Os Segredos dos Seus Braços
25 O inimigo está ao lado – parte 3
Notas iniciais
Ahhh, eu tentei postar ontem, mas o Nyah estava em manutenção. E, daí, hj a cidade inteira estava sem internet.
MAsssss, aíii está o cap.
Eu gosto muitooo dele, acho que começa a emoção! OU parte dela, sei lá.
MAs enfim, espero que gostem.
Boa leitura
:*
Cap 25 – O inimigo está ao lado – parte 3
Biloxi, Mississippi
Festa de noivado de Lauren e James
1901
_E ela fora cortar-lhe as unhas do pé e acabou por ficar cega, acredita?
Alice já nem escutava mais o que as mulheres ainda conversavam. Seus olhos nervosos pareciam querer encontrar alguém.
E ele, com toda sua altura, certamente se destacaria entre as outras pessoas, certo?
Ela se remexeu, inquieta, sobre os saltos, procurando pelos cabelos cacheados e bagunçados.
E enfim o encontrou, em uma roda distante da dela.
Ele já a encarava antes de ela percebê-lo ali.
E sorria torto para si.
Parecia tão interado em sua conversa com diversos homens pequenos e cheios de si quanto ela estava.
Enquanto a dela resumia-se em unhas cortadas e olhos furados, a dele, certamente, deveria ser apenas sobre capitalistas que haviam perdido seus dotes e as pragas dos russos, que traziam os grilos verdes para as plantações de todos eles.
Alice sorriu para ele, juntando as sobrancelhas em uma expressão pidonha de ajuda. Rolou os olhos pelas mulheres que estavam com ela, como se apontasse para ele o motivo de seu drama.
Do outro lado, Jasper riu, erguendo discretamente sua taça de vinho para ela, zombando de sua sufocante situação, sabendo muito bem o quanto Alice estava desejando morrer.
Ofereceu-lhe um brinde àquele momento.
Alice semicerrou seus olhos para ele, fuzilando-o. Segurou muito fortemente seu sapato no pé para que não tacasse contra ele, cortando todo o salão para lhe perfurar a cabeça dura.
Ela balançou a cabeça quando ele riu outra vez, enquanto respondia a pergunta que um dos homens fizera à ele. Trocou o peso dos pés outra vez, desconfortável, rolando os olhos para os lados, como se fosse impossível permanecer parada ali, falando mais do que a capacidade de sua língua, como suas amigas faziam.
Quando arriscou olhar para ele novamente, ele já a encarava outra vez. Alice sentiu seu usual frio na barriga, que sempre sentia quando ele olhava para ela. E dessa vez, ele não rira de sua cara, e sim fizera um gesto com a cabeça, indicando as saídas laterais do salão.
Alice franziu o cenho, pois a princípio não entendeu o que ele queria dizer. Porem, quando ele fizera novamente seu sutil gesto, indicando as saídas, o entendimento chegara até ela.
Ele a estava convidando para fugir.
Alice não segurou o sorriso satisfeito e olhou para as saídas laterais. Convidativas e descuidadas.
Se eles saíssem discretamente por elas, talvez ninguém notasse. Assim, ela voltou seu olhar para Jasper, a satisfação crescente em seu peito. Tanto que o fez palpitar no momento em que ele terminara de beber seu vinho e dera um passo para trás, saindo sutilmente daquela roda, misturando-se às pessoas, sumindo atrás das pilastras.
Quando ela dera por si, ele já não estava mais naquela festa.
E ela ainda estava parada em seu lugar, como uma perfeita tola.
Ela ajeitou seu cabelo, nervosa. Dera um passo para trás a fim de sair com a mesma sutiliza que Jasper fizera.
E ele sendo tão maior do que ela conseguira fazer aquilo sem que ninguém o visse, ela conseguiria, também.
Porem, no momento em que ela se prepara para dar outro passo para trás com o intuito de abandonar aquela roda de futilidade e tédio, os olhos perspicazes de alguém a perceberam.
_ Aonde vai, Sra. Witlock? – a Sra. Villareal indagou de imediato, parando todas as mulheres, inclusive Alice.
E ela bufou baixo, desgraçando aquela mulher e sua mania de não calar-se nunca.
_ Eu... bem, estou indo ao banheiro – respondeu Alice, trabalhando sua mente, que já fora tão perfeita em inventar mentiras, para que a ajudasse, naquele momento – Problemas com aquele bolinho de carne, sabe? – disse ela, o tom inocente. Quase riu às gargalhadas ante as expressões enojadas das mulheres.
Quem sabe deixasse de ser a melhor amiga da Sra. Villareal depois dessa desculpa.
Assim, deixou a roda, os cochichos logo atrás de suas costas. E quando fora encoberta pelas pessoas, ela suspirou, aliviada.
Sua mão até mesmo suara.
Fora até a saída, onde já não haviam muitas pessoas. Encontrou um enorme corredor lateral, onde as luzes não alcançavam, dando um ar um pouco mais sombrio com a luz do luar, que adentrava das enormes janelas no alto das paredes de pedra talhada.
_ Jasper? – ela chamou, sentindo-se um pouco estúpida, pois, claramente, aquele corredor estava vazio.
_ Estou aqui – a voz grave dele saíra cortando o eco e o silencio do corredor. As musicas não eram tão altas ali. Alice olhou para o lado por onde saíra a voz dele, aliviada.
Ao menos, ela não estava sozinha, ali.
Odiava o fato de, agora, ter receio em ficar só em lugares desconhecidos demais.
Ele saíra de trás de um enorme vaso de samambaias, as mãos nos bolsos, o sorriso tão sereno e, ao mesmo tempo malandro, lhe dando um aspecto irresistível.
Alice sorriu automaticamente ao focar seu olhar nele. Seu comichão se fizera presente e ela salivou pela possibilidade de ele fugir com ela dali e a beijar, como a tanto tempo não fazia.
Mesmo que ele a houvesse feito isso em seu quarto, antes de saírem.
Também na sala, quando ele a rodara nos calcanhares, dizendo o quanto ela estava bela.
E até mesmo na carruagem, até o ultimo segundo antes de ela parar, frente ao salão.
_ Achei que estivesse gostando do papo sobre bordados daquela roda – ele disse quando ela o alcançou e ambos começaram a andar pelos corredores, as passadas um pouco aceleradas por receio de aparecer alguém para os repreenderem por estarem sozinhos, assim.
