Jasper apertou os lábios em uma linha rígida, guardando a verdade para si.

Deus tivesse querido que fosse uma reles constipação.

_ Se tomar banho esse mal estar cessará ao menos um pouco? – perguntou ele.

_ Sim, acredito nisso. Preciso de um banho. Apenas de um banho.

“Certamente necessidade de muito mais do que um banho”, pensou ele consigo mesmo.

_ E necessita de ajuda? – ele se levantou da cama, buscando uma toalha para ela.

Quando ela nada respondera, ele a olhou e se deparou com suas bochechas coradas.

Opa.

Ele havia esquecido-se que havia cuidado dela em seu banho, na ultima vez em que ela estava daquela maneira.

E que ela não tinha idéia daquilo.

_ Não, conseguirei – disse ela sentando-se na cama. Ainda queria ver até onde iria o desejo que Jasper demonstrava ter por ela, porem, ao menos naquele momento, não.

_ Bem, então vá – ele fora em direção à porta – Preciso dar um telefonema.

_

_ Sr. Swan? – ele perguntou ansioso para as chamadas no telefone. A voz arrastada do outro lado indicava que ele acabara de acordar alguém.

_ Sim – disse ele com aspereza. Jasper pôde escutar o barulho do plástico de doces vendidos nas feiras – Quem está aí?

_ Sr. Witlock, Sr. Swan – respondeu ele apressadamente – Lembra-se de mim, certamente. Veio até minha casa uma noite para verificar a saúde de minha esposa, Alice.

A presença do outro lado calara-se por um tempo e Jasper teve a certeza de que Sr. Swan recordava-se certeiramente daquela noite assombrosa.

_ Olá, Jasper – cumprimentou ele com a voz tensa, dessa vez. O chiado de plástico do outro lado cessou-se – Como... como andam as coisas? – perguntou ele, engolindo em seco – Espero que essa ligação não seja um comunicado terrível.

Outro silencio incomodo ecoou pelas duas linhas. Automaticamente, Jasper olhou para a porta da biblioteca para assegurar-se de que estava trancada.

_ Sr. Swan... estou mortalmente assustado – Jasper murmurou apertando o aparelho entre as mãos suadas – Alice tinha melhorado! Tinha estado bem até uma semana atrás. Tão perfeita e sadia!

O homem não dissera nada, enquanto escutava atentamente o que Jasper revelava com pavor.

_ E o que acontece agora, filho?

Jasper estremeceu ao recordar os mesmo sintomas.

Agora, um pouco mais intensos, pois haviam voltado com repentina força.

_ Ela está... está do mesmo jeito que estava antes – disse ele, agora perdendo um pouco a estabilidade de sua voz – Eu lhe dei todo o remédio da amostra! Ela havia ficado bem!

Jasper não pudera ver, mas o homem empalidecera quase que automaticamente.

_ Oh, por todos os santos da igreja, diga-me que você não parou de dar-lhe o remédio? — indagou o homem em completo pânico, servindo como estopim para que Jasper sentisse o coração acelerar-se repentinamente.

_ Bem, sim, pois ela havia melhorado!

_ Oh, Santo Deus! – o homem exclamou, exasperado. Os dois, um de cada lado do telefone, resmungaram um palavrão – Não devia tê-lo feito, meu filho!

_ Ah, demônios, e por que não? – Jasper sentia a aflição pouco a pouco converte-se em raiva contida. Sentia raiva do medico, por estar matando seus nervos, sentia raiva dele mesmo por não poder fazer nada mais se não preocupar-se e, principalmente, sentia raiva daquela maldita doença, que aparecera para desengatilhar sua vida.

_ Por que a doença não foi curada realmente, apenas enfraqueceu-se por conta dos remédios – gemeu ele – E, agora, voltou com ainda mais força. Voltou ainda mais mortal, Jasper.

Jasper sentiu as mãos tremerem e suas pernas perderam um pouco de sua força. Logo ele se vira sentado, pois ameaçou cair.

_ Ainda mais forte? – repetiu ele aos com a voz feroz – Não pode! Não pode ter voltado ainda mais forte! — logo sua voz aumentava de nível, tornando-se quase um rosnado.

O homem murmurava freneticamente coisas incompreensíveis. Porem, quando percebera que, do outro lado do telefone, Jasper perdia o controle, ele tentou manter a calma ele mesmo, buscando coerência em seus pensamentos.

_ Dê a ela o que resta dos remédios. Quem sabe esteja eu equivocado? Quem sabe não se trate necessariamente disso e o que a Sra. Witlock sinta não seja nada mais que uma constipação mal-curada?

Jasper não tivera paz de espírito nem mesmo para assentir. Como se o telefone pesasse muito mais do que ele podia suportar, Jasper o recolocara vagarosamente em seu lugar, os dedos rígidos de tanto que apertara, assim que o outro lado chiara em desligamento.

Aquela biblioteca parecera ser pequena demais e abafada demais para que ele ficasse bem. Pois seu coração jamais o enganava.

E ele dizia que tormentas viriam em um futuro próximo.

