Os Segredos dos Seus Braços

24 O inimigo está ao lado - parte 2


Notas iniciais
OLááá´!
Ahhh, estou tao feliz, vocês são muito queridas nos comentários, sabiam? Posso nao ter tempo para responder (por que eu poderia até responder alguns, mas se não for TODOS, prefiro nao responder) mas eu LEIO TODOS. Ahh, e queria agradecer às leitoras novas! Obrigada meninas, pelos elogios. Tambem as leitoras antigas, que sempre passam por aqui e as que voltam depois de um tempo. *__*
Esse cap. é mais voltado para entendermos a relação do passado de Esme e do CArlisle.
Agora, vou responder algumas das duvidas que surgiram:
1 - Alice ainda está doente, e nao vai se curar tao logo. Só que está controlada por que Jasper está lhe dando remedios. Só que ela precisa do tratamento, entao, antes de começar o tratamento, ela nao estará curada. POr isso, podem esperar que ela piore alguns capitulos a frente. E sim, ela descobrira, mas nao será agora.
2 - kspakspas. POis é, ele chama e volta atras. MAs e´que ele ficou sem jeito de estar falando aquilo para ela quando ela nao fala, tbm. Ele nao admite estar sentindo coisas daquele tipo por ela. Mas nao se preocupem, esse assunto vai voltar no proximo cap. E eu tenho certeza que vcs vao gostar!
3 - O Jazz ainda tem algumas amostras de remedios, mas ele nao pode ficar dando remedios para ela para sempre, ele precisa levar ela para a capital, para o tratamento. MAs para isso ele teria que contar para ela que ela está doente, e ele nao quer fazer isso por que tem medo de ela ficar orgulhosa demais em ser cuidada por todo mundo, como se fosse uma incapaz (ela demonstra isso no decorrer da historia). Tambem, a mae dele piorou quando soube que estava com meningite, lembram? Entao, ele tbm tem medo de isso acontecer com ela.
Resolvidos??? skapskapks
BEm, espero que gostem desse cap, pessoal! Para voces terem uma noção, eu terminei de escrever ele NO ESCURO, porq a luz do meu quarto queimou, essa cretina ¬¬.
Efim, boa leitura.
:*

CaP. 24 — O inimigo está ao lado — parte 2

Biloxi, Mississippi

Baile de noivado de Lauren e James

1901

_ Alice! – Esme exclamou, batendo as mãos, encobertas por luvas brancas, na frente do peito – Ah, minha querida!

Alice sorriu para sua mãe, esquecendo o Capitão alguma coisa que Jasper queria apresentá-la, para poder abraçar sua mãe, que ela não via a dias à fim.

_ Mamãe! – seu tom parecia quase aliviado ao encontrar alguém de que conhecia – Estava a morrer de saudades!

Quando ambas soltaram-se, começando a discutir sobre a elegância uma da outra, Jasper procurou por Sr. Newton por cima de suas cabeças.

Mas ele sumira de suas vistas.

Certamente, nem ao menos tinha visto que era ele quem o chamava. Porem Jasper deu de ombros, sabendo que ainda teriam muitas torturantes horas naquela festa e ambos podiam se esbarrar a qualquer momento.

_ Que vestido belíssimo! – disse Esme, girando Alice nos calcanhares para ver de todos os ângulos – E esse coque tão bem feito? Quem o fez? Sim, por que certamente essa idéia não saira de sua cabeça, não?

Alice abrira a boca em “o”, fingindo indignação.

_ Santo Deus, quanta fé! – exclamou ela, colocando as mãos na cintura. Porem, as duas riram bobamente – Ah mamãe, foi Consoelo quem o fez. Deveria ver como ela faz coisas belíssimas com cabelos como o meu.

Esme riu, tampando a boca com suas mãos pequenas. Mas Jasper puxou Alice pelos ombros, escorregando a manga de seu vestido.

_ Não há nada de errado com seu cabelo, Alice – disse ele, revirando os olhos.

_ Ah, diz isso o Sr. Cabelos Desgrenhados – zombou ela, fazendo os três rirem. Há muito tempo Jasper parara de se incomodar com a mania de Alice de pegar no pé de seu cabelo irreparável.

Quando um silencio agradável se instalou naquela roda, Alice pensou onde estaria se pai. Porem, não quisera perguntar aquilo para sua mãe, pois ela parecia muito bem humorada para ela estragar daquela maneira.

E, também, ela ainda não conseguiria encarar seu pai, depois de tudo.

Não ainda.

_ Ah, Alice, precisa vir comigo! – Esme disse de repente, pegando-a pela mão – Queria apresentá-la para a Sra. Villareal. Ela veio de muito longe e tem grandes status sociais. Certamente, você poderia ficar na companhia dela para que não fique só, por ai, afinal eu preciso fazer acompanhamento à seu... à seu pai, enquanto ele bebe na mesa dos Sr’s.

Alice teve tempo apenas de olhar para trás e ver Jasper acenando e sorrindo, enquanto era consumido por pessoas que dançavam.

_ Mas mamãe.... – ela ainda tentou argumentar, mas era difícil com a musica ambiente tão alta – E meu marido? Preciso fazer companhia para ele, também! Quem sabe encontrar Rose e Bella?

Esme parou um pouco, passando a desviar das pessoas com mais sutileza.

_ Oras, Alice, Jasper não irá querer ficar escutando papos de mulheres, coisa que certamente aconteceria se você e suas irmãs se encontrassem. Além disso, Emmett e Edward já estão em uma mesa à parte, junto com o Sr. Witlock, o Sr. Volture, Sr. Thomás, Sr. Halle, e muitos outros homens intragáveis. Jasper irá para lá, acredito.

Alice bufou, contrariada, enquanto era rebocada por Esme para o lado mais fino e requintado das damas.

Quando ela parou, de súbito, ela batera em suas costas.

_ Mamãe! – ralhou ela, passando a mão por seu cabelo, temendo que algo houvesse saído do lugar.

_ Ali estão elas – murmurou Esme, os olhos brilhando. Alice seguiu seu olhar e se deparou com uma enorme roda de mulheres sofisticadas, bem vestidas e requintadas, conversando sem mexer muito a boca.

E seu coração disparara.

_ Ah, está de brincadeira comigo, não é mesmo, mamãe? – gemeu ela, olhando todas as mulheres de cima à baixo.

Seus penteados eram enormes e floridos e seus braços adornados de jóias caríssimas. Seus vestidos feitos das mais delicadas pedrarias e as posturas que apresentavam traduziam suas posições na sociedade hierárquica.

_ Alice, pense na oportunidade de aprender com elas – Esme murmurou para ela, sua satisfação saindo em toneladas por seu tom.

Alice olhou para sua mãe estupefata.

_ E por que a Sra. não vem junto, também? – retrucou ela, mal-humorada e mortalmente geniosa – Assim aprenderia a não humilhar as pessoas deste modo! – sibilou ela.

Esme revirou os olhos para Alice, pegando-a novamente pelo pulso e recomeçando a andar.

_ Pare de dizer besteiras e coloque um belo sorriso em seu rosto perfeito.

Alice olhou de relance para sua mãe, surpresa. Afinal, Esme nunca a elogiava desta maneira.