_ Oras, por favor, não me ofenda com essas blasfêmias – ela resmungou, acompanhando as passadas dele.
O corredor era meia luz, e as pilastras refletiam a luz da enorme lua cheia. O piso, de um mármore brilhoso e bem cuidado, ecoava as passadas deles, os sapatos batendo em um ritmo só.
Por um minuto, eles caminharam no mais absoluto silencio, sorrindo pelo silencio não decorrente. Era estranho para ambos admitirem que apenas a companhia do outro já era indispensável o suficiente para ser a única coisa importante.
Jasper caminhara com as mãos nos bolsos, pensando consigo mesmo em algo que já o fazia desde que aquela noite começara.
Queria dizer algo para ela.
E queria já.
Porem, no momento em que aquilo fizera questão e ele pretendeu puxá-la pela mão para dizer aquilo à ela, ambos escutaram passos um tanto mais apressados do que os deles.
_ Mas o que... – Jasper começou a indagar quando os dois viraram-se para trás, a fim de ver quem os seguia.
E viram uma sombra rechonchuda emergir pelo corredor logo atrás.
_ Quem está aí? – a voz fina questionou e as passadas curtas e ritmadas aproximaram-se um pouco mais – Não se é permitido andar pelos corredores sozinhos!
_ Grande porcaria!
_ Jasper, o que...
Jasper nem deixou Alice terminar de formular sua pergunta. A pegou pela mão para que ambos apressassem ainda mais os passos pelo corredor.
A curvatura que todos aqueles caminhos escuros faziam era de grande serventia, porem o barulho singular dos sapatos contra o mármore passou a ecoar alta e dolorosamente.
_ Hey! – a voz subira de alturas, tornando-se quase esgoelada. Atrás, as passadas aumentaram a intensidade e a pressão, e uma pequena corrida se iniciava.
_ Vamos, Alice, ande mais rápido – Jasper murmurou para ela, segurando o riso. Desceram a escadaria lateral em passadas apressadas e vultos pretos contra a luz do luar.
_ Para onde vamos!? – ela murmurou de volta, porem não se ocultou em rir, achando daquela situação tão excitante quanto o que haviam feito no galpão sujo, naquela tarde de tempestade.
_ Apenas continue andando – ele a orientou, enquanto atravessavam enormes pilares, que subiam tão alto no teto de gesso que até estonteava. Porem, o homem atrás deles começara a correr desastrosa e debilmente, sua sombra sempre se aproximando mais da sombra deles.
Jasper olhou de relance para trás e se permitiu ficar incomodado por ter a hipótese de seus planos com Alice darem errado.
_ Talvez fosse melhor correr – disse ele e antes que ela pudesse assimilar, ele cruzara seus dedos nos dela, fazendo os dois correrem rapidamente por entre as sombras.
Alice resmungou uma palavra pouco educada sob o fôlego, pois correr lhe estava tirando o ar tão rapidamente quando o beijo dele poderia fazer. Seu coração começou a bater mais rápido, tanto pela corrida, quanto pela emoção de estarem em perigo.
Porem, batia também pela fraqueza que ameaçava abater-se sobre ela outra vez.
_ Parem ai! – a voz gritou pelos corredores, perseguindo ele nem mesmo fazia idéia de quem – È desrespeitoso e contra as leis! Parem ai!
Jasper riu diante do desespero do pobre guardador, enquanto continuava correndo juntamente com Alice por aqueles corredores. Ela também se permitiu rir, porem desejava realmente que parassem.
_ Jasper, estou...
No mesmo segundo em que ela começou a reclamar à ele sobre seu passageiro mal estar, Jasper a puxara pelo braço para uma pequena abertura em uma das pilastras, onde levava para outro salão.
_ Venha, Ally!
Alice apenas fora guiada para uma espécie de “local seguro”, onde poderiam ficar longe dos olhos do guarda, que passara rente àquela abertura, ainda aos gritos desesperados, perseguindo o nada mais à frente.
E ela agradeceu mentalmente por poderem parar, sozinhos outra vez.
Quando os passos corridos do homem que corria atrás deles foram se distanciando, tomando outros rumos, Alice se permitiu parar para puxar o ar com força para dentro dos pulmões vazios.
E apenas aquilo doía suas costelas inteiras.
Ela sentou-se na beirada de mármore de uma das enormes e brancas pilares que haviam ali.
Segurou tão fortemente a tosse em sua garganta que até doera.
_ Acho que estou ficando velha para acompanhar seu ritmo – ela zombou de sua condição excessivamente cansada. Estava realmente se sentindo velha. Logo seria demais para ele.
E aquilo era algo com que se abater.
Porem, Jasper sabia que aquilo não tinha nada relacionado à idade. Também sabia que deveria dize à ela que não tinha.
Mas... não podia dar à ela aquele peso. Frágil do jeito eu estava, ela não suportaria saber que estava tão doente.
_ Não está ficando velha coisa alguma – contradisse ele, tentando parecer mais descontraído do que realmente se apresentava diante daquele assunto. Estendeu a mão à ela para ajudá-la a levantar-se – Eu é quem não devia tê-la feito esforçar-se tanto correndo como fizemos.
_ Não! – Alice exclamou de imediato, levantando-se mais depressa do que devia – Não, eu gostei – ela sorriu, um pouco corada – Foi... foi divertido.
Jasper ainda ficara pensativo e incomodado com o mal-estar passageiro dela. Porem, não quis desperdiçar aquele momento que tinham à sós– como se não tivessem o tempo todo – com a fachada séria.
Diante do sorriso dela, ele achou impossível não sorrir também.
Umedeceu os lábios enquanto a analisava. Partia de traço à traço e se encantava coma delicadeza de cada um. Se encantava com o fato de gostar tanto de estar com ela.
Se encantava com a intensidade daquele gostar.
E, diante dessas verdades, ele decidira que não poderia guardar para ele próprio o que queria dizer à ela desde que haviam saído de seu quarto.
_ Por que está me olhando assim? – perguntou ela encabulada. Porem, tinha uma leve noção de que ele simplesmente gostava de olhá-la, pois ele vinha fazendo aquilo com muito mais freqüência do que já o fazia.
Suas bochechas coraram quase que automaticamente.