_

Noite;

Quarto principal

Jasper estava sentado na cama, os cotovelos apoiados nos joelhos e a mente demasiadamente longe. Alice estava em seu banho e ele preferiu não incomodá-la.

Porem, assim que escutara a porta ser fechada, ele se virou para ela como era de costume, pois gostava demais de fazê-lo para esquecer-se de fazer.

E ela estava mais tentadora do que sempre estivera.

Enrolada em uma toalha branca, ela entrara pingado, os cabelos moldando-se em seus ombros e seus flancos e no assoalho, um rastro molhado.

Assustara-se levemente ao encontrá-lo parado e estranhamente quieto, ali. Mas seu corpo respondera àquele momento como vinha respondendo naquela semana toda.

Sentindo-se mais desperta e menos abatida, Alice substituiu suas dores por um sentimento de sensualidade e perversidade.

Estava apenas de toalha, no mesmo quarto que ele, quando seu corpo respondia ao dele de maneira calorosa.

O modo como ele a devorava com os olhos atentos e sofridos fizera Alice sentir-se tão sensual e bela que a vergonha já não lhe assombrava mais.

Ele a olhou descaradamente de cima a baixo, como se analisasse o produto que estava loucamente desesperado para ter.

Porem, depois de meio segundo, Alice o viu levantar-se, infeliz, jogando sua camisa sobre os ombros.

_ Aonde vai? – perguntou-lhe ela, os olhos confusos e estarrecidos.

Jasper a encarou como se o que ela falasse não fizesse nenhum sentido.

_ Vou sair – respondeu ele inocentemente – Para você trocar-se – abaixou os olhos para sua toalha amarrada ao busto.

Era apenas um nó...

Alice passou o dedo pelos embaraços de seu cabelo molhado e corou timidamente. Porem, estava no meio de um plano de tentar ser atraente e menos inibida, então não deveria deixar que a vergonha... a envergonhasse.

_ Não é necessário que saia – disse em um tom ameno, apático. Dera um passo para trás, encarando-o rente aos olhos – Pode apenas... virar-se.

Jasper franziu o cenho, abrira a boca, fechara e balançou a cabeça. Talvez estivesse enlouquecendo de vez. Alice não deveria estar realmente pensando em ficar completamente despida no quarto com um homem completamente necessitado de relações carnais até secar o corpo.

Com o dela, ainda por cima...

A não ser que ela estivesse se tornando uma mulher cruel.

Ele dormia todas as noites pensando nos dois na mesma cama; trabalhava imaginando suas mãos em seu corpo nu; olhava para ela desejoso em torná-la dele. E, naquele exato momento, desejava seu corpo mais do que nunca.

E ela ainda continuava agindo daquela forma estranha.

Parecia querer testá-lo. Parecia querer tirar seu comando racional.

Parecia querer... a mesma coisa que ele queria.

_ Ter certeza disso, Alice? – indagou ele com uma desconfiança mortal.

Alice corou novamente, colocando os dedos sobre o nó de sua toalha.

_ Sim – murmurou com uma voz propositalmente mais doce – Apenas... apenas vire-se.

Ainda um pouco incrédulo, Jasper virou-se de costas para ela, passando a encarar a janela aberta para o jardim. Puxou uma longa tragada de ar, pedindo ajuda aos céus para que conseguisse manter-se são.

E, enquanto ele portava-se como um perfeito cavalheiro, Alice deixou a toalha cair, se sentindo tão ousada que quase ofegou.

Estava nua com ele a quatro passos de si.

Com o coração disparado, ela começou a vestir-se, esquecendo-se completamente de qualquer dor ou de qualquer febre que pudesse ter.

Inclusive sua dor na garganta e sua tosse infernal haviam cessado milagrosamente.

E de costas para ela, apenas Jasper era testemunha de sua desgraça pessoal. Somente ele sabia como seu corpo fervilhava por debaixo de sua pele e como sua virilidade mostrava-se intacta e impecável, pois a dureza em seu corpo estava novamente ali.

Alice vestiu suas roupas intimas olhando para suas costas largas o tempo todo. Rodou seu penhoar em volta do corpo com um sorriso satisfeito, pois mesmo que quase visse a tensão em que se encontrava o corpo dele e quase tivesse sentido pena, ela via como podia deixar o corpo dele.

Como podia atraí-lo daquela maneira, se bem quisesse.

E em seu lado, Jasper já estava de olhos fechados, umas das mãos apertando o tecido de sua camisa sobre os ombros, os dentes cerrados um contra os outros, e sentindo seu coração odiá-la tanto naquele momento que ele quase gritou.

Por que ela estava fazendo aquilo com ele?

_ Jasper? – inclusive ele se sentiu pior quando a escutou chamá-lo novamente com aquela voz doce e sedutora que apenas Alice tinha.

_ Sim? – a voz dele estava rouca e grasnada e ele sabia com exatidão que Alice entendia tudo que estava causando nele naqueles dias. E algo dentro dele dizia que ela fazia exatamente por aquele motivo.

Ah, Deus, ela não sabia com quem estava brincando.

_ Pode virar-se. Acabei.