Apenas vivera a vida inteira destacando o que ela tinha que melhorar.

_ E tente não levar em conta as besteiras que Lucy Volture lhe falar – Esme preveniu, de repente, tirando qualquer pensamento da mente de Alice.

E desesperando-a.

Alice olhou para a roda novamente e seus olhos viram os azuis turquesa da mãe Volture.

E, bem no fundo do peito, ela sentiu-se gemer de desgosto, vendo que a noite duraria horas demais.

-

Alice se remexeu sobre seu salto alto. O burburinho alto e as risadas a estavam incomodando tanto que ela estava com muita vontade de gritar.

E a Sra. Villareal, dos descendentes dos Lordes Ingleses, falando sem parar estava piorando sua situação.

_ E eu disse “Nossa, esse vestido lhe empalidece, querida” – dizia ela bebericando seu Wiski com glamour e sutileza.

“Quase uma pata de classe”, pensava Alice.

_ Oh, e a Sra. tivera toda essa audácia de dizer-lhe isso em sua presença? – outra das Sra.’s indagara fingidamente surpresa. Alice tinha pra si que ela não duvidava, exatamente, da grosseria da outra.

_ Sim, e por que eu me deteria em minhas palavras? – retrucou a mulher, voltando a beber sua bebida em sua delicada taça de cristal com as pontas dos dedos.

_ Bem, por que ela era a descendente direta dos Viscondes – disse a outra mulher, movendo a mão para os lados delicadamente. Alice apenas observava as duas das diversas mulheres da roda em que estava, conversando como se fossem realmente amigas.

_ E eu descendo dos Lordes, minha cara – a Sra. Viallareal disse em um leve tom de ultraje – E aquele vestido realmente a empalidecia – deu com a mão no ar, como se desdenhasse. Alice não tinha idéia de como ela conseguia suportar o peso de sua mão, que tinha tantos anéis que ela não conseguira contar.

_ Oh, e era tão magra que parecia doente – disse a Sra. Volture, a loira e antipática mãe de Jane.

E Alice sentira aquela indireta diretamente nela.

_ E por falar em magreza – disse a Sra. Villareal, voltando a tomar conta das conversas – Me encanta as moças desta cidade – disse com a taça à meio caminho da boca decorada de batom vermelho vinho – São todas tão lindas! E tão educadas! – exclamou ela exageradamente.

Alice sorriu junto com as outras, apenas para que a conversa não se voltasse para ela.

Mas fora inevitável.

A mulher se virou para ela com os olhos surpresos, como se se surpreendesse com o fato de não tê-la notado antes.

_ E quanto a você....

_ Alice – disse ela quando a mulher inclinou-se em sua direção.

_ Ah, minha cara, estou perguntando sobre a sua Senhoria – a mulher estalou a língua, como se não suportasse a falta de entendimento dos outros.

Alice corou um pouco quando notara todos os olhos astutos das mulheres da roda sobre ela.

_ Sra. Witlock – respondeu ela, incomodada.

_ Witlock... Witlock.... – a mulher divagou estalando os dedos e olhando para os lustre do teto, como se tentasse recordar-se de algo.

Quando Alice abrira a boca para esclarecer a cabeça da mulher, outra pessoa entrara em sua frente

_ È filho do Sr. Félix Witlock – a Sra. Volture interveio, calando Alice com uma rudeza discreta – O dono das maiores propriedades de café de todo o Mississippi.

Alice olhou para a mulher, que parecia tão incomodada em falar aquilo que ela quase desculpou-se.

Mas... desculpar-se por que? Se, ao menos, ela estivesse sendo grosseira, como sempre havia sido.

_ Ah, mas que sorte a Srta. teve, hãn? – disse a Sra. Villareal, rindo alto – Casar-se com alguém de tantos dotes!

Alice dera um curto sorriso constrangido, sentindo-se um pouco envergonhada. Era terrível falarem daquela maneira.

Não casara-se com Jasper por conta de seu enorme patrimônio.

Alias, tampouco pretendera se casar com quem quer que fosse.

_ Sim – a Sra. Volture voltara a falar, fazendo Alice voltar sua atenção para a roda e, principalmente, para ela – Que sorte, Alice.

Alice olhou novamente para a mulher com as sobrancelhas baixas. E, pela primeira vez, a Sra. Volture a olhara diretamente.

E Alice percebera seu olhar venenoso.

“Ah, se parece tanto com sua filha”, pensou Alice consigo mesmo.

Lucy continuou a encarando com o mesmo olhar inquisidor que toda a família Volture tinha.

Principalmente quando o olhar era para Alice.

_ Oras, mas por que esse clima tenso de repente? – a Sra. Villareal indagou quando notara o olhar que Alice e Lucy se deram. E, incapaz de ser discreta como todas as outras Sra’s daquela roda, ela perguntou.

No mesmo segundo, as duas ficaram sem jeito, sorrindo curtamente para todas que passaram a encará-las.

_ Mas não há clima tenso, há Alice? – Lucy se virou para ela, tocando seu braço – È que ela e minha filha Jane fizeram suas aulas de chá juntas. São muito próximas- dirigiu-lhe um sorriso tão forçado que Alice sentiu o estomago revirar.

Porem, ela tinha plena consciência de que não era mais a moça irrefreável e sem travas na língua que era antes. Agora, ela era uma Sra. responsável e suficientemente capaz de se controlar, manter a calma e superar a falta de classe da Sra. Volture e qualquer uma com a classe que lhes faltava.

_ Não, não somos – disse, ao invés de dar ouvidos à sua consciência. Desmentiu as palavras da mulher e fizera todas as outras mulheres, menos a Sra. Villareal, que escutava tudo atentamente, arregalarem os olhos – Não sou próxima de Jane e quisera eu jamais ter tido aulas com ela, pois ela não vale a terra que há sob suas unhas e, sim, eu tenho me segurado por anos para não tacar em sua cabeça o meu sapato – admitiu, sentindo-se levíssima em revelar seus pensamentos em voz alta.

E nem ligou para as expressões brancas e chocadas.

Lucy Volture parecia uma alma.

Tomou vagarosamente o vinho de sua taça, como se o que houvesse acabado de dizer fosse tão comum e natural quanto a conversa estúpida que estavam tendo antes.

Quer dizer, Jasper havia cortado as asas de Jane e Alice, agora, sentia como se pudesse dominar o mundo.

Um pigarro e uma limpada de garganta ecoou na roda silenciosa, enquanto as mulheres desviavam os olhares para todos os lados.

Lucy Volture parecia não esperar a audácia de Alice, de dizer o que pensava logo ali, no meio de tantas mulheres importantes.

_ Bem, eu...

_ Gosto de você – disse a Sra. Villareal, cortando a fala de Lucy e calando-a. Seu tom era imparcial e parecia tão verdadeiro que Alice corou um pouco. Quer dizer, as pessoas não gostavam dela por dizer o que pensava. Sempre fora assim.

Aquilo deixou as outras mulheres mudas, enquanto Alice abaixava a cabeça e terminava de tomar seu vinho.

Talvez por ser a única ali que não se importava com a aprovação daquela mulher.