Jasper sorriu e agiu antes de pensar.
_ Dance comigo?
Alice franziu o cenho diante de sua proposta. Certamente concordaria de imediato a proposta de uma dança com ele, afinal não haviam dançado juntos desde sua festa de casamento. O que fora tão desastrosa que não poderia contar como uma dança. Naquele dia, ela nem mesmo aproveitara sua companhia.
Entretanto, ele propunha aquilo justamente em um lugar onde as danças estavam distantes.
E a musica também.
_ Mas não tem musica – pontuou ela, rindo do lapso de seu marido tão centrado.
Jasper estalou a língua, seu sorriso tornando-se cada vez menos debochado, cada vez mais verdadeiro.
Jasper estava... estranho.
_ Se ficarmos em silencio, podemos ouvir o que quisermos – disse ele enquanto estendia a mão para ela.
Alice olhou para a mao estendida dele e riu. Mesmo que fosse estranho e, no mínimo, inusitado, também era muito encantador.
Quase algo romântico.
Ela o olhou, procurando traços de gozação. Mas não havia nada, apenas a expectativa nos olhos de Jasper.
Assim, ela colocou sua mão sobre a dele, aproximando-se de seu corpo.
Se ele queria uma dança sem músicas, ele teria.
Tocou seu ombro com a mão livre, ainda um pouco receosa. Ainda sob um olhar fixo dele sobre si, ela começou à acompanhar seus precisos, vagarosos e curtos passos.
Abaixo de seus pés, o mármore escuro refletia a imagem dos dois, até levá-la ao teto. E, sim como ele havia falado, pequenos resquícios da musica ecoava por todos aqueles corredores quase ao ar livre, como o ar.
Invisível, porem ali.
Alice sorriu diante das baixas notas, arrastando os pés ao ritmo dela, acompanhando aos próprios movimentos de seu marido.
A ultima vez que haviam dançado, ela havia feito tudo para que fosse a pior experiência para ambos. Talvez, naquele dia, ela pensou, houvesse conseguido. Certamente Jasper odiara dançar com ela naquela noite, e Alice sabia que não poderia sentir-se ressentida quanto aquilo.
Afinal, a culpa era dela.
Porem, aquele instante estava sendo diferente. Jasper sorria para ela e acariciava sua mão enquanto rodavam pelo piso. A forma como ele a olhava, inclusive, era tão intensa que ela própria começava a estranhar.
_ Esta é nossa primeira dança – disse ele em um momento, quebrando o, até então, agradável silencio.
_ Mas nós já tivemos uma primeira dança – ela contradisse, sorrindo – Lembra-se? No dia em que nos casamos.
Jasper franziu o cenho, como se não esperasse que ela contasse com aquele episodio.
_ Aquilo não foi uma dança – disse ele – Foi uma guerra fria.
Alice riu, concordando com a cabeça. Ele realmente tinha razão.
Ele a rodou nos calcanhares, fazendo seu vestido, de um delicado tecido de cetim, a acompanhasse com graciosidade.
Alice riu às gargalhadas enquanto rodava, gostando muito da sensação de ventos, de desorientação. Porem, Jasper não deixou que ela desse mais do que duas voltas em torno de si, parando-a pela cintura em um rápido movimento.
Alice só se dera conta da forma como ele a parara, quando sentira seus lábios sobre os seus, o quente de sua boca invadindo a dela.
Aquele gosto perfeito que apenas ele tinha.
Seu coração, como sempre, disparara no peito, enquanto seu corpo inteiro se esquentava. Jasper circulou sua cintura com uma das mãos, ao mesmo tempo em que subia a outra por sua nuca, acariciando-a.
Ele a beijava com tanta precisão que era impossível não reprimir sons de pura satisfação na garganta.
E, diante do leve aperto de Jasper em sua cintura, Alice se permitiu colocar timidamente as mãos em seu peito dotado de uma rigidez perturbadora.
E era bom fazer aquilo.
Ele parecia querer expressar algo através daquele beijo, pois jamais havia sido com toda aquela... intensidade? Não, ele a beijava de um modo diferente.
Quase com adoração, como se não fosse simplesmente sua boca que beijava.
Mas, por mais que ela quisesse entender o que se passava na cabeça indecifrável de seu marido, ela não queria, também, pensar em nada se não seus lábios, tão macios e bem feitos juntos com os dela.
Já estava sentindo falta dele.
Porem, fora ele quem interrompera aquele momento, fazendo-a virar-se em uma careta. Mas que ela não vira realmente, pois assim que abandonara seus lábios, ele afundou seu rosto no vão de seu pescoço, como se não quisesse que ela o olhasse frente a frente.
_ Jasper, o que...
_ Eu havia lhe chamado de minha Alice – ela escutou a voz grave dele murmurar bem ao pé de seu ouvido, causando um arrepiou tão imediato e intenso que fora até as pontas de seus dedos.
_ Perdão, o que? – ela indagou com a voz entrecortada. Certamente seus ouvidos não haviam escutado direito.
Jasper roçou seu queixo no ombro dela, fazendo-a arrepiar-se novamente.
_ Lhe chamei de meu amor, também – ele continuou, sabendo muito bem que Alice o havia escutado. Mas que não conseguia entender, assim mesmo como ele – Sou homem o suficiente para admitir isso.
Em sua barriga, seu estomago revirou e algo dentro dela vibrara. As batidas de seu coração voltaram a estar aceleradas e ela não soube como agir.
Não esperava que ele fosse lhe revelara aquilo.
Com vagarosidade, Jasper fora se distanciando do esconderijo de seu pescoço, os olhos com um brilho todo novo.
Ambos estavam confusos e estarrecidos demais com o que acaba de ser dito ali.
_ E... e por-por que? – ela perguntou em um fio de voz, assim que seus olhos encontraram com os dele. Era a primeira vez que os olhos de ambos pareciam descobertos, crus e intensamente desnudados.
Alice sentiu que não havia mensagens escondidas nas palavras dele.
Ele...realmente estava falando o que havia dito.
— Eu não sei – foi o que ele respondera, e seu olhar passara tanta sinceridade que Alice se chocou.
E na cabeça de Jasper, tudo estava mortalmente confuso. Seus pensamentos iam e vinham rápido demais para que ele pudesse acompanhar e, naquele momento, a razão de vir chamar ela daquela maneira não lhe fazia sentido.