Jasper assentiu engolindo ruidosamente. Se virou um pouco rígido, ainda, tirando a camisa dos ombros para segurá-la frente ao corpo.

Apenas para esconder algo.

E ela estava ali, com seu penhoar longo em volta do corpo e seu olhar inocente. Veio até ele com seu curto sorriso, como se houvesse sido presenteada com uma satisfação monstruosa à pouco.

_ Boa noite – sussurrou em seu ouvido, pondo-se na ponta do pé para poder dar-lhe um beijo na bochecha. De tudo o que acontecera, aquilo fora o que o deixara inquieto.

Alice nunca o beijava diretamente. Apenas dava-o caminho para que fizesse ele próprio.

Assim, quando ela ameaçou abaixar-se novamente e se afastar, ele puxou seu queixo e lhe dera um beijo cru nos lábios, queimando-a com os olhos muito bem abertos enquanto fazia aquilo.

_ Boa noite – devolveu-lhe seu desejo com uma voz dura, soltando seu queixo e deixando-a se afastar dele.

E no momento em que a luz principal fora apagada e o quarto refizera-se, agora escuro e silencioso, Jasper rezou.

Rezou para que aquilo acabasse logo...

~•~•#•~•~

Biloxi, Mississippi

1901

Exata uma semana

Jasper contara nos dedos os dias em que Alice o havia provocado.

Já contara uma semana inteira.

E, agora, ele estava cansado daquele joguinho cruel. Estava instável como um inferno, e chegara ao limite de seu corpo. Deus quisesse que ela jamais soubesse o que ele fazia quando estava sozinho, dentro de sua casa de banho.

E que pensava apenas nela enquanto fazia aquilo.

Já não dormia e já não trabalhava direito. Pensava neles o tempo todo. Pensava nela passando óleo pelo corpo e pensava como queria tudo aquilo. Em seus olhos, a escuridão rondava e em seu peito, algo queimava como fogo.

Até olheiras ele tinha, agora.

E desta maneira, ele congelou em sua face uma expressão dura e severa, enquanto mostrava que, naquela noite, ele não daria conversa a ninguém que fosse.

Ou eles se resolveriam naquela noite, ou ele teria que fazer algo a respeito daquilo.

E Alice podia sentir a tensão que o corpo masculino dele emitia e não ousou dizer nada. Principalmente enquanto via como Jasper parecia distante. Sua expressão estava severa e indecifrável e sua posição parecia demonstrar como algo estava errado com ele.

Sentado em sua colcha, ele havia se escorado no criado mudo, os braços fechados em forma de circulo entre seus joelhos.

E ele seguia Alice com os olhos para todos os lugares que ela andava, no quarto.

O clima parecia tão apreensivo e tenso que Alice e ele não trocaram palavras algumas. Porem, se encaravam sempre que seus olhares se cruzavam e algo reprimido parecia querer explodir a qualquer momento dentro daquele quarto.

Sem camisa, usando apenas sua fina calça de dormir, Jasper parecia sentado desconfortavelmente, seus joelhos dobrados como se quisessem esconder algo que tinha ali.

Com a luz alaranjada das velas e a noite incrivelmente quente que fazia na cidade de Biloxi, Alice sentia um leve suor escorrer por suas costas, por dentro da camisola de seda.

Por causa do insistente calor, ela não usou nada por baixo, naquela noite.

Porem, estava sentindo tanta vontade de livrar-se dela também, que apertava o tecido em seu corpo sempre que o calor fustigava.

Mas via no olhar de Jasper, que sempre que ela fazia aquilo, algo latejava dentro de seus olhos e seus músculos se retesavam e contraiam.

Alice não quis admitir, mas se não tivesse o provocando a uma semana, estaria um pouco assustada com ele.

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Porem, colocou tudo aquilo longe no momento em que se encaminhou até seu espelho. Não olhou necessariamente para ela, mas para o outro corpo que o mesmo espelho refletia.

Era Jasper, olhando-a duramente.

Ele sem sua camisa, encostado na mesinha de cabeceira, olhando a ela daquela maneira, deixara o corpo de Alice completamente displicente, sua mente esvaziando-se de qualquer outra coisa para ser tomada por imagens dele com as grandes mãos sobre seu corpo caloroso como estava.

Deus, começava lentamente a queimar.

Assim, não controlou mais seus atos. Umedecendo os lábios de forma lenta, Alice inclinou levemente o pescoço para o lado, levando sua mão até lá. Quando a alça de sua camisola escorregara por seu braço em um sensual deslizar, ela o olhou novamente, como se o provocasse a ir até ali.

E fora, naquele exato segundo, o fim de qualquer sentimento de humor, controle, cavalheirismo, indiferença e delicadeza que ele ainda possuísse.

Jasper finalmente tomara uma atitude...

Notas finais
Vocês viram? Consegui responder algumas reviews, ao menos.
Há, brinca comigo!
E entãooo, o que acharam do capitulo?????
Hmmmm, só eu que penso que o proximo cap será QUENTE!?
Ahh, estejam aqui para saber, hein???
Boa semana seus lindos!
:*