_ Oh Deus, olhem para o vestido da Sra. Vascondes Brás! – alguém exclamara, tentando amenizar o silencio.

Iriam recomeçar tudo outra vez...

_

_ Mas você já bebeu oito taças dessas! – Esme exclamou em um sussurro para o Sr. Cullen. Por mais que ele já houvesse bebido, pedia-lhe a todo o momento para que ela lhe trouxesse mais e mais.

Ele fizera uma careta, empurrando a taça de volta para ela.

_ Não estrague meu momento, Esme – resmungou ele, ajeitando-se na enorme cadeira almofadada – Seja uma boa esposa e pegue outra taça de vinho para mim – mandou, enquanto ela o encarava repreensoramente – Oras, eu preciso estar animado para essa nossa conversa de homens – argumentou, remexendo com a mão em direção aos outros homens da mesa.

Esme revirou os olhos, desistindo daquele impasse. Seria muito mais fácil pegar a taça de vinho de uma vez ao invés de fazê-lo entender que daria vexame.

Levantou-se da beira da cadeira onde se apoiara e dera as costas para seu marido. Tomou a direção de alguma mesa de bebidas com os olhos opacos.

Era sempre a mesma coisa.

Vivia para ser uma boa e obediente esposa. Daquela que não opinava e não contrariava. Típica mulher produzida.

Sua mãe fizera isso com ela antes de arranjar-lhe um marido. O seu marido.

Esme sorriu um pouco para sua vizinha, que acenara de longe, antes de parar frente a mesa de bebidas. Olhou para as taças e olhou para as garrafas de vinho.

Estava cansada demais de tudo aquilo.

_ Volte aqui, Mike! – uma voz grave ecoou de algum lugar em volta de Esme, certamente gritando por outra pessoa.

Esme tomara um gole de seu vinho, rodando sobre os calcanhares. No centro daquele enorme salão, haviam pessoas dançando e risos se misturavam a sincronia musical que tocava.

Distraída, ela nem mesmo notara o borrão que viera em seu encontro, mas sentira quando ele chocara-se contra si.

_ Oh Deus! – ela exclamou, sentindo o gelado da bebida manchar seu vestido bege – Meu vestido! – ela gemeu, olhando para a enorme mancha roxa, que descia vagarosamente, distribuindo-se.

_ Sra., eu sinto muito! – a voz de um rapazote loiro, dotado de belos e infantis olhos azuis a encararam, transbordando culpa – Não era minha intenção esbarrar e manchá-la.

Esme encarou o garoto com indignação nos olhos. Porem, ele parecia estar se sentindo tão culpado que era impossível dar-lhe mais culpa.

E, afinal, ela já era acostumada com desastres como aquele, pois era a mãe de Alice há 19 anos.

_ Esqueça, rapaz – disse ela, colocando a taça vazia de vinho na mesa, suspirando – Apenas não corra mais por ai. E, a propósito, onde está o Sr. seu pai?

Mike olhou em volta, procurando por ele.

_ Ele deve estar procurando por mim – respondeu, sorrindo maliciosamente ao lembrar-se das provocações que ele e seu amigo Sam estavam fazendo um com o outro para enfurecer seu “pai”.

Esme assentiu, colocando as mãos na cintura e rindo suavemente.

De uma maneira ou de outra, aquilo lhe recordava seu passado.

Ela era tão atentada quanto.

_ Então você é o Mike? – ela deduziu, lembrando-se da voz de algum homem gritando por ele na multidão.

Mike sorriu largamente, mostrando por que era conhecido por Mike-sorriso-fácil. Estendeu a mão para a mulher.

_ Sim, sou eu mesmo. Mike Newton – apresentou-se – E quanto à você, bela Sra.?

Esme riu ante o fingido charme que o garoto lhe jogara. Fazia muito tempo que ninguém fazia aquilo para com ela.

E, pensando bem, aquele garoto, com aquelas feições de garoto e aqueles cabelos platinados lhe lembrava muito alguém...

_ Sou Esme – disse ela, cumprimentando-o – Agora, se me der licença, irei até o banheiro para ver o que consigo fazer para reparar o estrago que o Sr. me fez.

_ Ah, conversemos mais um pouco! – Mike sugeriu com um sorriso torto. Adorava as mulheres mais experientes.

Porem, aquela era difícil demais para ele.

_ Quem sabe nos vemos novamente por aqui – disse ela aos risos, antes de virar as costas, rumo ao banheiro, desviando das diversas pessoas que dançavam ao redor.

_ Até que enfim o encontrei seu moleque tranqueira – a voz de Carlisle surgira logo atrás de Mike, assustando-o – Eu deveria dar-lhe um cascudo, assim como fiz com Sam.

_ Ah, Carlisle, sabe muito bem que eu faço as coisas pura e simplesmente por influência do Sam – defendeu-se Mike, enquanto seu pai e ele andavam por entre as pessoas.

_ Então eu deveria dar-lhe um cascudo por ser tão influenciável – disse Carlisle, não conseguindo manter sua seriedade de pai e rindo da indignação de Mike.

_ Para onde foram Sam e os outros? – perguntou o garoto, ajeitando seu casaco de linho.

Carlisle deu de ombros, observando, pacientemente, por sobre as cabeças das pessoas.

_ Não sei, mas creio que os encontraremos na ala das garotas – disse, rindo com Mike – Sabe como eles são aproveitadores.

Mike e ele rodearam uma enorme pilar, chegando perto dos banheiros.

_ Eu estaria dançando com uma bela moça se não fosse essa musica irritante – ralhou Mike, parando frente à porta do banheiro, frente à seu pai – Por isso, eu creio que Sam não esteja o fazendo, também – ele fez uma pausa – Sabe, todo aquele lance do mindinho.

Carlisle concordou com a cabeça perante as baboseiras que Mike falava.

_ De qualquer forma, estou mais determinado em encontrar Jasper – disse o alto e louro homem — Creio que ouvi sua voz em algum lugar – deu de ombros, começando a tirar a camisa de dentro de suas calças – Agora, fique exatamente onde está enquanto eu irei...

_ Tudo bem, Carlisle – Mike o parou, estendo as mãos no ar e dirigindo-lhe uma careta – Não diga, apenas vá.

Carlisle entrara ao recinto aos risos, enquanto Mike escorava-se na parede ao lado. E enquanto olhava para o chão, notara pequenos pingos arroxeados no carpete, delimitando um caminho por onde passara alguém.

A bela Sra. do vestido bege.

Rindo sozinho, ele passou a mão no maxilar, notando, novamente, a ausência de pêlos.

Parecia tão homem sem eles.

_ Ah, mas você já está ai de novo! – a mulher do vinho saíra do banheiro feminino, que ficava bem ao lado do dos homens, parando ao lado de Mike, enquanto um singelo sorriso brincava em seus lábios – Está aqui para me sujar com o que mais?

Mike sorriu diante da brincadeira da bela mulher. A enorme mancha em seu vestido bege, agora mostrava-se muito menos visível, tornando-se um rosa claro.

Certamente a pobre mulher deveria estar completamente molhada, agora.

_ Sinto muito outra vez – disse Mike, as bochechas ficando da cor da nova mancha do vestido de Esme.