Quando ele via, simplesmente já havia dito.
Mas era impossível se arrepender.
Por um fugaz e desesperado segundo, Jasper se vira pensando o por que aquilo vinha acontecendo.
Como ele poderia chamá-la de meu amor se aquilo não significasse algo?
Ele desesperou-se por dentro quando um minúsculo pensamento aparecera em sua cabeça.
E se estivesse... apaixonado por ela?
Seu semblante vacilou, de repente. Uma intensa revolução em seu peito o fizera soltar o ar com uma humilhante dificuldade.
Não estava apaixonado por ela.
Não podia estar.
Afinal, jamais amara uma mulher. Certamente, apenas conhecia a forma de amor que sentira por sua mãe, porem sabia que esse tipo de sentimento não tinha nada relacionado àquilo.
Mas não havia razão lógica para que ele estivesse apaixonado por ela. Sua relação com Alice era apenas algo de respeito, carinho e um desejo tão forte que sentia pelo calor dela, que esses deveriam ser os responsáveis por aqueles lapsos.
Definitivamente, ele não a amava.
Porem, tivera uma vontade tão intensa de beijá-la, naquele momento, que aquilo fora mais forte e, quando ambos viram, já estavam afundados em outro intenso e carnal beijo.
Beijo este que impedira Alice de respirar abruptamente.
Era quase um beijo possessivo e luxurioso, daqueles que sempre antecediam a queda dos dois em seu colchão quente e macio, e o infinito da noite adentro.
Porem, antes que os dedos trêmulos de Alice conseguissem chegar aos botões da camisa dele, alguém pigarreou.
Ambos soltaram-se abruptamente diante do susto. Alice congelara em seu lugar enquanto Jasper permanecera, por alguns segundos, estático.
Mas quando eles reconheceram quem havia pigarrear, ambos permitira-se respirar novamente.
_ Bella? – Alice indagou colocando a mao sobre o peito, como se quisesse acalmar seu coração. O constrangimento fizera Alice corar como uma amora – Não... não é o que está pensando...
Bella rira alto enquanto Alice e Jasper desviavam os olhares, um pouco sem jeito diante do flagrante.
E da desculpa de sua irma.
_ Oras, Alice, não estou pensando nada – disse ela com um largo sorriso estampado. Afinal, mais do que chocada, ela estava era surpresa. Certamente esperava flagrar sua irma tentando estrangular à Jasper, e não beijando-o com tanta intensidade como faziam. Colocando as mãos na cintura, ela dera de ombros – È completamente normal um casal apaixonado sair para namorar às escondidas.
Alice arregalou os olhos enquanto Bella se aproximava dos dois.
Quer dizer, eles dois não eram um casal apaixonado.
_ Mas...
_ Olhe, eu sinto muito ter interrompido, está bem? – Bella a cortou, remexendo as mãos no ar. Porem, por dentro, estava contendo-se em seu desejo de sair correndo dali para contar à Rosalie o que havia acabado de flagrar.
E descobrir.
_ Agora venha comigo, pois mamãe está tão desligada nesta festa que nem se dera conta de seu sumiço das conversas da Sra. Villareal. – informou sua irma, enquanto pegava Alice pelo pulso e refazia todo o caminho que ela e Jasper haviam feito – E, também, queremos dançar um bocado.
Alice guardou um gemido no fundo da garganta, enquanto olhava por sobre o ombro, Jasper ficando para trás, aos sorrisos discretos.
E, assim que estava a uma distancia considerável dos ouvidos de Jasper, Bella puxara Alice para perto de si, um sorriso tão largo que ultrapassava os limites de seu rosto.
_ Oh, eu não acredito que vocês dois já dormem juntos! — exclamou ela em um sussurro debochado. Quase pulava ao lado de Alice, tão satisfeita em reconhecer aqueles sinais em sua irma que apenas aumentava-se em excitação, em vontade de encontrar Rose.
Alice arregalara os olhos outra vez, corando ainda mais do que já havia corado.
_ Deus, cale-se Bella, sua boca de traga! – ela repreendeu a irma duramente, abaixando ainda mais o tom, deixando-o quase estrangulado – Me põe completamente envergonhada!
Bella ria alto enquanto puxava Alice pelo braço em direção à festa. Vez ou outra, Alice olhava por sobre o ombro, rivalizando com a vontade de voltar para a festa demasiadamente entediante e voltar para os braços dele.
E a única coisa que impedia a segunda opção era sua irma, puxando-a.
Em um minuto, já estava novamente entre as diversas que pessoas, que ainda sorriam superficialmente do mesmo jeito. Ainda estavam nos mesmos lugares.
Ainda faziam tudo igual.
_ Ah, ali estão eles – Bella comunicou, tirando as distrações de Alice. No canto esquerdo do enorme salão, sua mãe, seu pai, Emmett, Rose e Edward, marido dela.
_ Até mesmo o Sr. meu pai está ali – disse Jasper bem às costas de Alice, enquanto eles se aproximavam do local. Alice sorriu, assentindo.
Sorriu um pouco mais quando sentiu as mãos dele sobre seus ombros, como se a guiassem.
_ Ah, que bom que os encontrou, Sra. Masen – disse Félix Witlock assim que os três chegaram à mesa. Levantando-se, ele se pôs ao lado do filho e de sua esposa – Onde estavam esses dois fujões, hãm? – indagou o homem com um enorme sorriso malicioso. Como se fosse uma praga pelo ar, todos começaram a encará-los da mesma maneira.
Alice corou tanto que fora impossível alguém não notar.
_ Estavam procurando Lauren, a noiva, pois Alice estava morrendo por cumprimentá-la, não é Alice? – disse Bella, mostrando-se descarada pela primeira vez na vida de Alice. Seu sorriso diabólico dizia, tanto para Alice quanto para Jasper, que ela estava disposta a não contar que os flagrara aos beijos, contanto que Alice entrasse na mentira que a envergonhava tanto.
_ E a encontraram? – perguntou Rose inocentemente. Alice até mesmo franzira a testa, achando que os papeis estavam muito claramente trocados, naquela estranha noite.
Alias, todos estavam estranhos demais, naquela noite.
_ Bem, aparentemente Lauren sumiu – Alice respondeu, tentando parecer natural o suficiente para a graça de Bella se evaporar.
Mas não fora o suficiente.
_ Muitas pessoas estão sumindo esta noite, não? – disse ela cheia de segundas intenções. Ninguém na mesa percebera seu tom direto, a não ser Alice e Jasper.
E ela a fuzilou tanto que Bella tivera que segurar o riso.
E então, todos se silenciaram enquanto a musica continuava.
_ Bem – Félix fora o primeiro a se pronunciar novamente. Segurou o ombro do filho — Quero levar você, meu filho, até uma pessoa – fez uma pausa, arqueando as sobrancelhas – Alguém que você não encontrou aqui, ainda.
Jasper franziu o cenho, primeiramente pensando em todos os amigos negociantes de seu pai.
_ E quem seria? – o indagou.
Félix maneou a cabeça, rindo.
_ Vamos até lá, meu filho – respondeu ele – Tenho certeza que gostará da surpresa.
Jasper deu de ombros enquanto pensava em quem seu pai queria mostrar-lhe. Mas aproximou do ouvido de Alice, para deixá-la á parte da situação.
Poderia muito bem levá-la junto.
_ Estou indo com meu pai ver alguém – disse para ela – Gostaria de vir junto?
Vacinada e a parte de como eram os encontros do Sr. pai de seu marido, Alice fizera uma careta. Sua cabeça enchia-se de desculpas para evitar aquilo.
E queria que Jasper também evitasse.
Ela se virou para ele, um pequeno sorriso brincou em seus lábios avermelhados.
_ Eu gostaria mesmo era de dançar – disse ela, apontando discretamente para a pista, onde muitas pessoas dançavam. Claro que ele entendia a indireta dela sobre a dança.
Era uma clara referencia ao que havia acontecido no pátio.
Jasper riu diante do desprendimento dela, desejando, naquele segundo, que eles estivessem na privacidade de seu aposento. Porem, deveria deixar aquilo para depois.
Assim como teria que deixar a dança deles para depois também.
_ Vou dançar com você assim que eu voltar – prometeu ele, acariciando sua bochecha. Na frente de todos – Está bem?
Alice suspirou, ressentida. Queria dançar com ele naquele instante.
Não entendia sua repentina vontade, mas sabia que ela era mais forte.
_ Com tanto que não vá demorar – retorquiu ela, em um bico insatisfeito.
Jasper riu.
_ Não, não irei – disse antes de beijar sua testa rapidamente – Logo estarei de volta.
Quando ela assentiu, Jasper cumprimentou à todos de sua família com um curto aceno de cabeça, antes de se virar, juntamente com seu pai, e seguir entre as pessoas.
Alice os observou se afastarem, calada. E quando não os vira mais, voltou-se para a conversa na mesa de sua família.
_ ... comi daqueles camarões e acho que ainda sinto fome – o Sr. McCarty dizia, enquanto comia o ultimo bolinho de carne de sua bandeja.
_ Oras, Emmett, deveria parar de comer dessa maneira, ou virará um Sr. gordo e de traseiro flácido – Rose o alertou, ajeitando o decote de seu vestido – Que saiba o Sr. que, se assim se tornar enquanto eu for uma bela Sra. loira e sofisticada, eu encontrarei outro.
Emmett arregalou os olhos, engasgando um pouco com seu bolinho de carne ainda na garganta.
_ Rosalie! – exclamou ele, aturdido, enquanto todos na mesa caiam em gargalhadas. Discretamente, ele abandonara sua bandeja, uma carranca se formando em sua face.
Era a primeira vez que a ultima risada não era dele.
_ Oras, Rose, não deveria falar dessa maneira – Bella disse, ainda vermelha por conta das risadas – Afinal, Sr. McCarty é grande o suficiente para ter muito locais para armazenar bolinhos de carne.
_ Ah, está escutando bem a sua irmã? – ele virou para sua esposa, ainda um tanto indignado. E aquilo fizera todos, inclusive Rose, rirem mais – Ao menos ela não vê como um problema minha fascinação por bolinhos. Ainda mais os de carne.
Rose apertara o antebraço do marido entrelaçado ao seu, imersa em um longo e sorridente suspiro.
_ Está bem, está bem – disse ela, pegando um dos bolinho que estava depositado em uma bandeja no centro da mesa, e começou a comê-lo – Apenas cuide quanto ao traseiro, sim?
Todos voltaram a rir, até mesmo Emmett, que passara a imitá-la quanto ao bolinho da bandeja no centro da mesa.
Porem, havia alguém que não fizera nem um nem outro.
_ Mamãe? – Bella a chamou quando o olhar distante dela começava a assustá-la – Mamãe, você está bem?
Esme voltou seu olhar, antes perdido em algum ponto qualquer, para toda sua família. Todos a encaravam, confusos.
Ela sorriu, sem jeito, ajeitando seus cabelos soltos, como se não conseguisse encarar todos ali da mesma forma que conseguia antes.
Afinal, tudo estava parecendo tão falso.
_ Estou bem, querida – respondeu ela, escondendo na taça de água – O que diziam mesmo sobre a decoração?
Bella e Rosalie se entreolharam diante do lapso de sua mãe. Agora, estava claro e evidente que ela estava completamente à parte do assunto em questão.
E quando o silencio fora geral, as duas perceberam que deveriam mudar aquela cena um tanto constrangedora.
_ Não era sobre a decoração, mamãe – disse Bella – Era sobre bolinhos de carne.
Esme as encarou, fingindo entendimento. Dera um pequeno sorriso, assentindo.
_ ... e sobre traseiros flácidos – Emmett emendou, de repente, e todos voltaram a rir.
Dessa vez, Esme também estava junto.
_
_ E quem seria, meu pai? – Jasper perguntou outra vez enquanto o caminho começara a ficar longo demais. Esperava ardentemente que seu pai não o estivesse levando para cumprimentar seus amigos do sul.
Sim, pois aqueles eram mais intragáveis do que o café que Alice preparara, uma vez.
_ Bem, veja com seus próprios olhos – disse o homem, saindo da frente de seu filho, que ainda saia do meio das pessoas.
Jasper olhara para a mesa, a mais afastada de todas, por sinal, e reconhecera imediatamente as pessoas que ali estavam sentadas, bebendo muito vinho e comendo todos os bolinhos de carne que encontravam.