Esme sorriu outra vez, gostando muito daquelas bochechas coradas.

Há muito tempo atrás, ela se encantara por bochechas muito parecidas.

Que vinha em conjunto com belos cabelos louros.

E olhos vivos.

_ Sobreviverei, Sr. – disse ela com uma fingida cortesia. Sorrindo, ela dera as costas para o rapazote e voltara para a mesa, juntamente com o Sr. Cullen.

E, do banheiro masculino, alguém saira, também.

_ Vamos atrás de Jasper?

_

_ E ela vestia-se como uma verdadeira pata – A Sra. Montóia revirou seus olhos de peixe, com um exagerado descontentamento – Eram bordados rosas e jóias do último século – bufou ela, estremecendo, como se aquilo fosse nauseante – Um horror só.

_ Oh Céus, como usa-se bordado rosa? – Lucy Volture emendara fala indignada da mulher – Todos sabemos que não combinam com coisa alguma – disse – Sem contar que era rosa.

As mulheres riram forçadamente, olhando umas para as outras, cobrindo as bocas roseadas com as mãos em luvas.

_ Você usaria um bordado rosa, Sra. Witlock? – a Sra. Villareal perguntara para Alice, coisa que já vinha fazendo a um tempo, pois, para o azar dela, aquela mulher tomara muito gosto por sua forma de pensar – Sim, pois ao que vejo em você, parece-me ter muito bom gosto.

As mulheres olharam umas para as outras, curiosas diante daquele fato.

Era meio estranho, de qualquer forma.

_ Bem, eu usava um que minha Bisavó fizera, certa vez – disse, sorrindo – Tinha beiradas esfiapadas e seu rosa era tão forte que cegava! – riu, lembrando-se de sua avó, de seu vestido e dos tempos em que as duas coisas faziam parte de sua vida – Mas eu acabei por rasgá-lo na cerca dos Vascondes Brás enquanto eu pulava para roubar amoras... – porem, ela fora parado vagarosamente, vendo as expressões chocadas de todas as mulheres sobre si – Mas não é uma historia muito empolgante...

A Sra. Villareal puxara as risadas, sendo seguida por todas as outras.

_ Ah, eu comia muitas amoras, também, quando mais nova – disse ela, retomando a conversa com demasiada empolgação. Certamente por conta de suas exageradas goladas de vinho – E em minhas aulas de chás eu aprendia a ferver suas folhas verdes. Eram...

Alice trocou o peso das pernas, olhando ao redor. Todas as outras pessoas pareciam divertir-se muito mais do que ela. Riam, conversavam e dançavam no centro.

E ela estava ali, em uma conversa sobre folhas.

_

Esme andara de volta à companhia de seu marido e dos outros homens bêbados com quem ele conversava com passos vagarosos. Era como se não quisesse realmente chagar lá.

De longe ela podia escutar as risadas mais altas do que a musica e a voz do Sr. Cullen se sobressaindo por sobre as outras. Com um longo suspiro, ela colocou-se de pé logo atrás de sua poltrona, entregando-lhe a taça de vinho que ele lhe pedira.

Cruzou os braços sobre o peito, esculpindo no rosto uma expressão infeliz. Mas não se importava, pois nenhuma de suas amigas estavam ali para vê-la com aquele olhar.

Ah Deus, como detestava tudo aquilo.

Esme lembrava-se da Esme de 20 anos antes. A que tinha vida e a que vivia.

Eram bons tempos.

Bons tempos em que corria entre as montanhas no horizonte do estado. Quando pulava os troncos caídos e subia encostas para olhar o precipício da montanha Thor, como ela e suas amigas daquele distante tempo haviam apelidado.

Thor fora cenário de muitas coisas que haviam marcado a vida daquela jovem de cabelos castanhos e sorriso fácil.

E brigara a vida toda com Alice por ela ser exatamente como ela era.

Escorada na poltrona, Esme sorriu para o nada.

_ Não há com que se preocupar, mamãe – disse ela, colocando seu casaco e pegando uma enorme e vistosa mação do cesto – Irei apenas tomar banho no rio.

Apesar de ter certeza de que não a enganara, Esme saíra pela porta de vidro dos fundos, os pés enjaulados em sapatilhas apertadas – aquelas que sua mãe a obrigava a usar, pois, se não, jamais teria pés de moças delicadas – e tomara a pequena trilha dos fundos da Thor.

Ainda à entrada da floresta, ela acenara para a mãe, distraindo-a. E, assim que as árvores a encobertaram, ela retirou aqueles terríveis sapatos e os escondera em uma enorme samambaia, fechando seu casaco com força e pondo-se a correr com suas canelas finas de garotas de 9 anos.

E fora assim que, depois de mãe, ela soubera exatamente onde Alice sempre perdia suas sapatilhas.

Esme tapou a boca discretamente para rir consigo mesma. Os homens bêbados daquela mesa já não escutavam nada mais se não um ao outro rindo do nada.

Balançando a cabeça, Esme se enojou.

Mas não quis dar atenção ao que eles tanto riam. Sua mente estava revivendo lembranças de seu passado e era bom fazer aquilo. Agora, parecia que já não doía tanto. Ela já podia pensar naquilo sem chorar.

Afinal, já haviam se passado anos sem que seu coração tivesse um resquício de esperança.

Chegara uma hora em que ela precisou se livrar dela.

Porem, haviam lembranças que, por mais que ela não precisasse mais chorar, causava-lhe uma dor tão grande que a tomava o ar.

E tudo sempre se remetia à ele.

_ Pois tenho certeza de que você está mentindo para mim – disse a jovem, terminando de prender seus cabelos em um coque mal feito. Do outro lado do rio cristalino, localizado envolto às maiores arvores da floresta, o jovem rapaz, vestido com a farda que acabara de ganhar, a encarava, seus belos e bem feitos lábios repuxando-se em um sorriso zombeteiro.

_ Eu jamais mentiria para você – disse ele, circulando o mesmo riacho que ela, porem em direções opostas – E não minto agora.

A moça de cabelos castanhos riu, pisando nas pedras para continuar seus passos sinuosos. Olhava para ele de rabo de olho durante todo o tempo.

E adorava perceber que ele também a encarava.

_ Oras, jovem Sr. soldado – disse ela, levantando a barra de seu vestido de 15 anos, pois fugira de sua festa para estar com ele, ali, e saltara por duas pedras enormes – Não acredito que o fundo desse riacho é do outro lado do mundo.

O jovem riu, seus cabelos platinados indo e vindo com o vento frio que fazia naquela época do ano.

_ Pois eu lhe digo que, enquanto aqui está dia, do outro lado do mundo está noite – disse ele com toda a seriedade que conseguia. A jovem se encantava com aquela fingida sabedoria – Então, se eu mergulhar nesse riacho e nadar até seu fundo, posso pegar uma daquelas flores que só desabrocham à noite e então você me pagará com o beijo que lhe pedi.

Rindo alto, a jovem parou de andar para virar-se para ele, do outro lado do riacho.

Perfeito em seus 18 anos.

_ Não seja audacioso – replicou ela, fazendo-se de difícil – Não lhe beijarei por causa de uma simples flor.