Gostavam tanto quanto bolos de abobora, pensou Jasper.
_ Ah, pois até que enfim nos encontramos, seus trastes! — Jasper exclamou com um largo sorriso, enquanto todos da mesa de levantavam – Mike, seu merdinha! – disse ele enquanto o rapazote o cumprimentava com seus usuais abraços fortes.
_ Hey, Major! – Peter também exclamou, erguendo a mao para batê-la na de Jasper – Como está a vida?
_ Ah, Peter! – Jasper batera fortemente em sua mao, tomando o amigo em um abraço, também – Quanto tempo, caro amigo!
_ Sim, certamente! –respondeu o outro, aos risos. Assim que se separaram, uma mulher tipicamente latina, enfeitada com uma enorme trança negra caída ao lado, aparecera ao lado de Peter.
_ Oh meu Deus, Charlotte! – Jasper pegara a pequena mulher, lembrando-se que ela chegava a ser ainda menor do que Alice – Quantas saudades, mulher!
A jovem mulher sorrira alto, abraçando a Jasper como se fossem íntimos.
E, na realidade, eram, pois ela o conhecia desde sua infância, quando ele havia morado em Michigan.
_ Ah, Jazz, também estava a morrer de saudades de você, Sr. Major – brincou ela, olhando-o com os olhos brilhantes assim que se separaram – Oh céus, não perde a mania de deixar esses cabelos bagunçados nunca, não? – zombou ela, remexendo em seu cabelo, como fazia quando eram crianças.
Jasper rira alto, tirando a mao dela de seus cabelos para levá-la até os lábios, beijando-a respeitosamente.
_ Você sabe, minha cara, que esse é meu atrativo – piscou ele enquanto ela ria.
_ Ok, eu entendo que se conhecem a muito mais tempo e sou realmente grato, Jasper, por ter sido você a apresentar-nos, mas.... – Peter interveio, tentando parecer sério. Circulou a cintura da mulher, arrastando-a para perto de si – Estou um tanto enciumado.
Tanto Jasper e Charlotte quanto os outro riram, fazendo uma curta rodinha.
_ Nos resta saber se está com ciúmes de mim ou de Jasper, não é querido? – a mulher zombou e, dessa vez, todos riram à gargalhadas, certamente atraindo alguns olhares dos demais.
Peter projetara um bico, mal-humorado, fazendo todos acharem ainda mais engraçada sua expressão.
_ Tem a esposa mais perfeita, Peter – Mike disse, enquanto comia mais bolinhos – Pois ela tem tanto senso de humor quanto todos nós.
Peter riu junto com seus amigos, beijando apaixonadamente a têmpora de sua pequena.
_ Sim, eu tenho, não?
Jasper assentiu, concordando, enquanto abraçava Jerad, outro amigo de seus tempos de guerra.
_ E Sam, onde está? – perguntou quando notara a falta do enorme amigo, que se parecia tanto com um índio.
Mike deu de ombros, como se não ligasse se seu companheiro de arte estava ali ou na praça.
_ Não o vemos a um tempo – disse desdenhosamente – Deve estar se atracando com alguma moça dentro de algum armário qualquer, aquele desdedado.
Todos se entreolharam, parando de repente. Jasper já sabia exatamente o que Peter pensava e vice e versa.
Mas aquele era um momento para piadas leves, então todos deram de ombros, voltando a rir e conversar.
_ E Alice, Jasper? – indagou Peter, assim que os cumprimentos se cessaram – Como está sua pequena?
_ Bem, ela...
_ Sendo o castigo de Jasper, como havíamos dito que seria no casamento dele, lembram-se? – a voz saíra de trás de diversas pessoas, entrando na conversa tão naturalmente que todos se viraram para ver que irmão que era, dessa vez.
E ele era o próprio noivo.
_ James! – Jasper sorriu para o amigo, enquanto este vinha ao se encontro para abraçá-lo – Felicidades pelo casamento. Esta é uma bela festa.
_ Ao menos tem comida a vontade – disse o jovem homem loiro, passando a mãos pela camisa branca, arrumando-a. James e suas manias – Eu precisava de uma recompensa por estar casando, certo? – disse aos risos, bebendo de uma bebida esbranquiçada e borbulhante.
_ Oras, não diga desta maneira – Charlotte o repreendeu, batendo em seus ombros com suas luvas – Tenho certeza que a Srta. Stanley é uma moça adorável, assim como Alice, a esposa de Jasper, que você chama de encrenca – o olhou duramente, como se ele fosse uma garotinho.
James beijou rapidamente a bochecha de Charlotte, com precisão e rapidez o suficiente para que Peter não alcançasse seu pescoço com a mão.
_ Experimente casar-se com qualquer uma das duas, Charlotte minha cara – disse James sugestivamente, arrancando risinhos dos demais.
_ Cuide com o que diz, James, antes que Jasper lhe afunde os olhos – Carlisle aparecera de repente, o sorriso e o tom natural – E, também, eu tenho certeza de que Alice, ao menos, é uma ótima mulher para Jasper.
_ Sr. Newton! – Jasper sorriu ao ver seu capitão. Já estava sentindo falta da fala sempre superior a de todos. Carlisle sempre sabia das coisas.
_ Olá filho – disse o homem, sorrindo afetuosamente. Cumprimentou Felix com um respeitoso aceno de cabeça, antes de colocar as mãos nos bolsos – E onde está a mulher em questão?
Jasper sorriu, um pouco sem jeito de estar falando de Alice em sua ausência.
Se soubesse que aquelas eram as pessoas que seu pai pretendia mostrá-lo, teria trazido Alice junto com ele.
_ Bem, ela está em uma mesa junto com sua família – disse, olhando por cima das cabeças, como um ato automático – Irei buscá-la, de qualquer forma – sorriu – Quero que todos a conheçam – tirou os olhos de seu capitão, para olhar para todos – Ela irá adorá-los.
James, Jared, Mike e todos os demais homens que lutavam se entreolharam, antes de rirem e fazerem caretas de lamentações.
_ Oh Deus, ele foi picado pelo bichinho do casamento! – exclamou James, em um fingido lamento – A relação carnal é o ponto mais fraco de um homem. E penso eu que Alice deve ser muito boa nesse sentido, para Jasper ter conseguido superar seu mal gênio!
Todos sorriram, inclusive Félix e Carlisle.