O jovem, do outro lado, parou para encarar a moça. Franziu a testa, como se pensasse em algo.

_ Então eu lhe dou meu maior tesouro – disse ele e, antes de qualquer coisa, colocara a mão dentro do bolso esfarrapado por conta de sua farda de segunda mao, e remexera um pouco ali. A jovem o olhou fazer aquilo intrigada. E, quando ele tirara de lá uma brilhante e dourada moeda, ela segurou um sorriso – Tome – disse ele, jogando para ela a pequena moeda de ouro, fazendo-a cruzar o riacho, refletindo para todos os lados quando passara pelo sol, até alcançar as mãos da jovem, do outro lado – È da sorte. È muito importante. È quase um tesouro, mesmo.

A jovem sorriu enquanto rodava a pequena moeda entre os dedos, analisando-a.

Parecia demasiadamente bem cuidada.

_ Fique com ela.

_ Mas eu não posso lhe dar algo valioso em troca – lamentou a jovem, fechando a moeda em volta da mao com tanta força que quase sentira sua moldagem na palma — Não tenho nada em mim que me seja valioso.

O rapaz apenas sorriu para a lamentosa jovem, sabendo que ela não precisava lhe dar nada em troca.

Apenas continuar a ir até aquele riacho para que pudessem se ver.

_ Está tudo bem – disse ele, colocando as mãos nos bolsos, encarando-a com graciosidade, enumerando mentalmente todos os aspectos de sua beleza. E quando ela corou diante de seu olhar, ele segurou o palpitar do peito – Apenas solte os cabelos para mim...”

Aquela lembrança tão vivida chegara à mente de Carlisle como um rojão. Não entendeu o motivo de estar pensando justamente nela, ao menos naquele momento.

Afinal, ele pensava nela quando estava sozinho em seu quarto.

E sonhava com ela.

E desejava beijar ela.

Ao menos outra vez.

Suspirando, Carlisle desencostou-se da parede em que estava, e passou a andar, não sabendo ao certo para onde iria.

Mas desejava que seus pés o levassem até ela.

Queria perguntar o que havia acontecido depois daquele dia.

Depois daquela noite.

Sabia que, talvez, jamais quisesse saber, mas, ao menos, desejava saber que ela estava feliz.

Feliz como ele não conseguira ser.

Isso por que revivia aquela noite, em que haviam se encontrado às escondidas, enquanto ela chorava desesperada em seus braços.

“_ Oh Deus, pare de chorar! – repetiu ele, sem saber o que estava acontecendo. A jovem correra pela trilha chuvosa e lamacenta, sujando-se completamente.

Atirara-se contra ele e foi apenas nesse momento que o jovem soldado percebera que a jovem chorava aos prantos, as mão gélidas por conta da chuva fria agarradas em sua camisa.

_ Minha mãe! Foi a Sra. minha mãe! – exclamava ela alto, a voz embargada e o desespero crescente.

_ Santo Deus, o que ela fez? – o jovem a abraçava o quando conseguia, pois, pouco a pouco, a jovem caia em seus braços, como se não tivesse forças nas pernas –Diga-me, meu amor, o que ela fez dessa vez?

A jovem desencostara dele para fitá-lo, os olhos tão vermelhos e inchados que ele sentiu-se miseravelmente impotente. Tocou seu rosto com cuidado, limpando as lágrimas e as gotas de chuva que ela pegara.

_ Ela... ela...arran-arranjou-me um marido! – explodira em um choro desesperado, voltando a abraçado fortemente – Disse que eu-eu irei casar-me na próxima semana!

O jovem sentira uma dor aguda na boca do estomago. Tinha certeza que todo seu sangue sumira de suas face e ele empalidecera.

Aquilo não poderia ser verdade.

_ Ela não pode fazer isso! – exclamou ele, a raiva ardendo em suas veias.

_ Ela quer nos separar para sempre, meu amor! Para sempre! – ela soluçou, enquanto mais e mais lagrimas escorriam sem pudores por suas bochechas.

O jovem passou as mãos tremulas dele pelos cabelos castanhos claros molhados dela.

_ Eu irei falar com ela – disse ele depois de um tempo. A voz dura e determinada sobressaindo na tempestade – Eu pedirei sua mão!

Aquelas palavras pareceram rasgar um pouco mais a ferida tão recente da jovem, pois ela começara a chorar ainda mais, apertando-se ao abraço dele.

_ Minha mãe jamais aceitará! – grasnou ela, lamentosa – Meu amor, entenda – soluçou, parando para encará-lo com os olhos vermelhos – Você não tem dotes! E o rapaz que ela arranjou para mim é filho de um comerciante da capital! Quem você acha que ela permitirá para mim?

O desgosto e a cólera amargaram o coração do rapaz, antes tão sorridente. Em seus olhos, um lampejo de dor e frustração deixando-os opacos.

_ Mas... – ele tentou encontrar palavras, algo que pudesse dizer para confortá-la, para dizer que nada daquilo aconteceria e que eles ficariam juntos para sempre.

Mas não haviam palavras.

_ Deus, eu lhe amo tanto! – murmurou ela, chorosa, contra a camisa dele – Não quero outro, meu amor, não quero!

O jovem apertou-a ainda mais entre os braços, molhando-se junto com ela. Toda a frieza de suas vestes pareciam ter refletido em seus sentimentos, pois ele sentia-se frio com uma pedra.

_ Eu não permitirei – dizia ele enquanto acariciava seus cabelos embaraçados – Nem que eu tenha que levá-la comigo! Nem que eu tenha que roubá-la!

A jovem soluçou ante suas palavras esbravejadas. Aquela era uma proposta tão tentadora quando perigosa.

Se ele o fizesse, seu pai mataria a ambos.

E, mesmo que lhe palpitasse o coração pensar em ir embora com ele, viver até o fim da vida com seus belos cabelos louros e seus tenros beijos, ela sabia que não poderia conviver com o medo de que sua família a encontrasse.

Sabia que a pior das tragédias aconteceria, então.

Pensando exatamente aquilo, a jovem recomeçou a chorar descontroladamente, pois começava a perceber que eles não tinham saída.

Que o para sempre deles talvez não existisse.

_ Você é um soldado – murmurou sofregamente, tentando passar verdade em suas palavras. Agora, ela tinha que encontrar um modo de não permitir que ele levasse aquela loucura em diante. Ela pensava mais nele do que nela própria – Eu não suportaria conviver com a idéia de, um dia, você ir e nunca mais voltar – ela limpou as lágrimas, tentando recuperar a lucidez e o controle, mesmo que por dentro estivesse sangrando. Soltou-se dele com a mente em controvérsia. Precisava ir embora e convencer-se que aquilo era mesmo o melhor para ambos.

_ O que você está...

_ Você me deixará pobre e viúva – disse ela com a voz morta, encarando ele com o olhar de cima, como todas as amigas de sua mãe faziam com todos os outros.

Era um olhar que a repugnava.

_ Você não se importaria com isso – rebateu ele, encarando-a – Ao menos, jamais se importara, lembra-se?

A jovem fungou, passando a manga molhada de seu casaco sobre seus olhos inchados.

_ Mas preciso pensar em mim – disse ela com arrogância. Aquela era uma tarefa quase impossível, pois machucava a si própria quando via os belos olhos vivos dele tristes da forma como aparentavam.

Ela os estava matando.

O jovem franziu o cenho, enquanto encarava as feições inchadas da moça que mais amava na vida, não fazendo sentido algum para ele. Aquela voz fria não parecia com a voz doce que a sua jovem sempre tivera.

Ele endireitara-se, assim como ela, os membros ainda rígidos. A jovem respirava ruidosamente enquanto o encarava com os olhos marejados.

Ele podia ver a tristeza por eles. E não tinha nada a ver com as insanas palavras que ela lhe dizia.

_ Essa não é você falando – disse ele, a voz tão dura e fria quanto a dela. Suas mãos fecharam-se em punhos fortes e tudo nele vibrou por conta da dor.

A jovem colocou a mao tremula sobre a boca, enquanto sentia a garganta se fechar e as grossas lágrimas que antes ela tentava segurar, caíram displicentes por suas bochechas.

Não adiantava a racionalidade querer comandar sua mente. Era fato que não se importava se ele tinha dotes.

Ainda o amava com todo seu ser.

E quando ela vira que aquele fato apenas piorava as coisas, ela chorou muito mais e atirou-se contra ele outra vez.

_ Eu voltou para buscá-la! – repetia ele incessantemente, enquanto o nó em sua garganta o sufocava. Sentiu lágrimas quentes escorrerem por sua face, dando-lhe a sensação de derrota.

Mas não era desta maneira que ele queria sentir-se. Não podia matar a esperança de seu peito.

A jovem fungou outra vez contra o peito dele.

_ Estamos indo embora de Florence – sussurrou ela.

Ele fechou os olhos, apertando-a contra si.

_ Eu venho buscá-la antes que se case – murmurou, fazendo zilhões de planos em sua cabeça. De um jeito ou de outro, iria roubá-la.

Ela desencostou-se um pouco para poder fitá-lo. Tocou o canto de seus olhos, os que ela gostava tanto, sentindo o coração se dilacerar ao perceber que, talvez, aquela fosse a ultima vez.

_ Me faça sua... – sussurrou ela, aproximando-se vagarosamente de seu rosto antes de roçar seus lábios nos dele. Não importava os pudores nem o que era certo ou errado. O amava demais para não estar nos braços dele pela primeira vez daquela maneira.

Jamais se entregaria espontanemanete para outra pessoa que não fosse ele.

Os olhos do jovem estalaram de surpresa e confusão. Sentiu algo em seu coração palpitar ao pensar em tê-la nos braços, quando nenhum outro a tivera, quando a amava tanto para que fosse o primeiro e o único.

_ O que... – ele tentou dizer algo, porem as palavras, de repente, haviam sumido de sua boca.

A jovem pegara a mao dele, que descansava em sua cintura, e passou a conduzi-la por suas vestes molhadas, enquanto ambos fixavam o olhar um no outro.

_ Me faça sua – repetiu ela, a voz surpreendentemente estável. Talvez fosse pelo fato de que não restava duvida alguma em sua cabeça a respeito daquilo.

Com certa audácia, ela repousou sua mao em seus seios, sentindo as bochechas esquentarem-se quase que automaticamente. Um frio na barriga se apossara de si quando ele, muito timidamente, movera seus dedos por sobre seus flancos, e a sensação do frio, por conta das vestes ainda empapadas, e o calor de seus dedos movendo-se sobre si, a fizera fechar os olhos com força.

_ Eu amo você... – foi o que ele sussurrou em seu ouvido enquanto a abaixava vagarosamente, colocando com cuidado seu corpo por cima das mantas velhas que ele colocara ali para dormir naquela chuvosa noite no galpão empoeirado em que se encontravam.

E, lá fora, os trovões aumentaram e a chuva lavou mais do que apenas as folhas do chão...”

Esme soltara o ar, que havia prendido, e reabrira os olhos. Sentia sua garganta seca devida a lembrança tão vivida que havia acabado de ter.

Essa era uma das que não a abandonava jamais.

Enquanto a musica tocava alta, Esme se recompôs, dando leves batidinhas nas bochechas para fazê-las ter uma cor mais natural.

E, também, para ver se ela conseguia acordar.

Parecia que voltava a sentir aquele mesmo calor, que ela não sentia desde aquela primeira noite.

E, a essa altura, seu coração passara a disparar no peito.

Sentindo-se estranha e aturdida, Esme dera três goladas agressivas em seu vinho, enrugando a testa ante as risadas altas da roda em que estava seu marido. Ele já começava a dançar no meio dos outros, tão desengonçado que parecia que deslocaria as juntas.

Esme semicerrou os olhos para aquele homem com quem já era casada a 19 anos. Tentara nutrir um sentimento por ele desde que haviam se conhecido, um dia antes de se casarem. Porem, aquilo jamais existira e, olhando para trás, ela sabia o porquê.

E suas lembranças estavam vindo para reforçar aquela verdade.

Odiava aquele homem por ter sido ele o responsável por ela ter o perdido... Ela sabia que fora ele, 10 anos mais velho do que ela, que decidira se casar com ela. A escolhera em uma das quermesses da vila em que moravam, e colocara na cabeça que queria ser seu dono.

E, ela tinha certeza, ele tinha noção de que ele existia.

Esme desviou o rosto da figura bêbada dele, enojada. Era isso que sentia por aquele homem.

Repulsa e nojo.

E sentia aquilo desde que ele a obrigara a dormir com ele, em seu primeiro dia de casada.

Mesmo que ela houvesse implorado para que não.

Ele a tocara quando seu corpo já pertencia a outro...

“_ Aproxime-se – disse o enorme homem, esticando o lençol e esboçando um enorme sorriso satisfeito – Venha até aqui para que eu a beije.

Esme engoliu em seco, fechando seu penhoar com força em volta do corpo. Tremia e sua boca parecia seca.

O ar já não entrava mais como antes.

_ Não está com vergonha, está? – perguntou ele com uma fingida inocência. Esme podia ver a malicia nos olhos negros daquele homem – Você tem apenas que tirar essa camisola, para mim. Venha – ele estendeu a mao, os dentes brilhando contra as luzes das diversas velas dispostas no quarto – Venha até aqui para que eu possa tocar-lhe.

Esme soluçou, dando um passo para trás. A agonia se assolava de seu corpo tão exposto.

Jamais havia ficado com apenas aqueles trajes frente à outro homem que não fosse...

Oh Deus, ela não podia deitar-se com outro homem. Não havia como trair-se daquela maneira.

Não era à ele que desejava.

_ Não, por favor – sussurrou ela, começando a chorar – Não quero deitar-me com o Sr.

Após ter dito aquilo, a expressão do homem mudara repentinamente, tornando-se uma rocha fria e dura.

Ele não havia gostado, realmente, do que ela havia dito.

_ Você não pode esquivar-se de seus deveres como esposa desta maneira – advertiu ele com a voz igualando-se a sua expressão — Você é minha mulher, agora, e deve deixar-me lhe tocar quando eu bem querer.

As lágrimas aumentaram no rosto de Esme enquanto ela passava a tremer mais. Ele falava com extrema autoridade e prepotência, fazendo o coração dela congelar de apreensão, medo e nojo.