_ Oras, parem de dizer essas coisas da pobre moça! – Charlotte os repreendeu novamente, agora um pouco mais séria do que o normal – E quanto a você, Jasper ?– ela encarou fixamente seus olhos em seu amigo de longa data – Não defenderá sua esposa desses mamutes?
Jasper deu de ombros, colocando as mãos nos bolsos assim como Carlisle.
Inclusive o comportamento dele não passara despercebido por ele. Quer dizer, Carlisle parecia ali, porem seus olhos estavam tão opacos que ele parecia em outro estado.
_ Não direi nada para que eles possam ver com os próprios olhos o quanto Alice pode ser adorável – respondeu com uma naturalidade nova para seus amigos – Morrerão de inveja de mim, nesse momento.
_ Ah, diante dessa declaração, você deveria ir buscá-la, não acha filho? – Félix se pronunciou, colocando as mãos na enorme barriga – Tenho feito das palavras suas, as minhas.
Jasper assentiu, sorrindo.
_ Então esperem um momento – disse, virando-se – Irei buscá-la.
_
Na mesa, Alice olhava as pessoas dançando logo á frente, desviando os olhos apenas para tentar ver seu marido voltando.
Mas não o via.
Ela bufou, voltando-se para sua família.
_ Jasper está demorando, não acha mamãe? – ela murmurou para Esme, inclinando-se em sua direção e estalando a língua. Suas mãos remexeram-se inquietas sobre seu colo.
_ Não se preocupe, Alice – Esme sorriu para ela – Ele logo estará aqui outra vez. Inclusive... Oh, Deus – Esme estalou os olhos enquanto olhava por cima da cabeça de sua filha.
De repente, todos de sua mesa calaram-se, olhando para a mesma direção. Alice afastou-se de sua mãe, enquanto sua irma Rose pigarreava e olhava sugestivamente para ela.
Com o cenho franzido, ela olhara para trás.
Fortunato Black vinha em direção à mesa deles.
_ Ah não... – Alice gemeu, desviando os olhos para qualquer outro lugar. Seu estomago dera um solavanco com a possibilidade daquele homem para exatamente ali. Sentiu o exato momento em que suas pernas gelaram e que as palavras de sua garganta sumiram.
E ela não entendeu aquelas reações ante a presença dele.
Jamais havia sentido... medo.
E, para a inquietação de todos, ele parou frente à mesa deles.
_ Boa noite, Sr. Cullen – cumprimentou ele, olhando diretamente para o homem, que remexia-se em sua cadeira, afrouxando o colarinho. Fortunato nem ao menos fizera questão de voltar-se para as mulheres – Sr. Masen. Sr. McCarty.
_ Boa noite, Sr. Black – o Sr. Cullen devolveu seu cumprimento, um sorriso demasiadamente forçado. Mesmo que não tivesse nada de contrario àquele homem, não conseguia negar que sua presença lhe era inexplicavelmente perturbadora – A que devo a honra de tal presença em nossa mesa?
O homem sorrira, fazendo um estranho som com a garganta.
Quase um ronronar rouco e maquiavélico.
E estranhamente, Alice lembrava-se de algo parecido...
_ Eu gostaria de pedir a mão de sua filha Alice para uma simplória dança.
Todos na mesa pararam em suas posições, enquanto um ar pesado se apoderava da mesa, antes infestada de risadas e brincadeiras.
_ Como? – Alice arquejara, conseguindo tirar voz de sua garganta de uma maneira que surpreendeu até mesmo ela própria.
Ele não poderia estar propondo aquilo, poderia?
_ Quero dançar essa música com Alice – repetiu ele e seu tom não passava o de um pedido, e sim de uma constatação – Claro, se assim o Sr. me permitir.
_ Hãn... – o homem balbuciou, sem jeito. Na realidade, a única que o deixava daquela maneira era o fato de todos na mesa parecerem contrários àquele pedido.
_ Mas quem tem que permitir a dança sou eu e não o Sr. meu pai – Alice interveio, de repente, tão perturbada com aquele pedido que sua voz estava esganiçada.
_ Bem, minha cara Sra. Witlock – disse ele a contra vontade – Enquanto o Sr. seu pai estiver com você, devo eu pedir à ele, pois ele ainda é seu responsável.
Alice bufou discretamente, enquanto apertava a mão de sua mãe por sob a mesa.
Sentia as mãos dela gélidas assim como as suas, e entendeu que sua mãe estava tão apreensiva quanto ela própria.
_ Não Sr. Black, meu pai não é mais o responsável por mim – contradisse ela, um pouco geniosa. Porem, o tremor em sua voz não a deixara firme como ela gostaria que houvesse ficado – E sim o Sr. meu marido.
Aquele parecia ter sido o ponto que Fortunato queria que ela chegasse, pois dera um riso satisfeito.
Alice havia caído.
_ Bem, ele não parece estar aqui, neste momento – disse ele, olhando para os lados exageradamente – De modo que.... – ele voltou-se para o homem e, imperceptível para qualquer um, menos para Alice, o olhar que ele lhe dirigiu era de alguém que cobra algo – O Sr. seu pai é quem pode me permitir ou não.
O Sr. Cullen pigarreou, engasgando com um pedaço de bolinho que comia. Sabia que deveria algo para aquele homem, pois havia quebrado o acordo que haviam feito à meses atrás.
E, diante daquilo, era impossível negar.
_ Ah – ele deu de ombros, bebendo três goladas generosas de seu vinho – Não há nenhum problema em uma dança, certo? – riu ele para o homem enquanto ele assentia – Vá, Alice, vá – remexeu ele com as mãos no ar.
De certa forma, era grato ao Sr. Black.
_ O que? – Alice indagou, chocada com a concordância de seu pai – Papai!
_ Oras, Alice, não faça essa desfeita à um homem tão importante quanto o Sr. Black – seu pai a repreendeu, colocando as mãos gorduchas sobre a mesa – Vá, vá dançar essa musica com ele.
Alice encarou seu pai com o coração acelerando-se à mil. Seu olhar fora de tanto ressentimento que todos na mesa conseguiram perceber.
Decidiu que aquele havia sido o ponto final de seu pai para com ela.
A mão do homem estava estendida em sua direção e seu sorriso presunçoso lhe remexera o estomago.