_ Eu...Eu não o que-quero – murmurou ela, a voz embargada – Por favor, não me obrigue a fazer isto.

O choro dela misturada à suas palavras pareceram ter tido um efeito devastador no bom humor do homem. De repente, ele já não estava mais sentado na cama, olhando-a de forma maliciosa. Ele chegara até ela em um vulto, apertando-lhe ambos os braços, aproximando-a de si.

_ Você não tem querer quando o assunto é nosso quarto – rosnou ele, machucando-lhe os braços finos. Tanto que algumas lamúrias de dor saíram garganta a fora – A quero agora mesmo. Deite-se naquela cama e pare de agir como uma garotinha — ele fez uma pausa, o sorriso malicioso retornando – Quer dizer... você vai deixar de ser a garotinha esta noite.

Esme sufocou em lagrimas enquanto ele a conduzia rapidamente em direção à enorme cama. A jogara contra o colchão, de modo que ela retrocedesse a tempo de tê-lo por sobre seu corpo.

_ Não! – ela tentou libertar seus braços que ele prendia contra o colchão.

_ Shiii – ele sussurrou, o hálito quente do vinho que ele bebera durante toda a festa de casamento dos dois, enchendo a pobre jovem de medo – Agora fica quietinha, fica...

E, enquanto acontecia o que ela tentara evitar por toda a noite, as lágrimas quentes não pararam de escorrer, molhando o travesseiro que havia por baixo de sua cabeça.

E sua mente vagava no rosto dele, lembrando-se da forma como ele a havia beijado quando fazia exatamente aquilo com ela.

Porem, ela estava junto, naquela vez.

Sabia que ele estava em algum lugar.

Só não sabia se ele pensava em si.

O coração de Esme apertou-se ao pensar daquela maneira. O homem que havia sobre seu corpo, naquela noite, parecia apagar as marcas invisíveis deixadas no corpo dela.

Quando terminou, Sr. Cullen caira para o lado, exausto e sonolento. Nem ao menos tivera o trabalho de tirar seu braço de cima da barriga dela, que nem ao menos se movera.

Com o rosto molhado virado para o lado, Esme esperou que ele dormisse.

E aquilo não demorou muito.

Assim, ela se encolheu de seu lado do colchão, sentindo, pouco a pouco, o coração bater mais devagar, quase parando, como se ela rivalizasse com a morte.

E os pingos que batiam contra a janela a distraíram enquanto o sono vinha para ela, também.

E, daquele dia em diante, ela entendera que não adiantaria brigar, nem negar nem ao menos pedir socorro. Sua vida se limitara àquela realidade e ninguém poderia mudá-la.

Ela tratara de ter uma vida tranqüila e amena com aquele homem, tentando fazer o melhor de sua casa de taipa.

Que ela havia construído por cima do castelo que havia sido destruído uma noite antes.

Na manhã seguinte, com a ausência da confirmação de que ela havia perdido a inocência com seu, até então, marido, Esme fora até a cozinha e fizera um enorme talho em seu pulso, sentindo a dor aguda entre suas veias, enquanto ela deixava que se pingassem diversas gostas no colchão, manchando o belo branco de vermelho.

E, depois daquele dia, ela nunca mais fora a mesma.”

Quando voltara para a realidade, Esme notara que segurava o pulso esquerdo. O mesmo pulso que abrira aquele fatídico talho.

A prova de que precisara mesmo fazer aquilo para ocultar a verdade nua a crua do segredo que guardava.

O segredo que apenas ela e ele podiam revelar.

Quando pensara a respeito daquele assunto, Esme sentia o enorme buraco em seu peito. A ferida que jamais fora fechada e não havia diminuído em seu sangramento.

Não podia mentir para si mesma. Seu coração ainda pertencia a ele.

Porem, ele havia ido embora. Havia sumido de sua vida no dia seguinte à noite que ela havia se deitado com ele.

E, desde então, ela nunca mais ouvira falar em seu nome.

Certamente tinha plena noção de que ele ainda permanecera nos Exércitos e nas guerras por anos a fim. Porem, ela sabia que era aquilo que ele preferia. Preferiu ir guerrear ao invés de voltar para ela, como havia prometido.

“Esme respirou profundamente enquanto as musicas de fundo adentrava em seus ouvidos. Todos estavam na capela principal da pequena Florence.

Ela pensou em como sentiria falta daquela cidade quando partissem para Michigan.

_ Esme, está na hora – sua mãe aparecera na porta da recepção da capela, onde a jovem e todas as suas angustias se encontravam. Trazia ao corpo um belíssimo e comprido vestido de algodão azul. Em suas mãos, um belíssimo e delicado ramalhete de flores.

Seu buque.

Ela saira da frente da janela, por onde olhava para fora pelo vidro, e encarou sua mãe com os olhos querendo marejar-se.

_ Mamãe...

_ Cale-se, Esme! – a Sra. pequena de coque preto no cabelo a cortara, a voz autoritária e dura, segurando o ramalhete entre as mãos com demasiada força. Era irremediável em suas decisões.

E, pior do que tudo, estava disposta a manter sua filha longe daquele rapazote soldado.

_ Engula esse choro e recomponha-se, pois não quero que o Sr. Cullen a rejeite por conta desses olhos vermelhos e inchados – exigiu ela, andando em marchadas duras até sua frente para ajeitar-lhe os cabelos – Olhe só! – exclamou ela, puxando com força os fios do penteado simplório da jovem enfeitado com uma delicada margarida branca, fazendo-a gemer – Já está toda desengonçada! Deus queira que aquele homem ainda a queira.

Esme não disse absolutamente nada enquanto engolia em seco, engolindo junto o nó que a sufocava na garganta.

Era chegada a hora.

Todas as pessoas reconhecíveis naquele lugar estavam naquela capela. Todos a olhavam, como se a avaliassem a todo momento.

Seu coração pulsava dolorosamente a medida em que se aproximava do pequeno altar onde o Sr. Cullen, seu futuro marido, se encontrava, seus olhos mirrados sumindo quanto as enormes bochechas os encobria enquanto ele sorria largamente.

Tinha um enorme bigode e os cabelos repuxados para trás, onde já se podia ver as entradas da calvície.

Esme engoliu o choro, abaixando seus olhos para o caminho enfeitado com flores. Desejou com todas as poucas forças que lhe restara, que aquilo não passasse de um terrível pesadelo, que logo ela abriria os olhos e tudo voltaria ao normal.

Que ela acordaria outra vez nos braços dele, como no dia anterior.

Talvez, ele próprio irrompesse as portas daquela capela sobre seu cavalo rajado e a roubasse.

Ele havia prometido, mesmo que ela tivesse insistido para que não o fizesse.

Quando chegara no altar, onde as musicas cessaram, ela evitou olhar para seu lado. O homem cheirava ao fumo e, certamente, a fumaça que emanava de corpo a mataria se ela ficasse ali por mais muito tempo.

A repulsa chegara até a ponta de sua garganta.

Esme temeu desencadear uma choradeira logo ali, enquanto os pensamentos de como seria sua vida ao lado daquele homem lhe amedrontavam.

Quando o pastor começara a falar palavras insignificantes, Esme não conseguiu ignorar a dor em seu coração ao estar se casando com outro, quando ela e o homem que mais amava em toda a vida haviam feito os mesmos planos, antes.

Ele havia prometido.

Ela rodou os olhos até onde a vista alcançava, encarando a capela por cima das cabeças penteadas das pessoas.

Cada canto.

Cada sombra.

Cada espaço que poderia ocultar sua presença.

Qualquer sinal de que ele realmente se importava se estava a perdendo ou não.

Mas ele não estava lá.”

Esme voltara para a realidade após outro lapso de memórias. Talvez a que mais machucasse.

Mesmo que houvesse reencontrado ele um ano após seu casamento, quando havia acabado de dar a luz à suas duas filhas gêmeas diferentes por dias.

Esme dera outro suspiro, começando a andar entre as pessoas. Estava cansada de ficar parada, pois quanto mais o fazia, mais as lembranças de seu passado vinham a tona em sua mente.

E, se ela permanecesse exatamente ali, a maior lembrança de todas a devastaria em plena festa.

Enquanto andava entre as pessoas, distraída, alguém batera bem em suas costas.

_ Oh meu Deus, sinto muito – disse a Sra. de cabelos ruivos, que ria ao vento enquanto enxugava a testa molhada de suor. Havia batido em Esme enquanto dançava agitadamente na pista.

_ Não há com o que se preocupar – Esme sorriu para a Sra., sentindo uma certa inveja da alegria e espontaneidade dela.

Há quanto tempo não sentia-se assim?

Ainda sorrindo, Esme se virou novamente para continuar seu caminho. Aos poucos, podia sentir a naturalidade vir, outra vez.

Porem, fora nesse momento, que seus olhos cruzaram com um par de olhos claros, tão brilhantes quanto as luzes daquele salão, distante algumas cabeças dela.

E, quando os olhos dele se deram conta do que encarava, ambos estancaram em seus lugares.

_ O que... – Esme semicerrou os olhos para o lugar onde encarava. Lá, mais alto do que muitas cabeças, a visão mais utópica que ela poderia enxergar – Mas... o que...

Era uma miragem.

Era uma perfeita ilusão.

Era, outra vez, sua mente brincando consigo...

_ Não... pode ser.... – Carlisle empurrou aquelas palavras boca a fora enquanto sentiu um sentimento tão forte e profundo socar seu peito que ele parara de respirar. Reconhecia aqueles lábios rosados e aqueles fios castanhos, sempre presos, a distancia.

Mesmo que a distancia fosse quase 19 anos...

Esme deu um passo à frente quando a imagem dele há tantos anos antes invadira sua mente outra vez. Ela ainda podia reconhecer traços que jamais mudariam, mesmo que se passasse anos a fins.

Ele ainda parecia perfeito.

_ Carlisle? – Mike chamou o pai, a testa franzida. Olhava para a mesma direção que Carlisle fixara o olhar, de repente. Porem não via nada tão especial que pudesse ser razão parar tomar a atenção de alguém daquela maneira.

Carlisle ouvia tudo muito distante enquanto sua mente repetia o nome dela incessantemente.

Como um mantra.

_ É ela, Mike – sussurrou o homem, como se estivesse hipnotizado _ È... é ela...

_ È ela quem? – o garoto indagara, confuso. Haviam tantas elas naquele salão, no meio das dançarias, que ele não conseguia enxergar nenhuma em especifico. Mas quando seu pai não o respondera, pois ainda parecia distante de qualquer coisa, ele deu de ombros, voltando a se remexer no ritmo da dança.

E, do outro lado do salão, Esme não conseguira mais segurar o coração. Ele batia tão erroneamente no peito que ameaçava estourá-lo.

Mas... ele havia morrido.

Havia morrido... certo?

Mas ela podia o ver, do outro lado, olhando para ela, aqueles olhos que sempre haviam passado sinceridade. Aqueles olhos que ela não via a tanto tempo...

Seus pés não saíram do lugar. Sua respiração se alterou.

Um calor enchera seu peito.

Mas fora no exato momento em que ela vira que ele havia dado um passo à frente, em sua direção, que diversos pares que dançavam à roda invadiram a pequena bolha que eles haviam criado entre eles dois, cobrindo a visão hipnótica de ambos.

_ Não! – ele rosnou baixo, quando perdera de vista a imagem dela, encarando-o – Saiam da frente! – exclamou ele, porem passara despercebido sob a musica alta que tocava.

Carlisle andara de um lado para o outro, buscando conseguir encontrá-la novamente. Porem, as pessoas se misturavam rapidamente enquanto rodavam, e ele jamais conseguiria encontrá-la novamente se as pessoas não saíssem de sua frente.

_ Ah, graças que a encontrei, mamãe – Rose aparecera às costas de Esme, tocando seu braço e despertando-a de seu transe — Venha, mamãe, acho que Bella está com vômitos, pois não sai do banheiro.

Porem, Esme rolava os olhos, desesperada em ter sua magnífica visão outra vez, encarando rosto por rosto, enquanto eles se misturavam cada vez mais.

_ Mamãe? Escutou o que eu lhe disse?– Rose franziu o cenho, tentando tirar sua mãe do lugar. Mas a expressão branca e consternada dela a confundiu. Assim, ela parou, encarando-a – A Sra. está bem, mamãe? Está branca!

Esme tratou de controlar a respiração e as batidas errôneas de seu coração. Sabia muito bem que não fazia sentido algum ela tentar enganar-se daquela maneira.

Ela tinha certeza que não podia ser ele.

Certamente, aquela era outra visão que ela tivera.

Tivera muitas ao longo dos anos. Que apareciam e desapareciam daquela mesma maneira.

Quando aquele pensamento fizera sentido, ela olhou para a taça de vinho que ainda tinha nas mãos.

O único responsável por aquele lapso.

A decepção fizera seu peito parar abruptamente. A mágoa ameaçara desencadear uma profunda crise se choro.

Por um segundo, ela acreditara mesmo que poderia ter sido real.

_ Mamãe? Você está bem? – preocupada, Rosalie tocou o ombro da mãe, abaixando o tom de voz até tornar-se murmurado.

Esme abaixara os olhos, segurando fortemente a taça entre os dedos. Virou-se para Rose para dirigir-lhe um fraco sorriso.

_ Estou bem, Rose. Foi apenas uma miragem – mentiu ela, antes de dar um discreto suspiro. Tocou a mão da filha ainda sobre deu ombro. Porem não conseguira evitar e virou-se novamente para trás, inconscientemente procurando a imagem dele no meio daquele tanto de pessoas em dança.

Mas ele já não estava mais ali.

_ Apenas uma miragem...

Notas finais
E entao?????
Espero que tenham gostado, viu?????
Nao se preocupem, eles dois AINDA TEM MUITO QUE ROLAR...
Ahhh, quero mandar um monte de vivas para a Ester (garotaerrada) pelo casamento dela, que é na proxima semana.
Acho que estou tao emocionada quanto ela.
Coração, vou perdoar se voce nao ler o cap. skapskpakspaksa
Bem, até a proxima semana, corações!
Bjsssssssss