Porem, fora o olhar de Esme que fizera Alice tomar a devida coragem para se levantar de sua cadeira, onde havia estancado. Ela sabia que sua mãe não gostara daquela idéia tanto quanto ela, mas ela também sabia o quanto Esme detestava escândalos e o fato de, possivelmente, ser renegada e mal vista aos olhos de outros.
Assim, Alice suspirou longamente antes de depositar a mão sobre a do homem. A mão dele era grande e apresentava diversas cicatrizes grandes e assustadores, com um relevo que ela podia sentir na sua própria.
E a frieza era algo que ela não poderia se surpreender.
Erguera a cabeça e começara a caminhar ao lado dele. Seu cheiro não entrava em suas narinas, mesmo que não fosse repugnante.
Naquele momento, ela queria muito que Jasper estivesse vigiando-a.
Quando chegaram no meio do salão, ela virou-se de frente para ele, posicionando-se como todos faziam para as danças.
Ele e seu olhar profundo a encararam de uma distancia curta demais para que Alice se sentisse suficientemente cômoda.
A música começara.
_ Está muito bonita esta noite – disse ele, enquanto sua enorme mão acariciava o tecido de sua cintura.
Alice engoliu em seco, tentando não olhá-lo nos olhos, pois demonstraria o medo que estava sentindo por estar tão próximo àquele homem.
Deus, se Jasper estivesse consigo jamais teria permitido que aquilo acontecesse.
_ Obrigada, Sr. Black – disse ela, tentando manter a voz estável o suficiente. O que ela menos poderia permitir era que aquele homem soubesse o quanto poderia afetá-la.
Ele riu, enquanto seu sorriso era ocultado pelo enorme bigode.
_ Fico me perguntando onde estaria o Sr. seu marido para permitir que tamanha beleza fique só e desprotegida – comentou ele, apertando um pouco a pressão da mão em sua cintura e girando com ela pelo salão.
Inclusive, Alice sentiu o olhar dele por sobre seu colo.
_ Ele fora apenas cumprimentar alguns amigos – respondeu ela com a voz um tanto petulante. Afinal, aquele homem poderia constrangê-la de todas as formas, porem não devia direcionar-se para seu marido. Não para Jasper – Mas creio que tão logo já estará de volta.
O homem dera de ombros, o enorme casaco apertando-se ali.
_ Não me importo, realmente – revelou ele com um evidente sorriso irônico.
Alice semicerrou os olhos para o homem, a vontade de descobrir certos comportamento dele com relação à ela ardendo mais em si do que o medo.
_ Seriamente? – indagou ela com um pequeno nível de sarcasmo – Pois não me parecia isto quando me abordou na igreja – relembrou ela e, fugazmente, ela vira um brilho assustador nos olhos do homem – Por que estava tão irritado, afinal de contas?
O homem a encarou de cima, o negro de seus olhos tão frios e duros que Alice piscou algumas vezes, desnorteada.
Inclusive o aperto em sue cintura aumentou um pouco.
_ Não quero ter que relembrar o motivo de meu temperamento, naquela tarde – disse ele, pondo um ponto final naquele assunto.
Porem, Alice era teimosa e audaciosa como o inferno.
_ Bem, mas eu gostaria – contrapôs ela, endurecendo o olhar – Pois o Sr. disse-me que logo eu e meu marido saberemos – ela o encarou fundo – Eu quero estar preparada para o que quer que o Sr. planeje.
O homem apertou a mão dela entre seus dedos, rodando-a rapidamente. Alice sentira o aperto e gemeu fracamente, enquanto suas vistas embaçaram rapidamente.
Com isso, nem mesmo vira quando ele se aproximou de seu ouvido, o hálito e a barba irritando sua pele.
Naquela área, ela estava acostumada apenas aos lábios de Jasper.
_ Não me provoque, Alice – murmurou ele duramente – Pois eu reajo muito mal às coisas vindas de provocações.
Engolindo em seco, Alice empurrou-lhe um pouco os ombros, a fim de distanciar-lo de si.
O fuzilou com os olhos castanhos vivos.
_ Certamente eu noto isso – disse ela, desviando os olhos dos dele, enquanto passou a encarar as pessoas que dançavam em volta.
Enquanto aquela guerra dura acontecia no salão, Jasper chegara, com seu pai logo atrás de si, novamente à mesa da família Cullen. A princípio, seu sorriso era de pura satisfação, pois não via a hora de apresentar sua Alice para seus amigos, para seu Capitão.
Para Charlotte, a Sra. Collins.
Porem, seu bem-estar fora desaparecendo à medida em que ele correra os olhos por todas as pessoas da mesa e não a encontrou sentada ali, como ele havia deixado-a.
_ Oh Céus – Rose murmurou, virando-se para Bella – Isso não dará certo – disse ela para a irma, enquanto as duas pararam seus olhos em Jasper, que se aproximava.
_ Onde está Alice? – fora a primeira coisa que perguntara quando notou a cadeira dela, ao lado da de Esme, vazia.
Em sua cabeça, diversos pensamentos diferentes e aterrorizantes apareceram, fazendo seu coração acelerar.
Primeiramente, ele não poderia deixar Alice só por aí enquanto estivesse apresentando fracos sinais de sua doença. E, depois, ele não podia deixá-la só por aí, pois, no meio de todas aquelas pessoas, poderiam haver aquelas que a perseguiam.
_ Alice está... – Esme começara a falar, enquanto olhava, temerosa, para seu alto e zangado genro.
_ Alice está em uma dança – Sr. Cullen a cortou, anunciando aquilo naturalmente antes de tomar mais um pouco de sua bebida.
_ Em uma dança? – indagou Jasper, franzindo a testa. Aquela não fora a resposta que queria, realmente. Um amargo sentimento desconhecido embrulhara seu estomago. Em sua cabeça, a imagem de Alice dançando com outro o perturbou tanto que ele virara-se para trás automaticamente – Dançando com quem?
E, nesse momento, ele a vira nos braços de Fortunato Black.
Notas finais
Tambem queria pedir desculpas por não ter respondido as reviews (de novo) e, tbm, por não ter poder estar tirando as dúvidas no espaço ali de cima (estou realmente CORRIDA).
MAs na semana que vem eu espero que consiga.
Por hora, espero que tenham gostado do cap.
BJssssssssssssssssssssssssssss
:*
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